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5. Applications des réseaux actifs

Micuccio, antes Vizinho 1, que vinha do SE em direção a NE, começa a tocar uma música na gaita. As luzes vão sendo acesas aos poucos, ele dirige-se ao pátio e senta num praticável da rua L. O personagem Jaco Spina, antes Vizinho 3, que ia do SE ao L, está todo acomodado no chão do mezanino L, descascando uma laranja. O emigrante, antes Vizinho 4, agora no NO, pega as mala e desce para o pátio pela escada. Jaco os observa.

EMIGRANTE – Miccucio, homem! Larga mão de tocar sua música aqui. Vamos para a América!

MICUCCIO – América?

EMIGRANTE – Yes, América! (Cantarola um trecho da música ‘Oh my darling, Clementine’. Miccucio toca a melodia da música na gaita e o Emigrante dança agarrado com sua mala, como se fosse uma parceira de dança. No fim da melodia ele beija a mala, como se beijasse a boca de sua parceira. Os dois riem.)

EMIGRANTE – Lá tudo acontece meu amigo! Já pensou suas musicas conhecidas em todo o mundo? Você vai ficar famoso!

MICUCCIO – As minhas o quê?

A música da Sina é para América... como ela canta! Qualquer hora ela estará lá. Mas as minhas... (Tenta reproduzir a palavra music.) São grosseiras, só combinam com esta terra.

EMIGRANTE – Sina... essa nasceu para o mundo... Ela tem visitado a vila?

MICUCCIO – Não, ela não. Eu fui buscá-la, em Nápoles, pensando em trazê-la de volta comigo. Que surpresa! Uma rainha parecia!... E uma estranha. Falou comigo como se eu fosse qualquer um. Pegou os limões que levei para ela, aqueles que ela adorava, como se fosse nada, e repartiu entre um bando de homens que estavam lá na casa dela. Foi-me tão triste tudo aquilo que não gosto nem de lembrar....

EMIGRANTE – Então, Micuccio, agora que você não tem mais por quem esperar aqui, vamos pra América comigo. E daqui uns anos vamos ver o que a Sina Mm... (Tenta lembrar o sobrenome dela.)

MICUCCIO – Sina Martis!

EMIGRANTE – O que a Sina Martis acha. Mulheres... e ainda por cima cantora e famosa... você vai ter que ir muito longe se quiser voltar a encontrá-la aqui por perto. MICUCCIO – Não, não se preocupa... eu fico por aqui mesmo, com minhas music e minhas lembranças.

EMIGRANTE – Você é quem sabe! Eu já vou indo, porque senão, quem fica sou eu! Até! (Despedem-se, anda em direção a SE.)

JACO SPINA – (Do mezanino L. Chamando.) Oh! Pode ficar tranqüilo, ouvi falar que o trem dos emigrantes, vai atrasar... e muito. (O Emigrante pára e o olha.)

(Enquanto o Emigrante despede-se de Micuccio, tinha entrado no pátio Maragrazia pela rua O. No pátio, parada, observa atenta o Emigrante por um tempo, durante a fala de Jaco Spina.)

EMIGRANTE – O que é que você está me olhando, hein, velha maluca? Parece até que quer arrancar os meus olhos! (Sai pelo SE. Durante esta cena,, Micuccio sai pelo Noroeste.

CENA III – A Carta

JACO SPINA – Se eu fosse rei (Cospe.) não permitiria que nem mais uma carta vinda de lá chegasse a Santa Croce.

MARAGRAZIA – (olhando para Jaco) Viva, Jaco Spina! E que fariam as pobres mães, as mulheres, sem noticias e sem ajuda?

JACO SPINA – As esposas viram empregadas e as mães acabam mal. Mas porque não contam nas cartas as dificuldades que encontram por lá? Só contam o que é bom, cada carta vinda de lá para a rapaziada daqui é como uma galinha choca, piu, piu, piu... ela os chama e os leva embora. Onde estão agora os braços para trabalhar em nossas terras? Em Santa Croce só ficamos nós: velhos, mulheres, crianças. E tenho terra e a vejo sofrer, com um par de braços o que posso fazer? E ainda partem... Chuva no rosto e vento nas costas, que quebrem o pescoço, malditos!

NINFAROSA – (Abre a Corina de sua janela e aparece na varanda no mezanino N. Sua presença é como se o sol tivesse aparecido naquela ruazinha.) Quem está fazendo sermões? Ah! Jaco Spina! É melhor, tio Jaco, ficarmos sozinhos em Santa Croce! Nós mulheres, lavraremos a terra.

