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Quelques apects techniques d’AES

7.2 Description d’AES

7.2.1 Quelques apects techniques d’AES

A preocupação com a qualidade na indústria aeronáutica coincide com a própria origem do avião, pois durante a evolução da aviação descobriu-se que a qualidade de todos os itens que compõem uma aeronave é fator essencial de segurança e confiabilidade, pois tanto na parte estrutural como mecânica, o avião precisa ter um padrão altíssimo de confiabilidade, visto sua característica de transportar vidas humanas e estar exposto à riscos muito grandes.

Desde a primeira decolagem na história da aviação em 13 de outubro de 1906 com o 14 Bis de Santos Dumont, o homem descobriu um horizonte desconhecido a ser explorado. Mas foi na Segunda Guerra Mundial que a grande demanda por aeronaves pelo governo norte-americano impulsionou a expansão desta indústria. Para Dreikorn (1995) apud Machado (2004) com o incremento desta indústria, o método de job-shop foi posteriormente substituído pela linha de montagem em razão da necessidade da produção das aeronaves em escala e isso exigiu o uso de novos fornecedores. Deste modo, os fornecedores tiveram que estabelecer rígidos controles da qualidade.

No Brasil, a instalação desta indústria foi possível devido ao treinamento dos engenheiros brasileiros no exterior (em sua maioria, oficiais das Forças Armadas Brasileiras), professores e técnicos estrangeiros convidados por intermédio de contratos de cessão de tecnologia com empresas estrangeiras de fomento e manutenção de centros de Pesquisa e Desenvolvimento (MACHADO, 2004).

Em 1945 foi criado o Centro Tecnológico de Aeronáutica (CTA) com sua primeira sede no Rio de Janeiro, sendo que em 1950, foi transferido definitivamente para São José dos Campos. O Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) também surgiu nesta época idealizado pelo tenente-coronel Montenegro. Em 1967 criou-se o Instituto de Fomento Industrial (IFI), cujo objetivo era atuar como órgão homologador e certificador de todos os aviões nacionais e estrangeiros que voassem em território nacional (MACHADO, 2004).

Fora do país, as atividades militares também passaram a criar padrões normativos, como por exemplo, a MIL-Q-9858A, editada em 1959 pelo Departamento de Defesa Norte-Americano, cuja estrutura se assemelha muito aos padrões internacionais de qualidade das normas da série ISO 9000 existentes hoje. Na indústria da aviação, os padrões de qualidade da série ISO 9000 tem se tornado muito populares. Nos Estados Unidos, a partir de 1993 o Departamento de Defesa juntamente com a National Aeronautics and Space

Administration (NASA) passaram a aceitar esta certificação como evidência de padrão

aceitável de sistema de qualidade (MACHADO, 2004).

Segundo Juran e Gryna (1988) a indústria aeronáutica pode ser classificada na categoria de job-shop (loja de serviços), pois possuem características próprias: grande variedade de projetos (diferentes configurações, opções, formas, tamanhos, modelos) e um curto tempo de produção. As características do sistema de produção de itens aeronáuticos podem ser representadas conforme Quadro 4.

Quadro 4 - Características da produção de itens aeronáuticos

Aspectos Descrição Sistema de produção Produto Qualidade Homologação Mão-de-obra Matéria-prima Tecnologia de produção

Trabalha com uma variedade muito grande de itens e normalmente com baixos volumes de produção.

Produtos de alta tecnologia e confiabilidade

A qualidade está ligada à conformidade das exigências de projeto

Os itens estão sujeitos à homologação por diversos organismos reguladores A manufatura exige mão-de-obra especializada

São utilizados em muitos casos materiais especiais, como titânio, alumínio, etc. Muitas vezes são exigidos equipamentos de alta tecnologia para a produção desses itens.

Fonte: Adaptado de Machado (2004, p. 183)

A partir das características mencionadas nesta indústria, nota-se que a qualidade envolve um controle rígido do processo, alto grau de especialização dos funcionários, grande investimento em tecnologia e um cuidado especial na comunicação. Os administradores precisam conhecer profundamente seus sistemas de produção e criar controles relativos ao processo, pois a qualidade não está embasada somente nas normas e padrões estabelecidos por fabricantes e órgãos homologadores, mas também no conhecimento gerado dentro da própria organização (MACHADO, 2004).

