Os entrevistados deste grupo afirmaram que tanto a concessão florestal quanto a concessão mineral são importantes por recolher impostos e gerar empregos formais para homens e mulheres do município, embora os cargos destinados ao sexo feminino sejam majoritariamente para serviços administrativos. Tanto a mineração quanto a concessão florestal geram perspectiva de manutenção de emprego a longo prazo e de crescimento profissional.
Os entrevistados não souberam informar se os trabalhadores da concessão florestal eram da região, mas afirmaram que a maioria dos funcionários da mineração seria, sendo que a época da entrevista haviam cerca de duzentos e cinco colaboradores atuando diretamente na área de minério, a maioria de Itapuã do Oeste.
Não se têm percebido mais ofertas de cursos de capacitação após a concessão, todavia uma mineradora está capacitando seis jovens em parceria com o Senai no programa capacitar. O treinamento é conduzido na própria empresa pelos seus gestores e visa atender as demandas em eletrotécnica, mineração e segurança do trabalho. Os jovens recebem um salário mínimo, cesta básica e plano de saúde.
Uma mineradora afirmou que tem um modelo para que, sob sua supervisão e com contratos particulares, pequenos produtores extraiam os restos minerais em áreas já exploradas, mas ainda há uma demora dos órgãos licenciadores. Também se afirmou que a mineradora ajudou no licenciamento e cedeu para a prefeitura uma área para retirar cascalho, sem cobrança ao município, que ficará responsável apenas pela recuperação da área e pelo dimensionamento do volume para a prestação de contas ao DNPM sobre a lavra. A prefeitura estaria na iminência de iniciar a exploração, aguardando a chegada de maquinário.
Questionadas sobre a demanda do município de que a fundição da mineração fosse em Itapuã do Oeste, mencionou-se que antes a rede de energia elétrica local não permitia, mas que hoje há uma rede nova da Eletrobrás que viabiliza, e a empresa estaria disposta a dialogar sobre o assunto.
Os entrevistados afirmaram que pelo método responsável do manejo florestal sustentável é possível conciliar a mineração e a atividade madeireira. Embora a atividade minerária gere maior impacto que a madeireira, ela tem sido entendida como sustentável, pois após realizar o resgate de fauna e retirar a cobertura vegetal, que é indenizada e aproveitada, é retirada e armazenada a camada superficial do solo, rica em matéria orgânica e sementes, usada quando da recuperação dá área minerada. Na recuperação o reflorestamento é realizado com base nas espécies nativas, inventariadas previamente. Assim, a mineradora não gera apenas trabalho e renda durante a exploração mineral, mas também em um segundo momento, durante a recuperação das áreas. O mínimo para realizar todas as etapas do PRAD em uma área são 15 anos. E concluída a recuperação, ainda há a possibilidade de explorar a área com o manejo florestal sustentável, várias espécies nobres, a exemplo do cedro, jatobá, ipê e mogno, se desenvolvem bem na recuperação.
Os entrevistados entendem que tanto a concessão florestal quanto a mineração reduzem as atividades ilegais na medida em que as concessionárias ajudam os órgãos a cuidar das áreas, suprimem em parte a falta do comando e controle, e auxiliam a melhorar o tempo de resposta e identificação de atividades ilegais.
Os entrevistados afirmaram que as concessões podem gerar um efeito positivo nas práticas não sustentáveis, mas a principal razão para redução destas práticas são os órgãos de comando e controle.
Foram apontadas como iniciativas com impactos ambientais positivos na região os trabalhos da OSCIP Rio Terra. Como iniciativas causadoras de reflexos ambientais negativos foram citadas a Usina Hidroelétrica de Samuel e a produção de grãos com uso intenso de agrotóxico.
Quanto à variedade de produtos explorados, os entrevistados deste grupo afirmaram que na mineração há variedade na medida em que hoje se explora cassiterita (estanho), columbita (nióbio) e emérita (ferro). Na concessão florestal também há variedade de espécies exploradas, mas os entrevistados afirmaram que o extrativismo ainda é insipiente, pois as áreas destinadas ao extrativismo ficam afastadas da cidade. Em áreas da Flona próximas à cidade que possuem atividade minerária o extrativismo não foi autorizado pelo Plano de Manejo da Flona.
Figura 13. Placa de identificação para acesso à Flona. (Foto tirada pelo autor em nov/2017)
Os entrevistados entendem que em razão das concessões florestais aumentou-se o apoio aos projetos de pesquisa voltados ao manejo florestal, ecologia e conservação.
Sobre o aproveitamento dos resíduos florestais os entrevistados mencionaram a produção de carvão, e afirmaram que os resíduos da mineração são tratados, vão para uma barragem e após a decantação a água é reutilizada.
Os entrevistados neste grupo não tinham conhecimento sobre o emprego dos recursos repassados pelas concessões florestais. Quando indagados sobre o papel do contrato de concessão, os entrevistados afirmaram que de modo geral reduz os conflitos, todavia houve situações pontuais em que ocorreu a permissão de concessão florestal em áreas em que já havia avançado processo de requisição de lavra, havendo sobreposição de interesses por falta de comunicação entre os órgãos. A empresa mineradora já possuía direito minerário desde 1970 e a Flona foi criada apenas em 1984. Para os entrevistados haveria a possibilidade de conciliar a exploração de madeira com a mineradora, se gradativamente, logo após a colheita florestal na unidade manejada já se iniciasse a atividade minerária, desta forma se extrairia o minério e providenciaria a recuperação da área, o que demanda um debate técnico mais aprofundado, mas é algo que acreditam ser factível.
A despeito deste choque aparente de interesses, os conflitos não aumentam em razão da concessão e sim da escassez dos recursos. A concessão reduz a incerteza, mas ainda falta comando e controle para coibir as atividades ilegais que tem aumentado nos últimos dois
anos. Neste sentido, um dos entrevistados afirmou que “o conflito está aumentando, mas não por causa da concessão e sim por conta do recurso florestal estar se exaurindo, apenas estar restando dentro da Flona. Os contrabandistas estão entrando nas áreas”.
Os entrevistados ressaltaram o entendimento de que hoje a Flona do Jamari cumpre seu papel social e ambiental de forma exemplar, pois ela gera renda, tributos, empregos e ainda conserva seus recursos. Um dos entrevistados ressaltou que embora seja senso comum que o meio ambiente e o progresso não se casam, a Flona do Jamari mostra o contrário, são gerados muito mais empregos do que seriam se a floresta fosse convertida em uma fazenda com monocultura.