Nesta seção serão apresentados os gestores entrevistados para a presente pesquisa, as empresas em que trabalhavam na época da entrevista e algumas empresas anteriores, que se mostraram relevantes nas suas trajetórias profissionais. Todos os nomes atribuídos aos entrevistados, assim como o nome das empresas em que eles trabalharam, são
fictícios. Os 10 entrevistados eram todos do sexo masculino28, tinham entre 27 e 46 anos de idade e entre cinco e 23 anos de experiência na área de logística. Trabalhavam em empresas privadas de grande porte, a maior parte sociedades anônimas de capital fechado.
José tinha 37 anos, era casado e tinha dois filhos. Era graduado em Engenharia Civil e tinha pós-graduação em Gestão de Projetos. Trabalhava há 18 anos, sendo há 12 anos na área de logística de transportes ocupando cargos de gestão. Após terminar a faculdade, trabalhou por alguns anos na área de construção civil e ingressou, na sequência, na empresa F, que é de grande porte, tem capital aberto e atua no segmento de transporte ferroviário. Lá, José trabalhou por, aproximadamente, seis anos e atuou em diversas áreas nos cargos de analista, coordenador e gerente. Decidiu sair da empresa F e ingressar na A por problemas causados pela intensidade do trabalho, principalmente relacionados à sua saúde e aos conflitos do trabalho com a vida privada. Aceitou um emprego na A, uma grande empresa de capital aberto, em uma posição hierárquica inferior à que ocupava na empresa anterior. Atuava, na época da entrevista, como Gerente Geral na empresa A, onde trabalhava há quase seis anos. Era responsável por quatro unidades operacionais, localizadas em um raio aproximado de 500 km de sua residência, nas quais era realizada a descarga de um modal para posterior carga em outro modal (rodoviário-ferroviário). José considerava ter, na empresa A, uma qualidade de vida muito melhor do que tinha na empresa anterior, do mesmo segmento. Suas falas procuravam sempre fazer comparativos entre suas condições de trabalho na empresa A e nas anteriores. No seu ponto de vista, seu trabalho na A era muito menos intensificado, embora possamos reconhecer, por meio da descrição das suas rotinas laborais, elementos evidentes de um trabalho intensificado, como a disponibilidade permanente, as altas jornadas, as viagens em grande volume, a gestão por resultados e o uso de tecnologias de comunicação fora do horário de trabalho. Na empresa anterior, além destes fatores serem mais intensos (as jornadas eram maiores, a gestão por resultados era mais agressiva etc.), havia, ainda, a constante necessidade de atender eventos de trabalho fora do horário regular.
Marcos tinha 41 anos, era divorciado e tinha uma filha adolescente. Era formado em Contabilidade e possuía pós-graduação em Logística. Trabalhava há 22 anos na área de logística e há 21 anos em cargos de liderança. Iniciou sua trajetória na logística do exército, onde, a partir do segundo ano, já exercia liderança de equipe. Depois do exército, começou a trabalhar em uma grande empresa de capital aberto do ramo de bebidas, na área de
28
O fato de não haver mulheres entre os entrevistados será abordado no próximo capítulo, mas, de antemão, podemos ressaltar a incompatibilidade entre as representações sociais sobre a mulher e sobre o trabalho na área de transportes.
transportes. Após três anos foi trabalhar na empresa F, também de grande porte e capital aberto, onde assumiu a função de gerente. Nesta empresa, foi responsável por operações totalmente diferentes entre si e relatou que nela vivenciou as condições de trabalho mais intensificadas de sua trajetória. Ainda, trabalhou anteriormente em outras três empresas, todas de grande porte e do ramo de logística. Na época da entrevista era Gerente de Transportes na empresa B, na qual era responsável pela gestão do transporte de mercadorias de duas fábricas para lojas e centros de distribuição em todo o Brasil. Disse que considerava estar no seu momento de menor intensidade no trabalho, a que atribuiu o fato da B ser uma empresa industrial. Apesar disso, ainda podemos encontrar elementos do trabalho intensificado em sua fala como a extensão da jornada, a disponibilidade 24 horas por dia, o uso de tecnologias de comunicação e o ritmo de trabalho elevado. Suas contribuições para a presente pesquisa relacionam-se mais às experiências de trabalho anteriores, em que o entrevistado descreveu situações de extrema intensidade.
