RURAL
PAZ, Yenê Medeiros Departamento de Tecnologia Rural da Universidade Federal Rural de Pernambuco [email protected] MORAIS, Maria Monize de Departamento de Tecnologia Rural da Universidade Federal Rural de Pernambuco
RESUMO
O presente trabalho objetivou realizar uma avaliação temporal da infraestrutura com relação ao saneamento básico e a percepção ambiental de comunidade de agricultores familiares de Poço da Cruz, Ibimirim-PE. A metodologia trabalhada consistiu na aplicação de questionários nos anos de 2009 à 2013, avaliando-se a socioeconomia da comunidade, resíduos sólidos e percepção ambiental acerca de pro- blemáticas globais e locais. O serviço de coleta de resíduos evoluiu com o passar dos anos, mas práticas inadequadas de descarte de resíduos ainda permanecem como queimar, enterrar e jogar fora. Dos pro- blemas ambientais globais citados pela comunidade estão queimadas, desmatamento, lixo, poluição ambiental, poluição do ar, seca e enchentes. E dos Problemas locais foram citados lixo, animais soltos, poluição hídrica, poluição do ar, fome, queimada e desmatamento. A comunidade deve ser foco de tra- balhos de extensão universitária e da preocupação do poder público municipal de forma que possam ser desenvolvidos trabalhos de educação ambiental.
PALAVRAS-CHAVE: Problemas ambientais, Comunidade tradicional, Ruralidade.
1. INTRODUÇÃO
O meio ambiente é tema central das discussões em todo o mundo, este desperta grande interesse nos países, independentemente do regime político ou sistema econômico (ROCHA et al., 2005). A partir da segunda metade do século XX pode-se notar um elevado crescimento no consumo o que por conse- quência denota numa degradação ambiental, seja pela utilização desenfreada dos recursos naturais, seja pela geração de resíduos e poluentes (ALMEIDA JUNIOR & GOMES, 2012). Ferreira (1995) corrobora com essa ideia quando descreve que a sociedade do século XXI pode ser considerada como a civilização dos resíduos, marcada por um desenvolvimento com crescente desperdício, enquanto populações inteiras vivem em condições mínimas de subsistência.
A escassez de recursos naturais, ao lado dos problemas relacionados à disposição inadequada dos resíduos no meio ambiente, foi com o passar do tempo expondo a necessidade da concretização de for- mas mais corretas de descarte (RIBEIRO & LIMA, 2000). Conforme a NBR 10004 (ABNT, 2004) os resíduos sólidos podem encontrar-se nos estados sólido e semissólido, e resultam de atividade de origem indus- trial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços de varrição. Ainda podem ser caracterizados como substâncias descartadas resultantes de atividades humanas, cujas características tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d’água (ABNT, 2004; BRASIL, 2010).
Os Resíduos Sólidos comumente são chamados de lixo, devido a associação do nome ao que não tem mais utilidade e ao que não se quer por perto. Esse é um conceito trabalhado de maneira inadequa- da, pois é relativo a concepção pessoal de cada um, podendo um produto descartado ter serventia para outro alguém ou compor outros processos industriais.
Caso o gerenciamento de resíduos ocorra de forma inadequada, este pode acarretar em proble- mas para a comunidade como problemas de saúde e redução da qualidade de vida. “É cada vez mais evidente que a adoção de padrões de produção e consumo sustentáveis e o gerenciamento adequado dos resíduos sólidos podem reduzir significativamente os impactos ao ambiente e à saúde” (JACOBI & BESEN, 2011).
O mundo atravessa uma crise ambiental configurando-se como uma crise de conscientização, mar- cada pela forma inadequada com a qual a humanidade tem utilizado os recursos naturais. O momento atual é caótico, devido a diversos quadros de impactos ambientais e degradação do meio. Albuquerque et al. (2010) enfatizaram, que desequilíbrios da relação entre homem e natureza vieram a configurar esta crise, a qual pode ser minimizada pela transformação da maneira que indivíduo percebe, analisa e age sobre o ambiente.
A busca da sustentabilidade nas atividades humanas vem sendo a tônica das preocupações con- temporâneas em face da crescente consciência dos limites impostos pelo ambiente e da necessidade de se buscar o equilíbrio entre os parâmetros socioeconômicos e ecológicos. Nesta busca, é importante o alinhamento do desenvolvimento sustentável à cidadania, relativa aos direitos e deveres dos indivíduos. Dias (2004), afirma que o Desenvolvimento Sustentável é um modelo que visa conciliar as necessidades socioeconômicas dos seres humanos com a preservação do meio ambiente, com foco na sustentabili- dade das futuras gerações.
