Partie 3. Analyse de l'expérience
3.2.3 Ma réflexion
De acordo com as normas que orientam a conduta ética em pesquisas com seres humanos no país, os entrevistados que forneceram dados espontaneamente pós- esclarecimento mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, tiveram suas identidades preservadas mesmo após elaboração de relatório final do estudo. Para realização das entrevistas, também foi solicitado o consentimento da autoridade competente da Instituição em estudo.
Vale ressaltar também que o presente trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética (APÊNDICE B), que tem como base às normas da Resolução nº 196, de 10 de outubro de 1996, do Conselho Nacional de Saúde – CNS que trata dos aspectos éticos na pesquisa que envolve seres humanos (BRASIL, 2005).
RESULTADOS
Foram avaliados 71 pacientes idosos com IC, com idade média de 68,15 ± 8,82 anos, destes 39 do gênero feminino (54,9%). A maioria dos idosos eram de etnia branca (47,9%). Em relação ao estado civil, 40 eram casados (56,3%).
Entre os idosos da pesquisa, 21 (29,6%) possuíam 1 a 3 anos de estudo, distribuição semelhante aos que possuíam 4 a 7 anos de estudo (29,6%). Mais da metade dos idosos era aposentado (67,6%) e possuía renda mensal com valor igual ou inferior a 1 salário mínimo (53,5%). A caracterização das variáveis demográficas e sociais dos sujeitos estudados está apresentada na Tabela 1.
Tabela 1 - Variáveis demográficas e sociais dos pacientes com insuficiência cardíaca. Variáveis n % Idade (em anos) Até 60 20 28,2 De 61 a 70 24 33,8 De 71 a 80 19 26,8 Mais de 80 8 11,3 Gênero Masculino 32 45,1 Feminino 39 54,9 Etnia Branca 34 47,9 Preta 14 19,7 Parda 22 31,0 Amarela 1 1,4 Estado civil Solteiro 8 11,3 Casado 40 56,3 Divorciado 15 21,1 Viúvo 8 11,3 n – número total; % - porcentagem;
*salário-mínimo equivale a U$ 299 no período de setembro a dezembro de 2012.
Tabela 1 - Variáveis demográficas e sociais dos pacientes com insuficiência cardíaca. Continuação Variáveis n % Escolaridade (em anos) Nenhuma 10 14,1 De 1 a 3 21 29,6 De 4 a 7 21 29,6 De 8 a 11 9 12,7 12 e mais 10 14,1 Ocupação Aposentado 48 67,6 Comerciante 1 1,4 Dona de casa 16 22,5 Lavadeira 1 1,4 Mestre de obra 1 1,4 Motorista 2 2,9 Produtor agrícola 1 1,4 Servidor público 1 1,4 Renda (em salários-mínimo*) Até 1 salário 38 53,5 De 2 a 4 salários 18 25,4 De 5 a 8 salários 12 16,9 Mais de 8 salários 3 4,2 n – número total; % - porcentagem;
*salário-mínimo equivale a U$ 299 no período de setembro a dezembro de 2012.
Em relação as variáveis clínicas, o fator etiológico mais frequente foi a doença isquêmica (35,2%). A maioria dos pacientes fazia acompanhamento no ambulatório há mais de 10 anos (43,7%) e 42,3% dos idosos se internaram por IC 1 a 2 vezes.
Foi observada FEVE abaixo do valor considerado limítrofe para normalidade em 38 pacientes (53,5%). A maioria dos idosos encontrava-se na CF I (46,5%) e CF II (35,2%) segundo a New York Heart Association (NYHA). Sobre o uso do tabaco, predominaram os pacientes não tabagistas (53,5%). Em relação ao uso de medicamentos, 64 idosos (90,1%) usam 4 a 6 classes de medicamentos por dia. Na avaliação do Índice de Massa Corporal detectou-se 29 pacientes com obesidade (40,8%).
