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La rédaction du questionnaire

Dans le document LES PRINCIPES FONDAMENTAUX DU MARKETING (Page 30-36)

Les principales techniques utilisées

C. La rédaction du questionnaire

Ao consultar informações disponibilizadas em documentos legais e oficiais da UFBA, verifica-se que o crescimento da extensão é um dos objetivos institucionais. Os estatutos aprovados em 2010 apresentam dentre as metas a promoção da extensão universitária e a contribuição para o desenvolvimento local, regional e nacional, além de sugerir a abertura a intercâmbios com setores externos da sociedade. O órgão institucional que promove e coordena a extensão da UFBA é a Pró-Reitoria de Extensão (PROEXT), e seus documentos institucionais apresentam uma concepção de extensão mais ampliada do que os novos Estatutos da UFBA.

É possível observar, no site da PROEXT, a extensão vista também como um diálogo em via de mão dupla com a sociedade, esta última considerada como sujeito, e não objeto das ações:

Para a universidade pública, de acordo com a sua função social, a extensão universitária pode ser concebida como a oportunidade de

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Já existem publicações dedicadas à extensão na maioria das regiões do Brasil, alguns exemplos são: Revista Eletrônica Extensão Cidadã (UFPB), Revista Extensão e Sociedade (UFRN), Em

Extensão (UFU), Interdisciplinariedade & Praxis (UFPR), Extensio: Revista Eletrônica de Extensão (UFSC), UDESC em ação (UDESC), Extensão Rural (UFSM), Revista Ciência em Extensão (UNESP), Revista Cultura e Extensão (USP), Raízes e Rumos (UNIRIO). Além dos

estabelecer um diálogo entre os diversos saberes, o lugar do exercício de uma das mais importantes funções da universidade que vincula ensino, pesquisa e sociedade, articulando a instituição com os diversos segmentos sociais, com o setor privado, com os movimentos sociais, com a sociedade civil, com o público consumidor de conhecimento, de cultura, artes e serviços e de preservação do patrimônio cultural do país. A extensão universitária, constitui-se […] como um momento necessário para articulação e diálogo entre o conhecimento produzido sistematicamente na universidade e os diversos saberes disponíveis na sociedade, importante etapa para a formação do futuro profissional como um espaço pedagógico de articulação da teoria e prática19.

O conceito de extensão da UFBA é bem semelhante à definição do Plano Nacional de Extensão, sendo que a PROEXT conta com programas de apoio à extensão e vem realizando, desde os anos 90, seminários de extensão com o propósito de mapear a extensão existente na UFBA, construindo uma política, definindo os âmbitos de ação prioritários e promovendo a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. Além disso, a PROEXT também apoiou seminários estudantis de extensão, a fim de despertar o interesse dos estudantes para as políticas de extensão.

Contudo, dentro da UFBA, existem diferentes linhas e visões sobre a extensão, correspondentes às diferentes concepções ideológicas, incluindo a mercantilista e assistencialista, a depender do núcleo ou do professor. Mas, para a PROEXT, a extensão deve viabilizar a realização do compromisso social da universidade, implantando ações de intervenção na sociedade:

Através da concepção da extensão focada na excelência acadêmica e relevância social, a Universidade pública demonstra seu compromisso com a sociedade, com a democratização do acesso ao conhecimento e torna possível assegurar que o ensino seja aplicado de forma contextualizada e de acordo com as reais necessidades da sociedade20.

Esse trecho corrobora as ideias de Freire e Boaventura Santos, além de incluir na questão do compromisso social a capacitação de cidadãos que não são alunos da UFBA, abordando o tema do acesso à universidade e a maneiras alternativas de construção de saberes. A extensão da UFBA associa-se com diversos setores da sociedade, como

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Disponível em: < www.extensao.ufba.br>. Acesso em 12/03/2016. 20

instituições do Governo Federal, Estadual da Bahia e municípios, consistindo na maioria dos beneficiários e também financiadores da extensão.

Existe, na UFBA, grande diversidade de ações permanentes de extensão, incluindo diferentes concepções, desde as ACCs- Atividades Curriculares em Comunidade, que se aproximam da concepção acadêmica e social, a concepção assistencialista, presente em ações extensionistas de faculdades da área de saúde e também a mercantilista, que presta serviços para empresas públicas e privadas, como é o caso da Escola de Administração da UFBA e do NEA–Núcleo de Extensão em Administração.

