• Aucun résultat trouvé

De acordo com Nunesmaia (2002), existem diferenças sociais e culturais que influenciam as práticas de gerenciamento de RSU, na Europa e no Brasil, mesmo que entre esses países existam instrumentos legais semelhantes sobre o tema. Nunesmaia (2002) relata que ações do movimento ambientalista e do partido verde na Europa, em meados de 1980, fortaleceram o debate sobre a relação entre resíduos, qualidade de vida e qualidade ambiental, favorecendo o desenvolvimento de políticas públicas referentes ao gerenciamento.

Entretanto, o aumento da produção de resíduos da União Europeia constitui uma barreira à política de gestão ambiental (STENIS, 2005). Por isso, faz-se necessário desacelerar a relação entre crescimento econômico e geração de resíduos, devido à construção, restauração e demolição de infraestruturas e edificações. Em vários países, os resíduos de construção e demolição representam grande parte dos resíduos sólidos urbanos (TAM, 2008) e causam impactos econômicos e ambientais, devido à geração e inadequada disposição, como em Taiwan (HSIAO et al., 2002) e na Índia (PAPPU; SAXENA; ASOLEKAR, 2007).

Na Europa, o concreto e os produtos fabricados com esse material correspondem entre 35 a 40% da geração dos resíduos de construção (JAILLON; POON; CHIANG, 2009). O concreto constitui, também, grande parte dos resíduos de construção de edificações em Hong Kong (TAM, 2008) e na Malásia (BEGUM et al., 2006), enquanto que na França os resíduos são provenientes da demolição de estruturas e edificações (ROUSSAT; DUJET; MÉHU, 2009).

Na literatura, não foi observado um consenso entre os pesquisadores, quanto ao método ou índice adequados para cálculo da geração de RCC. Segundo Yost; Halstead (1996), em muitos casos, a estimativa de geração de resíduos de construção baseia-se em níveis de produção per capita ou é proporcional ao volume gerado de resíduos urbanos. Por sua vez, Yahya; Boussabaine (2006) critica a comparação da geração de RCC entre países, porque cada país possui técnicas construtivas específicas, materiais e práticas no setor da construção.

No entanto, Jaillon; Poon; Chiang (2009) apresentam estimativas de geração, reutilização e destinação final de RCC, em alguns países da Europa e da Ásia (Tabela 1). Nessa tabela, verifica-se que Holanda (90%), Hong Kong (89%) e Bélgica (87%) detêm o maior índice de reaproveitamento de RCC, porém possuem uma geração anual entre 3 e 21,45 milhões de toneladas (Mt). Considerando-se, apenas o volume de resíduos reciclados ou reaproveitados, destacam-se Hong Kong (19,09 Mt), Reino Unido (13,5 Mt) e Alemanha (10,03 Mt).

Tabela 1: Estimativas de geração, reutilização e destinação final de RCC em países europeus e asiáticos

País Geração RCC (106 t) Reutilizado/ Reciclado (%) Reutilizado/ Reciclado (106 t) Incinerado/ Aterrado (%) Alemanha 59 17 10,03 83 Reino Unido 30 45 13,50 55 França 24 15 3,60 85 Itália 20 9 1,80 91 Espanha 13 <5 <0,65 >95 Holanda 11 90 9,90 10 Bélgica 7 87 6,09 13 Áustria 5 41 2,05 59 Portugal 3 <5 <0,15 >95 Dinamarca 3 81 2,43 19 Grécia 2 <5 <0,10 >95 Suécia 2 21 0,42 79 Finlândia 1 45 0,45 55 Irlanda 1 <5 <0,05 >95 Luxemburgo 0 n.d. n.d. n.d. Europa -15 (SYMONDS GROUP LIMITED, 1999) 180 28 50,40 72 Estados Unidos – 1996 (FRANKLIN ASSOCIATES, 1998) 136 30 40,80 70 Hong Kong -1999 13,55 79 10,70 21 Hong Kong - 2005 21,45 89 19,09 11 Singapura - 1999 (MEWR, 2006) 0,41 70 0,29 30 Singapura - 2005 0,49 94 0,46 6