Lucas tinha 45 anos, era casado e tinha duas filhas. Era formado em Engenharia Civil e tinha pós-graduação em Logística. Trabalhava há 20 anos, todos na área de logística de transportes e em cargos de gestão, visto que seu primeiro emprego foi como
trainee na empresa F do segmento de transporte ferroviário. Nesta, atuou em diversos setores
e vivenciou condições de trabalho bastante intensificadas. Trabalhou curtos períodos em uma empresa de armazenagem, em uma empresa do ramo ferroviário e em uma empresa de logística integrada. Posteriormente, trabalhou em uma empresa de transporte rodoviário de cargas perigosas e em uma empresa de grande porte do setor de transportes, de onde foi desligado após um ano e meio. Na data da entrevista atuava como Gerente de Operações na empresa C, na qual era responsável pela gestão de uma operação terceirizada de entrega de bebidas para a empresa K, que relatou considerar ser seu emprego menos intensificado. Ele atuava em uma unidade pequena, que não operava 24 horas por dia em uma empresa bem menor do que as em que trabalhou anteriormente. É possível, entretanto, encontrar características de um trabalho intensificado, como o uso de tecnologias de comunicação fora do horário e ambiente de trabalho. Suas maiores contribuições para a pesquisa referem-se à descrição de condições de trabalho intensificado que vivenciou previamente.
Maurício tinha 27 anos, era solteiro e não tinha filhos. Era graduado em Engenharia Mecânica e pós-graduado em Gestão de Projetos. Trabalhava há 13 anos, há cinco anos como gestor de logística de transportes. Trabalhou na indústria de máquinas pesadas como analista de produtos e na época da entrevista era Gerente de Operações na D, uma
empresa de grande porte de capital fechado, na qual entrou como trainee. Nesta empresa, passou por diversas funções e setores e era responsável por gerenciar o transporte de cargas para clientes de segmentos diferentes, o que contemplava a gestão de 20 filiais distribuídas por três estados brasileiros. Neste trabalho vivenciava condições de extrema intensidade, como a necessidade de atender eventos de trabalho fora do horário, disponibilidade 24 horas por dia, viagens em grande volume, uso de tecnologias de comunicação, jornadas elevadas e remuneração variável baseada em metas.
Victor tinha 34 anos, era casado e tinha dois filhos. Era formado em Administração e não havia cursado pós-graduação. Trabalhava há 15 anos, sendo 14 anos na área de logística e seis anos em cargos de gestão. Após trabalhar um período em uma empresa de corte e solda, como auxiliar, Victor começou “de corpo de alma” (palavras do entrevistado) na área de logística como ajudante de carga em uma rede de farmácias, na qual conseguiu promoções até chegar ao cargo de analista de logística. Posteriormente, trabalhou em uma grande empresa de transportes, onde assumiu o cargo de gerente de logística. Após ser demitido devido à perda de um cliente importante, atuou como encarregado em uma rede de supermercados. Na época da entrevista era Gerente de Operações na empresa E, na qual começou como coordenador. Nesta, gerenciava a entrega de bebidas da empresa K em mercados, bares e restaurantes em um grande centro urbano. Considerava estar em um trabalho intensificado, que possuía características como: ritmo elevado, uso de tecnologias de comunicação fora do horário de trabalho, jornadas elevadas e gestão por resultados.
