Bourgogne-Franche- Bourgogne-Franche-Comté
45 QUELS SONT LES MOTIFS DE PRISE EN CHARGE ?
Em 1952, iniciam-se os primeiros trabalhos de restauração em uma das duas matrizes de Ouro Preto, a Matriz Nossa Senhora do Pilar.
Essa obra demorou nove anos para concluir-se, tendo havido duas grandes paralisações para atender às restaurações da Igreja Nossa Senhora do Ó, em Sabará, no ano de 1955 e da Igreja Matriz Nossa Senhora do Pilar, em São João del-Rei, em 1957. Paralisações menores
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Exame de suportes de madeira: por meio de pequenas pancadas com um martelo de madeira, identifica-se o seu estado, se oca, isto é, carcomida pelas térmitas, o som é diferenciado de quando a madeira está maciça.
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também ocorreram para atendimento de outros casos urgentes.
Feito o exame de prospecção, constatou-se a existência de douramento sob a camada branca que praticamente cobria todos os retábulos da nave.
Para que não houvesse danos no trabalho do dourador colonial, muita cautela foi utilizada na retirada da camada branca. O entalhador, depois de cumprir sua tarefa, cedia lugar ao dourador, que aplicava sobre a madeira uma camada de gesso e cola, a qual por sua vez recebia uma camada de bolo, espécie de barro polido, que, ao receber o ouro em folhas, exercia a função de impedir a formação de camadas disformes que dificultavam o brilho. A peça ficava com aspecto de chapa de ouro. Sobre ela o pintor aplicava uma camada de tinta e, antes que secasse completamente, desenhava com estilete. Os desenhos aparentavam linhas de ouro, mas na realidade eram sulcos sobre a pintura que estava sobre o ouro. A esse tipo de pintura é dado o nome de esgrafito.
Ao retirar a camada branca era necessário que não se retirasse o esgrafito. Outro problema era o dourado que, aplicado em folhas delgadas, encontrava-se repleto de minúsculas falhas, podendo os solventes penetrar até o fundo.
A pintura que recobria o dourado era a têmpera, sendo dissolvida em água; solventes provocariam o imediato destaque da película dourada ou agiriam como aceleradores de putrefação, possibilitando a
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procriação de microrganismos. Excluída a idéia de realizar o trabalho com solventes, lançou-se mão de outro meio, o de remoção mecânica, ou seja, a raspagem com espátula. Cuidadosamente todo o branco foi raspado, ficando apenas o dourado e as pinturas originais.
Finalizados os retábulos, o trabalho ocupou-se das paredes da nave na qual o branco predominava. Utilizou-se o mesmo processo, a remoção mecânica, e a cor de palha original apareceu.
A obra foi interrompida em 1955 para atender a restauração da Igreja Nossa Senhora do Ó, em Sabará, recomeçando apenas em 1958.
Na abóbada de arestas da capela-mor havia ao centro duas repinturas no painel de 2,00m de diâmetro, ambas representativas da “Ceia do Senhor”, segundo Jair: “uma má cópia da ‘Santa Ceia’ de Leonardo da Vinci.” 77
A primeira repintura possuía, no centro da mesa, um prato com carneiro, enquanto a segunda, um peixe com talheres modernos; os apóstolos encontravam-se em posições diferenciadas de uma “Ceia” para a outra; na segunda, por exemplo, estavam ajoelhados e descalços.
Nas ilhargas havia dois painéis de cada lado com galhos de trigo e cachos de uva. O fundo encontrava-se pintado de branco nas partes planas e de dourado nas entalhadas.
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microquímico no quadro central, a “Ceia do Senhor”, e os pigmentos delas foram submetidos a fortes ácidos para identificação do período da obra. Mesmo observada de perto, foi excluída a possibilidade de a primeira repintura ser original: pela má qualidade e pelo uso de pigmentos característicos do século XIX, o azul de cobalto, por exemplo. Esse exame foi empregado pela primeira vez, após o curso feito por Jair no Rio de Janeiro com o professor Edson Motta.