As manifestações clínicas mais prevalentes foram fadiga (94,34%) e dispneia (67,92%). Dentre as comorbidades, destacaram-se hipertensão arterial (92,96%) e dislipidemia (49,30%). A dispnéiafoi clasificada de acordo com a escala de dispneia
modificada do Medical Research Council (MRC), foi predominante o grau 0 (esperada) em 27 (38%) pacientes.
Tabela 2 - Variáveis clínicas dos pacientes com insuficiência cardíaca.
Variáveis n % Etiologia Isquêmica 25 35,2 Hipertensiva 18 25,4 Chagásica 13 18,3 Valvar 4 5,6 Idiopática 7 9,9 Ignorado 4 5,6 Tempo de acompanhamento ambulatorial (em anos) 1-3 18 25,4 4-6 17 23,9 7-9 5 7,0 mais de 10 31 43,7 Internações hospitalares devido a IC Nenhuma 20 28,2 1-2 30 42,3 3-4 10 14,1 5-6 5 7,0 mais de 6 6 8,5 Fração de Ejeção Normal 28 39,4 Rebaixada 38 53,5 Ignorada 5 7,0
Classe funcional NYHA
I 33 46,5 II 25 35,2 III 11 15,5 IV 2 2,8 Tabagismo Tabagismo ativo 6 8,5 Ex-tabagista 27 38,0 Não tabagista 38 53,5 n – número total; % - porcentagem;
* - mais de 1 sintoma é possível por paciente; IC – Insuficiência Cardíaca;
NYHA – New York Heart Association (I – sem limitação para atividades físicas, atividades habituais não causam dispneia, cansaço ou palpitações; II – discreta limitação para atividades físicas, atividades habituais causam dispneia, cansaço ou palpitações; III – importante limitação para atividades físicas, atividades com intensidades inferiores às habituais não causam dispneia, cansaço ou palpitações; IV – limitação para qualquer atividade física, com sintomas de insuficiência cardíaca em repouso.);
IMC – Índice de Massa Corporal (o peso em quilogramas do paciente dividido pelo quadrado da altura em metros);
Tabela 2 - Variáveis clínicas dos pacientes com insuficiência cardiaca – Continuação. Variáveis n % Número de medicamentos (por classes) 1-3 4 5,6 4-6 64 90,1 7-9 3 4,2 IMC Peso normal (18 – 24,9) 14 19,7 Sobrepeso (25 – 29,9) 28 39,4 Obesidade (30 ou mais) 29 40,8 Manifestações clínicas* Dispneia 36 67,9 Fadiga 50 94,3 Precordialgia 18 34,0 Tosse 20 37,7 Comorbidades* Hipertensão Arterial 66 93,0 Diabetes Melitus 31 43,7 Outras comorbidades 42 59,6 Dislipidemia 35 49,3 Gastrite 15 21,1 Doença músculo- esquelética 14 19,7 Hipotireoidismo 14 19,7 Grau de Dispneia 0 27 38,0 1 15 21,1 2 19 26,8 3 6 8,5 4 4 5,6 n – número total; % - porcentagem;
* - mais de 1 sintoma é possível por paciente; IC – Insuficiência Cardíaca;
NYHA – New York Heart Association (I – sem limitação para atividades físicas, atividades habituais não causam dispneia, cansaço ou palpitações; II – discreta limitação para atividades físicas, atividades habituais causam dispneia, cansaço ou palpitações; III – importante limitação para atividades físicas, atividades com intensidades inferiores às habituais não causam dispneia, cansaço ou palpitações; IV – limitação para qualquer atividade física, com sintomas de insuficiência cardíaca em repouso.);
IMC – Índice de Massa Corporal (o peso em quilogramas do paciente dividido pelo quadrado da altura em metros);
Quanto as variáveis cardiovasculares, a FC apresentou valor médio de 67,83 ± 10,44, PAS 118,24 ± 19,30 mmHg, PAD 69,92 ± 10,43 mmHg e FEVE 44,33 ± 15,88. A força de preensão palmar foi avaliada pela dinamometria na mão dominante e não dominante com valores médios de 27,83 ± 11,25 e 26,00 ± 11,33 respectivamente.