Fábio tinha 40 anos, era casado e tinha dois filhos. Possuía formação técnica em Contabilidade, graduação em Marketing e não havia cursado pós-graduação. Trabalhava há 24 anos, destes, 22 no setor de transportes. Há 21 anos atuava em cargos de gestão de equipes. Iniciou na logística como estagiário em uma grande empresa de transportes rodoviários. Posteriormente trabalhou para o pai em uma pequena empresa de logística, da qual se tornou sócio. A sociedade não deu certo, pois Fábio discordava da forma que o pai pensava: “ele (pai) estava mais preocupado em trabalhar do que ganhar dinheiro”. Então, Fábio entrou como auxiliar de frota em uma empresa de telefonia, recém-privatizada, na qual trabalhou por oito anos e passou por diversos cargos até assumir o cargo de gerente de frota. Posteriormente, trabalhou na área de transportes de uma empresa industrial por três anos e na época da entrevista era Gerente de Operações na empresa D, onde estava há quatro anos. Era responsável por gerenciar o transporte de gases industriais para um importante cliente da empresa. Seu trabalho tinha elementos perceptíveis de elevada intensidade, como
disponibilidade 24 horas por dia, viagens em grande volume, remuneração variável, uso de tecnologias de comunicação fora do horário de trabalho, dentre outros. Fábio relatou considerar que seu trabalho na empresa D era mais intensificado do que na área de transportes da empresa do ramo industrial e menos intensificado do que na área de transportes da empresa de telefonia em que atuou.
Henrique tinha 32 anos, era casado e tinha uma filha pequena. Formado em Engenharia Civil, possuía pós-graduação em Gestão de Projeto e em Engenharia Ferroviária. Trabalhava há 10 anos, todos no setor de transporte ferroviário. Tinha seis anos de experiência em gestão de equipes. Já trabalhou em outra empresa, também do ramo ferroviário, na qual passou pelos cargos de estagiário, supervisor e engenheiro. Trabalhava na empresa F havia três anos, como Gerente de Operações. Já atuou em outra área da empresa F, na qual era responsável por uma unidade operacional e na época da entrevista era responsável pelo centro de controle de tráfego ferroviário. Relatou considerar que este era o seu trabalho mais intensificado e citou como fatores de intensificação: prazos apertados, escopos imprevisíveis, ritmos elevados, plantões nos fins de semana, uso de tecnologias de comunicação, jornadas elevadas e gestão por resultados, dentre outros.
Jefferson tinha 35 anos, era casado e não tinha filhos. Formado em Tecnólogo em Logística, não possuía pós-graduação. Trabalhava há 21 anos, sendo 13 em logística. Tinha seis anos de experiência em gestão de equipes. Seu primeiro emprego foi como catador de lixo da praia. Depois, atuou como auxiliar de serviços gerais (limpeza) em uma indústria de calçados. Nesta empresa, passou pela linha de produção e pelo PCP (Planejamento e Controle de Produção). Posteriormente, atuou em uma empresa metalúrgica, também na área de PCP. Ficou por cinco anos e meio nesta empresa, quando migrou para a área de controle logístico de uma indústria, onde alcançou um cargo de supervisão. Trabalhou também na área de logística de uma empresa de cosméticos e de uma empresa de transportes. Na época da entrevista atuava como Coordenador de Operações na empresa G, na qual era responsável pelo carregamento e despacho das encomendas em um centro de distribuição. Considerava estar em seu trabalho menos intensificado, embora, ainda assim, possamos encontrar características de um trabalho intensificado, como o ritmo elevado e a jornada extensa. Já trabalhou em empregos com condições bastante intensificadas, às quais se referiu durante a entrevista.
Felipe tinha 33 anos, era casado e tinha três filhos. Estava concluindo o curso de Tecnólogo em Processos Gerenciais e não possuía pós-graduação. Trabalhava há 16 anos,
15 na área de logística. Tinha quatro anos de experiência na gestão de equipes. Iniciou a carreira como frentista e depois migrou para uma empresa do ramo ferroviário, como manobrador, passando a agente de estação, maquinista e supervisor de tração (responsável pelos maquinistas). Trabalhou, posteriormente, como analista de estoques, em uma empresa de logística integrada, e nove meses na área de transportes de uma empresa do ramo industrial. Atuava, na época da entrevista, como Coordenador de Logística na empresa H, na qual ingressou como analista. Era responsável pela gestão de estoque e entrega dos produtos, sendo que o transporte e carregamento em si eram realizados por uma empresa terceirizada. Estava, segundo o seu relato, em seu momento de menor intensidade laboral, mas trouxe muitas contribuições sobre situações de condições extremamente intensificadas que vivenciou na mesma empresa (H) como prazos apertados, jornadas muito extensas, uso de tecnologias de comunicação e trabalho nos fins de semana.
