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Protocole DyRAM (Dynamic Replier Active reliable Multicast)

Multicast fiable

LGC, AER

4. Stratégie basée sur les réseaux actifs

4.3 Protocole DyRAM (Dynamic Replier Active reliable Multicast)

alegria, que felicidade! E então, qual arvorezinha morreu hoje? (Ri. Marábito o ignora.)

NINFAROSA – (Rapidamente, para distraí-lo) Olá Marábito, como vai? O senhor já está sabendo que demoliram o casebre lá da sua fazenda?

JACO SPINA – Ex-fazenda! Ex! MARÁBITO – O meu casebre?!

NINFAROSA – Pois é: Scine, no lugar da velha roba, queria fazer uma bela construção nova, e aquelas arvorezinhas estavam atrapalhando.

MARÁBITO – (chorando) Não, não é possível.

NINFAROSA – Ah! Três arvorezinhas? O senhor esta chorando como se tivessem lhe cortado os braços.

MARÁBITO – E os animais? Disseram-me que a burrica, minha bichinha, está tão mau que não consegue mais ficar em pé. E Riro? Riro está irreconhecível.

NINFAROSA – Quem é Riro? MARÁBITO – O jumento.

NINFAROSA – Ah, eu achava que era um filho seu.

JACO SPINA – Mas se agora o dono é ele! Deixe ele fazer com aquela terra o que ele quiser.

MARÁBITO – Para que viver?

NINFAROSA – Quieto, velho estúpido, o senhor está chamando a morte? Ao invés disso, desfrute da pensão e agradeça a Deus que quis lhe dar uma boa velhice.

MARÁBITO – Que boa velhice! Aquele Scine me faz pesar o pão que como e estes poucos dias que me restam.

JACO SPINA – O senhor viverá cem anos!... a despeito dele... Imagine! Propor ao senhor o mesmo que a Ciuzzo Pace! Que indecente! Uma pensão vitalícia! Desejando vê-lo morto o quanto antes para poupar dinheiro! Esse Scine é um sanguessuga dos pobres! Sugue-lhe o sangue como ele sugou de tantas pobres criaturas! Como o do pobre Pace! Entregou-lhe a propriedade por uma pensão de uma lira ao dia e seis meses depois... apenas seis meses depois... OH! OH! Cem

anos, o senhor viverá cem anos! O senhor e a virgem santíssima das graças hão de mantê-lo vivo para fazer aquele Scine morrer de raiva.

NINFAROSA – Scine, prepara-te o bolso, ele viverá cem anos! CENA V – O Gato, um Pintassilgo e as Estrelas.

O Narrador II entra pelo SE. Durante toda a cena soa um fundo musical com texturas sonoras referentes a cada bloco de significado da narrativa.

Uma pedra. Outra pedra. O homem passa e as vê, lado a lado. Mas o que sabe esta pedra a respeito da pedra ao lado? E a água escorrendo pelo canal, o que sabe sobre ele? O homem vê a água e o canal; escuta a água a escorrer ali e chega até a imaginar que esta água confie ao canal, ao passar por ele, sabe-se lá que segredos.

Ah, que noite de estrelas sobre os telhados desta pobre vila entre as montanhas! Olhando o céu daqui desses telhados, poder-se-ia jurar que as estrelas, esta noite, não vejam outra coisa, tão vivamente elas cintilam sobre eles.

Mas estrelas ignoram até a Terra.

Esses montes? Será possível que eles não saibam que pertencem a esta vila que fica no meio deles há quase mil anos? Todo mundo sabe como se chamam. Monte Corno, Monte Moro; e eles saberiam sequer serem montes? Então, até a mais velha casa desta vila ignoraria o fato de ter surgido aqui, de ficar aqui na esquina desta rua, que é a mais antiga de todas as ruas? Será possível?

E então?

Então, acreditem à vontade, senhores, que as estrelas não vejam outra coisa senão os telhados de sua vila entre as montanhas.

Eu conheci dois velhos avós que tinham um pintassilgo. Como seus vivazes olhinhos redondos viam suas caras, a casa, a gaiola, e seus velhos móveis? O que poderia passar pela cabeça daquele pintassilgo sobre o carinho com que o cuidavam? Essas perguntas nunca ocorreram aos velhos avós. Tão certos estavam de que, quando o pintassilgo vinha pousar no ombro deles e começava a bicar um pescoço enrugado ou o lóbulo de uma orelha, ele sabia perfeitamente que pousara em um ombro e que aquilo que ele bicava era o lóbulo de uma orelha, e que o ombro e a orelha eram do avô e não da avó.

avó? E que os dois o amavam tanto porque ele fora o pintassilgo da netinha morta, que o amestrara tão bem.

A gaiola era o seu palácio e a casa, seu vasto reino. Da cúpula da luminária da sala de jantar ou do encosto da poltrona do avô, ele, muitas vezes, soltava os seus gorjeios, e também, bem, sabe-se, um Pintassilgo.

Porcalhão! Ralhava a velha avó. E corria com o esfregão sempre pronto pra limpar, como se na casa houvesse uma criança, que ainda não soubesse fazer certas coisas regularmente e em seu devido lugar.

Tinham ficado sós, os dois velhos, sós com aquela que crescera desde pequena na casa deles, ela que teria sido a felicidade de sua velhice; mas infelizmente... Mas ainda vivia a sua lembrança, naquele pintassilgo. Sim, ele era algo ainda vivo da menina morta.

A velha avó tinha certeza absoluta que com seus gorjeios o pintassilgo ainda chamava a sua pequena dona, e esvoaçando pelos quartos ele a procurava, procurava-a sem descanso, e não se conformava de não encontrá-la. Mas por quem chamava? De quem esperava uma resposta para aquelas perguntas que não poderiam ser feitas com palavras? Oh, me Deus, afinal era um passarinho! Às vezes a chamava, às vezes chorava por ela. Aqueles pios eram de cortar o coração.

Os dois pobres velhos se condenavam até a ficar sempre com todas as janelas fechadas. O velho avô nem botava o nariz pra fora, porque era velho, sim senhor! E chorava em sua casa como uma criança. Mas, oh! Nunca engolira sapo. Ah... não precisava de muito pra tirá-lo do sério.

O velho não podia duvidar que fossem casas aquelas ali em frente; que aquelas fossem janelas, com vidros emoldurados, com parapeitos, vasos de flores e tudo; que aqueles ali em cima fossem telhados com chaminés, telhas, calhas, não podia duvidar, e até sabia a quem pertenciam, e quem morava lá, e como viviam. O problema é que não lhe ocorria por nada o que significava para o passarinho pousado em seu ombro tudo aquilo, a sua casa e aquelas outras casas em frente; nem para aquele magnífico

gatão persa branco que ficava todo encolhido no parapeito daquela janela em frente, com os olhos fechados, tomando sol. Janelas? Vidros? Telhados? Telhas? Minha casa? Tua casa? Para aquele gatão branco, ali, dormindo ao sol, minha casa? Tua casa? Mas se todas as casas em que entrava eram dele! Casas? Que casas? Lugares onde se podia roubar; lugares onde se podia dormir mais ou menos confortavelmente, ou até fingir dormir.

E não era supor demais que o gato soubesse que aquele passarinho ali, tão bem ensinado a esvoaçar pela casa fora da gaiola pela netinha morta, era toda a vida dos dois velhinhos? Que o gato soubesse que o velho avô, ao surpreendê-lo uma vez atrás de uma janela, espiando concentrado, através dos vidros fechados o vôo despreocupado daquele passarinho pelo quarto, fora dizer furioso para a sua dona que ai dele, ai dele se o surpreendesse outra vez ali? Ali? Quando? Como? A dona... Os velhos... A janela... O passarinho?

E assim, um dia, o gato comeu o passarinho, que para ele podia ser qualquer um. Comeu-o entrando na casa dos velhos, quem sabe como, quem sabe por onde. Era quase noite. A avó só escutou como um pequeno chiado, um lamento. O velho correu, entreviu uma coisa branca escapando veloz pela cozinha e, no piso, espalhadas, algumas peninhas do peito, as mais macias que, com o ar movimentado pela sua entrada, dançaram levemente no chão.

Que grito! A velha tentou segurá-lo em vão. Ele armou-se, correu como um louco para a casa da vizinha. Não, não a vizinha; o gato, o velho queria matar o gato, lá, bem debaixo dos olhos dela.

Quando viu o gato quieto, sentado em cima do aparador, atirou uma, duas, três vezes na sala de jantar, quebrando a louça, até que acudiu o filho da vizinha, também armado, e atirou no velho.

Uma tragédia.

Em meio aos gritos e prantos o velho moribundo, ferido no peito, foi levado para a sua velha. O filho da vizinha fugiu para o campo. Desgraça nas duas casas; confusão em toda a vila noite inteira.

E o gato nem se lembrava, logo depois, que tinha comido o pintassilgo, um pintassilgo qualquer; e nem sequer entendera que o velho disparara nele. (Dirigindo- se para SO)

em cima do telhado preto, olhando as estrelas que na sombria profundidade da noite interlunar –com toda certeza– realmente não viam os pobres telhados daquela vila nas montanhas, mas cintilavam tão vivamente sobre eles, que quase se podia jurar que elas não vissem outra coisa naquela noite (sai).

CENA VI – A Vingança do Cão

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No mezanino sul estão todos os personagens da cena, Senhora Crinelli, Roró, Senhor Cimino e Barsi. Cada qual em seu respectivo apartamento. Somente Jaco Naca entra pela rua Leste, amarra a ponta de uma corrente e as atira ao cão. Barulho das correntes arrastadas com violência.

JACO NACA – Justiça e vingança para este ladrão vigarista! (Vai em direção à sua casa em baixo do mezanino sul.)

SENHORA CRINELLI – (aparecendo na janela de seu apartamento) Olha, filha! Um cachorro.

RORÓ – Cachorrinho...

CRINELLI – Ah, coitado, ele está todo acorrentado RORÓ – Mãe, por que ele está latindo tanto assim?

CRINELLI – Não sei, deve estar morrendo de fome, coitadinho... Vai, filha, vai pra dentro.

CRINELLI – Ah, meu Deus! Será que ninguém mais está se incomodando com isso? Eu não agüento mais ver este cachorro desse jeito.

BARSI – Ninguém agüenta mais, Senhora!

CRINELLI – Então, meu senhor, nós precisamos fazer alguma coisa! BARSI – E o que é que a senhora acha que pode fazer?

CRINELLI – Não sei... isso é fome. Vamos levar comida pra ele.

BARSI – Que comida o quê, minha senhora? O problema não é o cachorro, é o dono dele que deixou ele preso aí desse jeito.

BARSI – Eu não vou fazer nada. A senhora pode ficar aí o dia inteiro escovando o cabelo da sua filha. Eu trabalho o dia todo, minha senhora. Com licença, que eu vou entrar e tentar dormir um pouco (Afasta-se da janela.)

CRINELLI – Senhor Cimino... RORÓ – Senhor Cimino... CRINELLI – Senhor Cimino...

(Aparece na janela o Senhor Cimino e em seguida Barsi) CIMINO – Boa noite, senhora.

CRINELLI – Boa noite, senhor Cimino. O senhor não está ouvindo este barulho? CIMINO – Estou, sim senhora.

CRINELLI – E o senhor não vai fazer nada? CIMINO – Calma, minha senhora. Paciência.

BARSI – É sua obrigação tomar uma atitude, Seu Cimino! CIMINO – Paciência, paciência...

CRINELLI – Paciência, meu senhor? Este cachorro já está latindo há um tempão. CIMINO – Mas a única coisa que eu posso fazer é esperar que o dono do cachorro o alimente. E além do mais, daqui a pouco ele pára.

(Roró chora alto em meio ao barulho ensurdecedor da corrente do cão)

BARSI – (Indignado) Pelo amor de Deus! O que é isso agora? Eu não agüento mais. CRINELLI – (chamando) Senhor Cimino. Senhor Cimino. (Este aparece.) Eu exijo que o senhor tome uma providência

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CIMINO – Então, minha senhora, amanhã. CRINELLI – Amanhã não! Agora!

BARSI – Agora! Amanhã eu trabalho o dia inteiro, seu Cimino. É trabalho, trabalho, trabalho, eu não agüento mais!

CIMINO – Eu também trabalho o dia inteiro, meu senhor. Olha, a senhora pode voltar para a sua casa, o senhor pode voltar para a sua, que amanhã eu resolvo o problema, amanhã.

CRINELLI – Senhor Cimino, eu não vou entrar! Eu acho que o senhor não entendeu, eu não pago o aluguel disso aqui para passar por situações como essas.

CRINELLI – Ótimo, então, chame o responsável.

CIMINO – Não me obrigue a fazer uma coisa dessas, minha senhora. CRINELLI – Chame o responsável.

CIMINO – Minha senhora, por favor...

CRINELLI – (repreendendo) Senhor Cimino!

CIMINO – (olha para Crinelli, a qual faz um sinal com a cabeça para que ele chame o proprietário. Olha para Barsi, que faz o mesmo. Roró aponta com o dedo na direção da casa do proprietário. Cimino chama apreensivo) Senhor Jaco Naca, senhor Jaco naca!

JACO NACA – (saindo de sua casa em direção ao centro do pátio) Ele grita por mim!

CIMINO – Pare de torturar este pobre animal, os meus inquilinos estão bastante incomodados, ninguém consegue mais dormir.

JACO NACA – Entre as casas e o lugar que o cachorro fica amarrado há a distância prevista no regulamento: se pela profundidade do desfiladeiro e a altura destas casas os ganidos parecem vir bem debaixo das janelas, não é culpa minha, afinal eu não posso ensinar o cachorro a latir de um modo mais gracioso aos ouvidos destes senhores, e alem do mais o cão latindo cumpre o seu dever.

CIMINO – Mas o senhor nem mesmo o alimenta, meus Deus!

JACO NACA – Isso não é verdade! Eu dou quando posso. Soltá-lo da corrente nem pensar, porque solto o cachorro fugiria e eu preciso proteger a minha propriedade. CIMINO – Mas o senhor só tem alguns espinheiros...

JACO NACA – Só uns poucos espinheiros? Bem, nem todos têm a sorte de enriquecer num piscar de olhos, às custas de um pobre ignorante! Se você tem fartura é graças a esses poucos espinheiros. Afinal, quem foi você antes de construir sua pousada em minha propriedade? Ninguém. (Vai em direção à sua casa no S. Mais barulho das correntes. Todos se retiram a seus aposentos e mostram extremo incômodo com o barulho ensurdecedor.)