BOUCHE ARTIFICIELLE ROBOTISÉE POUR LE JEU DES CUIVRES
6.4 Comparaisons qualitatives mesures/simulations
Há línguas que em determinadas circunstâncias confundem o seu próprio papel; é o que acontece com o Lingala que desempenha, neste contexto, um verdadeiro papel de língua franca. Para além de criar dificuldades, pode ser um estímulo para um estudo contrastivo.
79 Adoptamos a definição de língua franca proposta por J.P. Cuq: “Au sens propre, língua franca est le nom de l’outil de communication à base de langues romanes forgé dès le XVIIIe siècle par les commerçants des ports du pourtour méditaerranéen. Assimilé ce terme est aujourd’hui utilisé pour désigner une langue de communication adoptée sur un territoie étendu par des groupes ethniques de langues maternelles diferentes”(2008: 155).
Daí devia nascer um verdadeiro espírito de partilha ao mesmo tempo que se acentua a importância duma consciência contrastiva a partir das nossas línguas maternas e não maternas: “A tomada de consciência das identidades interlinguísticas faz aparecer a transferência como positiva e benéfica, deixando de insistir nas diferenças entre línguas” (M.H.Ançã, 2001: 11).
Quando intervêm vários indivíduos com diferentes línguas maternas em certas actividades metalinguísticas, não só aparece o plurilinguismo, mas também as várias facetas culturais. Este processo aumenta o conhecimento linguístico e cultural de todos os intervenientes interessados.
Há um fenómeno real de bilinguismo que se efectiva entre a Língua Portuguesa e as línguas nacionais. Contudo, por causa das várias vicissitudes que se verificam na aquisição do Português com inúmeras incorrecções, existe a tendência da criação de um novo modelo de língua que poderá resultar num crioulo angolano. Esta não nos parece ser a via desejável para a Angola dos nossos dias, mas sim, a consolidação das competências básicas existentes.
Depois da independência, a situação era muito complexa porque não havia apenas uma língua, mas várias. Como escolher apenas uma? Corria-se o grande risco da ameaça de uma guerra linguística que faria perigar a própria existência do estado recém-constituído. E além disso, como é que um Estado recente iria proceder à criação das estruturas adequadas?
80 As modificações que a Língua Portuguesa vem sofrendo, em interacção com as línguas nacionais encontradas, criam situações difíceis. As interferências que as nossas línguas maternas exercem no Português contribuem para o insucesso escolar dos nossos alunos.
Podemos saber qual é o verdadeiro lugar das línguas maternas no nosso país? Que importância se lhes dá e o que elas podem esperar concretamente dos nossos governantes? Eles partem do princípio irrevogável de que as línguas nacionais são a parte fundamental da cultura dos seus povos e por isso merecem um tratamento especial: “O uso exclusivo da língua portuguesa, como língua oficial, veicular e utilizável actualmente na nossa literatura, não resolve os nossos problemas. E daí que advogasse as diligências necessárias para que se fizesse activamente a integração na União dos escritores Angolanos dos valores literários que não se exprimem em português”17.
Foram necessárias prioridades de modo a preencher o vazio no sistema de comunicação, privilegiando-se uma língua que veio do exterior, mas que comportava condições para se erguer como língua oficial de todo o território nacional, sem que chocasse com as línguas nacionais.
Deste modo os governantes desde muito cedo se preocuparam com os aspectos culturais do seu povo. Estiveram sempre atentos à interacção da Língua Portuguesa com as línguas nacionais. Foi assim que J. D. Cordeiro da Mata traduziu para o Kimbundu a Cartilha Maternal de João de Deus, para que servisse na alfabetização dos angolanos. Também houve outros que dum modo ou doutro valorizaram as nossas línguas nacionais. Houve de igual forma jovens, que, nos anos cinquenta, se dispuseram a alfabetizar os seus compatriotas em Português, Kimbundu e Umbundu.
Uma das etapas mais significativas para a valorização das línguas nacionais angolanas foi a publicação pelo Instituto de Línguas Nacionais dos alfabetos das línguas nacionais Kikongo, Kimbundu, Cokwe, Umbundu, Mbunda, e Kwanyama, em 1987. Estes
81 alfabetos foram apresentados pela Resolução nº 3/87 de 23 de Maio de 1987, do Conselho de Ministros.
