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Questions ouvertes de la litt´erature

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3.2 Perspectives de recherche

3.2.1 Questions ouvertes de la litt´erature

Foram elaborados estádios de desenvolvimento psicossocial nos quais são previstas determinadas crises pelas quais o ego passa, ao longo do ciclo vital. Estas crises seriam estruturadas de forma que, ao serem ultrapassadas, o indivíduo podia fortalecer o seu ego, sendo que as mesmas têm influência direta sobre o estádio de desenvolvimento seguinte (Costa & Campos, 1986). Os estádios definidos do desenvolvimento do ego são: confiança básica vs. desconfiança (dos 0 aos 18 meses); autonomia vs. vergonha e dúvida (dos 18 meses aos 3 anos); iniciativa vs. culpa (dos 3 aos 6 anos); produtividade vs. inferioridade (dos 6 aos 12 anos); identidade vs. confusão de identidade (dos 12 aos 18 anos); intimidade vs.

isolamento (dos 18 aos 30 anos); generatividade vs. estagnação (dos 30 aos 60 anos) e integridade vs. desespero (a partir dos 60 anos) (Costa & Campos, 1986).

Relativamente ao estádio de confiança básica vs. desconfiança, esta fase caracteriza-se pelo estabelecimento da primeira relação social do bebé. Caso a crise desta etapa seja bem

superada o bebé não só aprende a confiar na uniformidade e na continuidade dos outros, mas também em si próprio e na capacidade dos próprios órgãos para fazer frente aos seus impulsos e anseios (Veríssimo, 2002). No estádio de autonomia vs. vergonha e dúvida, a criança

começa a desenvolver algum controlo dos movimentos musculares, e direciona a sua energia às experiências ligadas a atividades exploratórias e à conquista de autonomia. Porém, a criança começa a compreender que tem que respeitar certas regras sociais e incorporá-las no seu ego. Relativamente à vergonha, trata-se de raiva dirigida a si mesmo, uma vez que, a vergonha precede a culpa, sendo esta última derivada da vergonha avaliada pelo superego (Veríssimo, 2002). No estádio de desenvolvimento seguinte, iniciativa vs. culpa, a criança já reflete confiança e autonomia, expansão e controlo motor. A combinação confiança-

autonomia dá à criança um sentimento de determinação, servindo de alavanca para a

iniciativa. Com a alfabetização e a ampliação de seu círculo de contatos, a criança adquire o crescimento intelectual necessário para apurar a capacidade de planear e realizar (Veríssimo, 2002). O estádio de produtividade vs. inferioridade é marcado pelo controlo da atividade, tanto física como intelectual, no sentido de a equilibrar às regras do método de aprendizagem. É através destas realizações que o ego progride e a criança começa a falar sobre escolhas para o futuro, o que a leva a aprender, a valorizar e a reconhecer a existência de recompensas a longo prazo (Veríssimo, 2002). No estádio da identidade vs. confusão de identidade, o adolescente precisa de segurança, tendo em conta todas as transformações físicas e

psicológicas que enfrenta. Essa segurança está integrada na sua identidade, construída anteriormente pelo próprio ego nos estádios anteriores. É neste período de desenvolvimento do ciclo vital que surge a necessidade do adolescente se encaixar nalgum papel na sociedade, o que o leva a fazer escolhas relativamente aos grupos de pares, às metas para o futuro, incluindo as escolhas vocacionais (Costa & Campos, 1986; Veríssimo, 2002). Aquando desta necessidade, surge a preocupação do adolescente em encontrar e definir um papel social, o que provoca a confusão de identidade, sendo por isso, que a grande dificuldade nesta fase incide sobre a manutenção da própria identidade (Costa & Campos, 1986). No estádio

seguinte, intimidade vs. isolamento, esta é caracterizada pela associação dos egos, ou seja, ao estabelecer uma identidade definitiva e bem fortalecida. O indivíduo estará pronto para uni-la à identidade de outra pessoa. Para que esta união seja positiva, é preciso que a pessoa tenha construído, ao longo dos estádios anteriores, um ego forte e autónomo o suficiente para aceitar o convívio com os outros, sem que se sinta anulado ou ameaçado. O isolamento ocorre quando essa associação não for suficientemente segura, isto faz com que o individuo se isole (Veríssimo, 2002). Seguidamente, no estádio de generatividade vs. estagnação, o indivíduo tem a preocupação com tudo o que pode ser produzido e em que sente que a sua

personalidade foi enriquecida, através das vivências passadas, isto acontece porque existe uma necessidade inerente ao homem de transmitir, de ensinar e de incutir nos outros um pouco de si (Veríssimo, 2002). Por fim, no estádio de integridade vs. desespero, este

caracteriza-se pela retrospetiva que o indivíduo faz sobre a sua vivência. Há ainda, a sensação de dever cumprido, experimentando o sentimento de dignidade e integridade, partilhando a sua experiência e sabedoria com os outros (Veríssimo, 2002).

Em suma, a adolescência consiste num período de grandes transformações e mudanças e em que a construção da identidade pessoal se encontra mais proeminente. Para além disso, tarefas como a identidade sexual, a identidade psicológica e um posicionamento social adotam uma maior importância nesta fase da vida (Azevedo & Dutra, 2012).

Segundo Erikson (1976) este é um período altamente significativo e no qual são adquiridas novas competências que irão possibilitar aos adolescentes inserir-se nos seus novos papéis e exigências sociais. Nesta fase, o adolescente vive em conflito consigo próprio e também com o ambiente que o rodeia, sobretudo com os adultos, e em específico, com os pais, sugerindo- se que estes não aceitam naturalmente a necessidade de afastamento do adolescente em estabelecer a sua identidade fora da parentalidade com ainda ao mundo dos adultos. Esta

instabilidade resulta ainda do facto do adolescente não pertencer ainda ao mundo dos adultos, embora já não se insira no mundo das crianças (Avila, 2005). Este é um período de crise caraterizado por profundas mudanças em que o jovem precisa de consolidar a sua identidade, e a par disto depara-se com a necessidade de optar por uma profissão (Almeida & Pinho, 2008).

Neste sentido, surge a fase da adultez emergente, introduzida por Jeffrey Jensen Arnett, como tentativa de especificação desta nova etapa do ciclo de vida (Arnett, 2000). Arnett postulou que os jovens entre os 18 e os 25anos de idade fazem parte da adultez emergente, isto é, estes jovens já não pertencem ao período da adolescência no entanto, também não são “adultos” (Arnett, 2000).

Classicamente, um adulto era caracterizado pelo exercício de uma actividade profissional, pela emancipação de casa dos pais e pela constituição de uma família. Porém, nos tempos modernos, surgem novos contornos em redor do paradigma que significa “ser adulto”. Este estatuto parece ter sido prolongado pelos adolescentes, uma vez que os mesmos optam, também, pelo prolongamento dos seus estudos, ingressando mais tardiamente no mercado de trabalho. Também se verifica que, atualmente, os jovens tendem a abandonar a família de origem e a constituir a sua própria família mais tarde, adiando, por conseguinte, o papel parental (Andrade, 2010; Arnett, 2000).

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