TITRE IV SE LOGER
Article 39 quinquies (Conforme)
FREITAS, Joycyely Marytza de Araujo Souza Local de trabalho – Universidade Federal Rural de Pernambuco (DTR/UFRPE) [email protected] DUDU, Reneid Emanuele Simplicio Local de trabalho - Centro de Ciências e Tecnologia da Universidade Estadual da Paraíba (CCT/UEPB) [email protected]
RESUMO
A temática sobre o lixo e a reciclagem possibilita uma conscientização através da Educação Am- biental da comunidade escolar. Dessa forma o objetivo geral do estudo foi investigar a execução da Edu- cação Ambiental sobre o lixo e a reciclagem, com propósito de desenvolver o senso de respeito à nature- za e a preservação do meio ambiente. O trabalho realizado foi do tipo exploratório, de caráter qualitativo e quantitativo, caracterizando-se como estudo de caso. A pesquisa foi executada numa escola particular de Olinda - PE com 85 alunos do 6º ao 9º anos do Ensino Fundamental II. Como instrumento da pesquisa foi utilizado à técnica de observação direta e questionário. Os resultados obtidos demonstram entendi- mento sobre aspectos relacionados aos resíduos sólidos, reciclagem e Educação Ambiental. Conclui-se que os estudantes conhecem sobre a problemática em questão, mas faltam incentivos e recursos que proporcione uma coleta seletiva mais expressiva, para assim formar cidadãos conscientes.
PALAVRAS-CHAVE: Resíduos sólidos, Reciclagem e Educação Ambiental.
1. INTRODUÇÃO
Educação ambiental, preservação da natureza, tratamento do lixo, consumo responsável, são temas que aparecem na agenda da sociedade brasileira e mundial com a urgência espantosa de um planeta que não suporta mais o ritmo de exploração que o homem impôs a ele. Não se trata mais de uma mera vontade de ambientalistas ou de naturalistas, mas uma necessidade de todas as pessoas. O lixo tem sido uma das questões centrais para aqueles que se preocupam com o meio ambiente, na perspectiva de garantir a existência das gerações futuras. Nas últimas décadas, a produção do lixo tem aumentado significativamente no planeta, o consumismo tem crescido a cada dia de forma incontrolável causando um grave problema para a natureza.
Cada brasileiro joga no lixo em média mais de um quilo de resíduos por dia, o que representa perto de 180 mil toneladas (ÉPOCA, 2012). Entretanto todas as informações a respeito do lixo e seu destino es- tão disponíveis para alunos e professores principalmente na internet, no entanto, deve‐se proporcionar aos estudantes a compreensão de que os resíduos sólidos não devem ser mantidos a céu aberto, nem acumulados em salas rasas, em leito de rios ou próximos a residências, pois essas ações transmitem do- enças para a população. Mediante a problemática em questão a busca de informação sobre as formas de destinação do lixo deve ser incentivada através de leitura de textos, artigos, jornais selecionados, que
permitam aos alunos conhecerem os diferentes destinos do lixo (aterro sanitário, incineração e lixão), bem como as possibilidades de reciclagem (vidro, papel e plástico) e a produção de compostos para adubagem e gás natural a partir de restos de alimentos e papel. Possibilitando aos alunos conhecimen- tos para que compreendam as consequências que podem provocar o lixo na saúde e na natureza, se não forem realizados processos de manejo adequado com resíduos sólidos.
Essa ação pode vir em forma de aulas temáticas, seminários, visitas a aterros onde o município descarta o lixo da cidade, enfim atitudes que incitem nesses jovens o gosto pela preservação, pois se acredita que a educação ambiental é uma das melhores ferramentas para o desenvolvimento dessas ações e para a conscientização e incentivo de atitudes embasadas na preservação e manutenção de um meio ambiente equilibrado. Portanto a pesquisa tem como objetivo investigar a execução da educação ambiental em uma escola particular de Olinda - PE, sobre o lixo e a reciclagem, com propósito de desen- volver o senso de respeito à natureza e a preservação do meio ambiente.