Leonardo tinha 30 anos, era casado e não tinha filhos. Formado em Tecnólogo em Logística, não havia cursado pós-graduação. Trabalhava há 12 anos, destes, 10 em empresas de transportes. Tinha três anos de experiência como gestor de equipes. Ingressou no ramo de transportes em uma empresa de cargas secas como ajudante de carga e descarga, na qual teve oportunidade de passar a atuar na área administrativa. Trabalhava, na época da entrevista, como Coordenador de Produtividade e Insumos na empresa I, na qual era responsável pelo controle dos insumos rodoviários e produtividade, principalmente consumo de combustível e pneus, bem como receita e custos dos veículos. De acordo com seus relatos, podemos considerar que é quem vivenciava o trabalho menos intensificado dentre todos os entrevistados, já que as características apontadas restringiam-se ao ritmo de trabalho elevado e disponibilidade para atender ligações.
Um resumo das características dos entrevistados é apresentado no Quadro 3. Um ponto interessante a salientar é em relação à escolaridade. Todos os gerentes tinham formação em cursos de graduação em nível de bacharelado, sendo que a maior parte cursou pelo menos uma pós-graduação. Já em relação aos coordenadores, os três eram formados ou estavam se formando em cursos de nível tecnológico, que têm menor duração do que os cursos de bacharelado. Ademais, dois dos coordenadores haviam recém concluído seus cursos de graduação e um estava concluindo o curso na época da entrevista. Diante da idade dos coordenadores entrevistados (entre 30 e 35 anos), concluímos que estes realizaram seus estudos mais tardiamente do que a maior parte dos gerentes, o que demandou que conciliassem trabalho (intensificado) e formação educacional. Esta conciliação, entretanto,
não era exclusividade dos coordenadores e foi relatada por, praticamente, todos os outros entrevistados, já que a maior parte começou a trabalhar entre 14 e 19 anos de idade, quando ainda não tinham concluído os estudos de nível superior. Chama a atenção também, que boa parte dos entrevistados era graduada em Engenharia, que podemos considerar um curso de formação técnica e não de gestão. Cabe, ainda, ressaltar, que alguns gestores entraram no mercado de trabalho em uma posição mais privilegiada, enquanto outros, como Leonardo, Felipe, Jefferson e Victor começaram a trabalhar em funções menos qualificadas, como ajudante de carga e descarga, frentista, catador de lixo na praia e auxiliar de corte e solda, o que pode fazer diferença nas suas vivências subjetivas e representações em relação ao trabalho e à carreira. Ademais, chamamos a atenção para a constante migração de empregos e/ou funções reveladas nas trajetórias de trabalho de todos os entrevistados.
Quadro 3 - Características dos entrevistados, segundo a idade, formação educacional e experiência profissional. Entrevistado Idade Graduação Pós-
graduação Experiência em logística (anos) Experiência como gestor (anos)
Empresa Cargo Área em que o entrevistado atua José 37 Engenharia Civil Projetos 12 12 A Gerente geral Operação de terminais intermodais Marcos 41 Ciências Contábeis Logística 23 22 B Gerente de transportes Transporte de produtos acabados da fábrica para centro de distribuição Lucas 46 Engenharia Civil Logística 20 19 C Gerente de
operações Entrega de bebidas Maurício 27 Engenharia
Mecânica Projetos 5 5 D
Gerente de operações
Transporte de produtos para outras empresas-
cliente Fábio 40 Marketing Não 22 21 D Gerente de
operações
Transporte de produtos para uma empresa
cliente Victor 34 Administra
ção Não 14 6 E
Gerente de
operações Entrega de bebidas Henrique 32 Engenharia Civil Projetos/ Operações Ferroviári as 10 6 F Gerente de
operações Centro de Escalas
Jefferson 35 Tecnólogo em Logística Não 13 6 G Coordenad or de operações Armazenagem e carregamento de cargas Felipe 33 Tecnólogo em Processos Gerenciais Não 15 4 H Coordenad or de logística Gerenciamento do transporte de produtos acabados Leonardo 30 Tecnólogo em Logística Não 10 3 I Coordenad or de produtivid ade e insumos Gerenciamento de custos e produtividade Fonte: Elaboração da autora a partir do trabalho de campo.
