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Réglementations applicables aux activités de Tessi

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Chapitre 9. ENVIRONNEMENT RÈGLEMENTAIRE

9.1. Réglementations applicables aux activités de Tessi

ainda que, muitas vezes, pra fazer aprender, o professor tenha que ensinar.

Bernard Charlot Em um outro momento, nesta Dissertação, afirmei que a realidade de ensino pouco favorece o trabalho investigativo do professor. Mas, se esse professor escolher ensinar, sem que tenha sido uma circunstância, o ensino pode ser pela pesquisa. Ou seja, pode ser uma atitude problematizadora, que lide melhor com as instabilidades e que não se proponha a repassar “verdades” pré-estabelecidas.

Quando escolhi usar como epígrafe para esta Dissertação o texto de Paulo Freire, foi porque ele, de um jeito muito próprio, conseguiu dar tratamento radical e complexo às questões do Ensino, localizando-as no cotidiano e não nos espaços longínquos da intelectualidade. E, ao afirmar que estudar é assumir uma atitude séria e curiosa diante de um problema, Freire faz uma aproximação exata do que eu quis defender nesta Dissertação com a proposta de pesquisa para/na formação do professor.

Yves Lacoste (1989) foi outro autor que apresentou contribuições indispensáveis à compreensão da descontextualização presente no ensino da Geografia, que privilegia a descrição e a memorização de conteúdos. A Geografia foi uma das últimas ciências a ter o seu saber sistematizado na Escola Moderna. É possível dizer-se que Lacoste foi um dos autores que mais contribuíram para problematização da Geografia – desde sua epistemologia até a delimitação do seu objeto de estudo – ao apresentar a divisão clara entre a utilização dos saberes geográficos. Afirmava ele:

Desde o fim do século XIX pode-se considerar que existem duas Geografias: - uma de origem antiga, a Geografia dos Estados-maiores, é um conjunto de

representações cartográficas e de conhecimentos variados referentes ao espaço; (...).

- outra Geografia é a dos professores, que apareceu a menos de um século,

se tornou um discurso ideológico no qual uma das funções inconscientes, é a de mascarar a importância estratégica dos raciocínios centrados no espaço.

(Lacoste, 1989:31)

Na radicalidade desta questão – a presença de duas Geografias – Lacoste nos dá pistas para a compreensão de possíveis porquês do ensino descontextualizado da Geografia. Se entendermos o verbo ensinar como verbo bitransitivo – ensinar algo a alguém – cabem os questionamentos sobre “o que ensinar” e “como ensinar”. Sabemos que o modelo de

ensino descritivo não é bem um privilégio da Geografia, mas uma fotografia do currículo da Escola básica brasileira – afetada pelas vertentes tradicionais, que primam pela dicotomia entre ensino e pesquisa.

A dualidade em que vivemos entre teoria e prática, professor e aluno, ensinar e aprender, atualizou, no campo educacional, a relação entre o professor e o especialista: os “experts” desapropriam o professor da capacidade de pensar, analisar e propor. (Rocha in Maciel, 2001:177). Ou seja, o especialista (expert) assume para si o lugar do conhecimento, excluindo o outro das análises e da produção do saber sobre suas práticas.

Analisar o contexto em que vem acontecendo a formação do professor, e este como pesquisador, é indagar &'()*+",'"-.(/ 0(/&'"/ 0 ( 0 (/(* ( +"+' ( "*(/+"1+" 0 2(// *3 (*/"* ,4/")5 assim como, questionar as idéias caras à modernidade, traz desafios teórico-metodológicos para a ação na/da sociedade, e um destes desafios é problematizar a relação possível entre ensino e pesquisa.

É preciso destacar que a separação entre as atividades de professor e de pesquisador é uma concepção, um modo de pensar e de fazer a Educação. Mas, outras maneiras são tão necessárias quanto possíveis, considerando-se o professor como sujeito produtor e portador de um saber político-pedagógico, transformador de sua própria prática.

Muitos são os debates sobre o ensino nos vários segmentos da Educação – Fundamental, Médio e Superior. Outros tantos versam sobre a pesquisa – no geral acadêmica e/ou universitária. A discussão sobre o concubinato desses dois componentes curriculares apresenta-se em duas vertentes: ensino de pesquisa e ensino pela pesquisa. O ensino de pesquisa está presente nos textos oficiais como a LDB 9394/96 e os Pareceres do Conselho Nacional de Educação -CNE. Encontramos também contribuições na literatura especializada de Metodologia da Pesquisa. Esta abordagem quanto à atividade de pesquisa tem sido priorizada nos cursos de Bacharelado, excluindo a presença do professor desta formação.

O Estado da Bahia conta, atualmente, com seis Universidades23 e uma Faculdade24 que oferecem o curso de Licenciatura em Geografia. Destas Universidades, apenas as Estaduais têm Metodologia da Pesquisa em seus currículos, onde os estudantes podem

23 Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Universidade Estadual do Sudoeste (UESB), Universidade de Santa Cruz

(UESC), Universidade de Feira de Santana (UEFS), Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Universidade Católica do Salvador (UCSAL).

experienciar a elaboração, o desenvolvimento e a apresentação de um Projeto de Pesquisa. Porém, o trabalho desenvolvido pelos estudantes, a partir da elaboração e da apresentação do Projeto de Pesquisa, não tem favorecido, necessariamente, uma prática problematizadora, rompendo com o modelo de ensino que prioriza a transmissão do conhecimento. Assim, ao questionar )6 0(*/ )' 7)' 5+(* (/&'"/ )6 ("8

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incentivar o professor a superar crença de que as “mudanças” devem ser esperadas por aqueles que “entendem” de Educação.