As variáveis antropométricas evidenciaram o peso médio de 73,28 ± 15,44 kg, altura média de 1,76 ± 0,12 m, IMC 29,34 ± 5,17. A circunferência abdominal apresentou média de 96,72 ± 11,58 cm, circunferência do quadril 101,96 ± 10,50 cm e índice RC/Q 0,95 ± 0,06 cm.
Tabela 3 Variáveis cardiovasculares, força de pressão palmar e antropométricas dos pacientes com insuficiência cardíaca.
Variáveis Média ± Desvio Padrão
Frequência cardíaca (bpm) 67,8 ± 10,4 Pressão sistólica (mmHg) 118,2 ± 19,3 Pressão diatólica (mmHg) 69,9 ± 10,4 Fração de ejeção do VE (%) 44,3 ± 15,9 Força da mão dominante (Kgf) 27,8 ± 11,3 Força da mão não dominante (Kgf) 26 ± 11,3
Peso (Kg) 73,3 ± 15,4 Altura (m) 1,6 ± 0,01 IMC 29,3 ± 5,2 Circunferência abdominal (cm) 96,7 ± 11,6 Circunferência do quadril (cm) 102 ± 10,5 Relação cintura/quadril 1 ± 0,1
bpm – batimentos por minuto; mmHg – milímetros de mercúrio; % - porcentagem; Kgf – quilogramas-força; Kg – quilogramas; m – metros; cm – centímetros
A Tabela 4 apresenta as médias das escalas que avaliam QV, independência funcional, estado mental e depressão. O MLHFQ apresentou média de 36,28 ± 19,38, e foi dividido em dois domínios: físico (15,58 ± 10,15) e emocional (8,68 ± 5,99). O MIF motor apresentou média de 89,39 ± 4,23, o MEEM 22,83 (±3,91) e a escala de depressão apresentou 5,5 ± 0,4 como valor médio.
Tabela 4 - Qualidade de vida, independência funcional e estado mental dos pacientes com insuficiência cardíaca.
Variáveis Média ± Desvio Padrão
Total do MLHFQ 36,3 ± 19,4
Dimensão emocional 8,7 ± 6,0
Dimensão física 15,6 ± 10,2
4,2
Total MIF motor 89,4 ±
Total MEEM 22,8 ± 3,9
Escala de Depressão Geriátrica 5,5 ± 0,4 MLHFQ – Minnesota Living with Heart Failure Questionnaire; MIF – Medida de Independência Funcional;
MEEM – Mini Exame do Estado Mental.
A Tabela 5 apresenta a média dos escores do MLHFQ dos idosos de acordo com a CF-NYHA. As médias dos escores do MLHFQ em relação as classes funcionais mostram que, com a progressão na CF-NYHA, os escores do MLHFQ (total e por dimensões) aumentam.
Tabela 5 - Diferenças na Qualidade de vida em relação a classificação funcional da insuficiência cardíaca dos pacientes com IC.
Variáveis
NYHA
I II III IV p*
média média média média
Total MLHFQ 24,0 ± 13,3 41,9 ± 15,8 55,7 ± 18,4 62,0 ± 8,5 <0,001 Dimensão Emocional 5,6 ± 4,6 10,3 ± 5,8 13,2 ± 5,7 13,0 ± 8,5 <0,001 Dimensão Física 9,0 ± 7,7 19,4 ± 7,7 23,7 ± 9,0 31,5 ± 3,5 0,001 * - Teste de Kruskall-Wallis
MLHFQ – Minnesota Living with Heart Failure Questionnaire;
NYHA – New York Heart Association (I – sem limitação para atividades físicas, atividades habituais não causam dispneia, cansaço ou palpitações; II – discreta limitação para atividades físicas, atividades habituais causam dispneia, cansaço ou palpitações; III – importante limitação para atividades físicas, atividades com intensidades inferiores às habituais não causam dispneia, cansaço ou palpitações; IV – limitação para qualquer atividade física, com sintomas de insuficiência cardíaca em repouso.);
A Tabela 6 aponta os valores de associação entre os escores MLHFQ e as variáveis quantitativas. O sentido inverso das correlações entre as variáveis confirma que há relações inversas, uma vez que o MLHFQ é inversamente ordenado (maiores valores, pior qualidade de vida relacionada à saúde).
