Frais et commissions
6. Règles d’évaluation et de comptabilisation des actifs
A proposição de uma Análise de Domínio numa abordagem pós-estruturalista é desafiadora, principalmente pelo fato desta atividade ser empregada junto a áreas que se baseiam em forte presença de modelos e estruturas de organização e classificação, Engenharia de Software e Ciência da Informação.
Deste modo, este Capítulo, ao tempo que contém informações teóricas sobre o desenvolvimento de ontologia computacional e a geração de significados durante este processo, apresenta a participação no desenvolvimento da ontologia EDXL- RESCUER, juntamente com uma revisão crítica do mesmo, considerando os princípios teóricos, desenvolvidos e apresentados neste trabalho.
Por fim, o Capítulo traz referências sobre trabalhos futuros necessários à continuidade da pesquisa, aqui iniciada.
CAPÍTULO 3
O Capítulo 3 trata do estado da arte para as teorias empregadas na Tese, iniciando pela seção 3.1 que faz uma revisão sobre as duas Semióticas aplicadas. A seção 3.2 contém uma revisão teórica para Análise de Domínio. E a seção 3.3 contém o resumo do Capítulo.
3 INTRODUÇÃO
Na perspectiva do desenvolvimento de pesquisas visando entender e mitigar os afastamentos entre aquilo que é formalizado logicamente e a realidade que se pretende representar, correspondente, este capítulo trata das bases teóricas para os estudos pretendidos. Estas são constituídas pelas questões abordas nas Semióticas definidas por Peirce e por Deleuze e Guattari (Deleuze-Guattari), e pelos aspectos teóricos explorados junto à atividade de Análise de Domínio.
Em relação à Semiótica de Peirce, deve-se a ela uma série de definições que estão devidamente introduzidas e criticadas pelas Semióticas reconhecidas como pós-estruturalistas, entre elas, aquela estabelecida pelos filósofos franceses Deleuze e Guattari.
No capítulo se explora os conhecimentos fundamentais às discussões conduzidas neste trabalho.
Assim, Peirce em sua Semiótica, define que o signo não é, necessariamente, a representação exata de um objeto, mas aquilo que do objeto é perceptível ou desejado ou imaginável ou inimaginável em certo sentido. Isto se dá, porque não há uma relação direta entre o significado do signo e o objeto referente, ao contrário, há um terceiro elemento, a significação.
A significação, resultante da relação entre o objeto, referente, e o signo,
significante, será o responsável por gerar o significado juntamente com o interpretante. Este elemento foi definitivamente conceituado na Teoria da Significação formulada pelo “segundo” Wittgenstein, apesar de que, não se tem
provas concretas da influência de Peirce sobre esta formulação.
Para Peirce, o signo ocorre no pensamento como instâncias da compreensão e da interpretação. Ele chama estas instâncias de pensamento-signos, as quais se dão de forma contínua, em um processo de semioses infinitas.
Durante este processo, o objeto é entendido de várias formas. De forma imediata, objeto imediato, a qual é uma cópia informacional incompleta gerada em algum estágio intermediário de uma cadeia de signos, do objeto dinâmico. O objeto
dinâmico diz respeito ao entendimento final sobre o objeto, ou melhor, ao grau de
Nas descrições referentes à Semiótica de Peirce, o capítulo traz um item sobre a sua Lógica Pragmática, uma vez que esta é fonte de definições importantes estabelecidas na sua Semiótica.
Peirce define sua Lógica Pragmática ou Pragmatismo ou Pragmaticismo, como quer o filósofo, a partir de uma máxima, na qual é enfatizada a combinação entre experiência particular e ideia universal para o entendimento de um signo. Deste modo, um signo é entendido (compreendido e interpretado) a partir da experiência cotidiana daquele que procura compreendê-lo e interpretá-lo.
O outro conjunto teórico estudado se refere à Semiótica desenvolvida em conjunto por Deleuze e Guattari, Deleuze-Guattari.
Deleuze e Guattari são reconhecidos como um dos fundadores do Pós- Estruturalismo francês, os quais introduzem uma série de conceitos inovadores:
rizoma, corpo sem órgãos (CSO), regime semiótico ou dos signos, rostidade.
Eles, por exemplo, trabalham a ideia na qual conceito é elemento da Filosofia e função é elemento da Ciência. Conceito é algo contínuo, função é algo discreto, sendo a conjunção entre os dois, o contraponto entre o virtual e o real.
