II. CODIFICATION DE CETTE NOUVELLE DISCIPLINE
3. Une quête de sens
Com as alterações do público em relação aos aspectos qualitativos e quantitativos, os equipamentos encontram-se ainda em processo de adequação tanto em relação às estruturas de acessibilidade às necessidades especiais, quanto à adequação no recebimento de grupos numerosos, como estacionamento e banheiros.
Em relação à adequação qualitativa, alguns museus precursores já na década de 80 do século passado iniciaram um trabalho de mediação cultural por meio de um setor composto
por educadores responsáveis em pensar e propor estratégias que permitissem aos visitantes o diálogo cultural com as obras expostas.
Ainda em relação à adequação dos espaços culturais ao novo público que passou a acessá-lo, alguns museus, mais recentes passaram a utilizar as novas tecnologias e propor novas possibilidades de interação entre os visitantes e as obras, recorrendo à ludicidade e entretenimento.
Essas iniciativas apesar de agradarem o público infantil e jovem são alvo de críticas vindas de posições mais conservadoras.
De maneira geral, essa adequação do novo público aos equipamentos culturais envolve equipes de educadores capazes de promover a mediação entre o acervo e o público e visitante.
Como consequência a essas alterações alguns equipamentos culturais têm passado por reestruturações, pois além da necessidade de adequações na infra estrutura para o atendimento do aumento da demanda, há a necessidade de alteração quanto à mudança na concepção de arte e cultura, pois a mediação realizada aos antigos visitantes, quando ocorria, não atende às necessidades dos estudantes e da população em geral, que passa a ter acesso a essas instituições.
Muito chato! Muito chato! E inclusive foi fechado por conta disso. Nas minhas aulas de patrimônio, a gente falou muito dele. Era chato! Para a gente que é historiadora, eu sou historiadora, eu acho aquele museu chato, chato, pra que eu vou querer saber o “pijaminha do Dom Pedro” tipo, está ali a “cuspideira”, nem foi, é uma réplica de alguém, eles falam que eram de Dom Pedro, e não é? Era chato. Dai você leva a criança no Museu do Futebol, e você acha que ela vai gostar da cuspideira de Dom Pedro ou ir lá chutar no gol? (Ed. Quézia).
- (...) conversando com algumas pessoas de algumas instituições que a gente entra em contato também, para eles também é tudo novo. Eles não estavam acostumados a ter esse tipo de clientela. Então eles tiveram que adaptar, a própria instituição, o próprio local, as instalações de banheiro, monitores, os espaços. Não estavam preparados para receber crianças, receber jovens que questionam, aí tem que falar, e tem aquele fluxo, aquela quantidade (...). A gente tá falando das instituições, mais vagas, e isso e aquilo, mas eles ainda estão em processo, ainda, de se adaptar, o espaço físico com acessibilidade, quantidade de banheiros, ao espaço para fazer um lanche, eles têm essa preocupação. Algumas instituições até já conseguiram um espaço para que possa fazer o lanche, e tem instituições que estão em vias de trânsito, em fluxo de trânsito muito grande, então eles tem dificuldade de estacionar o ônibus para as crianças descerem, então tudo isso ainda está em processo de adaptação. Treinamento dos monitores, porque eles têm que treinar os monitores, o perfil do monitor, o monitor que atende adultos não é o mesmo, a proposta é outra (...)” (PCNPAna).
Em vários equipamentos há a necessidade de adequação para atendimento de grandes grupos, pois antes as visitas eram feitas por pequenos grupos esporadicamente.
- Existem alguns critérios que devem ser obedecidos tais como locais de estacionamento. Tanto por parte das instituições como por parte da secretaria. Tanto para a instituição como para secretaria possuem o lado vantajoso dessa parceria (PCNP Bia).
O receptivo do equipamento cultural passa a ter demandas por espaços para o lanche dos estudantes, pois antes seus antigos visitantes costumavam a recorrer aos “cafés gourmets”, que atendiam a sua função e agregavam status aos frequentadores.
-A ideia é fazer o lanche aqui, mas muitas vezes é feito no ônibus para aproveitar mais o conteúdo que é passado na visita (Ed. Gilvan).
As especificidades quanto ao atendimento inclusivo às limitações sensoriais ou intelectuais e infraestruturas relacionadas à dificuldade de locomoção que têm sido desafios impostos à instituição escolar passam a fazer parte da realidade dos equipamentos culturais a medida passam pela democratização.
- Você vê, não exatamente da segurança, mas acessibilidade, então por exemplo, já aconteceu, tem uma série um aluno que é cadeirante, tem alunos que não querem ir, a gente conversa e tal, mas o próprio aluno não se vê em condições, mas a gente incentiva, a gente faz questão, tem o cuidador que acompanha, ou alguém da família se quiser pode acompanhar e existe esse contato com a instituição, sempre existe essa troca de informações (...) (PCNP Ana).
- Durante a visitação, daí é a instituição que está recebendo. Por isso precisa disponibilizar monitores, tem um número máximo por monitor, justamente para evitar. Daí já é a instituição, nós estamos no espaço dela e ela tem que estar preparada para receber (PCNP Ana).
Alguns espaços culturais visando o aumento no número de visitações passou a promover mudanças de organização e funcionamento, gerando possibilidade de acesso aos diferentes grupos sociais, um exemplo constatado refere-se à expansão do horário de funcionamento para visitas de estudantes do período noturno.
