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2.2 Description de l’algorithme PSO-2S

2.2.6 Résultats et analyse

Na sequência, podemos também nos interrogar: que conhecimentos tinham certos povos antigos das ilhas orientais de Cabo Verde? Esta é uma questão que muitos historiadores, defensores acérrimos das proezas dos

descobrimentos dos portugueses, têm combatido, por considerarem tais proezas incontestáveis.141

Não partilhamos dessa ideia, pois tem-se levantado a hipótese, com recurso a testemunhos de escritores antigos, de as ilhas orientais do Arquipélago de Cabo Verde terem sido visitadas, embora de forma esporádica, por povos do Norte de África, como fenícios ou cartagineses, e da Costa Ocidental africana, como senegaleses.142

Sobre essas hipóteses, temos o testemunho de Armando Cortesão, uma das maiores autoridades em história da cartografia portuguesa, que corrobora essa hipótese do seguinte modo: “eu estou convencido de que quase todas as ilhas atlânticas foram visitadas pelos Fenícios e provavelmente por outros antigos navegadores, e que há um fundo de realidade nas muitas referências dos Clássicos”.143 E explica que “se os navios que eram levados até às Canárias pelos alísios e correntes de nordeste não alcançassem essas ilhas, podiam facilmente ser arrastados mais para sul, até as Ilhas de Cabo Verde, situadas na zona de ventos variáveis. Só quando os alísios e correntes alcançam o seu limite mais meridional, a sul do Arquipélago de cabo Verde, inflectem para oeste formando a corrente equatorial do norte, que se dirige directamente para as costas americanas”.144

Informa ainda que, se as ilhas de Cabo Verde aparecem pela primeira vez correctamente apresentadas nas cartas de Benincasa de 1468 e 1469, “[…] há algumas cartas mais antigas que representam umas ilhas indeterminadas a sul das Canárias. São elas as cartas de Viladestes, de 1413, de Zuane Pizzigano de 1424, catalã anónima de c. 1439, e de Bianco de 1448”.145 Pensa Armando Cortesão que as denominações “himadoro”, em Pizzigano, “ymador”, na carta catelã, “yles de gades”, em Viladestes, e “dos ermanos”, em Bianco, “[...] são reminiscências de ambas ou uma das duas ilhas Sal e Boavista, que teriam sido vistas e notadas em resultado de alguma viagem ou viagens para o sul, quer de

141 Cf., por exemplo, ALBUQUEREQUE, Luis de – “O descobrimento das ilhas de Cabo Verde”.

In ALBUQUERQUE, Luís de; SANTOS, Maria Emília Madeira (Coordenação de) – História Geral

de Cabo Verde. 2ª ed. Vol. I. Lisboa: Instituto de Investigação Científica Tropical, 2001, p. 23-24.

142 Sobre a possível presença fenícia, cf.: MARQUES, … – Descobrimentos …, p. 231;

DORNELA, André – “Descrição da Serra Leoa e dos Rios de Guiné do Cabo Verde” (1625). Introdução, notas e apêndices de Avelino Teixeira Mota. Lisboa: Junta de Investigação Científica do Ultramar / Centro de Estudos da Cartografia Antiga, 1977, p. 124; BOXER, C. R. – “O Império Marítimo Português (1415-1825)”. Trad. Inês Silva. Lisboa: Edições 70, 2001, p. 33; BASTO, Raphael Eduardo de Azevedo (Direcção de) – “ESMERALDO DE SITU ORBIS por Duarte Pacheco Pereira”. Lisboa: Imprensa Nacional, 1892, Prólogo, p. 1; MAJOR, … – Vida do Infante …, p. 146-153; CAMPOMANES, D. Pedro Rodriguez – ANTIGÜEDAD MARITIMA DE LA REPUBLICA DE CARTAGO COM EL PERIPLE DE SU GENERAL HANNON”. Madrid: Imprensa de Antonio Perez Soto, M.DCC.LVI, p. 93-94. Sobre a possível presença africana, cf. CORTESÃO, Jaime – “Os Descobrimentos Portugueses”. Vol. II. Lisboa : Arcádia, [s.d.], p. 46- 48; CAMPOMANES, … – “ANTIGÜEDAD …, p. 94-95; MARQUES, … – História …, p. 229 e 249.

143 CORTESÃO, Armando – “Descobrimento e representação das ilhas de Cabo Verde na

cartagrafia antiga”. Memórias da Academia das Ciências de Lisboa: Classe de Ciências, TOMO XXI. Lisboa: Imprensa Nacional, 1976 / 77, p. 230.

144 CORTESÃO, … – Descobrimento e representação …, p. 230. 145 CORTESÃO, … – Descobrimento e representação …, p 230.

propósito quer acidentalmente, de que não ficou notícia em qualquer outro documento”.146 Observemos então a carta a seguir:

FIG. Nº 8

Carta de representações antigas das ilhas de Cabo Verde

Fonte: Extraído de CORTESÃO, Armando – “Descobrimento e representação das ilhas de Cabo Verde na cartografia antiga”. Memórias da Academia das Ciências de Lisboa: Classe

de Ciências, TOMO XXI. Lisboa: Imprensa Nacional, 1976 / 77, p. 238.