Tabela 6 - Associação de Qualidade de vida, idade, fração de ejeção, força de preensão palmar, independência funcional, estado mental e sintomatologia depressiva.
Idade FE FMD FMND MIF MEEM EDT
MDF r -0,15 -0,44 -0,25 -0,28 -0,42 -0,11 0,30 p 0,20 <0,01 0,04 0,02 <0,01 0,38 <0,01 MDE r -0,18 -0,33 -0,27 -0,32 -0,27 -0,24 0,72 p 0,13 0,007 0,02 0,007 0,02 0,04 <0,01 MT r -0,21 -0,5 -0,18 -0,25 -0,36 -0,11 0,45 p 0,08 <0,01 0,12 0,04 <0,01 0,37 <0,01 FE- Fração de Ejeção; FMD – Força da Mão Dominante; FMND - Força da Mão Não Dominante; MDF – MLHFQ (Dimensão Física); MDE – MLHFQ (Dimensão Emocional); MT – Total MLHFQ;
A Correlação linear de Person para variáveis qualidade de vida, força de preensão palmar, independência funcional, estado mental e depressão, onde se admitiu para valores de concordância: > 0,75 excelente, entre 0,40 e 0,75 moderada e < 0,40 pobre. p ≤ 0,05.
Foram constatadas correlações significantes entre a dimensão física e as variáveis: fração de ejeção (r = -0,44), força preensão palmar da mão dominante (r = -0,25), força de preensão palmar na mão não dominante (r = -0,28), MIFt (r = -0,42) e escala de depressão geriátrica (r = 0,30).
A dimensão emocional do MLHFQ apresentou correlação significante com a fração de ejeção (r = -0,33), força preensão palmar da mão dominante (r = -0,27), força de preensão palmar na mão não dominante (r = -0,32), MIFt (r = -0,27), MEEM (r = - 0,24) e escala de depressão geriátrica (r = 0,72).
O escore total do MLHFQ apresentou correlações significantes com a fração de ejeção ( r = -0,50), força de preensão palmar na mão não dominante (r = -0,25), MIFt (r = -0,36) e escala de depressão geriátrica (r = 0,45).
Uma análise de regressão logística múltipla foi realizada para identificar os fatores de risco para uma qualidade de vida abaixo ou acima da média. A Tabela 7 mostra as variáveis que associaram ao domínio total do MLHFQ na análise de regressão. Para análise da regressão logística, as variáveis foram divididas em dois grupos (G1 e G2), a divisão foi realizada em razão do grande número de variáveis. O grupo G1 compreende
as variáveis sócio-demográficas, clínicas (exceto as contidas no G2) e antropométricas. O grupo G2 contém as manifestações clínicas e comorbidades.
Tabela 7 - Associações significantes para qualidade de vida do Grupo 1 (Capacidade funcional, estado mental e sintomatologia depressiva).
Variáveis B p Exp(B) NYHA 0,038 NYHA I -3,980 0,184 0,019 NYHA II -1,588 0,563 0,204 NYHA III -0,730 0,787 0,482 Fração de Ejeção -0,118 0,003 0,889 MEEM 0,212 0,059 1,236 Escala de Depressão 0,433 0,009 1,541
NYHA – New York Heart Association (I – sem limitação para atividades físicas, atividades habituais não causam dispneia, cansaço ou palpitações; II – discreta limitação para atividades físicas, atividades habituais causam dispneia, cansaço ou palpitações; III – importante limitação para atividades físicas, atividades com intensidades inferiores às habituais não causam dispneia, cansaço ou palpitações; MEEM – Mini Exame do Estado Mental; Regressão logística múltipla forward stepwise. p ≤ 0,05 .
