A formação dos professores precisa estar fundamentada para além do saber técnico, ou seja, deve estar por dentro de outros conhecimentos, próprio do campo em que educadores atuam o que inclui a vivência cultural e as demais redes de saberes de que os sujeitos participam, em diálogo permanente com as práticas pedagógicas (PAIVA, 2012, p. 87).
As escolas de formação de educadores e educadoras de jovens e adultos terão de captar e incorporar os traços desse perfil diversificado de educador múltiplo, multifacetado, Arroyo (2006, p.20). Incentivar os adultos a continuar seus estudos não é algo fácil, requer habilidades e prática para mostrar a importância da educação, que é por meio da mesma que, o estudante irá garantir o direito à liberdade de se expressar na sociedade de forma igualitária, onde possa interagir com o meio, mas também exercer sua cidadania. Contudo, há uma certa preocupação com a qualificação dos profissionais em desempenhar essa tarefa que não é fácil já que se trata de pessoas adultas, que tem uma vasta experiência de vida, que trazem consigo saberes e experiências internalizados e que muitas vezes resistem a mudança.
Arroyo (2006, p.22), por sua vez, defende que os alunos da EJA são jovens e adultos com rosto, com histórias, com cor, com trajetórias sócio-étnico-raciais. Nessa mesma direção, Ribeiro (1999) propõe o amadurecimento de uma psicologia de adultos visando superar a concepção de que o desenvolvimento é algo que ocorre apenas durante a infância e a adolescência, enquanto que Pereira (1999) defende que a formação contemple vivências na escola básica não só com crianças e adolescentes, mas também com jovens e adultos.
Nesse sentido, a formação dos professores que atuam nessa modalidade de ensino, é muito importante Freire (1996) tem suas ideias voltadas para uma educação emancipatória, para o educador o exercício da docência exige; Rigorosidade metódica, pesquisa, respeito aos saberes dos educandos, criticidade, ética e estética, corporificar as palavras pelo exemplo, assumir riscos, aceitar o novo, rejeitar qualquer forma de discriminação, reflexão crítica sobre a prática, Concordando com o autor é muito importante, o perfil do educador para o desenvolvimento do educando, já que o mesmo tem o educador como um espelho. Segundo Arroyo (2006, p.18) “O perfil do educador de jovens e adultos e sua formação encontra-se ainda em construção. Temos assim um desafio, vamos ter que inventar esse perfil e construir sua formação”.
Entretanto, as novas diretrizes curriculares para o curso de Pedagogia (Brasil ,2006) não trazem nenhuma normatização específica a respeito da formação de um perfil para o educador de jovens e adultos. Isso pode ser associado ao fato de a formação de educadores se encaixar, no geral, no mesmo molde. Para Arroyo (2006), esse caráter universalista, generalista dos modelos de formação de educadores, associado a um caráter histórico desfigurado da EJA, explica por que não temos uma tradição de um perfil de educador de jovens e adultos e de sua formação.
Nesta perspectiva o perfil do professor se constitui ao longo da sua carreira, requer formação inicial e continuada, com acompanhamento a longo prazo. Levando em consideração as constantes transformações nas áreas econômicas, política, social, tecnológica e cultural da sociedade. Gatti (1996) afirma que os professores constroem suas identidades profissionais no encontro diário do cotidiano nas escolas, com alicerce em suas vivências. Nesse sentido, a identidade do professor é:
Fruto de interações sociais complexas nas sociedades contemporâneas e expressão sociopsicológica que interage nas aprendizagens, nas formas cognitivas, nas ações dos seres humanos. Ela define um modo de ser no mundo, num dado momento, numa dada cultura, numa história. (GATTI,1996, p.86)
Nesse sentido, o professor se reconstroem e se reinventa para o embate do cotidiano, levando em conta todo o processo social, histórico que viveu e que vive a sociedade. Nessa perspectiva, para Arroyo (2006, p.20), “É importante que haja um reconhecimento que o educador da EJA se configura mais como “plural que o educador da escola regular”.
Sendo assim é importante que o professor da EJA, deva ter uma sólida formação, científica, técnica e política; estar ligado a uma prática crítica e consciente. Assim, de acordo com o autor Nóvoa (1992, p.54) “a formação de professores não é um conceito unívoco, por isso deve proporcionar situações que possibilitem a reflexão e a tomada de consciência das limitações sociais, culturais e ideológicas da própria profissão docente”.
Com isso faz-se necessário a qualificação dos profissionais, é importante uma formação continuada do ensino da EJA, no contexto educacional contemporâneo. O que envolve ter formação específica e fundamentação teórica para compreender as
formas de construção dos conhecimentos prévios e para poder criar situações de aprendizagem que considerem esses conhecimentos.
Segundo Tardif (2002, p.20) “ensinar supõe aprender a ensinar, ou seja, aprender a dominar progressivamente os saberes necessários à realização do trabalho docente”. Não restam dúvidas de que ser professor de EJA implica deter saberes docentes, além de saberes da experiência advindas das práxis pedagógicas. Nesse sentido, a EJA deve priorizar então, uma formação inicial e continuada específica para atender às reais necessidades dos alunos jovens e adultos: garantir a melhoria das condições de mercado de trabalho, às necessidades de aprendizagem, adquirir competências da leitura e da escrita para atingir melhores condições de vida e desenvolver níveis maiores de letramento. Suas práticas educativas devem privilegiar a realidade de vida dos sujeitos e o diálogo constante entre professor e aluno. Pois, conforme Freire (2001, p. 52) “O que se pretende com o diálogo é a problematização do próprio conhecimento em sua indiscutível relação com a realidade concreta na qual se gera e sobre a qual incide, para melhor compreendê-la, explicá- la, transformá-la”.
Nessa perspectiva o professor que atua na EJA deve procurar se atualizar buscando novos conhecimentos, pesquisando, estudando, pois, os mesmos contribuem com esses alunos de forma que eles acabam se interessando por buscar novos conhecimentos, a partir dessa admiração, que na maioria das vezes tem pelo o professor tomando como um exemplo de estímulo para continuar essa busca por aprender.
Um educador bem informado e interessado em aprofundar os conhecimentos propicia interesse aos educandos também pela interrogação do mundo. Ao passo que o educador acomodado suscitará a acomodação e o desanimo dos educandos. O educador necessita saber para onde caminhar com os seus educandos. (SOUZA, 2012, p.140).
É importante o interesse de estar sempre em formação, participação em eventos da área educacional, capacitações oferecidas pelo município, especialização; contudo que seja enriquecedor para o desenvolvimento de uma prática. Pois, nessa modalidade de ensino são muito os desafios, cabe ressaltar o desafio de discutir conteúdos e conhecimentos quanto a conjuntura política e econômica da sociedade, com relação ao mundo do trabalho, as relações humanas; é um desafio participar da
construção de uma sociedade democrática, como ponto de partida os estudos e as investigações dos alunos. Para corroborar essa compreensão, Barreto (2006) salienta que os educadores não podem ser vistos como meros executantes de receitas pedagógicas bem-sucedidas. Ao contrário, devem ser estimulados a se tornarem produtores autônomos de suas práticas.
5 ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO