A correlação entre produção e seus componentes foi realizada para verificar quais componentes estariam relacionados com a mesma. Ocorrendo correlação, espera-se que os componentes possam predizer a produção de grãos melhor do que a própria produção “per se”, haja vista que os efeitos aditivos predominam no controle genético desses caracteres. A correlação foi obtida considerando todos os testecrosses e os testecrosses com cada uma das linhagens testadoras. Considerando-se todos os testecrosses, apenas o caráter diâmetro de sabugo apresentou correlações não significativas com a produção de grãos. O caráter número de fileiras foi o único que apresentou correlação negativa (-0,22) com a produção, sendo que para os demais caracteres as correlações foram de 0,68 para prolificidade, 0,57 para comprimento de espiga, 0,53 para diâmetro de espiga, 0,61 para número de grãos por fileira, 0,67 para peso de 500 grãos e 0,49 para profundidade de grãos.
Considerando testecrosses com cada uma das linhagens testadoras, ênfase foi dada para testecrosses com testadores do mesmo grupo heterótico. Para linhagens testadoras do grupo heterótico I, os componentes de produção que foram correlacionados com a produtividade de grãos foram semelhantes. No caso de testecrosses com o testador 1, os componentes correlacionados foram prolificidade, diâmetro de espiga, peso de 500 grãos e profundidade de grãos. Com o testador 4, os componentes de produção foram prolificidade, diâmetro de espiga, número de grãos por fileira e profundidade de grãos.
Para testecrosses com testadores do grupo heterótico II, praticamente os mesmos componentes foram importantes. No caso dos testadores 2 e 3, os componentes foram: prolificidade, comprimento de espiga, diâmetro de espiga, número de grãos por fileira, diâmetro de sabugo, peso de 500 grãos e profundidade de grãos. Para o testador 5, os componentes foram os mesmos anteriores, à exceção de peso de 500 grãos.
O caráter comprimento de espiga foi exclusivo apenas para os testecrosses com testadores do GH-II. O caráter diâmetro de sabugo, que não apresentou correlações significativas quando considerado todos os testecrosses, foi correlacionado significativamente com testecrosses com os testadores 2 e 3, indicando que alguns componentes de produção são específicos para cada um dos testadores e/ou grupos heteróticos. Por outro lado, o caráter número de fileiras, que
apresentou correlações significativas quando foram considerados todos os testecrosses, não apresentou correlações significativas com os testecrosses com cada um dos testadores.
Para verificar como os componentes de produção poderiam predizer a performance dos híbridos, foi realizada a correlação entre produção de grãos e o valor predito da produção de grãos dado pelos seus componentes, a qual foi realizada ajustando-se um modelo de regressão linear múltipla entre o logaritmo neperiano da produção de grãos e o logaritmo neperiano de seus componentes. Neste caso, o valor predito da produção de grãos dado por seus componentes na regressão linear múltipla foi correlacionado com o logaritmo da produção de grãos “per se”.
Inicialmente, foi realizada a correlação entre produção de grãos e valor predito da produção de grãos pelos seus componentes, considerando-se o mesmo testador. As magnitudes das correlações foram acima de 0,90, variando de 0,91 a 0,99, mostrando que os componentes de produção explicam grande parte da variação da produção de grãos (Tabela 52). Posteriormente, quando realizada a correlação entre produção de grãos de um testador e valor predito da produção de grãos nos demais testadores, as correlações foram mais elevadas do que as observadas para as produções de grãos “per se” entre os testecrosses, principalmente para testecrosses entre testadores de grupos heteróticos opostos. Neste caso, quando realizada a correlação entre
Ti
PROD e PRODTi/COMPTi', somente em uma das situações as correlações não foram
significativas
(
PRODT4;PRODT4/COMPT5)
. Quando foi realizada a correlação PRODTi' e'/
Ti Ti
PROD COMP , em duas situações as correlações não foram significativas
4 4 2
(PRODT ;PRODT /COMPT e PRODT5;PRODT5/COMPT4).
A probabilidade de serem selecionados testecrosses com diferentes testadores está relacionada à correlação existente entre os testecrosses com os diferentes testadores. Assim, as correlações superiores observadas entre produção de grãos e valor predito da produção dado por seus componentes, permite uma maior probabilidade de coincidência entre os testecrosses no momento em que for realizada a seleção (BERNARDO, 1992b). As correlações superiores observadas entre a produção de grãos e o valor predito da produção dado pelos seus componentes, está relacionada às maiores contribuições dos efeitos aditivos para expressão desses componentes, como visto no item 2.3.4. Permite-se, assim, que o desempenho em conjunto desses caracteres avaliados nos testecrosses reflita melhor o desempenho das combinações híbridas do que para a performance dos testecrosses “per se”. Este fato foi
observado, principalmente, para testecrosses com testadores de grupos heteróticos opostos, onde os efeitos não aditivos (epistasia e dominância) são mais importantes. A correlação “per se” entre os testecrosses com os testadores L-36-07 F e L-49-02 D foi de apenas 0,02, passando para 0,48** quando considerado PRODT3 e PRODT3/COMPT4, e 0,30* quando considerado PRODT4 e PRODT4/COMPT3. A correlação “per se” entre testecrosses de grupos heteróticos distintos foi,
em média, de 0,17, passando a 0,45 quando realizada a correlação PRODTi e PRODTi/COMPTi' e
a 0,28, quando realizada entre PRODTi' e PRODTi'/COMPTi.
Ao serem realizadas as avaliações dos testecrosses, além da avaliação da produção de grãos “per se”, seus componentes também poderiam ser mensurados. Com isso, a probabilidade de ocorrer cruzamentos coincidentes com diferentes linhagens testadoras seria maximizada, principalmente em testecrosses envolvendo testadores de grupos heteróticos distintos, visto que as correlações envolvendo testecrosses com testadores do mesmo grupo heterótico, que já eram elevadas, mantiveram-se elevadas em todas as situações.
Nos programas de melhoramento não é viável a obtenção de todos os componentes de produção. Entretanto, poder-se-ia mensurar apenas parte dos componentes – prolificidade, comprimento de espiga e diâmetro de espiga – os quais apresentaram alta correlação com o caráter produção de grãos “per se” (tabela 51).