A Constituição Federal (BRASIL, 1988) em seu Art. 225 menciona o Desenvolvimento Sustentável quando diz que “Todos tem direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”. E desde a Constituição, a sociedade brasi- leira vem passando por profundas modificações no sentido da construção da cidadania. Essas mudanças criaram novas institucionalidades, em particular na esfera local, resultado de compromissos gerados du- rante o processo de descentralização.
Neste sentido a educação popular, preconizada por Freire (1996) e Furtado (2005), dando poder de argumentação ao povo no processo de mediação social, centrada na metodologia da educação popular, e, na construção do poder local, como estratégia para transformação, em comunidades de agricultores familiares, quilombolas, indígenas, de pescadores artesanais e tem ocupado espaço. As comunidades tradicionais consistem em grupamentos humanos que desenvolveram modos particulares de existência, adaptados a nichos ecológicos específicos e que mantêm uma relação harmônica com o meio ambien- te. Cerca de 4,5 milhões de pessoas fazem parte de comunidades tradicionais atualmente no Brasil e elas ocupam 25% do território nacional (AGÊNCIA BRASIL, 2006). Sendo, portanto uma parcela significativa do território nacional ocupada por essas comunidades.
O Semiárido Brasileiro ocupa uma área total de 974.752 km² nos estados do Nordeste (86,48%) e parte dos estados de Minas Gerais (107.343,70 km² ou 11,01%), e do Espírito Santo (24.432,70 km² ou 2,51%). E a realidade das comunidades rurais do semiárido apresenta graves problemas nem mesmo as necessidades básicas do ser humano são supridas nestas localidades, como água potável, segurança e educação, muito menos emprego e renda. E nessas localidades estudos no que diz respeito a Resíduos sólidos domiciliares e percepção ambiental das comunidades ainda são escassos quando comparados aos de contexto urbano.
O objetivo do trabalho consistiu na avaliação temporal da infraestrutura com relação ao saneamen- to básico e a percepção ambiental de comunidade de agricultores familiares de Poço da Cruz, Ibimirim -PE.
2. METODOLOGIA
O presente estudo foi desenvolvido no Município de Ibimirim, localizado no semiárido pernam- bucano. O município de Ibimirim - PE, localizado a 333 km de Recife, na mesorregião do sertão pernam- bucano e microrregião do sertão do Moxotó, situado nas coordenadas geográficas 8° 54’ de latitude Sul, 37° 68’ de longitude Oeste (Figura 1). Possui área territorial de 1.954,705km2, sendo limitado ao leste por
Tupanatinga, a oeste com Floresta, ao norte pelos municípios de Sertânia e Custódia e ao sul com Inajá e Manari. Ibimirim apresenta uma população de 26.954 habitantes, e possui atualmente um dos menores
IDHM (0,566) do país (IBGE, 2010).
Figura 1. Localização geográfica do município de Ibimirim-PE. Fonte: Oliveira et al. (2011) A comunidade de Poço da Cruz, foco do estudo, é subdividida internamente de maneira informal em três áreas: Comércio, Hospital e Mecânica. A vila Mecânica apresenta-se como um arruado, com casas de adobe, desprovidas de banheiro, ruas sem calçamento, ausência de esgotamento sanitário, sem água encanada ou coleta de lixo. A vila do Comércio, que apresenta feições similares à Mecânica, possui casas de taipa e outras de adobe. Já a Vila do Hospital apresenta um leve grau de organização, pois possui água encanada e coleta de lixo, igreja, posto de saúde e escola, mas desprovida de calçamento e esgotamento sanitário. A referida comunidade encontra-se próxima ao açude engenheiro Francisco Saboya, popular- mente conhecido como açude de Poço da Cruz, e é composta em sua maioria por agricultores familiares.
A pesquisa consistiu no levantamento, processamento e análise de dados primários e secundários. O levantamento de dados primários na pesquisa de campo por meio de entrevistas com roteiro, sendo que as perguntas seguiram as orientações de Vargas e Weisshanpt (1998) e os parâmetros estabelecidos por El-Deir (1999).