Ainda que as estimativas de geração sejam relevantes, em alguns países não existem bases de dados confiáveis e disponíveis sobre a geração de RCC (HSIAO et al., 2002). Wimalasena et al. (2010) relatam a limitação de dados sobre resíduos de construção no Canadá. Na maioria dos casos, os dados referem-se aos resíduos de construção, em conjunto com os resíduos de demolição. Enquanto isso, segundo Begum et al. (2006) na Malásia as informações sobre o gerenciamento de RCC não são contabilizadas e disponibilizadas aos pesquisadores.

Nos países economicamente desenvolvidos, mesmo que a legislação ambiental e a participação popular sejam importantes instrumentos de reivindicação, “Grande parte dos resíduos de construção vai para os aterros sanitários” (TAM; TAM, 2006, p.212, tradução nossa). Isso ocorre no Canadá (WIMALASENA et al., 2010), na Itália (BLENGINI; GARBARINO, 2010) e em Hong Kong (TAM, 2008), onde existe escassez de áreas para implantação e ampliação de aterros sanitários, próximos às fontes geradoras. De acordo com Petkovic et al.(2004), em grande parte dos países europeus a capacidade dos aterros sanitários está limitada e há escassez de recursos naturais.

Prova disso é que no decorrer dos próximos anos em Hong Kong, há previsão de esgotamento dos aterros sanitários (TAM, 2008; JAILLON; POON; CHIANG, 2009). Para mitigar tal situação, o governo local implantou em 2003, o método para planejamento do gerenciamento de resíduos na construção. As dificuldades de implantação foram investigadas por Tam (2008), a partir da análise das percepções de empreiteiros, consultores, funcionários públicos e profissionais da área ambiental. De acordo com Tam (2008), as maiores dificuldades relacionavam-se ao custo elevado do processo, ausência de incentivo financeiro do governo, redução da produtividade, limitações para reciclagem e nível de descrição dos procedimentos. A Suécia enfrenta grandes dificuldades para gerenciamento de RCC no meio urbano (STENIS, 2005). Isso ocorre devido à elevada taxa para destinação final de RCC, que colabora para o surgimento de deposições ilegais. Em outros país, no entanto, ações institucionais e organizacionais promoveram aplicações dos RCC, como Taiwan (HSIAO et al., 2002;), Inglaterra (CHICK; MICKLETHWAITE, 2004) e França (CHATEAU, 2007). Por outro lado, nos países em desenvolvimento, segundo Asnani (1996 apud Joseph, 2006), vários fatores dificultam o gerenciamento dos resíduos, a saber: (a) pouca prioridade pelo assunto dos órgãos públicos; (b) técnicas/serviços ultrapassados e de baixa qualidade e (c) elevados custos operacionais. Esse conjunto de fatores colabora para um pequeno grau de reaproveitamento de materiais passíveis de reciclagem, dentre eles os RCC. Taiwan, também,

enfrenta dificuldades, devido à exploração ilegal de AN e a reduzida vida útil dos aterros sanitários, em função da geração de RCC e da densidade populacional (HSIAO et al., 2002). No contexto internacional, a Holanda é exemplo de país economicamente desenvolvido, que não consegue suprir a demanda interna de AN, devido à proximidade de esgotamento de suas reservas minerais. Entretanto, de acordo com Hendriks; Nijkerk; Van Koppen (2007) esta situação vem se alterando, a partir de vários fatores: políticas públicas, reciclagem de RCC, concessão de incentivos, para redução da geração de resíduos e uso de materiais reciclados. Tendo em vista o aumento do nível de reaproveitamento e reciclagem, além da redução do volume de resíduos de construção aterrados, Kourmpanis et al. (2009) propõem a diversificação da destinação final. Nesse caso, o reuso dos resíduos deveria ocorrer na fonte e o restante do material deveria ser destinado para áreas de triagem, usinas móveis e fixas de reciclagem, e somente os resíduos sem potencial para reciclagem seriam enviados ao aterro.