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7 La Prune ou ruisseau de Rochechinard

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II- 7 La Prune ou ruisseau de Rochechinard

ADOLESCÊNCIA: ALGUNS DADOS ESTATÍSTICOS

O que podemos pensar sobre a prevenção da violência no âmbito escolar? É uma questão que tem sido discutida amplamente na academia e nos espaços midiáticos. Não há uma unicidade quanto à conceituação deste tema, mas uma necessidade de discutir as possíveis raízes que fomentam comportamentos de

expressão da violência nos diversos âmbitos e especificamente no âmbito escolar, embora esta temática não seja o foco da pesquisa, faz-se importante delimitar alguns conceitos e trazê-los para nossas considerações.

Estamos partilhando uma nova perspectiva de organização dos laços sociais. Os educadores se sentem inquietos quanto ao comportamento indisciplinar dos alunos, pois reconhecem-no como uma atitude de violência e se sentem sem direção quanto ao caminho que pode reverter tal processo. Assim, alguns professores expressam: “eu não sei mais o que é limite!". Parece-nos que há uma confusão explícita acerca da temática e, consequentemente, acerca do caminho a seguir, a fim de minimizar as angústias que perpassam por tais veredas. Vejamos o que Charlot (2002 apud ABRAMOVAY, 2006, p. 76-77) propõe ao investigar três tipos de manifestação de violência:

[...] a violência na escola é aquela que se produz dentro do espaço escolar, sem estar ligada às atividades da instituição escolar (quando a escola é "a invadida em virtude de acertos de contas, por exemplo). A violência contra a escola está relacionada com a natureza e as atividades da instituição escolar e toma a forma de agressões ao patrimônio e às autoridades da escola (professores, diretores e demais funcionários).

[...] a violência da escola: violência institucional, simbólica, a qual se manifesta por meio do modo como a escola se organiza, funciona e trata os alunos (modo de composição das classes, de atribuição de notas, tratamento desdenhoso ou desrespeitoso por parte dos adultos, entre outras coisas).

Entender as mensagens implícitas expressas nas atitudes de violência exige, minimamente, sensibilidade, a fim de que os direcionamentos a serem experienciados possam ter relações significativas, não só com a dimensão racional, mas também com a aceitação do discurso e ao mesmo tempo a predisposição para análise desse mesmo discurso.

Nesse sentido, torna-se prudente avaliarmos a violência como um fenômeno que se apresenta premente nas relações cotidianas e que precisa ser compreendido em sua origem, sendo analisado como uma rede de relações que envolvem, não só os aspectos físicos, mas que exigem do sujeito atenção sobre si e sobre o outro, continuamente, seja o professor seja o aluno e também os demais membros que constituem o espaço escolar. Ratificando a nossa posição, Costa (1986) afirma que

a violência “invadiu todas as áreas da vida de relação do indivíduo: relação com o mundo das coisas, com o mundo das pessoas com seu corpo e sua mente” (COSTA, 1986, p. 9). De que forma podemos então minimizar essa invasão e, em seguida, construirmos um outro caminho, a fim de conviver de forma mais consciente no mundo?

Compreender a violência, inicialmente, a partir da agressão física, moral, simbólica que envolve pessoas ou acervos, tal como acrescentada por Michaud (1989, p. 10-11), parece viável como caminho para reflexão, pois, segundo este autor,

Há violência quando, numa situação de interação, um ou vários atores agem de maneira direta ou indireta, maciça ou esparsa, causando danos a uma ou várias pessoas em graus variáveis, seja em sua integridade física, seja em sua integridade moral, em suas posses, ou em suas participações simbólicas e culturais.

Costa (1986) e Michaud (1989) revelam óticas que se aproximam quanto à simbolização da violência, pois as palavras e os gestos emparedados se expressam

no corpo e na mente, diríamos que não só no corpo e na mente, mas nas formas de

ser e agir nas relações e atitudes de maneira direta ou indireta.

