Nas páginas anteriores foram tecidas elaborações fundamentais sobre a transferência em análise, estabelecendo suas relações com o sujeito barrado, a resistência e a repetição. Uma das razões do aprofundamento dessas relações deve-se ao fato de que a transferência só pode ser compreendida em toda a extensão de sua complexidade quando correlacionada com estes conceitos e, de forma mais fundamental, quando correlacionada com a teoria do desejo em seu entrelaçamento com o fantasma. Efetivamente, é toda a estrutura do fantasma que vemos atualizar-se na transferência. Como afirma Safouan (1991), “[...] não há solução possível para os problemas colocados pela transferência, sem uma teoria sobre o objeto do fantasma” (p. 81). A transferência constitui-se no trilho sobre o qual se desdobra a totalidade dos fenômenos que surgem no decurso do tratamento analítico. A escuta revela-se de extrema importância, bem como o manejo dos diversos lugares objetais que o analista é convocado a ocupar em diferentes momentos do percurso de uma análise, servindo de suporte às distintas posições identificatórias do sujeito. Com efeito, a escuta operada
pelo analista do lugar no qual o analisando o situa na transferência, baliza de forma determinante a totalidade de seus atos clínicos, neles incluídos o conjunto de suas construções e interpretações.
Outra razão, de suma importância, reside no fato de que as maiores dificuldades apresentadas pelos jovens iniciantes da prática da psicanálise no início do estágio na “clínica-escola de psicologia” ordenam-se justamente em torno da escuta e do manejo do lugar que os pacientes lhes atribuem na transferência, ou seja, da escuta e do manejo do lugar no qual são capturados e investidos pela cadeia fantasmática do desejo de seus pacientes. Ora, sem este guia da escuta da transferência para orientar os atos analíticos, perde-se toda a referência e a direção da análise.
A situação mais comumente observada na clínica-escola de psicologia é a de que os estagiários apresentam dificuldades em reconhecer o lugar a eles outorgados pela transferência de seus pacientes. O não reconhecimento desse lugar os conduz ou bem a se identificar com o lugar imaginário no qual o paciente os situam, ou bem a se furtar ao ato clínico de servir de sustentação aos fenômenos que a mesma põe em cena. Uma terceira situação, unindo as duas proposições anteriores, é mais frequentemente observada: a de os estagiários se furtarem a operar como suportes da transferência, justamente por terem se identificado imaginariamente. Deve ser sublinhado que a escuta do sujeito do inconsciente bem como o manejo da transferência constituem dificuldades inerentes à própria prática da psicanálise.
É prática comum aos estagiários de psicologia duas posições em relação à transferência, aparentemente opostas uma à outra, e que, no entanto, apontam a uma só e mesma dificuldade e embaraço: a de se recusarem ao ato clínico de servir ao que na psicanálise se convencionou denominar de semblante de objeto da transferência ou a ele identificar-se, reforçando assim a crença imaginária do sujeito de que o saber inconsciente do Outro se encontra encarnado na pessoa do analista. Num e noutro caso, o estagiário se furta de exercer a ação que compete ao analista na direção do tratamento, e que, no dizer de Lacan (1988e), concerne à produção da verdade do desejo (334), não lhe restando alternativa senão responder à transferência de forma simétrica, isto é, com seu eu, colocando em cena o que Safouan (1991) denominou de “dupla transferência” (p. 21).
Considera-se, contudo, que ao longo do estágio em psicologia clínica os estagiários possam aprender algo sobre a prática da psicanálise, que lhes possibilite suportar os efeitos produzidos pela transferência de seus pacientes. Dizendo em outras
palavras, espera-se que possam tornar-se, em alguma medida, capazes de sustentar o lugar de sujeito suposto saber, sem se tomarem como tal e sem a ele se furtar.