- Foi uma iniciativa que a gente teve nessa parceria, e a gente pensou: por que não ampliar para esse público também, e a partir disso a gente fez toda uma logística para atingir esse público, porque a gente gostaria que tivesse de segunda a sexta a noite, como tem durante o dia também (Ed. Gil).
A democratização de acesso aos espaços culturais abrange a vinda de estudantes da periferia para equipamentos culturais centrais e também, o deslocamento de estudantes moradores de centros urbanos para reservas ambientais.
(...) em 2012 começaram a trazer alunos da cidade de São Paulo, ai esses alunos realmente não conheciam o parque mesmo, e pudemos perceber uma diferença dos alunos do entorno é dos alunos de fora que não conheciam o parque (Ed.Gilvan).
Reforça a constatação quanto à necessidade de adequação dos equipamentos culturais tradicionais ao novo púbico, a preferência de professores e estudantes por museus interativos ligados ao entretenimento, em detrimento a museus tradicionais, apesar das restrições do projeto quanto seu entendimento como atividade de lazer e diversão.
- Acham chato (...) não gostam e preferem a tecnologia (Estudante).
Sobre a visita a museus:
- Não gosto muito, porque não gosto muito de silêncio (...) alguns são entediantes (Estudante).
- É uma ideia americana isso, de o museu: “ É seu, olha você pode tocar nas coisa”, e o museu, não é para você ter tédio lá dentro, isso é muito legal pra mim, porque eu nunca pensei que eu quisesse trabalhar num museu algum dia.
A presença das inovações tecnológicas e a diversidade de atrativos associados ao entretenimento atraem o interesse de estudantes e profissionais da educação.
(...) tem o MAM e o Catavento, o Catavento que é um projeto muito legal, muito interessante, que ia agregar muito na escola da periferia que tem pouco acesso, ele vai pra uma escola mais central de um nível sócio econômico melhor e tal, mas sei o que ..., e aí manda para crianças da periferia um museu “X”, o museu da eletricidade, ok, ele tem uma função, mas num determinado momento, esses passeios “Catavento”, passeios mais vinculados a não só a cultura, mas também o indivíduo tem que chegar às escolas, e o que a gente percebe é que de maneira geral (...) (Prof. Aldo).
- O Catavento eles amam! (CP Célia).
- Por exemplo: todas as escolas querem mandar seus alunos para o Catavento, então o ano passado deu certinho (...) (PCNP Ana).
Esse aspecto relacionado à diversão nas visitas foi constatado como uma das principais qualidades do projeto tanto por estudantes como por professores, tanto nas entrevistas e questionários como nos depoimentos do site. Essa atratividade promovida por alguns equipamentos culturais contribuem com a mudança de visão dos estudantes em relação aos espaços culturais que não despertavam interesse a esse público.
- Sim, com certeza, porque ele cria aquela ideia, ele vai destruir aquela barreira, porque o nome vai continuar o mesmo: o museu, mas vai destruir aquela barreira: “ O museu é chato, não é para mim, é pra gente que entende de Arte, não é para mim”. E aí, a partir do momento em que ele começa: “ Aquele museu não é chato, eu entendo quando eu vou lá, mas é museu também”, pode ser que “eu goste de outro, eu queira conhecer outro”, que ele se interesse que tenha aquela curiosidade (Ed.Quézia).
Tanto os equipamentos culturais interativos como os menos dotados de tecnologia interativa têm buscado oferecer aos seus visitantes um trabalho adequado de mediação, promovido por equipes responsáveis em pensar ações educativas nesses locais.
(...) já com a outra turma que eram alunos do 2º e alguns do 3º ano a experiência foi diferenciada, uma porque a própria monitoria já tinha uma proposta diferenciada e uma porque os alunos também se propuseram a desenvolver essa
atividade, a gente desenvolveu a atividade no local, depois fez produção de texto, foi uma coisa que repercutiu durante algum tempo dentro da escola esse passeio (Prof. Aldo).
- Quanto à capacitação, houve uma transição da equipe de orientação. Ela fazia parte de um núcleo que era ligado à infra estrutura do museu e passou a fazer parte do núcleo educativo. Então agora, isso foi mais ou menos em setembro, eu não tenho certeza da data, mas foi setembro, então é recente , e a proposta do educativo é fazer uma capacitação com os orientadores (...) (Ed. Leila).
Esse trabalho de mediação depende da compreensão e diálogo com o novo público, considerando as diferentes maneiras de compreensão sobre a cultura.
- E eu fui contratada para participar de uma sessão que chama Jogos e Poder, e é só sobre História, que é a minha área, só que aí o tempo foi passando e aí a minha chefe percebeu, não sei se eu converso muito bem com a garotada, um pouquinho mais velha, falou mais sua cara você ir para o roteiro 12, eu estou precisando de monitores no Alertas, aí ela me explicou o que era, que era para bater um papo com o pessoal sobre drogas e tal e a gente é livre ali dentro, o diretor não curte muito esse discurso, se ele ouvir é capaz dele me mandar embora. Mas a minha chefia, as minhas duas chefes, como elas são também da minha área e da Pedagogia, elas curtem muito esse tipo de conversa: “ a gente não vai diabolizar a droga, a gente vai descriminalizar pra criança, para o adolescente entender e daí ele ter a opção de não usar, não experimentar (Ed. Quézia).