BOUCHE ARTIFICIELLE ROBOTISÉE POUR LE JEU DES CUIVRES
5.3 Protocole de mesure et cartographies automatisées
O termo léxico, criado em 1603, deriva do grego "λεξικόν" (léxico), isto é, "fala", "palavra", e de "λέγω" (de lego), para dizer, falar.
O desenvolvimento de várias teorias linguísticas ao longo dos séculos XX e XXI procuraram definir a especificidade do léxico e a sua articulação com as outras componentes e subcomponentes do modelo linguístico.
Nas teorias da sintaxe, o léxico é definido como uma parte da gramática, gramática no sentido da teoria generativa, isto é, o modelo da competência do locutor/auditor ideal.
50 Noutra perpectiva, mas ainda muito próxima das teorias da sintaxe, M. Vilela define o léxico como o conjunto das palavras lexemáticas; só os lexemas pertencem ao léxico. Mas tendo em conta que as palavras lexicais do Português contêm uma significação categorial, para além do valor lexical, o léxico pertence, de igual forma, à gramática; o léxico pertence à estrutura profunda através dos elementos pré-lexicais. Assim, segundo este autor, “o lexema é o elemento da língua, a forma básica, que fundamenta as possíveis formas do discurso e todos os possíveis significados da palavra. O lexema é uma grandeza linguística real, de que dispõe a competência do falante/ouvinte, cujo alcance não é representável pelo uso, mas apenas pela reflexão. A palavra como palavra léxica é um elemento do discurso, ou actualização de cada uma das possibilidades da forma básica no uso concreto condicionado pelo respectivo contexto” (1994: 21).
Para Greimas, citado por M. Vilela (1994: 23), o lexema é o conteúdo “total” atribuído a um significante. Tanto o lexema como o semema, embora se manifestem no plano do discurso, são também unidades no plano da língua.
Segundo E. Estrela e J. D. P. Correia (1999: 120), “a realização do mesmo lexema em diferentes sememas só se pode verificar, porque, por um lado, há um núcleo semântico e, por outro, variações de significação para cada um dos sememas. Os semas comuns formam o núcleo da significação, enquanto, para cada uma das ocorrências, distinguimos semas diferentes que tornam o semema adequado ao contexto discursivo”.
Herculano Carvalho entende por lexema as palavras de significação objectiva ou as classes léxicas pertencentes a um inventário aberto, como adjectivo, advérbio de modo, substantivo, verbo (citado por M. Vilela, 1994: 23).
51 A “palavra” é tida como a unidade de base, considerada como empírica. Mas noutras perspectivas, a unidade de base é o morfema, conceito que condiciona todas as outras unidades de análise, desde o fonema à frase, nos vários níveis de análise linguística.
São usados vários termos para designar a unidade de base do léxico: palavra, palavra léxica, palavra semântica, palavra plena, palavra derivada, palavra composta, sintagma, morfema, morfema livre, entrada lexical, lexema, monema, só para citar os principais.
Estes vários termos que designam a unidade do léxico refectem a complexidade de apreender esta unidade que pode ser observada e descrita em diferentes perspectivas. Apresentámos, por isso, posições de diferentes autores que refectem esta dificuldade.
O estudo da unidade lexical é central no objecto da Lexicologia. Por sua vez, a unidade lexical tem três componentes essenciais: a forma, o sentido e a categoria gramatical (cf. A. Lehmann e F. Martin-Berthet, 2000: 2). Pode ser simples e complexas: “Le sens du groupe de mots résulte de la somme ou combinaison du sens de chaque élément en le constituant. Ce sont des combinaisons libres de mots. Dans d’autres cas, le groupe de mots est lexicalisé, c’est- à–dire que ses éléments sont soudés pour en faire une seule unité lexicale qui possède un sens particulier, différent du sens de chaque élément additionné» M.C.Tréville e L.Duquette (1996: 17).
Por outro lado, sublinhamos o facto de a unidade lexical estabelecer um interface com outros níveis de análise: a fonologia, a morfologia, a sintaxe, o contexto, o texto e a factores de pragmática lexicultural (cf. R. Galisson, 1999).
Mas S.S. Neto ainda acrescenta: “O individual e o social interpenetram-se. As palavras, pronunciadas só por uma pessoa, não sobrevivem. As palavras só têm história porque a colectividade as repete” (1979:48).