No intuito de apontar e ilustrar o modo como o estagiário pode ser conduzido a se esquivar ao ato de servir de suporte à transferência do paciente, será efetuado o relato de fragmentos de dois casos clínicos denominados de B. e H., respectivamente. Em cada um deles pode ser observado o modo particular como o estagiário furta-se a operar a função de sustentação da transferência, por ter-se identificado com o lugar que o paciente lhe atribuiu. No primeiro fragmento clínico, denominado de B, será efetuado o recorte de duas sessões, realizadas no intervalo de uma semana.
B é um homem com idade em torno de 30 anos, casado e pai de dois filhos. Numa determinada sessão, ocorrida no período em que se encontrava em tratamento na clínica-escola, referindo-se ao excesso dos ideais sociais sobre a diferença entre os sexos, relata com riqueza de detalhes a moda da década de setenta. Acertadamente, sem saber onde esta fala conduziria, a estagiária faz silêncio, intervindo apenas num ou noutro ponto para que o paciente prossiga no que está dizendo. Ele descreve então minuciosamente as roupas, o corte de cabelo, os costumes e os comportamentos dos jovens de ambos os sexos que constituíram o movimento cultural hippie, deixando clara em sua enunciação que, neste movimento cultural, a diferença entre os sexos era pouco marcante. No seu dizer, homens e mulheres vestiam-se e se comportavam de modo idêntico, estando livres das pressões sociais que determinam o modo como as pessoas devem se comportar, agregando que este movimento realizou efetivamente os ideais humanistas de liberdade e igualdade. Ao final da sessão, muito oportunamente, a estagiária nomeia ao paciente a temática em torno da qual sua fala se ordena, apontando-lhe que a mesma girou em torno do tema relativo à diferença entre os sexos e de que, para ele, essas diferenças são vividas como uma pressão social, acrescentando ainda que ele descreve, na sua fala, um movimento cultural no qual as pessoas se vestiam e se comportavam de modo “unissexuado”.
Na sessão seguinte, sempre de acordo com o relato da estagiária em supervisão, o paciente entra na sala de atendimento comportando-se de modo diferente em relação às sessões anteriores. Habitualmente afável e cordial, nesta sessão, entretanto, apresentou-se irado e agressivo, falando alto e gesticulando muito. Senta-se na poltrona e, de modo agressivo, diz à estagiária que não sabe o que poderia ter-lhe dito para levá- la a concluir que ele havia tido, no passado, experiências homossexuais das quais sentia muita vergonha.
Que fazemos no cotidiano se somos mal interpretados naquilo que dissemos a uma determinada pessoa? É muito simples! Apressamo-nos em corrigir a falsa compreensão realizada, explicando-nos o melhor possível sobre o que efetivamente pretendíamos dizer. Pedimos ainda muitas desculpas por termos causado, com nossas palavras, uma impressão tão errônea e equivoca, esclarecendo que de modo algum era essa a nossa intenção. Enfim, esclarecemos, justificamos, explicamos sobre o verdadeiro sentido daquilo que efetivamente pretendíamos dizer. Naturalmente, efetuamos todas essas explicações porque ficamos capturados narcisicamente pelo modo como fomos compreendidos. Dito de outro modo, no cotidiano, não estamos dispostos a servir de suporte ao que do inconsciente é insuportável para o nosso interlocutor. Não estamos dispostos a servir de suporte aos efeitos produzidos no outro pela nossa escuta, esquivando-nos desse lugar.
A estagiária, de fato, desconhecia os temores, dúvidas e angústias do paciente em torno de sua sexualidade. Evidentemente o paciente supôs nela um saber sobre uma verdade que desejava manter oculta. Com efeito, o saber é do sujeito, mas ele o supõe presente no analista. Como respondeu e reagiu a estagiária em relação a esse saber a ela suposto? Com temor e angústia diante da agressividade do paciente. E, por essa mesma razão, reagiu e respondeu ao modo como faria na vida cotidiana, ou seja, escapou do lugar no qual a transferência a situava, respondendo a partir de seu eu, assegurando ao paciente que de modo algum pretendia com sua intervenção apontar uma inclinação homossexual, impossibilitando deste modo que o mesmo pudesse falar sobre os temores relacionados à sua sexualidade. Isso evoca o alerta de Lacan (1985a) de que na análise, “tudo se faz para evitar a relação de eu a eu, a miragem imaginária que poderia estabelecer com o analista. Tudo é feito para que tudo se apague de uma relação dual, de semelhante a semelhante” (p. 275).
