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Visto que é parte da proposta desta pesquisa a elaboração de um PAE que visa auxiliar a escola investigada a diminuir os impactos provocados pela transição do 5º para o 6º ano, o trabalho de campo foi importante também para suscitar ações

na visão dos sujeitos entrevistados que possam ser realizadas com o intuito de efetivar a proposta do PAE. É importante destacar que todos os entrevistados concordaram com a carência de ações.

A necessidade de reforço escolar foi uma resposta recorrente entre os entrevistados. Nesse sentido, o gestor escolar sugeriu a contratação de um professor de reforço para ajudar exclusivamente as crianças do 6o ano que apresentam dificuldades, como pode ser observado a seguir:

Um professor de reforço no turno. Esses professores além de ter a formação em português, eles teriam que ter a formação em alfabetização. Para fazer o acompanhamento dos alunos com dificuldade em uma sala específica. (Gestor X, entrevista realizada em 26 de abril de 2016).

Para o gestor escolar esse profissional deveria ser do quadro efetivo da SEDUC/AM, ou contratado e que tenha formação em alfabetização. Segundo ele, as aulas deveriam ser ministradas no próprio turno para um melhor aproveitamento, incluindo aulas de alfabetização, pelo menos três vezes durante a semana em sua carga horária, sem que isso cause danos na perda de conteúdo. Vale ressaltar a existência do Programa Mais Educação, mencionado pelo gestor (seção 2.4.4), mas o programa não consegue atender às especificidades dos alunos do 6º ano, pois o reforço dado através do programa é realizado no contra turno, com poucas horas e conta com pouca presença dos alunos. As primeiras semanas do ano letivo como preparação dos alunos do 6º ano foi destacado assim nas falas dos professores:

Deveria ter algumas ações que pudessem acolhê-los (Professor A); Eu acredito que mais atividades diversificadas propostas pela escola (para esse momento) (Professor D); Fazer uma sondagem no início do ano (Professor E), (entrevista realizada em 26 de abril de 2016).

Essa necessidade de preparação em relação às semanas iniciais esteve presente nas respostas de todos os professores entrevistados, pois os mesmos entendem que essas atividades nos primeiros momentos do ano letivo podem auxiliar os alunos no processo de adaptação durante a transição vivenciada pelos docentes. Sobre as possíveis ações que poderiam ser desenvolvidas pela escola, os professores B e D fizeram as seguintes proposições:

A primeira semana: uma semana com psicólogos vindo a escola e falando com os alunos. Na segunda semana: reunião de pais com slide com psicólogos, assistente social e até mesmo conselho tutelar falando de leis, da relação familiar falando do comportamento dos

pais em relação aos filhos, mostrando para ele que os alunos estão saindo da fase da infância, daquela superproteção da infância para a adolescência. (Professor B, entrevista realizada em 26 de abril de 2016)

Criar algumas ações com todos os professores para falar das mudanças que ocorrem nessa transição, “se vocês precisarem de ajuda, vocês podem contar com a escola”. Mas isso não acontece. O que acontece é na visão de alguns professores mais cuidadosos que percebem isso. Passam de um professor para outro (Professor D, entrevista realizada em 26 de abril de 2016)

Na primeira passagem, o Professor B destaca a necessidade da promoção de atividades extracurriculares nas duas primeiras semanas do ano letivo, com ajuda de profissionais convidados que possam trabalhar a temática adaptação, junto as mudanças e os desafios desse novo ano letivo. O professor D levanta a necessidade do trabalho de acolhimento ser realizado na primeira semana e pelo grupo de professores que trabalharão com os alunos do 6º ano. A seguir o Professor C propõe iniciar essa preparação no 5º ano.

Deveria ter uma preparação no 5o ano, digamos lá pelo final do ano, já ir preparando o aluno nos moldes do 6o. Porque ele teria tempo para fazer a transição. Um ano com as disciplinas totalmente separadas. Esse ano a Seduc já está fazendo isso, já tem três professores para o 5o ano, ela está dando 12 horas para cada professor. Talvez isso já melhore para o outro ano, ela já está colocando três professores, mas é o que deveria ser feito. (Professor C, entrevista realizada em 26 de abril de 2016)

Sobre a proposição do professor C ressalta-se a preparação prévia dos alunos, ou seja, que esse trabalho possa ser iniciado no 5o ano para diminuir os impactos da transição para o ano seguinte.

Tais propostas levantadas pelos entrevistados vão ao encontro do pensamento de Pereira et al. que afirma,

Diante da importância desta etapa de transição e do rito de passagem para o desenvolvimento pleno dos educandos, torna-se imprescindível o apoio dos professores e da escola que podem estar articulando novas maneiras de proporcionar uma transição mais tranquila para seus educandos, chamando a atenção dos pais de seus alunos para a questão, através de reuniões, confraternizações e quaisquer outros eventos que possam estar reunindo os alunos da 4ª e da 5ª série, juntamente com os seus familiares e professores da escola. (2005, p. 32).

Tomando como referência a afirmação do autor que corrobora com as sugestões dos entrevistados para a necessidade da construção de ações institucionais que possam receber anualmente os alunos do 6º ano, ratificam que uma boa preparação inicial desses discentes além de diminuir os impactos das mudanças durante a transição para o 6º ano, essas ações poderão diminuir a queda no rendimento dos alunos, principalmente nos primeiros meses, fato já mencionado pelos docentes. Na próxima seção apresentaremos os resultados obtidos através da coletiva realizada com os alunos do 6º ano da Escola EEGMS.

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