Apareceram nas barras das ilhargas os quatro painéis de 1,70 m x 1,10 m representativos das quatro estações do ano; possuíam tons verdes escurecidos, ao invés de avermelhados, como é atualmente. Os quatro pares de anjos entalhados por Francisco Xavier de Brito e encontrados nas paredes da capela-mor haviam sido repintados a ouro falso, ou seja, as peças douradas originalmente foram prateadas e acrescidas de demão de verniz de clara de ovo, ficando assim com aspecto de ouro.
Imitação de mármore azul e frisos esculpidos em dourado apareceram nas barras das paredes da nave; para a recuperação foi empregada a técnica mista de remoção: solvente para pintura a óleo e raspagem da camada branca.
Outra imitação de mármore, vermelha acrescida de rocalhas, foi encontrada no arco do coro; também nesse caso a técnica mista de remoção foi empregada.
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Na sacristia havia dois grandes painéis de 4m2 cada um, que representavam a “Ascensão do Senhor” e “Assunção da Senhora”; ao redor, havia dois grandes painéis e mais outros dezesseis menores, todos pintados de branco.
O exame microquímico fez constatar retoques, nos grandes painéis, e pinturas com rocalhas aparecerem sob o branco dos dezesseis menores. Essas rocalhas podiam ser previstas pelas perceptíveis manchas escuras ocasionadas pela mudança do índice de refração de certas cores, principalmente o verde.
Também vinte e cinco imagens de santos, de 0,20m X 1,40m tiveram suas pinturas retiradas pelos processos de remoção mecânica ou por solventes.
A 13 de março de 1961, a cidade de Ouro Preto amanheceu numa lamentável situação: a setecentista Igreja Matriz Nossa Senhora do Pilar teve parte de suas paredes do fundo desabadas.
Na semana anterior, sinais de deslocamento e fendas na parede foram observados pelo Sr. Francisco Rodrigues, funcionário da Diretoria de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - DPHAN, que imediatamente comunicou o fato ao Sr. Sílvio de Vasconcelos, chefe do 3º distrito do DPHAN. Este estava mobilizando-se para tomar providências quando, na madrugada e na tarde do dia seguinte, dois fortes temporais caíram sobre a cidade, agravando a situação do monumento.
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chegou à cidade e com a colaboração do Prof. Washington de Morais Andrade e do diretor da DPHAN, Rodrigo Melo Franco de Andrade, tomou as providências para o escoramento da parede, mas no próximo dia um novo temporal caiu, ocasionando de vez o desabamento da sacristia.
Na carta de Sílvio de Vasconcelos a Rodrigo Melo Franco de Andrade, datada de 29 de abril de 1961, apresentando o relatório da Geotécnica S.A., empresa contratada para examinar as causas do desabamento, constaram dois motivos: causa mediata, as águas pluviais e, como imediata, o tráfego, como fator de agravamento da influência das águas.
Jair Inácio e outros funcionários foram convocados para a restauração da sacristia. A do teto iniciou-se no dia 14 de janeiro de 1965.
Jair e dois auxiliares retiraram, dentre os escombros, os fragmentos do teto.
Com o auxílio de fotografias do teto, antes da queda, ele fez um plano com todas as peças do mesmo e assim descreveu o processo de seu trabalho:
“Depois que os arquitetos fizeram as paredes, comecei, através do plano, a recolocar as partes do teto em seus devidos lugares. Não se podia errar a posição de uma só peça porque as obras dos tempos coloniais não eram feitas sob rigorosa medida. Um erro acarretaria um verdadeiro quebra-cabeça, do qual não sairíamos sem ter que cortar partes de muitas das tábuas pintadas. Depois de seis meses tudo ficou pronto. Hoje, quem não
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assistiu ao trabalho de reconstituição daquele teto não pode imaginar que aquilo já foi um monte de entulho. Nessa ocasião, tivemos ainda de reconstituir o oratório do Aleijadinho, que também ficara esfrangalhado.” 78