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Préparation des nanofils et des nanotubes à base de fer

II.2 Nano objets 1 D

II.2.2 Synthèse des nanofils et des nanotubes à base de Fer par électrospinning

II.2.2.4 Préparation des nanofils et des nanotubes à base de fer

Quanto à concepção de inclusão digital, nos moldes discutidos em capítulos anteriores, verificamos que existe uma constante tensão entre as duas visões de inclusão digital, a saber: inclusão digital como acesso e inclusão digital como uso. O próprio sucesso quantitativo do programa tende a reforçar, cada vez mais, a idéia de inclusão digital como acesso (conexão). Em segundo lugar, o baixo investimento em capital humano proporcionalmente ao investimento em conexão, combinado com a baixa integração do programa com outros programas e políticas sociais do Governo, pode enfraquecer o conceito de uso (apropriação) da inclusão digital, dentro do programa. Essa tensão, até mesmo ideológica, dentro do programa é reconhecida por um dos entrevistados nos seguintes termos:

No programa em si hoje existe uma corrente de tecnologia de conectividade muito grande e conectividade do programa do governo significa alta utilização, conectividade, sinal x não sinal [...] uma corrente de ideologia. A ideologia de quem faz tecnologia é uma, a ideologia de quem faz inclusão digital é outra, então pra tecnologia são números, são utilizações, são índices. Pra quem faz inclusão também são índices, tecnologias, mas também são resultados, são produções, são impactos avaliados, monitorados e avaliados. (entrevista 02).

O programa cresceu em quantidade de pontos de presença, em um ritmo muito mais acelerado que a capacidade de geri-los e acompanhá-los qualitativamente. O resultado positivo é que, sob a perspectiva política, o programa saiu de um estado de quase extinção para se tornar uma forte moeda política dentro do Governo Federal, como pôde ser visto

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rapidamente na tentativa do Ministério das Comunicações de coordenar os programas de inclusão digital do Governo Federal. Embora existam outros programas de inclusão digital em outros Ministérios, nenhum deles tem o peso quantitativo que o GESAC tem, ao ponto de tornar outro Ministério habilitado a essa coordenação. O GESAC é considerado o ―primo rico‖ da inclusão digital no Governo Federal, segundo um dos entrevistados.

A dimensão do programa em termos quantitativos, com a previsão de chegar a 20.000 pontos de presença, faz com que já não seja mais possível ―desligar‖ o GESAC, independente dos rumos políticos que ele venha a tomar. São muitas escolas, entidades, organizações e comunidades que já incorporaram a conexão com a Internet nas suas atividades. Além disso, um crescimento tão expressivo significa importante fonte para aumento de capital político. Como a inclusão digital no governo ainda se não constitui ainda como política pública, mas como programas públicos, o GESAC ainda é, sob todos os aspectos, um programa do Ministério das Comunicações com ganhos políticos para esse Ministério.

Portanto, se por um lado a visibilidade do GESAC, em termos de pontos de presença, é ganho político, também reforça o programa no seu aspecto de conexão. Ao mesmo tempo, se não houver crescimento qualitativo, o crescimento pode enfraquecer relativamente falando o aspecto social do programa, qual seja, o que se preocupa com os usos ou a apropriação que está sendo feita da tecnologia disponibilizada nos pontos de presença. Por exemplo, quando perguntando sobre qual a concepção de inclusão digital do GESAC, um dos entrevistados respondeu, referindo-se a importância dos implementadores:

[...] o GESAC tenta fazer inclusão digital, mais vários obstáculos o impedem de, de fato, praticar inclusão digital, ele tem iniciativa, ele tem exemplo de boas praticas, mas ele não tem casos contínuos de boas práticas ele tem casos isolados. (entrevista 02).

Enquanto as metas de crescimento de conexão já estão estipuladas, durante a pesquisa não foram identificadas metas qualitativas. É importante lembrar que somente em 2005 o programa passou a contar com uma equipe de 25 implementadores no campo. Não existem ainda estimativas oficiais de quanto essa equipe deverá crescer nos próximos anos

para atender o crescimento quantitativo dos prontos73. Mesmo com os atuais implementadores não foi identificado na pesquisa nenhuma forma de medir ou avaliar mudanças sociais efetivamente ocorridas nas comunidades atendidas pelo programa. Os implementadores são instruídos a estimularem a produção comunitária de informação, mas não existem métricas oficiais para saber quais os resultados sociais foram alcançados naquela comunidade, conforme veremos mais adiante.

Outra questão que interfere na concepção de inclusão digital, não apenas do GESAC, mas de todos os programas de inclusão digital do governo diz respeito às regras de utilização dos recursos do FUST. Os programas precisam estar dentro das especificações previstas na lei que possam usar os recursos do fundo. Em alguns casos pode ser politicamente interessante que essa concepção de inclusão digital seja genérica, de forma a atender a propósitos e a interesses mais amplos, de maneira a não ficar de fora do enquadramento da lei para o uso dos recursos. Se inclusão digital for definida de modo muito preciso e qualificado, por exemplo, a disputa política por determinado recurso pode ficar ameaçada, pois é preciso que a destinação dos recursos tenha finalidade muito clara nas instâncias burocráticas e legais. Um dos entrevistados coloca essa questão nos seguintes termos:

[...] Todo mundo [os governos] vai falar que faz ações para inclusão social, para cidadania. [...] Então, separar o que a gente quer dizer, tem horas que é importante, tem horas que vira uma estratégia não fazer essa linha, essa demarcação [...]. Então, vamos falar que o FUST vai ser usado para inclusão digital, quando o que eu estou fazendo com o FUST é o trabalho que as operadoras de comunicação tinham que ter feito porque é o serviço delas. [Era para ser] A prestação do serviço delas no serviço público. O que estou chamando de inclusão digital? Esparramar a malha das telecomunicações pelo Brasil? Isso é necessário para a inclusão digital, mas isso não é inclusão digital. Então, às vezes, usar esta palavra mágica ―inclusão digital‖[abre portas e cofres].[...] Não estou falando nem que isso seja ruim, mas estou falando de coisas distintas que não ficam muito claras. E aí, às vezes, isso é bom, não ficar claro, apagar as fronteira e às vezes não é. E pra um objetivo específico, quando você vai olhar lá na ponta, para ver o que está acontecendo, a falta de demarcação é ruim. (entrevista 14).

Ou seja, conforme foi discutido no capítulo anterior, sobre o capital simbólico dentro do campo da inclusão digital, uma definição muito genérica em prol da inclusão digital como promotora da inclusão social, ou como no caso acima, a mera defesa da

73 Até o momento em que esta dissertação estava sendo finalizada (junho/2007) o ministério ainda não tinha tornado público o edital para a contratação de implementadores sociais. Essa contratação está

inclusão digital, sem maiores detalhamentos do que venha a ser isso, abre espaço para que os recursos, não só sejam requeridos para os propósitos mais variados, como também permite um certo afrouxamento do que está sendo feito nas pontas do processo. No entanto, para que isso ocorra é preciso se restringir o conceito de inclusão digital.