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I.3 Techniques de caractérisation

I.3.2 Propriétés optogéométriques

Em janeiro de 2005 o GESAC inicia um novo contrato, agora com a empresa Vicom para a continuidade da manutenção dos pontos de atendimento. Os valores anuais do contrato são alterados passando de R$ 35 milhões/ano para R$ 45 milhões/ano. Além disso, é aprovado na Câmara dos Deputados um orçamento de R$ 180 milhões para o Ministério das Comunicações. Com estes novos valores seria possível aumentar os pontos de presença para 20.000 pontos. Segundo um dos entrevistados, porém, esse crescimento não acontece porque parte desses recursos foi utilizado não para a implantação de pontos de presença dentro dos critérios do GESAC, mas para a compra de máquinas, em muitos casos sem qualquer tipo de conexão com a Internet. Ou seja, o dinheiro não foi usado com o objetivo de criar de fato um projeto de inclusão digital, mas com fins eleitorais:

[...]criamos um orçamento, aprovado na Câmara dos Deputados, para o Ministério de 180 milhões e boa parte disso estava liberado. Então, nós poderíamos fazer um programa realmente muito maior [...], mas condições políticas na nossa prática brasileira foram uma das razões que impediram esse crescimento, porque o pedido das bases eleitorais de deputados por pontos de presença é muito forte. Então, por exemplo, uma das coisas que aconteceu é que foi dado muito dinheiro para prefeituras, tá certo, fazerem pontos de inclusão digital muitas vezes desconectados de internet. Eu não sei, hoje em dia, o que se faz desconectado de internet, em matéria de inclusão digital, mas foi feito para comprar máquinas. Muito dinheiro saiu para comprar máquinas. [...] Vamos pensar o político tradicional: ―Por que que eu vou conectar escolas se isso aí é obrigação do MEC? Por que que eu vou conectar pontos de cultura, se é obrigação do Ministério da Cultura? Por que que eu vou conectar quilombolas, se tem (um) ministério para cuidar disso? Eu vou cuidar do meu. Bom, mas o que que é o meu? O meu é a minha base que eu estou a fim de colocar‖. (entrevista 07).

Ainda que desvios políticos tenham havido no uso dos recursos destinados ao programa, o novo contrato firmado com a Vicom trouxe algumas novidades do ponto de vista tecnológico. O GESAC passa a incorporar os serviços de voz sobre IP (VoIP), que permite uso de telefonia pela Internet. Também é adicionada ao pacote uma ferramenta de

multicast para a produção e transmissão de áudio e vídeo.

A maior mudança, porém, seria a contratação pela Vicom de uma equipe de 25 agentes de campo62, chamados de implementadores sociais, responsáveis pela capacitação de pessoas nos pontos de presença e visitas periódicas em cada comunidade ou escola. A empresa também fica obrigada a oferecer dois cursos por ano com 40h mínimas, em 5 cidades escolhidas pelo Ministério, para estimular a comunidade a utilizar melhor as TIC‘s. O conteúdo do curso, que será analisado mais adiante, é, entre outras coisas, formado de: navegação na Internet, instalação e configuração de aplicativos e desenvolvimento de projetos comunitários utilizando as ferramentas do programa.

A incorporação dessa nova equipe de implementadores, que fazia o papel de intermediários entre a gestão do programa e seu público final, é considerada um marco para o programa. Nas palavras dos próprios entrevistados, o GESAC saia de uma fase tipicamente, senão exclusivamente, de ênfase no acesso/conexão para uma fase de preocupação com o uso das TIC‘s pelas comunidades atendidas. Em outras palavras inicia- se um processo de transformar o público atendido, de consumidores de informação a produtores de informação. Um dos entrevistados comenta assim a importância dos implementadores:

[...] sem esses implementadores eu digo assim não tem inclusão porque somente tecnologia e um ponto de presença, colocar uma antena e entregar um servidor, uma impressora e uma telefonia e fazer manutenção a distancia, isso não é inclusão. [...] ai eu defendo que um agente de inclusão digital [...] a figura desse intermediário na ação entre o que acontece na ―esplanada‖ [dos ministérios] e o que acontece na sociedade, sem ele não tem inclusão pode ser a melhor tecnologia, pode ser a melhor acessibilidade o melhor portal de tratamento de conteúdos mas ele é que estimula o cidadão a ser incluído. (entrevista 02).

Essas mudanças, no entanto, não minimizam o fato de são 29 pessoas, — 25 implementadores sociais que trabalham diretamente no campo mais 4 pessoas de apoio à gestão alocadas no Ministério— responsáveis por uma rede com mais de 3.200 pontos de presença espalhados por todo o país. Isso significa que, ainda que tenha começado a existir

uma mudança na implementação e manutenção do programa, permaneceu uma desproporção entre o investimento em infra-estrutura tecnológica e em formação humana. Em outras palavras, o viés da inclusão digital como acesso (conexão) continuou relativamente mais estruturado do que o de inclusão digital como uso (apropriação).

Com o novo contrato o GESAC recebe recursos tecnológicos mais poderosos ainda, com a possibilidade de fazer uma conferência via Internet com todos os pontos de presença com áudio e vídeo. Ganha a possibilidade de produzir documentários locais. Mas não avança nas condições de repassar toda essa nova tecnologia para seu público. O multicast, por exemplo, continua subutilizado, como afirma um dos entrevistados: ― [...] a questão do

multicast também que até hoje a gente não conseguiu usar, mas isso faz parte também da

evolução do produtor de conteúdo‖ (entrevista 04), ou seja, a tecnologia era para dar suporte à produção de conteúdo, mas o suporte ao seu uso efetivo e sua manipulação não chega na mesma intensidade.

A incorporação dos chamados implementadores sociais ocorreu, portanto, primeiro por pressões externas como o relatório da CGU que apontava falhas na gestão dos pontos de presença, mas também pelo aprendizado dos próprios gestores do programa que começam a perceber a necessidade de formação das pessoas atendidas. O ano de 2004, portanto, é considerado um ano de aprendizado e reestruturação do programa. Em 2005, o programa sofreria importantes mudanças na sua gestão.