A escola demanda atenção como espaço de aprendizagem formal, pois as interações se constituem no cotidiano e precisam de orientação quanto a um direcionamento em relação ao desenvolvimento pessoal e social, a fim de que seja possível o cuidado de si e do outro em um movimento de respeito mútuo.

Uma vez exposto o sentido da violência em nossa pesquisa e em acordo com os autores citados, figuraremos em que situação a adolescência se apresenta no campo da violência de uma forma mais geral e, a seguir, no contexto escolar, através de referências quantitativas.

Os dados indicam que o Brasil apresenta uma população estimada de 190 milhões de pessoas, segundo o censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) 2010; em meio a esta população, 60 milhões estão abaixo de 18 anos de idade. Esta mesma fonte refere que há, no Brasil, 21 milhões de adolescentes entre 12 e 17 anos e relata que de 100 estudantes do ensino fundamental, apenas 59 finalizam este ciclo e destes apenas 40 concluem o ensino médio. A evasão escolar e a falta às aulas apresentam razões diversas, como a violência e a gravidez na adolescência.

Gonçalves e Sposito (2002) citam a investigação de Wanderley Codo, publicada em 1999, que relata as condições de trabalho de professores e explora a temática sobre a violência e a segurança nas escolas. Foram apontadas, nessa pesquisa, as seguintes situações, como as mais constantes no contexto escolar: as

depredações, furtos ou roubos que atingem o patrimônio, as agressões físicas entre os alunos e as agressões de alunos contra os professores (GONÇALVES;

SPOSITO, 2002).

Ainda segundo os autores acima citados e se referindo ao trabalho de Codo, em 1999:

Os índices dos estados quanto ao vandalismo, furtos e roubos são variados e registrados com grande intensidade em todas as regiões do país. Na região Norte, o maior índice esteve localizado no Estado do Acre, com 71,4% de declarações; na região Nordeste os índices mais altos localizam-se em Pernambuco, com 73,9%; na região Centro-oeste, Mato Grosso, com 63,4%; na região Sudeste, o estado com maiores índices é o Espírito Santo, com 68% e, finalmente, na região Sul, Santa Catarina apresenta os maiores índices, com 65%. (BATISTA; EL-MOOR, 1999, p. 151).

Considerando a realidade em destaque, em nível nacional, torna-se preocupante o alto percentual de violência em evidência nas regiões. Mesmo que, atualmente, sejam representados em outros números, é valido salientar que há um apontamento para o Estado de Pernambuco como concentração de um índice elevado de violência, o que implica baixo investimento nessa realidade. Podemos destacar ainda o Mapa da Violência 2012, por número de homicídio de crianças e adolescentes entre 1 e 19 anos de idade, indicando Pernambuco como um dos estados mais violentos do Nordeste, mesmo registrando uma baixa entre 2000 e 2010.

Em artigo mais recente, Maia (2012) faz saber que no Estado de Pernambuco, mesmo não sendo evidenciado um sistema que registre ocorrências no espaço escolar, o governo fez uma investigação no ano de 2011, demonstrando que o índice de violências, no ambiente escolar, está em crescimento. Em 2010, a Secretaria de Defesa Social registrou 70 situações em escolas estaduais e municipais e, no primeiro semestre de 2011, 83 notificações, ratificando, assim, o crescimento da violência.

As brigas estão invadindo os colégios. Muitas delas são filmadas pelos próprios alunos e vai passando de celular em celular, até cair nas redes sociais da internet. Também de acordo com pesquisa realizada pela Secretaria Estadual de Educação em 2011, verificou- se que cerca de 200 escolas têm alto índice de violência. A fim de tentar reverter esta situação, a Secretaria da Educação implantou aproximadamente 100 Comitês de Mediação de Conflitos Escolares, com intuito de desenvolver diversas ações para a mediação de conflitos e, principalmente, estabelecer uma cultura de paz nas escolas. Também está sendo reforçada a relação da escola com a comunidade, por meio dos programas Escola Aberta e Escola Legal (REDE, [2012a?]). (MAIA, 2012, p.10).