52 A unidade lexical reflecte a realidade extralinguística, os aspectos sociais e culturais de uma comunidade.Consequentemente, o léxico forma um inventário aberto a novas criações lexicais.
Nesta investigação, preferimos utilizar o termo unidade lexical, unidade do léxico que constitui a base da observação e descrição, em ópticas diferentes, em função do objecto de estudo.
O valor semântico de uma unidade lexical resulta de “dois factores contraditórios:
a) Por um lado, a unidade lexical é uma invariante distinguindo-se num plano paradigmático, de outras unidades (constantes) que com ela podem comutar […]; a unidade será assim definida como num conjunto de traços de semas inerentes estáveis e de outros virtuais que pela inserção no sintagma se redefinem em semas contextuais; isto mesmo pelo apagamento de alguns;
b) Por outro lado, a unidade lexical torna-se uma variável, dado que o seu valor último resulta dos semas contextuais impostos (restrições contextuais) pelo conjunto em que se insere (grupo de palavras, frase, texto)” T. Lino (1979: 14).
Na terminologia da Lexicologia existem outros termos fundamentais relativos às estruturas do léxico e relativos à estrutura semântica da unidade lexical: campo lexical, arquilexema, sema, semema, entre outros.
Campo lexical que designa um conjunto de unidades lexicais que pertencem a um mesmo campo conceptual: “o lexema, como a unidade léxica, ocupa uma parte do conteúdo arquilexemático (campo lexical) e existe na língua como palavra realizada” M.Vilela (1994: 23).
O arquilexema é a unidade cujo conteúdo corresponde ao conjunto de traços semânticos (semas) comuns aos vários elementos de um campo lexical.
53 Os semas são as unidades mínimas de significação ou traços distintivos de carácter semântico que estabelecem relações e oposições e estruturam um campo lexical; a estrutura semântica interna do lexema é também constituída por semas e é designada de semema; o semema integra vários tipos de semas: os semas genéricos que constituem o classema; os semas específicos que integram o semantema; e os semas virtuais, conotativos e culturais que constituem o virtuema (cf. B.Pottier, 1974).
O semema em “língua” apresenta um conjunto estável de semas; geralmente, o dicionário de língua corrente procura apresentar na definição lexicográfica a descrição desta estabilidade através das polissemias estabilizadas no sistema linguístico (cf. A.Rey, 2008: 41). O semema em “discurso” apresenta os semas contextuais, os semas virtuais e conotativos, uma vez que a unidade lexical é sensível às características sociais e culturais de uma comunidade.
No âmbito das estruturas semânticas do léxico, o conceito de campo semântico designa todas as polissemias resultantes do(s) semema(s) em discurso(s).
A unidade lexical é, frequentemente, polissémica, actualizando os sentidos em discurso, mas não todos em simultâneo. A polissemia e a sinonímia são traços característicos de todas as línguas, permitindo uma economia de unidades lexicais.
Assim, sintetizando, o léxico designa “le vocabulaire d’une langue, d’une communauté linguistique, d’un groupe social ou d’un individu. Du point de vue linguistique, en opposition au terme vocabulaire réservé au discours, le terme lexique renvoie à la description de la langue comme système de formes et de significations, les unités du lexique étant les lexèmes. […] La lexie se definit comme l’unité fonctionnelle significative du discours, alors que le lexème correspond à une unité abstraite qui appartient à la langue” J.P.Cuq (2008: 155).
O léxico da língua é constituído por vários subconjuntos: o léxico comum, o léxico da língua corrente e os léxicos das línguas de especialidade. O léxico comum é
54 comum a todos os locutores duma língua: é constituído por todas as unidades lexicais e polissemias estáveis comuns, conhecidas e utilizadas por uma comunidade. O léxico da língua corrente é mais amplo em consequência dos factores que intervêm na sua constituição (e variação): o tempo, o espaço e o registo.
O léxico de especialidade organiza um domínio do conhecimento (química, astronomia, informática, etc.), constituindo a componente mais importante de uma língua de especialidade de um determinado grupo socioprofissional ou sociocultural. O estudo circunstanciado dos léxicos de especialidade constitui o objecto da Terminologia.