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Os valores das correlações entre os testecrosses variaram (Tabelas 48, 49 e 50) e, portanto, há necessidade de verificar a coincidência no número de testecrosses que seriam selecionados nas diferentes intensidades de seleção. Esses resultados podem indicar quais intensidades de seleção poderiam ser aplicadas. Ao se realizar a seleção em testecrosses com uma

linhagem testadora r , espera-se também que sejam selecionados cruzamentos com outras linhagens testadoras 'r , em função da correlação existente entre os testecrosses (Bernardo,

1992b). Se a correlação entre os testecrosses for 1, a coincidência será total, ou seja, todos os testecrosses que forem superiores com a linhagem testadora r serão também com a linhagem 'r ;

na ocorrência de correlação -1, não haveria coincidência entre os testecrosses com as diferentes linhagens testadoras, pois as classificações seriam opostas.

As intensidades de seleção aplicadas foram de 10%, 20%, 30%, 40% e 50%. O sentido da seleção, como relatado no item 2.2.3.8, foi para se obter o aumento na expressão dos caracteres produção de grãos, prolificidade, comprimento de espiga, diâmetro de espiga, número de fileiras, número de grãos por fileira, diâmetro de sabugo, peso de 500 grãos e profundidade de grãos. Enquanto que, para florescimento masculino, florescimento feminino, acamamento de plantas, altura de plantas, altura de espigas e posição relativa da espiga, para a redução na expressão dos caracteres.

Para produção de grãos, além das intensidades de seleção descritas acima, foi realizada seleção à intervalos de 2% até a intensidade de 30%, ou seja, 2%, 4%, 6%, ..., 30%. Na intensidade de 2% (correspondente à seleção do testecross superior), ocorreu coincidência apenas entre testecrosses envolvendo as linhagens testadoras L-38-05 D e L-36-07 F, pertencentes ao mesmo grupo heterótico. Na intensidade de 4% (correspondente à seleção dos dois testecrosses superiores), em média, a coincidência foi de 30%. Entretanto, para testecrosses com linhagens do mesmo grupo heterótico, a coincidência foi superior (38%) e para testecrosses com linhagens de grupos heteróticos distintos, a coincidência foi de 25% (tabela 59).

O fato de coincidências superiores, para o caráter produção de grãos, serem observadas para testecrosses com testadores do mesmo grupo heterótico é evidenciado em todas as intensidades de seleção (tabelas 59 e 60). Na intensidade de seleção de 10% (correspondente à seleção de cinco testecrosses superiores), a coincidência foi, em média, de 32%, variando de 20% a 60% (1 a 3 testecrosses superiores coincidentes). Nesta intensidade, com todos os testadores, foi selecionado pelo menos um testecross coincidente, independente do estabelecimento dos grupos heteróticos (tabela 59).

Coincidências iguais ou superiores a 50%, com todos os testecrosses com testadores do mesmo grupo heterótico, só foram obtidas na intensidade de 28% (correspondente à seleção dos 14 testecrosses superiores). Para testecrosses com testadores de grupos heteróticos distintos, na

intensidade de seleção de 50%, apenas um cruzamento (L-38-05 D e L-46-10 D) apresentou coincidência inferior a 50% (tabela 60).

À medida que a intensidade de seleção foi reduzida, ou seja, maior porcentagem de cruzamentos foram selecionados, maiores foram as coincidências entre os testecrosses, alcançando, em média, 74% na intensidade de seleção de 50% (correspondente à seleção de 25 testecrosses superiores), para testecrosses com testadores do mesmo grupo heterótico. Entre testecrosses com testadores de grupos heteróticos distintos, a coincidência foi, em média, de 57% na intensidade de seleção de 50% (tabela 60).

Para o caráter acamamento de plantas, na intensidade de seleção de 10%, a coincidência foi, em média, de 40%, variando de 20% a 60% (1 a 3 testecrosses superiores). Na intensidade de seleção de 50%, a coincidência foi mais elevada do que a observada para produção de grãos, com valor médio de 70% (tabelas 62). Para este caráter, independentemente do estabelecimento dos grupos heteróticos, as coincidências foram elevadas.