Como questiona o próprio Armando Cortesão, como é que essas ilhas aparecem em cartas desenhadas anteriormente à descoberta pelos portugueses? Em resposta, o cartógrafo é peremptório: “[…] não tenho dúvida

que elas [as ilhas de Cabo Verde] já tinham sido avistadas antes de Diogo Gomes as redescobrir em 1460”.147

Por seu turno, Chelmicky e Vernhagen aceitam a tese de fenícios, cartagineses e romanos terem conhecimento das ilhas de Cabo Verde, nos seguintes termos: “é verdade no entanto que o contemporaneo Cadamosto e o Barros nada dizem a este respeito. Todavia não podece duvida que os Phenicios, Cartagenos e Romanos conheciam estas ilhas, e chamavam as

Gorgonidas, não ignorando que eram situadas ao sul das ilhas Fortunadas

[Canárias]”.148

Concluindo, de acordo com as informações coordenadas até aqui, não refutamos a hipótese de povos antigos terem visitado algumas das ilhas de Cabo Verde, particularmente as orientais, ou seja, Sal, Boavista, Maio e Santiago. Por isso, damos um certo crédito à possibilidade de os fenícios ou cartagineses e africanos terem visitado algumas das ilhas orientais do Arquipélago de Cabo Verde, antes dos portugueses no século XV, embora sem a intenção expressa de as povoar, como viria a acontecer com os portugueses a partir de 1460, não obstante uma certa passagem do texto de Campomanes deixe a entender a importância que os cartagineses atribuíam às ilhas de Cabo Verde como apoio à navegação. Neste sentido, diz o cronista: “los Cartagineſes viendo la importância de conſervar, y ſeñorear eſtas Islas, y reconocerlas para ſalicitar ſu navegacion, ſaltaron en tierra, y de dia nada deſcubriron”.149 Este é mais um elemento informativo que aponta no sentido de os marinheiros da armada de Hannon terem pisado as terras de alguma das ilhas orientais do Arquipélago de Cabo Verde, nomeadamente a mais oriental: a ilha da Boavista.

Tendo em conta os contactos que os portugueses tinham com os povos do Norte de África e, através deles, com os povos da África Negra, não será descabido questionar, portanto, se os portugueses tinham ou não conhecimento das próprias ilhas orientais de Cabo Verde, as mais próximas do Continente africano, através de povos antigos, nomeadamente fenícios e africanos da Costa Ocidental de África!

A este propósito, retenhamos o que nos diz Damião Peres, citando Diogo Gomes e referindo-se ao Infante D. Henrique: “[…] pois aí se diz que ele, ‘desejando conhecer as regiões afastadas do oceano ocidental, se acaso haveria ilhas ou terra firme além da descrição de Ptolomeu, enviou caravelas a procurar terras’”.150 Conclui Peres: “ora essa frase é susceptível de interpretar-se como significativa de que o Infante D. Henrique admitia a possibilidade de existirem no Atlântico ocidental, […], terras não mencionadas por Ptolomeu, o grande geógrafo da Antiguidade, cuja descrição da Terra, no livro Geografia e correspondentes mapas, se tornara uma espécie de evangelho geográfico,

147 CORTESÃO, … – Descobrimento …, p. 245.

148 CHELMICKY, José Conrado Carlos de; VERNHAGAN, Francisco Adolfo de – “Corografia

Cabo-verdiana ou descripção Geographico-historica da Provincia das ilhas de Cabo Verde e Guiné”. TOMO II. Lisboa: Typographia de L. C. da Cunha, 1841, p. 319.

149 CAMPOMANES, … – ANTIGÜEDAD …, p. 95. 150 PERES, ...– História …, p. 34.

desde que, pouco antes da era henriquina, por 1406-1410, Jacobus Angelus a tornara acessível pela sua versão latina”.151

Uma outra conclusão a que se poderá chegar é a de que a ideia que norteou os descobrimentos portugueses não foi obra do acaso. Corrobora esta posição A. H. de Oliveira Marques que, ao se referir ao conhecimento anterior das ilhas e terras atlânticas, afirma: “todas estas ilhas e terras, tanto reais como imaginárias, exerceram enorme influência nas viagens dos Portugueses dos séculos XIV e XV. Constituíram um dos mais importantes estímulos a um objectivo preciso para muitas expedições de descoberta”.152 Admitimos, porém, que, confrontados no terreno com a realidade, os navegadores depararam-se com uma situação muito mais complexa do que podiam fazer crer os rudimentares conhecimentos que sobre ele dispunha o Infante D. Henrique e toda a Coroa.

2.4. A descoberta da ilha da Boavista no quadro das ilhas orientais do

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