Na análise multivariada, a QV foi influenciada pela classe funcional NYHA(p= 0,038), fração de ejeção (p= 0,003), mini-exame do estado mental (p= 0,059) e escala de depressão geriátrica (p= 0,009). Os fatores de risco não significantes para a QV do Grupo 1 incluem: idade, fatores sócio-demográficos, etiologia, tabagismo, força de preensão manual, peso, IMC, relação cintura-quadril, MIFtotal.
O fator associado significativamente à QV no Grupo 2 foi a fadiga (p = 0,004; exp(b) = 242,64). As demais manifestações cínicas e comorbidades não apresentaram associações significantes.
6 DISCUSSÃO
A qualidade de vida é definida como a percepção dos pacientes sobre o impacto da condição clínica e na vida diária através do estado físico e emocional. A QV, a morbidade e a mortalidade são resultados importantes em pacientes com IC, e esses resultados são gravementeafetados por esta doença (HEO et al., 2012).
Os resultados de nosso estudo mostram a influência que têm as condições clínicas, emocionais e funcionais na qualidade de vida dos idosos com IC.
Vários aspectos podem contribuir para baixa QV em pacientes portadores de IC, principalmente os idosos. Pesquisas anteriores sugeriram que fatores sócio-econômicos podem estar relacionados a um curso desfavorável nesses pacientes e afetam a percepção de saúde geral, qualidade de vida, condições clínicas e estado emocional (HAWKINS et
al., 2012).
Dentre os fatores sócio-econômicos, o gênero tem sido identificado como um fator-chave associado a distúrbios psicológicos, diminuição da QV e depressão em pacientes com IC. Pacientes do gênero feminino tendem a relatar mais limitações físicas e sintomas depressivos em comparação com pacientes do sexo masculino (LUTTIK, LESMAN-LEEGTE, JAARSMA, 2009).
Em relação a etnia, os resultados sobre a QV são conflitantes (UTSEY et al., 2002; JACKSON-TRICHE et al., 2000). Riegel et al. (2008), avaliou a QV em diferentes raças em pacientes com IC, porém não houve diferença nos escores do Minnesota entre os três grupos étnicos (Brancos e Negros não Hispânicos e Hispânicos) durante a internação hospitalar, porém os hispânicos apresentaram os melhores escores ao longo de 6 meses após a alta hospitalar em comparação aos brancos e negros não hispânicos. Entretanto, na presente análise gênero e etnia não demonstraram significância quando associados a QV.
Sobre o estado civil, os escores de qualidade de vida de pacientes que vivem sozinhos são consistentemente inferiores aos escores de QV dos pacientes que vivem com um parceiro. Os pacientes que vivem com um parceiro apresentam maior pontuação de QV durante a internação, em relação ao mês anterior à internação hospitalar e, especialmente, no que diz respeito às expectativas em qualidade de vida no futuro (LUTTIK et al., 2006). No entanto, o estudo de Heo et al. (2012), o estado civil não mostrou associação com a QV.
A baixa condição econômica pode ser um problema entre os idosos. Pacientes com IC apresentam essas dificuldades em razão da perda de seus empregos e aumento nas despesas devido ao custo dos medicamentos o que causa impacto na situação econômica, particularmente no contexto de status social, na qualidade de vida e nos resultados clínicos (HEO et al., 2012). Em uma revisão de literatura foi encontrado oito estudos clínicos em que condição socioeconômica foi associado em pacientes com IC. Menor nível socioeconômico foi relacionado a aumento das taxas de hospitalização, aumento da exclusão social e uma doença mais grave na admissão (BLAIR; LLOYD- WILLIAMS; MAIR, 2002).
O nível de escolaridade dos pacientes influencia o estilo de vida, a compreensão sobre os sintomas e tratamento da doença e reduz a morbimortalidade por IC (SUI, et al. 2008). Uma pesquisa longidudinal realizada em 17 hospitais na Holanda, envolvendo 553 participantes com IC, mostrou que pacientes com baixos níveis de escolaridade apresentam pior qualidade de vida. Os dados demonstram diferenças significativas entre 4 grupos educacionais em relação ao funcionamento físico, social, energia / fadiga, dor, limitações e problemas emocionais (BARBARESCHI et al., 2011). Porém, em nosso estudo, estado civil, renda e escolaridade não influenciaram a QV.