Algumas características das empresas em que os entrevistados trabalharam estão descritas no Quadro 4, por meio do qual, podemos verificar que eram todas empresas classificadas como de grande porte (mais de 100 funcionários), a maioria de capital nacional e fechado. Apenas duas empresas não eram do ramo de logística de transportes (uma empresa de cosméticos e uma indústria), entretanto, os entrevistados atuavam no setor de transportes destas empresas. Grande parte era classificada como operador logístico, ou seja, atuavam como fornecedores de serviços terceirizados de transportes/armazenagem. Somente dois entrevistados trabalhavam na mesma empresa (D), embora alguns também tenham passado por alguma(s) destas empresas anteriormente.
Quadro 4 - Características das empresas em que os entrevistados trabalhavam na época da entrevista, segundo porte, nacionalidade, tipo de capital e ramo.
Empresa Porte Nacionalidade Tipo de Capital Ramo
A > 5.000 Brasileira Capital aberto Operador intermodal de base ferroviária B 500 a 1.000 Brasileira Capital Fechado
(S/A) Indústria de produtos de “linha branca” C 2.000 a 5.000 Brasileira Capital Fechado
(S/A) Operador logístico de base rodoviária D 500 a 1.000 Brasileira Capital Fechado
(S/A) Operador logístico de base rodoviária E 1.000 a 2.000 Brasileira Capital Fechado
(S/A) Operador logístico de base rodoviária F >5.000 Brasileira Capital aberto Operador intermodal de base ferroviária G 500 a 1.000 Brasileira Capital Fechado
(LTDA) Transporte rodoviário de carga fracionada H >5.000 Multinacional Capital aberto Empresa de cosméticos
I <500 Brasileira Capital Fechado (LTDA)
Transportadora de base rodoviária (combustíveis e cargas químicas) Fonte: Elaboração da autora a partir do trabalho de campo.
Além das empresas em que trabalhavam na época das entrevistas, os gestores mencionaram diversas empresas nas quais atuaram ao longo de suas carreiras. Algumas destas empresas mostraram-se bastante importantes e recorrentes em suas falas, tornando-se interessante descrever suas principais características:
a) Empresa J – Empresa nacional de grande porte, de capital aberto, do segmento logístico, que atua com soluções customizadas para atendimento dos clientes nos mais diversos serviços logísticos.
b) Empresa K – Empresa multinacional brasileira de grande porte, de capital aberto, fabricante de bebidas.
c) Empresa L – Empresa nacional brasileira de grande porte, de capital aberto, fabricante de geradores.
Diante destas informações, consideramos que os entrevistados, em sua maioria, atuaram em empresas relevantes no cenário nacional de transportes, já que eram de grande porte e consolidadas no mercado brasileiro.
3.3 “Eu faço basicamente tudo”: o trabalho como gestor de logística de transportes
Segundo Bowersox, Closs e Cooper (2007), a responsabilidade fundamental do departamento de transportes é supervisionar as operações de transporte cotidianas, o que envolve atividades administrativas e uso de sistemas de informações. As principais atribuições, na concepção destes autores, são a programação de equipamentos, a gerência de pátio, o planejamento de cargas, a roteirização, a administração da movimentação, a consolidação das cargas e o controle. A programação de equipamentos consiste em organizar a chegada dos veículos de modo que não fiquem um tempo desnecessário aguardando o momento do carregamento ou descarregamento, além de atentar para as necessidades de manutenção preventiva dos veículos. O gerenciamento do pátio inclui programar os espaços nas docas ou locais de carregamento, a correta utilização dos equipamentos e a programação dos condutores. O planejamento das cargas leva em consideração o tipo de veículo, as características físicas do produto, a ordem de entrega etc. A roteirização consiste em determinar o caminho geográfico que um veículo percorrerá, por meio de uso de softwares e atendendo os requisitos do cliente. A administração da movimentação consiste, no caso de empresas contratantes, avaliar e selecionar o transportador a ser contratado. A atividade de consolidação das cargas consiste em conseguir combinar diversas encomendas em uma