Em contrapartida, como deveria ter procedido a estagiária diante do saber a ela suposto pelo seu paciente? Em primeiro lugar, não ter posto em cena reações egóicas defensivas. Em segundo, fazer semblante de quem sabe, aguardando o que ele falaria sobre sua sexualidade na seqüência da sessão. Enfim, suportado o sentido equívoco atribuído às suas palavras pelo paciente, permanecendo segura de que neste sentido equívoco algo da verdade recalcada se fazia ouvir, ainda que sob a forma de uma mensagem invertida.
De acordo com Nasio (1999), a angústia do analista se encontra na base de todas as resistências de contratransferência, constituindo o signo de um duplo perigo: “O
primeiro é o perigo que significa, para um analista, o temor que ele tem, a hesitação, o medo de aprofundar a análise, de impulsionar e conduzir o analisando, de acompanhá-lo na sua travessia e na vivência da seqüência dolorosa da transferência” (p. 116). Um outro perigo é o de ter que ocupar efetivamente o lugar de semblante de objeto (p.117). Ainda de acordo com Nasio, a contratransferência pode ser definida como o conjunto de obstáculos que impedem o analista de ocupar o lugar que é o seu na transferência (p.117).
Em supervisão é trabalhada a dificuldade da estagiária com o manejo da transferência, permitindo-lhe autorizar-se na sua escuta, bem como autorizar-se em acolher os efeitos produzidos pela mesma. Em supervisões posteriores observou-se que a estagiária encontrava-se mais confiante em relação à escuta deste paciente, permitindo-lhe falar sobre suas angustias e dúvidas em torno de sua masculinidade. Ele passa a relatar à estagiária que se reconhece como homem, dizendo-lhe que este saber, contudo, não o impede de sentir-se constantemente sobressaltado pelo temor de não sê- lo, ou pelo menos de não sê-lo suficientemente. Temor exacerbado pelo fato de ter mantido no passado relações sexuais casuais com outros homens.
Esclareço que em minha escuta não se tratava de um homossexual, e sim de um neurótico obsessivo sempre às voltas com o temor de sua castração imaginária, suscitada justamente pelo ideal de poder ser suficientemente homem. Com efeito, ele se sabe falicamente um homem, e por desejar demais sê-lo está sempre frente ao perigo e temor de não sê-lo suficientemente. Como sublinha Kehl (2004), a identificação imaginária efetuada pelo homem como detentor do falo tem por conseqüência subjetiva fazê-lo sentir-se constantemente ameaçado em sua posição masculina (p. 93), isto é, mais exposto à angústia derivada de sua castração imaginária. Com efeito, “este sujeito é um homem. É um fato, mas isso não o impede de cair sob o golpe da demanda de ser um homem, portanto do temor de não ‘ser bastante homem’” (Safouam, 1979, p.150).
O recorte do caso clínico denominado de H. diz respeito à primeira sessão realizada com uma adolescente de 13 anos de idade, conduzida por um estagiário jovem e bem apessoado no início de seu estágio em clínica. Em supervisão, o estagiário relata ser sua jovem paciente muito falante. A tônica da sessão girou em torno de uma narrativa na qual a paciente se apresentava como tendo muitos amigos, muitos namoradinhos e como tendo uma vida cheia de atividades, festas e aventuras. Todas as situações relatadas versavam sobre festas de que participara e sobre a quantidade de meninos que desejavam conquistá-la. De acordo com ela, no colégio em que estuda
todos os meninos desejam namorá-la, deixando suas amigas muito enciumadas. Em todas as histórias relatadas se apresenta como uma menina capaz de despertar o desejo dos garotos e a inveja das meninas, ficando bastante evidente seu desejo de causar no estagiário a impressão de ser uma garota muito popular e desejada, isto é, seu anseio de adquirir valor aos olhos do estagiário.
