4.4 Choix de la méthode et facteurs importants
5.1.3 Répartition des haut-parleurs
Como um dos pontos direcionadores desse debate temos que pensar “à eficiência da produção e utilização do etanol na mitigação dos impactos ambientais, [...]na diminuição da emissão de gases de efeito estufa e, sua contrapartida, representada pelo uso da terra, queima da palha e utilização de fertilizantes nas regiões produtoras” (DUARTE, 2011, p. 63).
Nas Usinas de açúcar e álcool, o processamento da cana é feito com uso intenso de água, energia térmica e eletromecânica, cuja fonte principal provém da queima, nas caldeiras, do próprio bagaço de cana. Secundariamente, são empregados reativos químicos/biológicos como soda cáustica, cal, ácidos e leveduras. Como resultado do processo, são produzidos açúcar, álcool, proteínas de levedura, mas, de forma negativa, são também produzidos toda uma série de resíduos sólidos, líquidos e gasosos, como apresentado na figura 47.
De acordo com esses aspectos mencionados é possível constatar uma série de gerações de poluentes massivos como vinhaça, águas residuais de limpezas e consumos,
particulados/cinzas, torta de filtro, entre outros, estabelecendo um leque muito elevado de possíveis impactos subsequentes pelo descarte incorreto desses materiais, com efetiva contaminação de diversas dimensões naturais, como água, solo, fauna e flora.
Figura 47 – Fluxo de massa em um empreendimento sucroalcooleiro Fonte: LORA, 2000.
Para minimização de possíveis ações há práticas que devem ser realizadas, conforme apresentado no Quadro 7, demonstrando uma responsabilidade quando adotados pelos Grandes Projetos de Investimentos de processamento de cana.
Quadro 7 – Resíduos gerados e disposição recomendada
RESÍDUOS GERADOS DISPOSIÇÃO RECOMENDADA
Água da lavagem da cana
Fertirrigação, Recirculação, Tratamento e/ou descarte
Águas dos condensadores barométricos e dos multijatos
Condensados vegetais (secundários)
Material particulado e gases provenientes da queima do bagaço de cana
Atmosfera com equipamentos de controle (Filtros)
Torta de filtro Fertilizante, produção de ceras
Águas residuais domésticas Fossas/sumidouros
Condensados de caldeiras e purgas Recirculação Vinhaça
Fertirrigação, fermentação anaeróbica, combustão em caldeiras, outros usos.
Águas da lavagem de equipamentos e pisos Fertirrigação Descarte Fonte: SALLES, 1993; BICHARA; P. FILHO, 1991.
O processo de degradação ambiental cessa a partir da destinação correta dos resíduos sólidos, e os locais afetados passam a ser empregados para armazenamento temporário e compostagem orgânica das cinzas, fuligens e torta de filtro. Entretanto não existem laudos técnicos que comprovem a existência de quadro de contaminação do solo e águas subterrâneas locais.
Ainda sobre a possibilidade desses possíveis resíduos é preciso lembrar que existe uma dependência da ocupação do entorno, bem como existência de anéis viários nas proximidades e pequenos núcleos urbanos, como a comunidades Vila Coqueiros, em que o fluxo de caminhões gera a emissão de ruídos e vibrações, causadora de incômodos e danos às residências de moradores. A figura 48 apresenta uma dessas vias de passagem nas proximidades da comunidade.
Figura 48 – Via de passagem de caminhões no entorno da comunidade Fonte: Trabalho de Campo, 2015.
Sobre a circulação dos caminhões da usina nas vias não pavimentadas, ou levando cana para processamento, ou mesmo nos tratos regulares da cana nas proximidades da comunidade, um morador menciona “a gente já acostumô com os caminhão passando pra lá e pra cá, eles quando passa rápido levanta uma poeira que acaba com a gente [...] minha esposa fica limpando a casa mas não adianta nada [...] só atrapalha e incomoda” (E06, 2015-2016).
Outro morador enfatiza que, “antes a estrada que chega aqui era tranquila, e tinha pouco barro quando chovia, agora como os caminhões passam fica uma lama danada [...] tem vez que a gente atola e tem que voltar para pedir ajuda [...] pior quando os caminhão
passa e nem ajuda nóis” (E18, 2015-2016).
Sobre esses processos um representante do poder público relata que.
[...] investimos sempre nas melhorias das vias locais, nunca deixamos nossos moradores sem assistência, como a comunidade é distante podemos até demorar, mas sempre que possível enviamos os caminhões da prefeitura para zelar pelo acesso a comunidade [...] isso é uma prática que temos já que ainda é impossível asfaltar o acesso a comunidade (E27, 2015-2016).
Igualmente, tem-se verificado grande emissão de poeiras que permanecem suspensas por longos períodos de estiagem, sendo comuns queixas de moradores afetados por problemas respiratórios. Estes impactos sãoverificados principalmente no início de atividades de empreendimento canavieiro, ou quando as rotas de tráfego são alteradas nas proximidades residenciais da comunidade.