2. METODOLOGIA
O trabalho realizado foi do tipo exploratório, de caráter qualitativo e quantitativo, caracterizando-se como estudo de caso (AQUINO, 2010). A pesquisa foi realizada em uma escola particular, na cidade de Olinda - PE. Os resultados obtidos durante a pesquisa foram concordados que sejam divulgados em pu- blicações científicas, desde que o nome da instituição não seja mencionado. Assim a escola participante foi denominada através de pseudônimo, com o objetivo de resguardar o sigilo dos dados da empresa pesquisada. A população foi formada por 85 educandos do 6º ao 9º anos do Ensino Fundamental II. Estiveram inclusos os estudantes frequentadores das turmas investigadas do presente ano. E estiveram exclusos todos que não pertenceram ao conjunto citado.
Como instrumento da pesquisa foi utilizado à técnica de observação direta e aplicação de questio- nário de múltiplas escolhas, de forma padronizada, pessoal e formal, direcionado a conseguir informa- ções sobre o lixo na opinião da população e com o intuito de obter respostas informativas relacionadas aos objetivos da pesquisa.
Para análise dos dados, o intuito do estudo foi levantar o conhecimento prévio com finalidade de explorar e exigir dos alunos ações corretas sobre os lixos gerados principalmente no ambiente escolar. O questionário foi orientado a linha de pensamento de termos simplificados para as idades dos partici- pantes, facilitando assim o maior número de dados sobre o problema proposto. A estatística descritiva foi utilizada para melhor compressão dos dados, na forma de distribuição de frequência pontual e aplicação da frequência relativa em percentual, através da fórmula:
Onde: fi% é a frequência relativa em percentual; Fi são as frequências absolutas e N: tamanho da população (REIS, 1998).
3. RESULTADOS
As respostas apresentadas dos estudantes investigados foram descritas por categorias para melhor compreensão da análise. Na visão de Sissino, Oliveira e Ferreira (2000) tanto para o Brasil como para Amé- rica Latina, estima‐se uma produção per capita diária que varia entre 0,5kg/ hab. e 1,2kg/ hab., depen-
dendo das condições econômicas da cidade. No Brasil, a produção diária de lixos domiciliares é da ordem de 110 a 130 mil toneladas, que devem ser coletadas, transportadas e dispostas de forma a preservar o ambiente e a saúde pública. Assim o lixo é descrito no Plano Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) como rejeito:
Rejeitos: resíduos sólidos que, depois de esgotadas todas as possibi- lidades de tratamento e recuperação por processos tecnológicos dis- poníveis e economicamente viáveis, não apresentem outra possibili- dade que não a disposição final ambientalmente adequada (BRASIL, 2012 p. 73).
Dessa forma a primeira pergunta do questionário era direcionada para o que era lixo na opinião dos educandos Gráfico 1), onde a maioria compreende como “o que não se tem mais utilidade”. De acordo com Ferreira (2010, p. 793) lixo significa “qualquer matéria ou coisa que repugna por estar suja ou que se deita fora por não ter utilidade.” Ao passo que representa, 73% dos estudantes tem capacidade de reco- nhecer o termo lixo sem dificuldades. Porém respectivamente 14% e 6% justifiquem pertinentemente como sendo o que não tem mais necessidade de uso ou o que se joga em algum lugar, demonstrando que qualquer lugar pode ser descartado o lixo. E para 5% que tinham argumentações opostas das lista- das no questionário o lixo é: a sobra de alguma coisa, o que se deixa fora de casa, o que joga no lixeiro, entre outras afirmações. E 2% não souberam explicar o que é o lixo nem de acordo com as alternativas, nem mencionando outro conceito. Diante do exposto as palavras de Félix (2007, p. 56) encaminha para reconhecimento e mudança que o lixo é uma questão preocupante que afeta a sociedade e o meio am- biente, sendo a melhor prática adotada o trabalho de essência na educação ambiental.
Gráfico 1. Definição de lixo
Fonte: Freitas (2013).
