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Chapter 5: Experiment 2: Eye tracking & EEG

5.3.2. Psychological measures

As obras de reabilitação inscrevem-se num universo de intervenções que englo- bam a reparação de anomalias, os trabalhos de beneficiação e as intervenções de manutenção. Qualquer um destes tipos de intervenção sobre o património edificado merece uma análise cuidada na estruturação dos trabalhos a empreender. Esta ques- tão é particularmente importante, não só porque existem aspectos que pelas suas características técnicas facilmente potenciam sobre-custos, como também podem afectar negativamente o rendimento dos trabalhos.

Desde logo, a reabilitação pressupõe não só o recurso a técnicas antigas, mas também a tecnologias e materiais inovadores, qualquer das duas obrigando ao emprego de mão-de-obra especializada e qualificada, o que por si só se traduz num aumento do custo.

Por outro lado, a execução de trabalhos em edifícios existentes tem inerente os condicionalismos físicos próprios de cada local, o que pode obrigar à definição de estratégias de actuação de maior dificuldade - a título de exemplo, a inacessibilida- de de veículos pesados na via urbana condicionará necessariamente o transporte dos materiais ou o uso de maquinaria pesada.

Por estes motivos torna-se pertinente esclarecer que a análise dos sistemas cons- trutivos deve ser enquadrada duplamente nos seus aspectos técnico e económico, tendo presente que a ponderação sobre estes dois parâmetros – indissociáveis - irá traduzir-se na escolha mais adequada para cada caso de reabilitação.

Tendo em conta estes pressupostos, o presente capítulo pretende fazer uma abordagem económica que analise as vantagens técnico-económicas e de custo- benefício da reabilitação térmica de coberturas tradicionais.

Os materiais isolantes escolhidos no âmbito deste estudo pretendem representar as escolhas mais recorrentes da construção civil em Portugal. São, para além disso, materiais com diferentes capacidades de aplicação na reabilitação térmica de cober- turas.

Foi a opção orientar o trabalho para a análise das lãs minerais nas variantes da manta flexível e da placa rígida (com especial enfoque na lã de rocha), da cortiça - por ser um produto natural 100% ecológico e pelo facto de haver grande produção desta matéria-prima em Portugal, e dos poliestirenos moldados (expandido e extru- dido) - por se apresentarem como materiais correntes no panorama actual. Apresen- tam-se de seguida as definições e características principais de cada um.

5.1.1 Lã mineral (EN 13162)

Os produtos de lã de rocha – designados pela sigla MW (Mineral Wool) – são de origem mineral, produzidos a partir do basalto, e de estrutura fibrosa.

Apresentam-se sob a forma de aglomerados flexíveis ou placas semi-rígidas constituídas por fibras siliciosas, obtidas por centrifugação e aglutinadas com resi- nas sintéticas, sem revestimento ou revestidas a papel kraft ou alumínio na face interior.

Tem como principais características uma baixa condutibilidade térmica e uma elevada absorção acústica (especialmente nas frequências médias e agudas), sendo incombustível ao fogo, apresentando capilaridade nula, bom comportamento face à absorção de água e elevada permeabilidade ao vapor de água.

Para além disso, tem PH neutro, possuindo uma estrutura estável, imputrescível, anti-parasitas, não corrosiva e não é atacada por sais nem por ácidos. É um material não nocivo à saúde (contudo preconiza-se o uso de vestuário e luvas adequadas para o seu manuseamento e aplicação) e não resultam substâncias poluentes das maté- rias-primas nem dos produtos derivados.

5.1.2 Poliestireno moldado expandido (EN 13163)

Os produtos de poliestireno expandido – designados pela sigla EPS (Expanded Poly Styrene) – são de origem sintética e de estrutura celular.

Apresentam-se sob a forma de placas rígidas compostas por pequenos grânulos expandidos constituídos pelo polímero de estireno (derivado do produto natural, o petróleo) e pelo pentano (o agente expansivo). O processo de transformação usado é o vapor de água para expandir a matéria-prima em moldes, levando as esferas a comprimir e agregarem-se. O pentano dilata-se dentro de cada grânulo resultando em esferas compostas por 2% de matéria sólida e 98% de ar.

Esta particularidade confere ao poliestireno expandido uma densidade muito baixa o que significa um material com baixo peso específico. E ainda tem como principais características o isolamento térmico, a baixa absorção de água e insensi- bilidade à humidade, resistência mecânica apesar da sua leveza, resistência ao enve- lhecimento, inodoro e imputrescível. Contudo, é um material susceptível ao ataque de algumas substâncias como, por exemplo, a acetona e a gasolina, e não tem pro- priedades de isolamento acústico.

O poliestireno expandido é isento de CFC’s e pode ser considerado um produto ecológico já que não contamina o solo, a água e o ar e é totalmente reciclável e rea- proveitável.

5.1.3 Poliestireno moldado extrudido (EN 13164)

Os produtos de poliestireno extrudido – designados pela sigla XPS (Extruded Poly Styrene) – são também de origem sintética e de estrutura celular.

Apresentam-se sob a forma de placas rígidas de espuma de poliestireno extrudi- do. O processo de extrusão produz uma estrutura rígida e uniforme de pequenas células fechadas que resulta num produto de densidade homogénea.

As placas contêm um aditivo retardante de chama de forma a evitar a ignição acidental, sendo contudo combustíveis quando expostas a fogo intenso.

Para além disso, tem como principais características as elevadas resistência mecânica (nomeadamente à compressão), a insensibilidade ao ataque de ácidos e bases. São também altamente resistentes à difusão do vapor de água, a absorção de água é muito baixa e apresentam capilaridade nula.

Os produtos XPS não contêm CFC’s nem HCFC’s satisfazendo as Directivas meio ambientais Europeias EC/2037/2000, acerca de substâncias que contribuem para a destruição da camada de ozono.

5.1.4 Aglomerado negro de cortiça (EN 13170)

O aglomerado negro de cortiça – designado pela sigla ICB (Insulation Cork Board) – é de origem vegetal e de estrutura celular.

Apresenta-se sob a forma de grânulos de cortiça expandidos por acção do vapor de água, usando as resinas naturais do sobreiro (Quercus Robur) como elemento agregador.

A sua proveniência de uma matéria-prima renovável, aliada à não utilização de agentes sintéticos, bem como a capacidade de reciclagem para outras utilizações, tornam este produto “amigo do ambiente” e ecológico.

Tem como principais características os isolamentos térmico, acústico e vibráti- co, a elevada elasticidade e capilaridade nula. É, no entanto, um material que pode sofrer o ataque de agentes biológicos (roedores).