É muito comum levar para a cidade pessoas com problemas respiratórios por causa da poeira na comunidade [...] no meio do ano é pior com a estiagem, pois a colheita é feita próxima e o transporte de cana passa ao lado da comunidade [...] deveriam respeitar um pouco e passar mais afastados (E32, 2015-2016).
Para minimizar o problema, com o passar dos anos as estradas e vias de circulação deveriam ser pavimentadas e anéis viários implantados em toda área de ação da Usina. Todavia, esse processo só é realizado no entorno do empreendimento canavieiro, nas vias de acesso a Usina Itapagipe, e as comunidades e agricultores afetados pelo problema não são beneficiados para que se pudesse ter o problema resolvido ou minimizado.
Com a parceria público e privada conseguimos atrair recursos para melhorar o entroncamento de acesso da usina [...] temos que viabilizar novos investimento para que isso também seja possível no acesso a comunidade, mas o DER afirma que isso irá necessitar de investimentos maiores com a construção regulamentada de um pequeno trevo com a BR (E28, 2015-2016).
A fertirrigação é prática corrente que consiste em incorporar grande parte dos efluentes líquidos, gerados nas usinas, como à vinhaça e as águas geradas no processo de fabricação do açúcar, as resultantes da lavagem de pisos e equipamentos, e as das purgas dos lavadores de gases, entre outros processos, com sua disposição no solo em áreas de cultivo de cana.
A vinhaça (vinhoto, tiborna ou garapão) é o resíduo do processo de destilação do álcool. É gerada à razão de 10,3 a 11,9 litros, por cada litro de álcool. Este resíduo líquido apresenta: temperatura elevada; pH ácido; corrosividade; tem alto teor de potássio; além de certas quantidades significativas de nitrogênio, fósforo, sulfatos, cloretos, etc. O seu despejo nos rios e lagos provocava o fenômeno de eutrofização e morte dos peixes. (ANDRADE; DINIZ, 2007, p.48)
Por outro lado, quando utilizado em quantidades inadequadas, pode penetrar o solo e poluir os lençóis freáticos (MORETTI, 2010). Principalmente quando sua disposição ocorre em remanescentes hídricos locais. Isso pode gerar a poluição da água, pela alta carga
orgânica, associada à baixa vazão dos corpos receptores, provocando incontável mortandade de peixes.
Mas, a partir de informações de trabalhos em campo e entrevistas, foi informado que tal procedimento não é realizada pelo atual empreendimento, que faz o tratamento dos efluentes em lagoas, sendo somente a vinhaça separada no processo geral para a fertirrigação, ou, incorporação no tratamento da água residual da vinhaça.
A qualidade das águas superficiais dos corpos adjacentes aos complexos da Usina também é afetada pelo carreamento das sujeiras depositadas nas vias de circulação, quando chegam as primeiras chuvas que costumeiramente ocorrem no mês desetembro. Conforme relato de moradores das proximidades da unidade: “O barro corre aqui pra traz de casa. tem que correr, quando a chuva é grande, com trator e desbloquear a água que corre” (E43, 2015-2016).
O lançamento de resíduos no solo é uma das preocupações no local, pois a comunidade entende que os prejuízos que esse geraria a fertilidade local são elevados, culminando com a esterilidade. Por isso, a distribuição da vinhaça no solo evoluiu com o emprego de canais, que inicialmente não se utilizavam no processo de fertirrigação.
Segundo levantamentos feito por Nunes Jr. et al (2004), em 69,9% dos casos, é empregado o sistema de aspersão com carretel enrolador contra6,7% do sistema de aspersão com canhão hidráulico, denominado “montagem direta”,que compreende um conjunto moto bomba provido de aspersor setorial.
Esse processo por carretel pode ser observado no local sendo empregado nas áreas de cultivo da empresa e de fornecedores, conforme figura 49, que demonstra parte da tubulação e o canhão de aspersão.
Um representante, extensionista, do Sindicato Rural, relata sobre esse processo que
[...] temos visto o uso elevado desse tipo de aspersão na agricultura local [...] ela é boa para a cana, mas tem que ser feito o controle da quantidade porque os efeitos no solo se não controlados podem ser até mesmo a esterilidade do solo pela concentração de quantidade elevada em um seguimento (E25, 2015-2016).
Relacionado ao lançamento desses resíduos na lavoura um agricultor entrevistado relatou que, “as fontes de água aqui perto já estão com gosto diferente, parece que o melaço que eles jogam desce e a gente toma aquilo” (E42, 2015-2016).
Figura 49 – Sistema de aspersão de vinhaça Fonte: Trabalho de Campo, 2015.
O destino final da vinhaça no solo, do ponto de vista agronômico, foi abordado por diversos pesquisadores, na maioria das vezes, sob a ótica de aumento da produtividade da cana e melhoria da qualidade do solo. Matioli e Meneses (1984) e indicam que essa prática contribuíram para a otimização da lavoura da cana.