O levantamento de dados primários ocorreu nos anos de 2009 à 2013 com a aplicação de 30 ques- tionários em 2009 , 50 em 2010, 48 em 2011, 49 em 2012 e 96 em 2013. Os questionários foram aplica- dos pelos integrantes, discentes e docentes, do Grupo de Gestão Ambiental em Pernambuco (Gampe), do Departamento de Tecnologia Rural na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), através de questões abertas e fechadas, objetivas e subjetivas, as perguntas abertas foram plotadas através da incidência percentual das respostas. Os questionários foram compostos de perguntas referentes à socio- economia local, saneamento básico e percepção com relação a problemas ambientais locais e globais.
O presente trabalho está fundamentado na metodologia da pesquisa-ação. As técnicas utilizadas nesta pesquisa foram à observação direta e participante, informação documental e levantamento da percepção dos partícipes por meio de entrevista individuais, desenvolvendo processos de construção do conhecimento, aliado às diversas formas de ação coletiva. Anseia-se que esses processos sejam faci- litadores do diálogo entre saber técnico e o saber prático, além disso, espera-se que essas metodologias possibilitem a revelação de percepções e concepções a respeito da realidade ambiental dos ecossiste- mas usados pelas comunidades focais do trabalho, isto é, a construção de um cenário das condições socioambientais.
Ocorreram também diálogos informais com os moradores, observação in locu e registro fotográfi- co, como maneiras de complementação dos dados. O processamento dos dados foi realizado no Excel, fazendo-se análise estatística e elaboração dos gráficos comparativos. Para análise de dados secundários foram analisados artigos científicos, dissertações, teses e sites de bases confiáveis.
3. RESULTADOS
Determinar o aspecto e a situação socioeconômica auxilia na compreensão da formação familiar, nível educacional, e da qualificação das atividades desenvolvidas em comunidades tradicionais; além da avaliação conjunta dos aspectos da organização social (EVANGELISTA, 2000; DIEGUES, 2004). Portanto almejando-se analisar a socioeconomia da comunidade foram levantados os aspectos de sexo, escolari- dade e auxilio financeiro governamental.
Os questionários foram respondidos em sua maioria por pessoas do sexo feminino, representando 73,3% em 2009, 82% em 2010, 87,5% em 2011, 77,6 % em 2012 e 83,3% em 2013. Isto se deve aos ho- mens exercerem atividades relacionadas à agricultura durante o dia e às mulheres, em sua maioria, serem donas de casa. A maior parte da população entrevistada nesses anos possui escolaridade referente ao ensino fundamental incompleto (Figura 2). Atualmente mais da metade da comunidade entrevistada recebe algum auxílio financeiro do governo, diferenciando-se da situação inicial, encontrada em 2009, onde nenhum dos entrevistados recebia, 82% informaram receber no ano de 2010, 68,8% em 2011, 63,2% em 2012 e 58,3% em 2013.
Para Santos (2004) o reconhecimento destas peculiaridades é fundamental [...] visto que permite a convergência de esforços entre as diferentes classes sociais, onde o entendimento torna-se importante para o desenvolvimento econômico local. Estes esforços, para El-Deir et al. (2006, 2009, 2010) podem ocorrer por incrementos tecnológicos ou por políticas públicas voltadas para este fim, fortalecendo des- sa forma a organização social.
Figura 2. Escolaridade dos entrevistados
Buscando-se analisar a infraestrutura local com relação ao saneamento básico, percebeu-se através dos relatos da comunidade que existem diferenças entre os espaços da comunidade, devido a subdivi- são mencionada anteriormente. As áreas que possuem algum nível de organização possuem coleta do lixo, enquanto que em algumas residências das áreas mais desfavorecidas o sistema é ineficiente. No ano de 2009, nenhuma das residências da comunidade de Poço da Cruz possuía serviço de coleta de lixo, contudo nos anos posteriores houve alterações nos resultados. Em 2010 a coleta estava sendo realizada em 100% das residências, com periodicidade de duas vezes por semana.
