REMISES À LA PRÉSIDENCE DU SÉNAT
1. Questions écrites
O trabalho com o corpus ocorreu com vista ao objetivo de analisar e descrever como a metáfora foi e é conceituada/explicada e apresentada em exemplares didáticos. As sequências de enunciados ou fragmentos de textos que o compunham foram retiradas de quatro fontes, a saber, (A) Língua e Literatura, de autoria de Carlos Emílio Faraco e Francisco Marto de Moura, publicado pela Editora Ática, em 1990, (B) Português: Linguagens, dos autores William R. Cereja e Thereza C. Magalhães, publicado pela Editora Atual, em 1994, (C) Língua Portuguesa: Linguagem e Interação, dos autores Carlos Emílio Faraco, Francisco Marto de Moura e José H. Maruxo Jr, publicado pela Editora Ática, em 2014, e (D) Português
45
Sobre as questões que envolvem a políticas do LD, conferir o primeiro capítulo dessa dissertação, o qual versa sobre o Panorama do LD no Brasil.
Linguagens, dos autores William R. Cereja e Thereza C. Magalhães, publicado pela Editora Saraiva, em 201346.
A partir do objetivo da investigação e do material selecionado, foi possível proceder-se à busca do suporte teórico para a análise do mesmo. Num segundo momento, o estudo do material se efetivou com a análise individual e depois comparativa da abordagem feita à metáfora nos referidos livros, utilizados antes (o caso dos dois primeiros) e após (os dois últimos) a avaliação do PNLD47. O primeiro passo da pesquisa foi buscar LDs que foram trabalhados em um período anterior à Comissão de avaliação do PNLD, verificando manuais dentre aqueles mais adotados e que fizessem parte também da lista de aprovados na última versão do PNLD, ou seja, que tivessem sendo utilizados no triênio 2015-2017.
Dado o contexto dos PCN e as orientações metodológicas e curriculares que norteiam os critérios de avaliação do PNLD, fez-se a adoção da linha sócio-histórico e ideológica de base bakhtiniana, acreditando na hipótese de que, as mudanças ocorridas no trato da abordagem metafórica em manuais didáticos nos períodos anterior e posterior ao PNLD não devem ser apenas mudanças conceituais. Existe uma série de fatores de ordem sócio-histórico-cultural e didático-metodológica que produz mudanças significativas no processo de construção de sentidos, e que passa, inclusive, pelo questionamento de ‗o que ensinar‘ e ‗que tipo de conhecimento pode ser significativo para o sujeito hoje‘.
Assim, pensou-se um percurso metodológico que trouxesse consistência à análise da metáfora propriamente dita, de maneira a encontrar respostas aos seguintes questionamentos:
46
No decorrer deste trabalho, será utilizada, para mencionar os referidos livros, as terminologias: livro A, livro B, livro C e livro D, respectivamente
47
Os dois livros que foram utilizados no período anterior ao PNLD foram denominados nesse estudo de livros antigos e os dois em utilização nas escolas foram denominados de livros atuais.
Esquema 3: Problemas que nortearam a pesquisa e respectivos objetivos. Fonte: Elaboração própria (2017).
Conforme explicitado no esquema acima, as reflexões sobre as questões conceituais e fatores contextuais de ordem epistemológica e metodológica acerca da metáfora fizeram-se elencar alguns questionamentos a respeito de como essas reflexões e informações metafóricas são expressas pelo LD. Tais questões resultam, principalmente, do fato de que muitos dos estudos linguísticos que se dedicaram à dimensão cognitiva da metafórica são contemporâneos às discussões que implementaram o PNLD. Discussões estas que não se pautam exclusivamente em estudos cognitivos. A consideração desse contexto resultou na preocupação que constituiu os questionamentos colocados em evidência na primeira coluna do esquema.
Na segunda coluna, o primeiro item diz respeito à ação específica (objetivo específico) que deve responder ao questionamento correspondente, enquanto o segundo item explicita a abrangência do referido problema, ou ainda, os motivos semânticos que levaram à consideração desses questionamentos como norteadores da pesquisa. Tais questionamentos, de acordo com Minayo (2012), devem nortear o investigador durante todo o percurso do trabalho, orientando-o para o delineamento adequado do objeto,
[...] que não deve ser tão amplo que permita apenas uma visão superficial e nem tão restrito que dificulte a compreensão de suas interconexões. A definição de um objeto não reside na indagação em si, mas no seu esclarecimento e contextualização por meio da teorização que o torna um fato científico construído (MINAYO, 2012, p. 623).
Com vista a essa assertiva, e considerando que o pesquisador qualitativo deve considerar a influência dos seres envolvidos na produção do material e do contexto sobre o qual ocorre tal produção, o foco desse estudo volta-se para o delineamento do seu objeto metáfora, a partir do que expressam os LDs analisados. Por meio desse procedimento, busca-se promover uma contextualização da abordagem feita à metáfora. Assim, alisou-se (i) a reflexão explícita proposta pelos LDs sobre a metáfora e (ii) o papel desempenhado pela metáfora na compreensão de significados e construção de novos sentidos, ainda que não reconhecido ou exposto explicitamente pelo livro.
Triviños (1987) salienta que o processo da pesquisa qualitativa não admite visões isoladas e estanques. Ela se desenvolve em interação dinâmica, retroalimentando e reformulando-se constantemente, de maneira que, em dado momento, a coleta do material deixa de ser tal, para seguir à análise do corpus, que, em seguida, poderá ser veículo para busca de novas informações. Além de que, conforme Minayo (2012), é preciso ter em mente que os instrumentos operacionais também contêm bases teóricas. Assim, algumas especificidades da leitura e da interpretação dos textos recortados foram explicitadas ou fundamentadas no próprio corpo da análise, ou em notas de rodapé.
A partir daí, buscou-se apoiar em técnicas e em métodos que reunissem traços inferenciais para a consideração das possibilidades interpretativas. A análise do material se deu de maneira que a realização da pesquisa significasse um trabalho simultâneo da teoria, dos métodos e técnicas. Acima de tudo, considerando, conforme Witzel (2002) que a interpretação do objeto é uma escuta discursiva que se dá por meio de uma mediação teórica permanente, o que possibilita ao pesquisador compreender ―a manifestação do inconsciente e da ideologia na produção dos sentidos‖ (WITZEL, 2002, p. 59).