Além do conceito de lixo era importante entender termos citados por familiares, meios de comuni- cação e as pessoas que convivem com os alunos. O conceito de reciclagem conforme o PNRS remete a mudança nas propriedades dos materiais:
Reciclagem: processo de transformação dos resíduos sólidos que en- volve a alteração de suas propriedades físicas, físico-químicas ou bio- lógicas, com vistas à transformação em insumos ou novos produtos, observadas as condições e os padrões estabelecidos pelos órgãos competentes do Sisnama e, se couber, do SNVS e do Suasa (BRASIL, 2012 p. 73).
Com esse foco o lixo é um tema que constantemente associado a reciclagem, reuso e redução de materiais para beneficio da saúde pública e da natureza (CORREA, 2001). Por isso foi indagado a opi- nião do público pesquisado sobre a intitulação Lixo reciclável. Os resultados que foram obtidos pode-se classificá-los como satisfatório para conhecimento prévio dos estudantes. Apesar de 63% responder de forma simples, não deixa de ser um dos significados de lixo reciclável (Gráfico 2). Todavia 19% indica o
ato de indivíduos que arrecadam o que é rejeitado. Ainda 6% mencionaram outros tipos de argumentação como: matérias-primas de objetos sem utilização que são transformadas, material separado para ser mo- dificado em outros objetos, entre outras. E 1% ficou em dúvida ou não sabiam responder sobre o assunto.
De acordo com Abal (2012) o Brasil é o país que mais recicla latinhas de alumínio no mundo com liderança desde 2001, a organização de um programa de reciclagem além de ajudar a preservar o meio ambiente, contribui no orçamento do cidadão gerando usinas de reciclagem e consequentemente ge- ração de renda. Por isso 11% dos participantes associaram a reciclagem a “catadores” que recolhem e vi- vem da renda principalmente do alumínio, embora outros materiais recicláveis tenham sua importância econômica.
Gráfico 2. Conceito de material reciclável
Fonte: Freitas (2013).
Mas para existir a reciclagem do lixo é necessária a conscientização sobre o ato de praticar a coleta seletiva. Conforme Félix (2009, p. 60) as escolas baseadas nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s) devem incentivar a transformação nos conceitos ambientais em relação aos resíduos sólidos, com a fina- lidade de promover modificações conceituais, procedimentais e atitudinais das crianças. Com intuito de compreender a percepção sobre os coletores, suas cores e tipo de lixo armazenado, os educandos foram indagados acerca de qual lixo deveria ser jogado e em quais cores (Gráfico 3), sendo que a maioria usa a lixeira comum.
Gráfico 3. Aspectos da coleta seletiva, cores dos coletores seletivos e tipo de lixo
Fonte: Freitas (2013).
As declarações expressas foram baseadas na realidade da escola, pois o fato que mais chama atenção é ter recentemente trocado os lixeiros comuns por apenas dois, um amarelo e um vermelho próximos a cantina e nas salas de aula ainda permanecem os lixeiros comuns. Segundo a Resolução do Conama 275, de 25 de abril de 2001 BRASIL, 2001) foram estabelecidos coletores de resíduos baseadas nos padrões internacionais em colorações diferentes para facilitação da coleta seletiva(Quadro 1).
Quadro 1. Cor dos coletores e respectivos materiais a serem depositados, de acordo com a Resolução Conama 275/2001.
Cor do coletor Material a ser depositado
Azul Papel/papelão
Vermelho Plástico
Verde Vidro
Amarelo Metal;
Preto Madeira
Laranja Resíduos perigosos
Branco Resíduos ambulatoriais e de serviços de saúde Roxo Resíduos radioativos
Marrom Resíduos orgânicos
Cinza Resíduo não reciclável ou misturado, ou contaminado não passível de separação
As declarações expressas foram alarmantes, pois 78% dos alunos expressaram utilizar o lixeiro co- mum mais utilizado na escola por está localizado em todas as salas de aula, pra todo tipo de resíduo, sem separação para reciclagem. Dessa forma houve equilíbrio e entendimento sobre o significado de cada coletor de lixo de reciclagem. O valor de 10% foi atribuído ao coletor amarelo que reserva os me- tais. Enquanto 10% revelaram que o coletor vermelho que deve armazenar plástico. Os estudantes que declararam não saber responder corresponderam a 2%, alegando que os coletores vermelho e amarelo dificilmente estão só com plástico e metais, restos de comida e papeis também são encontrados nesses depósitos.