Em 2011 a coleta não foi constatada de forma completa, mas 85,4 % dos entrevistados ainda pos- suíam serviço de coleta duas vezes por semana, 6,25% informaram que a coleta apenas estava sendo realizada uma única vez na semana e 8,3% ainda não estavam sendo abrangidos pelo serviço. Em 2012 o maior percentual permaneceu continuou sendo de residências com coleta com periodicidade de duas vezes por semana (89,8%), mas houveram residências que o sistema ainda apresentava falhas, realizando a coleta apenas uma vez por semana (10,2%). Em 2013, ano com maior amostra, 100% dos entrevistados informaram que o serviço de coleta de lixo estava ocorrendo e com periodicidade de uma vez por se- mana, demonstrando uma redução na periodicidade de coleta sem justificativas do órgão competente. A quantidade de resíduos que uma comunidade produz varia de acordo com diversos aspectos como renda, época do ano, modo de vida, movimento das pessoas em períodos de férias e acondicio- namento das mercadorias (CUNHA & CAIXETA FILHO, 2006). A partir da quantidade dos resíduos gerados que se pode realizar um planejamento adequado das operações de limpeza urbana. Este planejamento deveria ser realizado e monitorado objetivando atender as necessidades da população, visando a melho- ria contínua e elevação da qualidade de vida da população. Pois ambientes com acúmulo de resíduos favorecem a proliferação de vetores e a incidência de doenças, além de diminuição do bem estar social.
Ferreira e Anjos (2001) comentam que ainda que se saiba sobre a importância da limpeza urbana para o meio ambiente e para a saúde da comunidade, isto não se transcreve em ações efetivas que al- terem a situação precária de muitos sistemas de gerenciamento de resíduos sólidos da América Latina e do Brasil. Neste contexto é importante mencionar que ainda é uma realidade do Brasil a de inúmeras comunidades não possuírem sistemas de coleta de resíduos eficientes e nem áreas de transbordo apro- priadas, resultando em poluição e degradação ambiental pela destinação e disposição inadequada dos resíduos sólidos.
De acordo com o relato dos entrevistados a coleta dos resíduos domiciliares, ainda que atenda a maior parte da comunidade no ano de 2013 na comunidade, apresenta falhas. E nas residências onde o serviço ainda continua inexistente a comunidade se depara com a necessidade de destinar seus rejei- tos de outras formas. Mas isso não ocorre somente com a população que não possui o serviço em sua residência, pois os atrasos e a irregularidade do serviço de coleta dos que possuem faz com que estes procurem destinar seus resíduos (Figura 3) de outras maneiras para não acumulá-los dentro de suas resi- dências, correndo riscos de atrair insetos e roedores. Dentre as ações de descarte encontradas tem-se os: a) que não tratam, mas aguardam a coleta; b) que jogam o lixo fora de suas residências, geralmente em terrenos baldios; c) que queimam o resíduos, podendo ser em sua propriedade ou áreas abandonadas; d) os que enterram os resíduos; e) que separam os resíduos orgânicos utilizando-os para compostagem ou para utilização direta em culturas agrícolas.
Figura 3. Destinação dos resíduos domiciliares
O saneamento básico não é realizado de forma eficiente na comunidade, e esta deficiência não é rela- cionada apenas a limpeza urbana e a coleta regular dos resíduos domiciliares. Pois constatou-se nos comen- tários dos entrevistados outros problemas presentes na comunidade, como o abastecimento de água potá- vel que ainda não atinge toda a comunidade, inexistência de manejo de águas pluviais, coleta e tratamento de esgoto precários e a deficiência da limpeza dos espaços públicos.
Essa falta de infraestrutura local, atrelada a ações de descarte inadequado de resíduos põe a comunida- de numa situação problemática referente a poluição ambiental, e segurança hídrica e alimentar. E buscando- -se analisar a compreensão da comunidade com relação aos principais problemas ambientais que estão ocorrendo no mundo e em sua localidade, foram feitos diversos questionamentos aos moradores da locali- dade. De acordo com Faggionato (2002), existem variados métodos que permitem o estudo da Percepção ambiental, assim sendo através de questionários, mapas mentais ou reprodução fotográfica. Tais modelos buscam entender o conhecimento individual, para com o ambiente e/ou o desenvolvimento da transmissão da sensibilidade na compreensão ambiental. As respostas traduzidas da percepção deste meio, o qual inte- rage o indivíduo, reage sempre de maneira diferente e particular.