Em média, para os demais caracteres relacionados à planta na intensidade de seleção de 10% (correspondente à seleção de 5 testecrosses superiores), a maior coincidência (52%) foi observada para posição relativa da espiga, e a menor (38%), para altura da espiga. A mesma tendência de maiores coincidências serem observadas à medida que a intensidade de seleção fosse reduzida foi observada para esses caracteres, chegando a 80% para florescimento masculino e feminino, na intensidade de seleção de 50% (correspondente à seleção de 25 testecrosses superiores) (Tabelas 61, 63 e 64). Para os caracteres relacionados aos componentes de produção, foi observada grande variação na coincidência dos cruzamentos que foram selecionados na intensidade de 10%. O caráter peso de 500 grãos foi o que, em média, apresentou menor coincidência (26%), seguido dos caracteres número de fileiras, prolificidade e número de grãos por fileira, com coincidências de 34%, 38% e 40%, respectivamente. Para os demais caracteres, maiores coincidências foram observadas, variando de 54% para diâmetro de espiga a 72% para comprimento de espiga. Na intensidade de seleção de 50%, as coincidências, como observado para os demais caracteres, foram maiores e variaram de 60% para prolificidade a 75% para diâmetro de espiga (Tabelas 62, 64, 65, 66 e 67).

A intensidade de seleção a ser aplicada é dependente da coincidência que o melhorista deseja no momento em que é realizada a seleção. Por exemplo, para o caráter produção de grãos na intensidade de seleção de 10% (cinco testecrosses superiores), se o melhorista estivesse

interessado em que pelo menos um dos cinco testecrosses fosse coincidente, a condição seria satisfeita, haja vista que, independentemente do estabelecimento dos grupos heteróticos, seria selecionado pelo menos um testecross com as diferentes linhagens testadoras.

Porém, se o melhorista estiver interessado em coincidências iguais ou superiores a 50%, isto é, pelo menos um testecross coincidente a cada seleção de dois cruzamentos superiores, a intensidade de seleção a ser aplicada deverá ser maior. Na intensidade de seleção de 20%, por exemplo, em média, apenas os caracteres produção de grãos, altura da planta, posição relativa da espiga, prolificidade, número de grãos por fileira e peso de 500 grãos apresentaram coincidências inferiores a 50%. Por outro lado, na intensidade de 30%, todos os caracteres apresentaram coincidências iguais ou superiores a 50% (Tabelas 60 a 67), indicando que intensidades de seleção entre 20 e 30% seriam as ideais para realização da seleção.

Entretanto, essas coincidências são as que ocorreram, em média, entre os testecrosses com as linhagens testadoras de todos os grupos heteróticos. No caso das correlações entre testecrosses com linhagens testadoras do mesmo grupo heterótico, estas foram mais elevadas em relação aos testecrosses com linhagens testadoras de grupos heteróticos opostos, ocasionando maiores coincidências entre testecrosses com linhagens testadoras do mesmo grupo heterótico. Este fato foi mais evidente apenas para o caráter produção de grãos. Para os demais caracteres, a diferença entre a coincidência, nas diferentes intensidades de seleção entre testecrosses com linhagens testadoras do mesmo grupo heterótico, foi bem menor. Em alguns casos, para acamamento de plantas, comprimento de espiga, diâmetro de espiga, número de fileiras, número de grãos por fileira e diâmetro de sabugo, maiores coincidências, em média, foram encontradas para os testecrosses envolvendo linhagens testadoras de grupos heteróticos distintos (Tabelas 59 a 67).