2.2.3.1 A norma AS9100

A norma AS 9100 é um sistema de gestão da qualidade criado em 1999, originalmente baseado na ISO 9001:1994, sendo que sua última revisão ocorreu em 2009. Atualmente é baseada nos requisitos da versão 2008 da ISO 9001, que possui como conteúdo complementar a esta, as necessidades que satisfazem a indústria de aviação civil, militar e aeroespacial, as quais são relatadas abaixo (STAMATIS, 2004):

a) garantir que a qualidade na indústria aeroespacial é mantida no mais alto nível;

b) obter foco no gerenciamento das características-chave de produtos;

c) reconhecer os requisitos de organismos regulatórios e garantir que os registros são mantidos e atividades são conduzidas para ajudar a atender esses requisitos;

d) reconhecer a natureza complexa dos produtos finais e a necessidade de garantir confidencialidade em todos os componentes do produto final; e) reconhecer o uso de organizações subcontratadas como um processo e

garantir que são efetivamente gerenciados.

Essa norma foi desenvolvida pelo International Aerospace Quality Group (IAQG), que é um organismo fundado em 1998 e baseia-se na organização cooperativa das companhias de ponta da indústria aeroespacial mundial, as quais se reúnem para a elaboração e desenvolvimento de padrões para a produção de qualidade elevada. Os seus membros são em torno de 50 empresas, conforme demonstrado no Quadro 5.

Quadro 5 - Membros do IAQG

Américas Europa Ásia

GE Aircraft Engines Pratt & Whitney Bombardier Vought Boeing Northrop Grumann Embraer Airbus Dassault Aviation Eurocopter Israel Aircraft Ltd. Rolls-Royce SAAB Aerospace Volvo Aero

Kawasaki Heavy Ind. Korean Air

Fuji Heavy Industries

Aerospace Ind. Develop. Corp. (AIDC)

Korea Aerospace Industries (KAI) Fonte: Machado (2004, p. 193)

Esses membros do IAQG possuem como objetivos:

a) contribuir para o estabelecimento de padrões de qualidade na indústria; b) prover inputs para a melhoria de políticas, padrões e práticas de qualidade; c) aprender novos métodos e ferramentas de melhorias da qualidade aplicada por empresas da indústria aeroespacial mundial;

d) ter contato com novas ideias e formas de pensar e agir.

No Brasil a norma foi renomeada para NBR 15100 – Sistemas de Gestão da Qualidade Requisitos para Organizações de Aeronáutica, Espaço e Defesa. Encontra-se na 3ª edição e sua última revisão foi no ano de 2010. Ela padroniza os requisitos de gestão da qualidade e pode ser utilizada em todos os níveis da cadeia de fornecimento.

Para assegurar a satisfação do cliente, as organizações de aeronáutica, espaço e defesa devem produzir e melhorar continuamente produtos seguros e confiáveis que atendam ou excedam os requisitos do cliente, estatutários e regulamentares aplicáveis (NBR 15100:2010, p. V).

Essa norma possui compatibilidade com a ISO 14001:2004 e pode ser utilizada

em conjunto com a NBR 15101:2011 – Sistemas de Gestão da Qualidade – Requisitos para

auditoria de organizações de aeronáutica, espaço e defesa.

2.2.3.2 A norma NBR 15100:2010

A norma NBR 15100 é a versão em português da norma AS 9100 e foi planejada para ser utilizada em organizações que projetam, desenvolvem ou fabricam produtos para aplicação na indústria aeronáutica, espaço e defesa, além daquelas que oferecem suporte pós entrega, incluindo a realização de manutenção, peças de reposição ou materiais para seus próprios produtos.

A versão de 2010 trouxe várias mudanças significativas, dentre as quais pode- se citar algumas (NBR 15100:2010):

a) inclusão dos requisitos da indústria de “defesa” e consequente alteração do título da norma;

b) maior foco na questão da terceirização, em consenso com o item 4.1 da norma ISO 9001:2008;

c) inclusão no item 7.1.3 da gestão da configuração (controle de projetos, controle de documentos, controle de manufatura e montagem, controle efetivo da incorporação de modificações no produto e no processo, identificação do produto e rastreabilidade, FAI – First Article Inspection e controle dos registros da qualidade);

d) foco no cliente mais estendido (incluindo qualidade e entrega);

e) exigência de ter um Representante da Direção membro da administração da organização;

f) maior foco na análise crítica da eficácia das ações corretivas e preventivas, entre outras.

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