JACO SPINA – (resmungando com voz catarrenta) Vocês, mulheres... Vocês só servem para uma coisa. (Cospe.)

NINFAROSA – Para quê, tio Jaco? Diga em voz alta. JACO SPINA – Chorar e uma outra coisa.

NINFAROSA – Portanto, para duas, é uma alegria! Mas eu não choro, está vendo? JACO SPINA – Ora, estou sabendo, minha filha. Você não chorou nem quando morreu seu primeiro marido!

NINFAROSA – (prontamente) Mas se eu tivesse morrido antes, tio Jaco, ele não teria se casado novamente? Está vendo? Sabe quem chora aqui por todos? Maragrazia.

JACO ESPINA – (deitando-se novamente de barriga para cima) Isto depende, porque a velha tem água para deitar e deitar também pelos olhos.

MARAGRAZIA – (estremecendo) Perdi dois filhos, belos como o sol, e querem que eu não chore?

lá longe, e a deixam morrer aqui como mendiga.

MARAGRAZIA – Eles são os filhos e eu sou a mãe. Como podem compreender meu sofrimento?

NINFAROSA – Ih! Não sei, além disso, por que tantas lágrimas e tanto sofrimento, quando a senhora mesma, pelo que dizem, os fez fugir desesperados?

MARAGRAZIA – (dando um soco no próprio peito e pondo-se de pé, espantada) Eu? Eu? Quem disse isso?

NINFAROSA – Seja quem for, a pessoa disse.

MARAGRAZIA – Infâmia! Eu? Aos meus filhos, eu que...

JACO SPINA – (do mezanino oeste, a Maragrazia) Não lhe dê bola! Não vê que está brincando?

NINFAROSA – (dá uma gargalhada prolongada, balança com impertinência as ancas. Com voz afetuosa, como para compensar a velha pela brincadeira cruel) Vamos, vamos, vovozinha, que quer?

MARAGRAZIA – (enfia a mão trêmula no seio e dele extrai uma pequena folha de papel completamente amassada; mostra a Ninfarosa com ar suplicante) Se quiser fazer-me a caridade habitual...

NINFAROSA – Mais uma carta? MARAGRAZIA – Se quiser...

NINFAROSA – (bufa, mas, sabendo que não se livrará dela, pega uma caneta e dirige-se para a escada a NO para se sentar. Maragrazia vai ao mesmo lugar, senta- se, entrega-lhe a folha de papel) Diga, vamos, apresse-se!

MARAGRAZIA – (ditando) Caros filhos...

NINFAROSA – (continuando a fala da velha com um suspiro de cansaço) Não tenho mais olhos para chorar...

MARAGRAZIA – Porque meus olhos queimam de vontade de vê-los pelo menos uma última vez...

MARAGRAZIA – Escreva. É a verdade, meu coração, não está vendo? Portanto, escreva: Caros filhos... (Maragrazia vai se sentar ao lado de Ninfarosa.)

NINFAROSA – Começamos novamente?

MARAGRAZIA – Não. Agora outra coisa. Pensei nela a noite inteira. Escute: Caros filhos, a pobre mãe de vocês promete-lhes e jura... Assim, promete-lhes e jura diante de Deus que, se voltarem a Santa Croce, lhes cederá já em vida a sua casinha.

NINFAROSA – (Dando uma gargalhada) Também a casinha? Mas que quer que façam com ela se já estão ricos, com aquelas quatro paredes de greda e de varas que desabam ao primeiro sopro?

MARAGRAZIA – (Obstinada) Escreva. Valem mais quatro pedrinhas na pátria do que todo um reino num outro país. Escreva, escreva.

NINFAROSA – Escrevi. Que mais quer acrescentar?

MARAGRAZIA – Isto: que a pobre mãe de vocês, caros filhos, agora que o inverno está chegando, treme de frio; ela desejaria mandar fazer um vestidinho e não pode; que lhes façam a caridade de enviar-lhe pelo menos uma nota de cinco liras para... NINFAROSA – (dobrando o papel e colocando-o de volta no envelope) Chega, chega, chega! Escrevi tudo. Chega.

MARAGRAZIA – (preocupada) Também quanto às cinco liras? NIFAROSA – Tudo, também as cinco liras, sim, senhora. MARAGRAZIA – Bem escrito... tudo?

NINFAROSA – Uff! Digo-lhe que sim!

MARAGRAZIA – Paciência... tenha um pouco de paciência com esta pobre velha, minha filha. Que quer? Sou meio parva agora. Que Deus lhe pague a caridade e a Bela Mãe Santíssima. (Maragrazia pega a carta e a mete nos seios, sai por trás da escada.)