Profissionais da higienização confirmaram que a escola, apesar dos dois coletores seletivos não armazenam, nem destinam para alguma cooperativa ou catador o lixo desses locais. Todos são reunidos nos mesmo sacos plásticos de lixo misturados com o de toda escola, setores como secretária, infor- mática, salas de aula, cantina, banheiros, quadra esportiva, laboratório e biblioteca. Por esse motivo a Educação Ambiental deve ser uma ação que pode ter caráter formal, sendo debatida na escola, mas também informal, pela educação doméstica de familiares, informações midiáticas, entre outras; que ex- pliquem a preocupação que os resíduos sólidos podem proporcionar a preservação do meio ambiente e da qualidade de vida das pessoas (FÉLIX, 2007). Assim o Ministério da Educação (MEC) insere a Educação Ambiental baseada na educação formal sendo realizada através de projetos interdisciplinares, não como temática isolada. Dessa forma os projetos podem promover:
Interpretamos a ideia de “projetos escolares em educação ambiental” como uma iniciativa educativa que busca possibilitar vivências, refle- xões, aprendizagens, geração de conhecimentos e fortalecimento do trabalho coletivo, a partir do planejamento e ação perante um proble- ma, tema ou situação socioambiental (ROSA, 2007, p. 277).
Consequentemente os estudantes foram perguntados sobre a existência de projetos ambientais promovidos pela escola (Gráfico 4).
Gráfico 4. Ações e projetos de educação ambiental na escola
Fonte: Freitas (2013).
Nas indicações dos estudantes 81% responderam que os projetos de educação ambiental são de- senvolvidos nas aulas de ciências ou Biologia, com estímulo das professoras dessas disciplinas. Contudo 11% disseram que praticaram ações de educação ambiental na Feira de conhecimentos do ano passado como a reutilização de lixo orgânico com aplicação da compostagem e emprego em receitas que apro- veitam cascas e sementes de frutas e vegetais. Enquanto que 6% relataram em datas comemorativas como dia da árvore, dia mundial da água, dia mundial da alimentação, entre outras amplificar o cuidado com o lixo e elaborar projetos de caráter ambiental. Para Félix (2007, p. 69) a expansão de práticas da Educação Ambiental motiva os envolvidos e constrói o sentimento de responsabilidade nos envolvidos, conscientizando e esclarecendo os temas ambientais, econômicos e sociais sobre a reciclagem que a melhor solução é conservar o meio ambiente.
4. CONCLUSÕES
Encarar os problemas ambientais é essencial, pois é dele que depende a qualidade de vida da população. É preciso que as pessoas conscientizem-se de preservar o meio ambiente, pois isto sim trará inúmeras melhorias em nosso bem estar e para o planeta. Acredita-se que a conscientização a respeito dos resíduos sólidos começada pelas escolas contribua significativamente para a formação de cidadãos conscientes, de seu papel quanto parte integrante desse meio ambiente em que vivem.
Além disso, a investigação aponta que a comunidade escolar (funcionários, professores, estudantes, pais e direção) pode unir-se e exigir dos órgãos governamentais coleta seletiva, que efetivará e intensifi- cará o processo de reciclagem da empresa. Também é necessária a instalação de outros coletores como o azul para papel e o marrom para resíduos orgânicos na escola. Bem como a substituição dos lixeiros comuns por lixeiros seletivos com cores correspondentes aos rejeitos dos demais ambientes da escola.
Se hoje não houver uma postura e uma consciência ambiental, reparando os danos causados ao meio ambiente e evitando novos desastres ecológicos, a continuidade e a qualidade de vida estarão comprometidas. As ações intensivas de educação ambiental, oficinas, visitas às residências, palestras, dinâmicas, gincanas entre outras, demonstram como é possível construir outra relação com a natureza, provando que pequenas ações de reciclagem dos resíduos sólidos podem fazer a diferença na escola, em casa, no ambiente de trabalho e no mundo.
REFERÊNCIAS
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