Na base desta resolução, o Conselho de Ministros reconhece e considera que as línguas nacionais são o suporte e o veículo das heranças culturais e constituem um dos fundamentos importantes da identidade cultural do povo angolano.
Este foi o ponto de partida para se darem os primeiros passos para a alfabetização em línguas nacionais. Contudo, os resultados demoram a chegar.
A intenção dos governos é que tão cedo quanto possível se comece a escolarização das crianças nas línguas nacionais a partir do ensino primário. A própria UNESCO tem dedicado atenção especial a este problema, através de recomendações e outras propostas concretas. É o caso de alguns dos seus planos para o estudo da tradição oral e a promoção das línguas africanas e para a normalização da ortografia das principais línguas africanas, sobretudo das que são utilizadas em vários países.
Mas se muito do que se recomenda se encontra ainda a nível de projectos, há alguns assuntos que já mereceram a atenção dos governantes. Tudo nos leva a crer que, na medida do possível, outras realizações se farão a favor das nossas culturas e precisamente das nossas línguas nacionais. E quando estas entrarem nas escolas desenvolver-se-ão, ainda mais literaturas nas línguas nacionais. Aliás, em jeito de antecipação, sabemos que já existem textos literários em Fiote e em Kikongo. Mas gostaríamos que houvesse mais literaturas em línguas nacionais, como acontece nos outros países africanos.
Ora, as políticas linguísticas das potências colonizadoras, no nosso continente, foram, grosso modo, de dois tipos:
1. A de tipo Inglês/Belga, que introduziu as línguas nacionais africanas no sistema escolar.
82 2. A de tipo Francês/Português, que apenas permitiu o uso da língua europeia, não só nas escolas, como nos outros domínios da vida social e oficial. Este é mais um dos motivos que contribuíram para o não desenvolvimento das línguas nacionais. Privilegiaram-se o uso e o funcionamento das línguas dos colonizadores.
Com os novos horizontes, facilitar-se-á a melhor interacção entre a Língua Portuguesa e as nossas línguas nacionais. Vão-se articular numa harmonia aceitável e segura, ocupando o lugar central na comunicação e transmissão do saber, pois elas são a charneira de toda a vida social e as melhores educadoras do homem. É nesta linha de pensamento que desenvolveremos “o nosso património cultural… porque constitui a maior riqueza comum do nosso povo. Com o evoluir vertiginoso do modernismo em África, corre-se o risco de se perder tal património” D. António (2000: 7).
Enfim, segundo estudos feitos por Guthrie, José Redinha e outros autores, o grupo bantu, seja qual for a sua posição na classificação das línguas africanas, é, demograficamente, o mais importante e o mais homogéneo.
Este trabalho suscitou interesse e, por isso, entrevistámos alguns ex-estudantes da nossa escola, num total de cem indivíduos de ambos os sexos e de todos os grupos sociais, com o objectivo de obtermos resposta às seguintes questões:
1. Qual é o seu grupo étnico original? 2. Qual é a sua província de origem? 3. Qual é o seu município de origem?
4. De entre todas as línguas faladas na cidade, qual é a sua língua materna?
83 Obtivemos as seguintes respostas:
Pessoas Inquiridas
Grupo Étnico Província de origem e língua materna
Bantu Não Bantu
Uíje Zaire Malange K. Norte Outras Pr.
Kikongo Kikongo Kimbundu Kimbundu Português / outras línguas.
Nº % Nº % Nº % Nº % Nº % Nº % Nº %
100 98 98% 2 2% 70 70% 10 10% 7 7% 7 7% 6 6
Estes dados permitem-nos ter uma ideia da origem da população constituinte da província. Embora o meio social tenha um papel importante no indivíduo, a sua cultura é fundamental. O actual meio social do indivíduo é constituído por todos aqueles que provêm de origens diferentes, beneficiando da cultura dos povos vizinhos que enriquecem a sua própria cultura.