Mesmo que os governantes se coloquem no sentido de a uma ação mais efetiva, observamos que as investidas para a cultura de paz ainda continuam assumindo uma postura frágil dentro de um contexto em que as “brigas” parecem se transformar em um “palco” de exposição que transita pela internet; além do mais, demonstra ser insuficiente o que se implementa como uma cultura de paz. É possível que não seja real atingir a suficiência, nesse campo, mas é urgente que aí cheguemos o mais próximo possível.

Assim sendo, tais projetos demonstram para nós, na atualidade, tanto no âmbito nacional quanto estadual, que há uma necessidade de redirecionamento. Para endossar nossas palavras, o docente Célio da Cunha, da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (2012), afirma que “há uma profunda crise de valores humanos” e “a violência na escola vem da Idade Média, é uma prática inconcebível no século XXI.” Em entrevista no Programa Alexandre Garcia, através da Globo News (2012), “Cunha defende que é preciso recuperar a dimensão humana da educação, que foi transformada em um negócio.”

Outra pesquisa sobre a violência nas escolas, em 2002, por Miriam Abromovay e Maria das Graças Rua, chamou atenção, pois cobriu 14 capitais brasileiras e, em Recife, especificamente, evidenciaram-se atitudes violentas dentro das escolas e no seu entorno. Em 2005, essa realidade foi comprovada através de mais uma investigação sobre a temática produzida; desta vez pelo Centro Josué de Castro junto à Prefeitura do Recife, e foi publicada em Cartilha ‒ Os significados da

violência no cotidiano das escolas municipais do Recife. O resultado revelou a

cultura do desrespeito e a complexidade, quando se pretende precisar os limites entre a prática da violência e da diversão.

Para além dessas realidades representadas nas pesquisas, fica explícito, em nossa concepção, que a violência não se expressa, exclusivamente, no aspecto físico ou repressivo, mas envolve também a violência simbólica, como nos alerta Bourdieu (2009), pois esta se manifesta no discurso de um grupo que domina o outro, o que irrompe na violência verbal. Nesse contexto, os valores e as crenças e também a cultura se impõem no sistema político e econômico sorrateiramente.

Embora a temática da violência não seja o foco central de nossa pesquisa e, sim, as relações de formação que constituem a adolescência, não podemos negar tais fatores, que se apresentam como pano de fundo, e convidar aqueles que compõem a política educacional, bem como seus interlocutores, a fazer pensar em uma educação mais humanista, menos competitiva e menos individualista. Expressões de agressões que brotam nas relações do micro ao macro sistema são vivas e atuantes no contexto escolar e compõem, portanto, parte de nossa investigação, a fim de refletir sobre a formação do adolescente na perspectiva da humanização diretamente nos espaços escolares, não simplesmente como estrutura física, mas como total, incluindo os vínculos que atravessam toda a estrutura física e simbólica da instituição política e pedagógica.

Assim, a multiplicidade que denota o conceito de violência na escola envolve desde aspectos de agressão física e de depredações até intimidações e incivilidades (CHARLOT, 2002; ABRAMOVAY, 2006; RUA, 2002; DEBARBIEUX, 2002). Os aspectos desfavoráveis à adolescência tendem a trazer implicações negativas em sua base de convívio no seio comunitário e em relação aos valores que dizem respeito à sua própria subjetividade.

Percebemos, portanto, que as investidas nos estudos que correspondam a ações dos aspectos direcionados aos direitos humanos e à cidadania, apesar de traduzirem esforços em relação à diminuição dos índices de violência, não incluem importantes fatores, como a consciência de valores humanos, abarcando o reconhecimento de si e das relações como necessárias para um desenvolvimento pessoal e relacional, voltadas para a consciência de atitudespessoais e coletivas.

Considerar o caminho que até então estamos configurando e acreditar que há possibilidade de tocar a sensibilidade de alguns sobre a questão da humanização é o que nos instiga a pensar sobre a formação humana sendo gerada na adolescência, em meio à busca incessante de suas realizações, em meio a crises, crenças, objetivos e relações.

4 POSSIBILIDADES DE PROMOVER A FORMAÇÃO HUMANA NA

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