Após efetuar o relato do que a paciente lhe conta em sessão, o estagiário revela sua impressão sobre a mesma. A seu ver ela é muito “exibidinha”, “convencida” e “mentirosa”, considerando o seu discurso de ser muito popular e desejada por vários meninos uma invenção destinada a impressioná-lo. Parece-lhe imatura, infantil e muito ingênua para a sua idade, chegando mesmo a cogitar a hipótese de que ela possa ter uma leve deficiência intelectual. Quanto à aparência física, relata ser ela gordinha e nada bonita.
O estagiário relata que sua jovem paciente procurou de todas as formas transformar a sessão numa conversa intima com ele, tratando-o como um colega e fazendo-lhe diversas perguntas sobre sua vida pessoal, como por exemplo, se ele já participou de um determinado tipo de festa, se gosta de determinada danceteria, música ou novela, se ele tem namorada. No trabalho clínico com adolescentes o analista “será tomado numa transferência que, ou bem o levará a ser escutado como o Outro da infância – o adulto imperativo –, ou bem como semelhante – o par amigo” (Jerusalinsky, 1999, p. 12). Pelas particularidades da posição subjetiva do adolescente, recomenda que o analista se posicione como se fosse um amigo.
Ao final da sessão, de forma sedutora, a paciente pergunta ao estagiário: “de que tipo de mulher você gosta?” Insensível à transferência amorosa de sua jovem paciente o estagiário lhe responde: “do tipo que não quer ser o centro das atenções”.
Em minha escuta, estava bastante evidente que todo o discurso desta jovenzinha constituía uma forma de se mostrar amável aos olhos do estagiário, desejando impressioná-lo e se fazer desejar pelo mesmo, numa modalidade de transferência amorosa propiciada pela própria juventude do estagiário. Ora, a resposta do estagiário aponta de forma clara que ele escutou muito bem o lugar a ele atribuído na transferência pela adolescente. Isto é, ouviu claramente que ela se endereçava a ele colocando-o no lugar de um objeto amável, esperando de sua parte um sinal indicativo de que poderia constituir-se para ele num objeto igualmente desejável. Contudo, na medida em que o estagiário confundiu o objeto da transferência com sua pessoa, ou seja, na medida em que compreendeu o enamoramento da jovenzinha como sendo pela sua pessoa e não
uma conseqüência da situação analítica, viu-se arrastado a uma posição contratransferencial que não lhe deixou alternativa senão escapar do lugar a ele atribuído na transferência. Freud (1980 [1916-1917e]), é bem verdade, advertiu sobre o fato de que o analista não deve ceder às exigências de amor do paciente, decorrentes da transferência (p. 517). Entretanto, advertiu também ser um absurdo rejeitá-la de modo indelicado e, pior ainda, ficar indignado com ela (p. 517).
Freud (1980 [1914c]) foi pontual quando alertou para o fato de que
todo principiante em psicanálise provavelmente se sente alarmado, de início, pelas dificuldades que lhe estão reservadas quando vier a interpretar as associações do paciente e lidar com a reprodução do reprimido. Quando chega a ocasião, contudo, logo aprende a encarar essas dificuldades como insignificantes e, ao invés, fica convencido de que as únicas dificuldades realmente sérias que tem de enfrentar residem no manejo da transferência (p. 208).