Para produção de grãos, as maiores coincidências observadas para testecrosses com testadores do mesmo grupo heterótico estão relacionadas à importância dos efeitos não aditivos para o controle do caráter, fazendo com que os mesmos sejam minimizados dentro dos grupos heteróticos, resultando em maiores correlações entre os testecrosses e, como conseqüência, maiores coincidências no momento de realizar a seleção. Para os demais caracteres, os efeitos aditivos foram mais importantes que os não aditivos, como visto no item 2.3.4, e, independentemente do estabelecimento dos grupos heteróticos, apresentaram coincidências elevadas em todas as intensidades de seleção, em alguns casos, até superiores às observadas para

testecrosses com testadores do mesmo grupo heterótico. Evidencia-se, assim, a necessidade de se conhecer o controle genético dos caracteres no momento em que for realizada a seleção.

Para o caráter produção de grãos, coincidências, em média, iguais ou superiores a 50% para todos os testecrosses com testadores do mesmo grupo heterótico, só foram observadas na intensidade de seleção 28%, justamente nos testecrosses entre as linhagens testadoras L-38-05 D e L-36-07 F. Entre testecrosses com esses testadores, foi observada a maior correlação fenotípica, sendo também os únicos que apresentaram coincidência do testecross superior, indicando que, na intensidade de seleção de 28%, ocorreria pelo menos 50% de coincidência dos testecrosses selecionados com testadores do mesmo grupo heterótico. Para testecrosses com testadores de grupos heteróticos distintos na intensidade de 50%, apenas os testecrosses envolvendo as linhagens testadoras L-38-05 F e L-49-02 D apresentaram coincidências inferiores a 50% (Tabelas 59 e 60). Isto indica que, para produção de grãos, a intensidade de seleção seria entre 20% e 30%. Para os demais caracteres, na intensidade de seleção de 20%, apenas número de grãos por fileira não apresentou coincidência, em média, para testecrosses com testadores do mesmo grupo heterótico iguais ou superiores a 50%, indicando que, para os demais caracteres, poderia ser utilizada esta intensidade de seleção (Tabelas 59 a 67).

Valle-Razo e Stucker (1996) reportaram, para produção de grãos, correlação de 0,14 entre os testecrosses, semelhante ao observado, em média, para testecrosses entre testadores de grupos heteróticos opostos. Os autores relataram, ainda, que nenhum dentre os 10% dos testecrosses superiores foram coincidentes entre os dois testadores utilizados. Fato semelhante foi evidenciado por Keller (1949), com correlação entre testecrosses de 0,17, onde apenas duas das 20 linhagens superiores (correspondente à intensidade de seleção de 20%) foram coincidentes entre os testecrosses, demonstrando que os testecrosses são classificados em diferentes ordens quando utilizados testadores não relacionados. Entretanto, esse fato não foi observado no presente trabalho, onde com correlações entre testecrosses com testadores de grupos heteróticos opostos variando de 0,02 a 0,33 (média de 0,17), maior porcentagem de cruzamentos foi selecionada. Mesmo entre testadores com correlação baixa, a coincidência foi maior do que a reportada na literatura. Na intensidade de 20%, em média, foram selecionados 40% dos testecrosses, variando de 20% para os testecrosses com os testadores (L-36-07 F e L-49-02 D) a 70% para os testadores (L-08-05 F e L-46-10 D).

Por outro lado, Rissi e Hallauer (1990), realizando testecrosses com duas populações braquíticas cruzadas com diferentes testadores, evidenciaram correlações entre testecrosses variando de 0,43 a 0,79, o que resultou em coincidências de seleção, com base nas médias dos testecrosses com a população de origem. Estas variaram de 30% a 60% na intensidade de seleção de 10%, porcentagens estas semelhantes às observadas entre testecrosses com testadores do mesmo grupo heterótico (tabela 62). Na intensidade de seleção de 20%, a porcentagem de testecrosses coincidentes variou de 30% a 60%, porcentagens idênticas às observadas neste trabalho entre testecrosses com testadores do mesmo grupo heterótico. Quando as intensidades de seleção foram mais flexíveis, maiores também foram as porcentagens de cruzamentos comuns, fato este também observado no presente trabalho.