Há algumas dificuldades no sentido que, apesar de existirem diversas iniciativas extensionistas, há pouca articulação e cooperação entre elas. Diversas atividades não se vinculam à PROEXT, apenas os programas e projetos maiores, o restante é atrelado à faculdade de origem. Muitos projetos são próximos em termos de conteúdo, mas não se conhecem entre si, fragmentando o conhecimento e enfraquecendo a visão coletiva da extensão.

A UFBA propõe a Atividade Curricular em Comunidade e Sociedade (ACCS) e a Atividade Curricular em Instituição (ACI), desenvolvidas para que os alunos da graduação, estudando mediante recursos públicos, passem a desenvolver ações fora dos muros da universidade, participando ativamente de programas de extensão. Essas iniciativas buscam uma formação universitária mais ampla e integrada, provocando a reflexão e o envolvimento social dos graduandos, que se instrumentalizam na resolução de problemáticas comunitárias, bem como fomenta a capacidade de questionamento, crítica, compreensão e inovação, oportunizando a ocorrência do aprendizado de maneiras diferenciadas, em contato com o contexto ao redor da universidade.

As ACCS iniciaram-se em 2001 a partir de um projeto anterior de nome UFBA em CAMPO, como atividade complementar optativa. Em 2003, tornou-se um programa permanente de extensão para todos os currículos da UFBA. As ACCS propõem dispor o conhecimento acadêmico e a pesquisa à sociedade, preferencialmente para as comunidades desfavorecidas, por meio da criação de disciplinas no currículo em que docentes e discentes vão à campo em projetos específicos, colocando a teoria em prática.

Desta forma, a universidade se agrega à sociedade, interagindo de maneira a trocar saberes com um entendimento de abordagem horizontal, e não de forma assistencialista,

que marginaliza os grupos ou sujeitos sociais participantes da extensão, desperdiçando a oportunidade de troca de experiências. De acordo com a PROEXT-UFBA:

A ACC deve ser desenvolvida numa perspectiva dialética e dialógica, participativa e compartilhada por intermédio de intervenções em comunidades e sociedades, na busca de alternativas para o enfrentamento de problemáticas que emergem na realidade contemporânea21.

Portanto, a compreensão das atividades das ACCS passa pelo entendimento que os conhecimentos construídos pela população não são inferiores aos da academia, e não podem ser colocados em detrimento desta. Isso faz com que as variadas experiências das ACCS conduzam os sujeitos sociais a edificarem um conhecimento que, quando articulados aos saberes científicos, são capazes de dar sentido a eles. As ACCS ressignificaram a extensão universitária da UFBA, intensificando o contato entre sociedade e universidade, enfrentando a crise de legitimidade pela qual passam as universidades públicas.

Assim, as ações das ACCS buscam combater o vão entre sociedade e universidade, articulando uma forma de pensar inventiva, concebendo alternativas diferentes para a construção do conhecimento, dividido pelo padrão da ciência moderna que separa o sujeito do objeto e a teoria da prática. Contudo, ainda permanece uma demanda de melhor orientação para os estudantes universitários na realização das ações de extensão, para criar educadores mais preparados nas comunidades, e o objeto desta pesquisa consiste neste tema: o ensino na extensão universitária.

A extensão da UFBA na atual gestão do reitor João Sales merece atenção por suas propostas inovadoras, como o Fórum Permanente de Artes e Tradições Populares (FORPOP), iniciativa da Pró-Reitoria de Extensão em parceria com a Assessoria para Assuntos Internacionais, onde mestres da cultura popular atuam como docentes de disciplinas, promovendo intercâmbios entre projetos e pesquisas ligados à cultura popular.

[...]é um espaço de interlocução entre atores e autores desses múltiplos campos envolvendo a comunidade universitária (docentes, servidores técnicos-administrativos e estudantes), um movimento na perspectiva da construção de ações articuladas pelo reconhecimento da importância e do valor estratégico das diversas formas de produção de conhecimento aí

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envolvidas, levando, inclusive, à realização de intercâmbios internacionais22[...].