Ao longo de meu trabalho prático de supervisora clínica, escutando em supervisão o relato de casos clínicos atendidos pelos estagiários, fui conduzida a constatar que os maiores problemas e dificuldades apresentados por eles se ordenam justamente em torno da escuta do inconsciente e do manejo clínico do lugar transferencial em que os pacientes os situam. A transferência é um conceito clínico fundamental. O seu manejo clínico e o trabalho de escuta são decisivos na condução do tratamento. A sublinhar, portanto, que, por um lado, é em torno da mesma que se ordena o ato de fala do sujeito em análise, e, por outro, as inúmeras dificuldades e problemas que a mesma levanta, permitindo-nos compreender como ao mesmo tempo é um obstáculo e um perigo: a inadequação no que concerne à escuta, ao manejo e ao lugar onde o analista se situa para responder à transferência pode transformá-la na via por meio da qual tem lugar uma prática de caráter sugestivo. A Transferência se constitui numa verdadeira encruzilhada, numa avenida de múltiplos cruzamentos, num “nó górdio”, como a denominou Lacan (1998c, p. 124). É necessário ao analista identificar qual é a figura, o personagem fantasmático que ele encarna para o analisando nos diferentes momentos de trajetória de uma análise.
Esse é o maior desafio que se coloca aos iniciantes da prática clínica da psicanálise. A situação mais freqüente é a de que o jovem iniciante em psicanálise – pela falta de análise pessoal, de experiência de escuta clínica e de articulação teórico/prática –, identifique-se com o lugar que a transferência lhe outorga. Ao proceder deste modo, ele é levado a se posicionar e, consequentemente a responder, de
forma simétrica ao lugar que a transferência o coloca. Isso, por um lado, transforma a relação analítica numa relação dual, que não se diferencia das relações que o sujeito estabelece na vida cotidiana com seu semelhante, com todos os jogos imaginários de amor, ódio, rivalidade e prestígio que a mesma arrasta atrás de si. Como conseqüência inevitável da impossibilidade do jovem praticante da psicanálise se posicionar num lugar terceiro de escuta e de intervenção – e que lhe permite servir de suporte aos fenômenos da transferência, sem, contudo, se tomar de forma identificatória pela pessoa que a mesma lhe imputa ser – ele se ensurdece à escuta da verdade singular do desejo do sujeito presente em seu discurso.
As elaborações acima permitem compreender a complexidade que os fenômenos da transferência encerram, sobretudo no que concerne à sua escuta e manejo na direção do tratamento, permitindo-nos apreender que para Freud a noção de manejo da transferência é parte integrante e fundamental do processo de análise. Essa noção na teoria de Freud é abordada na teoria de Lacan à luz do conceito de desejo do analista, ainda que não sob os mesmos termos.
Lembramos neste ponto que embora a formação do analista implique necessariamente no trabalho de análise pessoal, tal como preconizada por Freud e por Lacan, é rara a situação na qual o estagiário já tenha passado ou esteja no momento de realização do estágio em trabalho de análise ou mesmo de alguma outra forma de psicoterapia. De acordo com Freud (1980 [1933c]), é na análise de si mesmo que o analista começa a preparação para o exercício de sua atividade, “[...] de vez que o aceito é ser impossível assimilar a análise sem experimentá-la pessoalmente” (p. 183). Ele chega até mesmo a preconizar que “todo analista deveria periodicamente – com intervalos de aproximadamente cinco anos – submeter-se mais uma vez à análise” (Freud, 1980 [1937b], p. 283-284).
Deve ser esclarecido que, embora não constitua uma norma institucional exigir do estagiário que esteja em psicoterapia ou em processo de análise como condição de ingresso no estágio em psicologia clínica, alguns supervisores de estágio na área clínica estabelecem como critério de seleção de seus estagiários que os mesmos estejam em psicoterapia no período em que realizam o seu estágio em clínica. Por considerar que um sujeito ingressa num trabalho de experiência com o seu próprio inconsciente movido por questões singulares e não por uma norma, exigência ou prescrição exterior, meu procedimento habitual é não exigir dos estagiários que eles estejam em análise no período em que realizam o estágio em psicologia clínica. Evidentemente se aposta, tanto
quanto se espera, que o trabalho de escuta concreta e efetiva de pacientes, bem como as inúmeras questões abordadas em supervisão, produzam no estagiário o efeito de deixá-