A IC é considerada uma doença incapacitante e acarreta modificações no estilo de vida dos pacientes. A classificação da New York Heart Association(NYHA) é o sistema mais comumente usado para descrever o impacto da insuficiência cardíaca sobre as atividades diárias do paciente (BENNETT et al., 2002). É amplamente aceito e clinicamente útil, pois se correlaciona com a qualidade de vida e sobrevivência (AL- KAADE; HAUPTMAN, 2001; KUBO et al., 2004). Nosso estudo, bem como outros, mostrou diferenças significantes nas classes funcionais da NYHA quando a QV foi comparada entre elas. Os idosos portadores IC com menor gravidade (CF-NYHA I) apresentaram melhores índices de qualidade de vida no escore total do MLHFQ e suas dimensões e os piores índices foram reportados por pacientes com CF-NYHA IV.
Os resultados de um estudo observacional, realizado no Reino Unido com 293 pacientes, divididos em três grupos (NYHA I / II, III e IV), demonstram um aumento da taxa de readmissão, pior qualidade de vida aos 6 meses de seguimento (p=0,002 para MLHFQ) e maior taxa de mortalidade associados com a progressão da classe funcional- NYHA. A CF-NYHA, foi um preditor não apenas da dimensão física, como também, da dimensão emocional na QV (HOLLAND et al., 2010). Fato confirmado também nesta
pesquisa, sugerindo que as CF-NYHA devem ser avaliadas levando-se em consideração não apenas os aspectos físicos, mas também os subjetivos.
A avaliação da independência funcional em idosos tem sido considerada como um indicativo da qualidade de vida, uma vez que o desempenho nas atividades da vida diária permite aos profissionais da área da saúde uma visão ampla do comprometimento da saúde e sequelas das doenças. Para os idosos uma qualidade de vida satisfatória pode ser interpretada como a possibilidade de conseguir cumprir suas funções diárias básicas adequadamente, se sentir bem e viver de forma independente (PASCHOAL, 2002). A independência funcional avaliada nesta pesquisa mostra uma associação com a QV, porém não mostrou significância na análise multivariada, fato que pode ser explicado por uma grande quantidade de pacientes da CF I, o que influencia a análise.
A força de preensão palmar tem sido um bom indicador de força muscular global e preditor de mortalidade em pessoas de meia-idade, idosos e pacientes doentes (SASAKI
et al., 2007). Em pacientes idosos com doença cardíaca coronariana, a força de preensão
palmar diminui com a idade, é menor nas mulheres e fornece informações valiosas como um preditor integrado da função física (MROSZCZYK-MCDONALD; SAVAGE; ADES, 2007). E em pacientes internados, a força de preensão palmar e a mobilidade estão relacionados com a qualidade de vida nos domínios físico e mental (JAKOBSEN; RASK; KONDRUP, 2010). Em nossos resultados, a força de preensão palmar nas mãos dominante e não dominante mostraram correlação com o MLHFQ, dimensão física e emocional, MEEM e sintomas depressivos.
Atualmente, há um conhecimento limitado sobre a qualidade de vida dos pacientes portadores de IC com FE preservada em comparação com pacientes com FE rebaixada. Existem estudos comparando qualidade de vida nessas populações, porém apresentaram resultados inconsistentes, relatando pouca ou nenhuma diferença significativa na QV desses pacientes (LEWIS et al., 2007; AUSTIN et al., 2008). Porém, esses dados diferem dos resultados constatados em nosso estudo que considerou a FE como variável preditora de QV.