Embora ainda distante do ideal, a ação extensionista da UFBA com frequência consegue atingir o objetivo de efetivar a relevância social da universidade, representando uma instância institucionalizada por variados órgãos: além da PROEXT, a Câmara de Extensão e diversos núcleos de extensão. Sobre a política de bolsas, estas se dão através do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Extensão Universitária (PIBIEX)23, que conta com editais anuais para bolsas de extensão, e cujo site apresenta a relação de bolsistas desde sua implantação, em 2011. Desde esta data, apenas no período de 2017-2018 encontra-se dois bolsistas da Escola de Teatro, com um projeto intitulado “Artes cênicas, empresa e mercado”. Nos anos anteriores não há registros de bolsas para esta unidade, o que significa que praticamente não houve bolsas para a extensão para projetos de Teatro. Apesar disso, acontecem projetos de extensão, embora com descontinuidade. Infelizmente, na atualidade não se encontram projetos de extensão social mais consistentes e duradouros na Escola de Teatro. Há apenas o curso livre de Teatro, que é pago.

Durante minha graduação na UFBA, pouco ouvi falar sobre extensão, projetos e ações. No mestrado, através de meu orientador que sugeriu que minha investigação fosse um curso de extensão, criamos o curso intitulado Teatro em Comunidades, cujo trabalho coordenei como organizadora e docente, visando um processo pedagógico teatral que realizasse uma interação dialógica entre a academia e a comunidade, em que pretendi contemplar os interesses do grupo-sujeito, a Companhia de Teatro Na Boca de Cena, artistas amadores da periferia de Salvador, da comunidade Alto de São João.

Promovemos alguns de seus interesses como articulação política e aprimoramento da linguagem teatral, por meio de uma prática que incluiu dimensões de aprendizado técnico, político e humano. A metodologia utilizada foi de caráter qualitativo, baseada em jogos, improvisações e debates, com base na Poética do Oprimido, de Augusto Boal e na Peça didática de Brecht, trabalhada por Ingrid Koudela e adicionando contribuições de Viola Spolin. Procurei articular essas técnicas muito próximas, e que possibilitaram uma conscientização crítica e social, para o contexto específico do grupo. No caso atual, a

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Disponível em: < https://www.ufba.br/ufba_em_pauta/f%C3%B3rum-de-

tradi%C3%A7%C3%B5es-populares-aproxima-universidade-e-manifesta%C3%A7%C3%B5es- culturais>. Acesso em 10/12/2019

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atividade prática instaurada em Seabra, foco desta pesquisa, constitui-se em um curso de extensão da UFBA.

O que percebi e opino sobre a posição da extensão na Escola de Teatro da UFBA durante a graduação e mestrado como docente, é que a falta de continuidade em atividades de extensão não ajuda a transformação social. A descontinuidade não favorece resultados tão consistentes, pois um trabalho desse tipo deve demorar alguns anos para surtir efeitos duradouros.

Indissociabilidade

O princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão está presente no artigo 207 da Constituição de 198824 e permeia os documentos mais importantes que regulamentam o ensino superior. Apesar disso, é evidente que ele se mostra mais como um discurso do que como uma prática transformadora dos processos formativos da universidade, como indica Tomaz Tadeu da Silva: “a integração raramente consegue sair do plano teórico do ideal, sendo em parte atribuída às normalizações e à própria estrutura e funcionamento das universidades”(Silva, 2000, p 108).

A ideia da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, presente nos documentos normativos institucionais, ainda não foi conquistada de forma plena. O ensino continua sendo um espaço privilegiado, possuindo lugar de destaque, bem como as atividades de pesquisa, tomadas como produtoras de conhecimento. A hierarquia entre esses três elementos é percebida principalmente na quantidade de recursos destinados para cada um, favorecendo a pesquisa em contrapartida à extensão. O tripé ensino-pesquisa-

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“Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.

Art. 207. As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão

financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão.

§ 1º É facultado às universidades admitir professores, técnicos e cientistas estrangeiros, na forma da

lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 11, de 1996)

§ 2º O disposto neste artigo aplica-se às instituições de pesquisa científica e tecnológica. (Incluído

extensão deve ser entendido como base da universidade e os três elementos devem ser igualmente reconhecidos. A desqualificação da extensão afeta inclusive a própria qualidade da pesquisa e ensino.

A extensão também, muitas vezes, pode e deve estar incluída em atividades de ensino e pesquisa, pois ao excluir a extensão do ensino e pesquisa, é reproduzido o antigo padrão acadêmico, perdendo-se um grande e essencial espaço de descobertas e aprendizado, que consagra os saberes científicos como local de conhecimento em prol do ser humano, considerando o contexto histórico e social. A ideia de indissociabilidade respalda o sentido de que a construção de saberes contribui para a mudança social. Mas, como proceder, que estratégias utilizar para uma ação extensionista eficiente do ponto de vista da relevância social?

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