Nem todas as áreas apresentam condições de topografia e de acesso favoráveis. Há grandes dificuldades na transposição de áreas de preservação permanente de áreas alagadas e córregos. Estes fatores limitam, na prática, a aplicação da vinhaça em áreas reduzidas, o que resulta no aumento da concentração de sais de potássio no solo, com o consequente risco de contaminação das águas subterrâneas.
A Torta de Filtro, outro resíduo industrial, por exemplo que é, “resultado da clarificação do caldo, com emprego de polietrólitos e outras substâncias químicas que geram uma espécie de lodo, conhecido como torta de filtro. Para cada tonelada de cana moída obtém-se cerca de aproximadamente 25 Kg de torta” (ANDRADE; DINIZ, 2007, p.52), na Usina Itapagipe é acumulado em áreas ao ar livre, diretamente sobre o solo, para armazenamento temporário até seu destino final, na adubação da cana.
Os autores ainda mencionam fatores importante sobre essa disposição para fins de compostagem para a torta de Filtro, dizendo que:
É recomendável que as atuais áreas de compostagem ao ar livre sejam providas de base compactada e impermeabilizada com geomembrana de Polietileno de Alta Densidade (PEAD), de maneira a assegurar não contaminação do solo e águas subterrâneas por resíduos de torta de filtro (ANDRADE; DINIZ, 2007, p.52).
Coqueiros um agricultor entrevistado ressalta que: “esse trem fede muito [...] parece que não deixaram o tempo certo lá na compoteira, [...] eles mandam aquilo o problema é que se não incorporar no solo aquilo vira uma catinga danada” (E43, 2015-2016).
O lançamento de particulados na atmosfera é outro fator que merece atenção já que esse por sua vez pode não somente gerar poluições ao entorno do Grande Empreendimento, mas também a regiões muito distantes do processo produtivo, atingindo um grande número de municípios.
A localização das usinas, afastada das cidades, e a prática disseminada das queimadas foram fatores que no passado determinaram pouca atenção às condições de queima de bagaço nas caldeiras. A partir da crise de energia elétrica, em 2001, com o crescimento da co-geração, o bagaço passou a ser combustível escasso, de valor econômico significativo, sendo que, simultaneamente, aprimoram-se as exigências ambientais de controle da poluição do ar.
Com o objetivo de reduzir os gases de efeito estufa, com balanço positivo entre sequestro e emissão de dióxido de carbono (CO2), em junho de 2010, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento instituiu o programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC):
Os recursos serão direcionados à adoção de práticas agrícolas sustentáveis, como o plantio direto, que dispensa o revolvimento do solo, a semeadura direta na palha da cultura anterior. A técnica ou sistema preserva os nutrientes do solo, aumentando a produtividade da lavoura. Outro mecanismo que garante a retenção de carbono no solo é o Sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). A técnica alterna pastagem com agricultura e floresta em uma mesma área, recupera o solo e ainda incrementa a renda. A meta do programa é aumentar, na próxima década, a utilização do sistema em quatro milhões de hectares, reduzindo de 18 milhões a 22 milhões de toneladas de CO2 equivalentes. A intenção do ministério é aumentar a área de florestas, até 2020, de seis milhões de hectares para nove milhões de hectares. Isso poderá reduzir a emissão de oito milhões a dez milhões de toneladas de CO2 equivalentes, no decênio (MAPA, 2010).
A geração de material particulado está associada ao residual de cinzas e fuligens principalmente, que possuem em sua constituição monóxido e dióxido de carbono e óxidos de nitrogênio, geram particulados escuros na atmosfera e contaminação, como mencionado por Andrade e Diniz.
A queima de bagaço de cana gera como principais poluentes: material particulado (MP), monóxido e dióxido de carbono e óxidos de nitrogênio. O MP está associado ao residual de cinzas, fuligens e outros materiais. Provoca efeitos estéticos indesejáveis em virtude de sua cor escura e causa incômodos ao bem estar público por sua precipitação nas residências. Sua fração inalável penetra nos pulmões e diminui a capacidade respiratória. (ANDRADE; DINIZ, 2007, p.52).
Para o possível controle é empregado na unidade local, lavadores de gases que, ao menos no início da safra, os retém, satisfatoriamente, sendo que ao final do ano safra é
possível observar um escurecimento dos particulados gerados pelas torres das usinas, demonstrando que a eficiência do processo é duvidosa. Um morador menciona que “olho lá pra usina indo para são Francisco e vejo aquela fumaça o dia e noite saindo [...] ele não para de fumaçar uma nuvem escura que vai pro lado de São Paulo” (E07, 2015-2016).
É importante lembrar que nas etapas de fermentação e destilação ocorrem emissões de dióxido decarbono, aldeídos, álcool e ciclohexano, não sendo verificado o reaproveitamento do gás carbônico para fabricação de carbonatos na Unidade Itapagipe.
De forma geral, e abordando mais especificamente nos próximos debates, aliado aos impactos na atmosfera, temos que ressaltar que estudos vêm demonstrando que a poluição do ar e problemas respiratórios em moradores de comunidades próximas aos canaviais também são intrínsecos.