Como resultado do estudo de percepção para os problemas ambientais globais (Figura 4a), as respos- tas foram queimadas, desmatamento, lixo, poluição ambiental, poluição do ar, seca, enchentes e outros. Em todos os anos houve um percentual de entrevistados que não soube responder. Algumas das respostas dos problemas a nível global não se aplicam a realidade local, contudo devido ao acesso aos meios midiáticos a população cada vez toma conhecimento dos desastres que ocorrem e estão internalizando e fixando as informações. Dos problemas globais que também atingem a comunidade, a seca cuja problemática se apre- senta de maneira grave, só foi mencionada no ano de 2013 (29,2%). Isto pode ter relação com os períodos mais longos de estiagem no último ano. O lixo que também faz parte do cenário da comunidade foi men- cionado a partir do ano de 2009, momento em que se iniciou o serviço de coleta domiciliar de resíduos. O desmatamento também foi citado de 2009 à 2012 e queimadas de 2009 à 2013.
Quando se questionou acerca das problemáticas locais (Figura 4b), os entrevistados precisaram de um pouco mais de tempo para responder aos questionamentos e em todos os anos de levantamento dos dados houve percentual de pessoas que não responderam. Isto pode ocorre devido a necessidade de uma análise crítica por parte deles quanto ao cenário diário. Pôde-se perceber nas respostas a repetição de alguns dos problemas globais por falta de conhecimento do entrevistado e pela restrição de notícias da mídia envolven- do problemas locais. Tendo a questão do lixo, poluição do ar, queimadas e desmatamento já mencionados nos problemas ambientais globais. As respostas obtidas para os questionamentos locais consistiram em lixo, animais soltos, poluição hídrica, poluição do ar, fome, queimada, desmatamento e outros. Três destes foram mencionados apenas no ano de 2013 como o desmatamento (12,5%), fome (16,7%) e as queimadas (36,5%). A fome tem importância para a questão ambiental pois os seres humanos também fazem parte do contexto
Figura 4 a. Percepção ambiental dos entrevistados quanto aos Problemas ambientais globais
Figura 4 b. Percepção ambiental dos entrevistados quanto aos Problemas ambientais locais
4. CONCLUSÃO
A falta de infraestrutura ainda é realidade para muitas comunidades rurais do semiárido brasileiro. Em muitas localidades o serviço de coleta domiciliar de resíduos ainda é inexistente o que acarreta no desenvolvimento de ações inadequadas de destinação de resíduos e poluição ambiental. A comunidade de Poço da Cruz, em Ibimirim - PE teve o serviço de coleta melhorado nos últimos 5 anos, contudo as ações de destinação e disposição irregular dos resíduos ainda persistem. Isso demonstra como as polí- ticas públicas e serviços prestados pelo município devem estar consoantes, e que se deve haver uma aproximação institucional com essas comunidades buscando-se esclarecer e direcioná-las para realiza- ção de práticas mais sustentáveis.
A percepção ambiental dos entrevistados quanto aos problemas ambientais globais e locais não teve alterações expressivas do ano de 2009 para o ano de 2013, mas fatores importantes foram sendo introduzidos na percepção destes ao longo dos anos como, por exemplo, a seca, e a poluição do ar. Na problemática local os problemas permaneceram constantes na percepção dos entrevistados, mas houve novos apontamentos para fome, desmatamento e queimadas. Os pontos levantados pela comunidade devem delinear trabalhos e ações dos órgãos municipais competentes. Avaliações temporais de infraes- trutura e percepção ambiental são fundamentais para se compreender modificações sociais e fornecer
que o homem vem desenvolvendo com o meio ambiente a medida que se especializa e ascende eco- nomicamente.
A comunidade deve ser foco de trabalhos de extensão universitária e da preocupação do poder pú- blico municipal de forma que possam ser desenvolvidos trabalhos de educação ambiental para a popu- lação do meio rural. A importância disto é devido a necessidade de compreensão da comunidade como partícipe do meio ambiente e para que suas relações com esse ocorram de forma harmônica visando a preservação ambiental. Os treinamentos devem estar aliados aos preceitos dos 3Rs (Reduzir, Reciclar e Reutilizar) e devem consistir também na realização de oficinas de reciclagem e compostagem para que estes conheçam outras formas de destinação ambientalmente corretas dos resíduos sólidos.
REFERÊNCIAS
ALMEIDA JUNIOR, A. R. de; GOMES, H. L. R. M. 2012. Gestão ambiental e interesses corporativos: imagem ambiental