Hoekstra et al. (2011) evidenciou que a QV dos pacientes com FE preservada não diferiu significativamente dos pacientes com FE rebaixada. Ao ajustar os escores de QV com o nível de BNP, não foi encontrada uma associação entre QV e FEVE, ou seja, pacientes com FE preservada e rebaixada com valor de BNP semelhantes tiveram o
mesmo comprometimento de QV. Entretanto, para Shah et al. (2013) os pacientes portadores de IC com FE reduzida apresentam mais sintomas decorrentes da doença, dentre eles, a dor.
Apesar das melhorias na morbidade e mortalidade, a IC é caracterizada por descompensações recorrentes ou persistentes dos sintomas, as quais diminuem a QV. Diminuição do bem-estar, falta de ar e fadiga são os sintomas mais comuns (SHAH et al., 2013).
A IC está associada a comorbidades psicológicas, tais como, comprometimento cognitivo e depressão, sendo estes graves problemas de saúde relacionados ao envelhecimento da população (VOGELS et al., 2007). Até 17% das pessoas com idade acima de 65 anos demonstram a função cognitiva levemente diminuída, e há uma prevalência ainda maior de cognição prejudicada em pacientes com IC do que na população em geral (COROTTO et al., 2013). O comprometimento cognitivo na IC é associado com mortalidade significativa e de qualidade de vida deteriorada, provavelmente devido a prejuízos na memória e funções executivas, o que impacta a capacidade do paciente para compreender e cumprir os planos de tratamento prescritos (SOHANI; SAMAAN, 2012). As mudanças estruturais do cérebro, capacidade funcional e parâmetros bioquímicos são associados com o baixo desempenho cognitivo de pacientes com IC (BEER et al., 2009). Em nosso estudo, os idosos obtiveram no MEEM uma média abaixo do ponto de corte considerado para comprometimento cognitivo. E esta alteração cognitiva foi considerada como fator de risco para baixa QV.
Kindermann et al., (2012) examinou os processos cognitivos em 3 grupos: pacientes com IC descompensada (antes a após a compensação), com IC estável e pacientes saudáveis. Pacientes com IC descompensada mostraram pior desempenho em termos de memória de curto prazo, inteligência e velocidade de processamento em comparação com pacientes com IC estáveis. Após a compensação o desempenho cognitivo melhorou, mas não normalizou.
Dentre as comorbidades psicológicas associadas a IC, destaca-se a depressão. Tem sido descrito há vários anos que os pacientes que sofrem de uma doença crônica são propensos a desenvolver alterações do humor. Fato que pode afetar negativamente a adesão ao tratamento, estado funcional e a qualidade de vida dos pacientes (COROTTO
et al., 2013). Dentre os principais preditores de depressão nos pacientes com IC estão
episódio depressivo anterior, tabagismo e classificação funcional –NYHA. Entretanto, o sintoma depressivo é considerado preditor independente de pior qualidade de vida em pacientes com IC (SEO et al., 2013; MULLER-TASCH et al., 2007; KATO et al., 2011). Esse dado é similar ao encontrado em nosso estudo, o que se justifica, pois, a depressão em pacientes com insuficiência cardíaca está associada com um número maior de sintomas físicos e emocionais, o que por sua vez está associado a uma diminuição na QV (BEKELMAN et al., 2007).
Evidências da literatura apoiam a possibilidade de uma relação fisiopatológica entre déficit cognitivo, depressão e insuficiência cardíaca (SOHANI; SAMAAN, 2012). Em uma revisão sistemática sobre comprometimento cognitivo e IC incluindo 22 estudos, os sintomas depressivos foram associados com comprometimento cognitivo em 50% dos estudos incluídos. Além disso, estudos mostraram que a depressão pode ter um impacto negativo nos resultados de testes neuropsicológicos, proporcionando um impulso para mais investigação sobre o papel da depressão na IC associada ao comprometimento cognitivo (VOGELS et al., 2007).
Em relação as limitações do estudo, é importante destacar que este é de corte transversal, permitindo apenas mostrar associações e não uma relação de causalidade entre as variáveis.
O número reduzido de sujeitos foi em razão da grande parte dos pacientes atendidos no ambulatório de IC estarem fora da faixa etária do estudo, e vários pacientes