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A sucessão ecológica é de fundamental importância para a compreensão das características florísticas, fisionômicas e estruturais das florestas. O seu estudo pode contribuir em muito para a realização de previsões sobre o comportamento e o desenvolvimento futuro da vegetação (GAMA et al., 2002). De acordo com Vieira (2006), o conhecimento dos mecanismos de sucessão ecológica de cada ecossistema em particular permite a definição de estratégias de restauração ou de condução da regeneração natural de áreas alteradas. Embora cada ecossistema possua uma sucessão ecológica com aspectos específicos, esse processo apresenta uma lógica evolutiva única, em que os estágios de regeneração pioneiros ganham complexidade em direção aos estágios mais maduros (VIEIRA, 2006).

Miller Jr. (2008) define a sucessão ecológica como a mudança gradual na composição das espécies de uma determinada área. Para Pinto-Coelho (2000), a sucessão ecológica constitui-se numa sequência de transformações estruturais e funcionais nas comunidades a partir de padrões mais ou menos definidos. Pinto- Coelho (2000) ainda ressalta que, em um processo de sucessão ecológica, as mudanças que ocorrem nas comunidades se materializam através de uma constante troca de espécies que estão continuamente saindo e entrando no sistema.

Conforme Dajoz (2006), a sucessão ecológica define-se como um fenômeno em que a fauna e a flora de um meio mudam à medida que esse meio é colonizado por diversos seres vivos ao longo tempo. Existem as sucessões primárias, que ocorrem em um solo nu jamais colonizado, e as sucessões secundárias, que ocorrem em áreas que já foram povoadas, mas que foram eliminadas por transformações climáticas, geológicas ou antrópicas (DAJOZ, 2006; MILLER JR, 2008).

Para Odum e Barret (2011), a sucessão ecológica é o reflexo das transformações provocadas no ambiente físico pelas comunidades e pelas interações de competição entre as populações, o que faz com que a sucessão seja controlada pelas comunidades, embora o meio físico determine o padrão de mudança do ecossistema. Ressalte-se que a sequência inteira de comunidades relativamente transitórias ao longo de uma sucessão ecológica constitui-se a sere, enquanto que as fases com características fisionômicas e funcionais específicas constituem os estágios serais ou estágios de desenvolvimento (ODUM, 1983).

De acordo com Madeira et al. (2008), a sucessão ecológica após o fogo ou o abandono da terra pelo homem pode acontecer de diversas maneiras, dependendo do tipo de ecossistema florestal. No entanto, sabe-se que existem poucos estudos sobre sucessão ecológica em Matas Secas, uma vez que são encontradas quatro a cinco vezes mais pesquisas sobre regeneração de Florestas Úmidas do que de Florestas Tropicais Secas (MELI, 2003, apud VIEIRA, 2006).

A colonização efetuada a partir de sementes dispersas pelo vento é um mecanismo comum nas regenerações naturais de Florestas Estacionais Deciduais, mas a capacidade de rebrota das espécies após o fogo e a destoca são também mecanismos bastante importantes para a compreensão da sucessão ecológica nas Florestas Secas (VIEIRA, 2006). Madeira et al. (2008) ressaltam que, em Florestas Estacionais Deciduais, as espécies são predominantemente dispersas pelo vento, ao passo que, nas Florestas Úmidas, a dispersão se dá principalmente pelos animais. Portanto, não existe um consenso no tocante ao padrão de comportamento das espécies durante uma sucessão ecológica em Florestas Estacionais Deciduais (FEDs). Conforme Madeira et al. (2008), áreas de FEDs submetidas a diferentes tipos de usos podem apresentar padrões de regeneração bastante contrastantes.

Outro aspecto importante que diz respeito aos estudos sobre a regeneração natural de Florestas Secas corresponde à necessidade de se definir e de se caracterizar os estágios sucessionais presentes nas áreas pesquisadas, uma vez que o padrão de regeneração das Florestas Tropicais úmidas e temperadas não se aplica às Florestas Estacionais Deciduais. Conforme a Figura 10, Madeira et al. (2008), em seus estudos sobre regeneração natural em Florestas Estacionais Deciduais no Parque Estadual da Mata Seca, Norte de Minas, consideraram três estágios gerais que se basearam na fisionomia e na estrutura arbórea: o inicial, com fragmentos abandonados em 2000 após uso de pastagens; o intermediário, com

histórico de abandono há cerca de 17-25 anos após o uso da pecuária; e o estágio tardio, sem histórico de desmatamento nos últimos 50 anos. O estágio inicial caracteriza-se pela presença de árvores de pequeno porte que compõem um dossel aberto de quatro metros de altura. O intermediário é marcado pela presença de pelo menos dois estratos verticais, sendo que o primeiro é de aproximadamente 10-12 m, e o segundo é formado por um sub-bosque com árvores entre 3 e 6 m e muitas lianas. O estágio tardio também é formado por dois estratos verticais: o primeiro é bastante fechado e constitui-se de árvores de 18-20 m de altura, enquanto que o segundo estrato é formado por um sub-bosque esparso, com baixa densidade árvores jovens e lianas (MADEIRA et al., 2008).

Figura 10 – Estágios sucessionais na Floresta Decídua do Parque Estadual da Mata Seca

Fonte: MADEIA et al., 2008.

Garcia-Millan et al. (2014) realizaram estudos sobre a resposta espectral de sensores remotos em Florestas Estacionais Deciduais no México, na Guatemala e no Brasil (Parque Estadual da Mata Seca). Nessas pesquisas, os autores definiram três estágios sucessionais para as Matas Secas: o inicial, o intermediário e o tardio. O inicial tem como característica marcante a presença de um único estrato com árvores de até 10 m e clareiras com arbustos que evidenciam a prática da pecuária antes do abandono das terras. No estágio intermediário, a floresta apresenta dois estratos bem definidos (um, com árvores de 5 m; o outro, com

árvores de 10-15 m) e ausência de clareiras. O tardio apresenta dois estratos, sendo que o mais alto possui um dossel superior com árvores que alcançam 15 m e algumas emergentes (GARCIA-MILLAN et al., 2014).

A partir de análises florísticas e estruturais em todos os estágios sucessionais, Madeira et al. (2008) sugerem que a sucessão ecológica nas Matas Secas do Parque ocorre com substituição gradual de espécies de árvores em todas as áreas estudadas, o que não corrobora outros estudos que consideram a rebrota como o processo mais importante na regeneração natural de Florestas Estacionais. Assim, constatou-se que ocorreu colonização de sementes, possivelmente trazidas pelo vento, sendo a sucessão ecológica na área caracterizada por mudanças marcantes em termos de fisionomia, estrutura e complexidade entre os diferentes estágios sucessionais, principalmente entre o estágio inicial e o intermediário (MADEIRA et al., 2008).