Muitas vezes, a orientação dada aos estudantes que estão elaborando um Projeto de Pesquisa, é que eles têm que formular um problema para sua investigação. E o que está subjacente a este problema tem origem na formação do homem moderno que é a “busca de respostas” – comprovação e/ou refutação das hipóteses formuladas por estes estudantes. Porém, concordo com Foucault (1987) para quem o conhecimento não é falso ou verdadeiro, já que é sempre parcial, e apresento uma reflexão: é o prazer da incógnita que faz o educador.

Se adotarmos a perspectiva etimológica da palavra conhecer – do latim nascer com – apontaremos outra possibilidade da relação entre o ensino e a pesquisa. Neste caso, podemos reunir condições para romper com o esquema que vem se estendendo da modernidade à contemporaneidade, reforçando um cotidiano escolar programado, repetitivo e fechado. Os princípios da homogeneização, da fragmentação e da hierarquia têm produzido o isolamento e a fragilidade dos professores, justificando, muitas vezes, relações de tutela.

Pensar a pesquisa como eixo articulador no/do currículo para a formação docente é reunir condições para o enfrentamento da dicotomia como o ensino. Nos diz Vaz que a ação não tem seu limite no presente e um alvo no futuro (...). O limite de uma dada ação é cada vez menos o da sua normalidade, na medida em que é sua conseqüência que importa. (Ibidem: 184)

Diríamos, então, que o futuro depende do que o presente espera que ele seja. E uma ação (atitude) necessária ao currículo é a adoção da pesquisa na prática de ensino do professor da Educação Básica.

A abordagem do ensino pela pesquisa vai além da possibilidade (às vezes pontual) da experiência com um Projeto de Pesquisa. A proposta de trabalho com a disciplina

Metodologia da Pesquisa deve, então, adotar a perspectiva da pesquisa para a formação do professor, entendendo esta perspectiva como ação, construção e transformação das formas convencionais de pensar e intervir em sua realidade. Se a intervenção se articula à realidade, conseqüentemente o saber é ressignificado.

Cabe-nos, ainda, refletir sobre &'(0 2(// (&'(0(/&'"/ :0//7( * (*/"* ,4/"); Nesta Dissertação, argumentei a idéia de pesquisa pedagógica, enfatizando que a pesquisa é ação, é um modo de intervenção na realidade e que deve ser próprio do professor do ensino básico. Problematizar o ensino em sala de aula é um processo diverso da transmissão do conteúdo. Mas, para legitimar o professor como pesquisador, é indispensável que a discussão curricular e as condições de trabalho deste professor sejam também modificadas.

Autores que defendem abordagens qualitativas da pesquisa – sociólogos, filósofos, psicólogos, todos na área da Educação – têm dado contribuições significativas, entendendo a pesquisa como uma atitude e não mais uma atividade a ser desenvolvida pelo professor do ensino básico. Ao ler essas obras, dialogando com os autores, pude reunir argumentos para que estes dois fios – ensino e pesquisa – sejam trançados, formando um tecido mais resistente e maleável às instabilidades da Educação - assim como uma rede. A ausência de um destes fios, alternadamente, tem contribuído para o esgaçamento e para a fragilidade do ensino que, não tendo a sustentação da pesquisa, segue abrindo e tapando buracos, sem cumprir a premissa básica que é a formação de seres pensantes e atuantes na sociedade em que vivemos.

Os espaços escolares são um hipertexto – há neles vários saberes e vários caminhos a percorrer. O problema é que estes espaços, no geral, têm trabalhado off-line e o sentido apontado neles/por eles é um só: é preciso prestar atenção nisto ou naquilo, e em uma coisa de cada vez. Esta rotina tem cristalizado a curiosidade e a experimentação, criando normas de conduta que têm privilegiado a reprodução.

Outras iniciativas são necessárias para a formação docente implicada com a postura investigativa. Políticas institucionais que favoreçam a pesquisa nos espaços escolares, e a incorporação de um currículo que possibilite métodos e conhecimentos para professores e estudantes são demandas que se impõem à Escola na/da contemporaneidade. Com essas reflexões, chego ao ponto de partida dessa Dissertação, parafraseando Guimarães Rosa: o que importa não é a partida nem a chegada; é a travessia.

Por isso, uma provocação: Aqueles que entendem que o que está posto para o professor é fazer pesquisa, como mais uma atividade a ser incorporada por ele, devem estar preparados para “bater com a cabeça” no raso de uma idéia muito mais profunda e complexa. Mas, se a compreensão é a de incorporar a pesquisa como uma atitude a ser desenvolvida com/na prática docentes, lidando melhor com as instabilidades e a provisoriedade dos saberes, podemos “içar velas” para navegar nas difíceis águas da contemporaneidade – mais fluidas, agitadas e, por que não, mais prazerosas.

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