Nesta Semiótica, o real é pensado como algo mais do que o possível, ou seja, a existência do possível adicionado ao real, sendo o possível "realizado" no real. Enquanto o virtual é o totalmente real, sem que seja necessário esperar uma
realização, uma vez que a sua atualização ocorre na gênese da realidade.
Assim, pode-se dizer que o mundo real não está mais associado ao Eu, e sim, ao existir, àquilo que é possível. Portanto, o Eu não é mais um índice linguístico e o
mundo real é o mundo possível, expressado, aquele que só existe na expressão, em
um rosto ou em um equivalente ao rosto.
Para Deleuze-Guattari, os aspectos da sua Semiótica espelham um conflito oriundo das transformações tecnológicas atuais, refletindo duas tendências distintas referentes à construção de aspectos do pensamento. Uma que aponta para a
homogeneização universalizante e reducionista da subjetividade. E outra, que se
pretende heterogenética, onde há um reforço à heterogeneidade e à singularização dos componentes, a qual eles aderem.
No centro deste conflito, ressalta-se a figura da subjetividade. De acordo com os filósofos franceses, a subjetividade se autogera em cada indivíduo, numa individuação subjetiva, trabalhada por agenciamentos coletivos de enunciação.
Segundo os mesmos, geralmente, a subjetividade é fruto da heterogeneidade. Sendo assim, as questões relativas ao sujeito devem ser tratadas pela subjetividade, tornando esta a principal referência para a intencionalidade.
Esta visão trazida por Deleuze e Guattari é uma alteração profunda na compreensão da relação sujeito e subjetividade, e uma das consequências é o novo posicionamento a ser adotado pelo conteúdo, que passa a conviver conjuntamente com as questões do sujeito.
O conteúdo é um dos componentes da função existencial f(expressão,
conteúdo), que gera como resultante a junção entre a discursividade maquínica e universos de referência ou não discursivos.
A Semiótica de Deleuze-Guattari dialoga em profundidade com duas vertentes do pensamento contemporâneo: a heterogeneidade e a singularização dos componentes, e a homogeneização universalizante e o reducionismo da
subjetividade. A heterogeneidade lida com existência desterritorializada e com a subjetividade territorializada.
Entender estas duas tendências contemporâneas do pensamento é muito importante para esta pesquisa. Uma vez que, o reducionismo da subjetividade combinado com uma homogeneização universalizante conduz a um Ser padrão, o que favorece ao surgimento de eventos como o estruturalismo linguístico, o mesmo que impede a todos de sair da estrutura e de entrar no mundo real da máquina.
A alternativa que se coloca é a heterogeneidade por meio da singularização dos componentes, conduzida por intermédio daquilo que Deleuze-Guattari chama de
agenciamento maquínico. Este ocorre de modo consistente, ao conduzir
componentes semióticos através de eventos de heterogênese e de autopoiese criativos.
As duas Semióticas apresentadas devem dialogar por meio de um alinhamento, a fim de que se possa as aplicar, visando à evolução da atividade de
Análise de Domínio.
A Análise de Domínio se apresenta nos dias atuais como a principal ferramenta para o processo de aquisição de conhecimentos, dado certo domínio. Ela se faz presente nas duas áreas que concentram as maiores manifestações deste processo, a Engenharia de Software e a Ciência da Informação.
A Análise de Domínio no âmbito da Ciência da Informação apresenta um quadro de mutação. Nela, a Análise baseada na hipótese, segundo a qual os
significados para os signos são gerados de modo independente do contexto vêm
sofrendo críticas. Na hipótese sugerida em substituição a atual, os significados devem ser socialmente negociados e contextualizados, considerando os objetivos relacionados aos domínios onde se encontram inseridos.
Neste sentido, a influente escola dinamarquesa para Ciência da Informação, defende a substituição da Teoria do Conceito pela Teoria da Significação, buscando assim, classificar conhecimentos em um domínio específico, a partir dos seus termos e propriedades (relações entre termos), tendo os usos com base. Para tanto, termos e suas relações são constituídos de modo dinâmico, considerando a realidade atribuída pelos interesses dos grupos sociais presentes ao domínio.
Em relação a Análise de Domínio na Engenharia de Software, as mesmas questões se colocam, não bastando o simples levantamento de conceitos e
propriedades, para descrever um domínio. Faz-se necessário que sejam
consideradas as anotações sobre os usos para cada um dos itens levantados.