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a) Mesmo que você não conhecesse o título do livro, poderia saber que se trata de um diário pela presença de elementos característicos desse gênero. Quais?

b) O texto que você acabou de ler pode ser dividido em quatro partes. Que elementos marcam a divisão das partes?

c) Por que os autores de diários costumam anotar as datas de seus registros? d) O que Zlata relata em cada uma das partes do texto que você leu?

*ANOTE: O autor de um diário íntimo registra nele fatos acontecidos a cada dia. Como

não é possível relatar todos os momentos de um dia, o autor do diário escolhe registrar o que, de alguma maneira, tem maior importância para ele.

e) Releia este trecho do relato do dia 23 de maio de 1992:

“Quase todos os meus amigos partiram. Mas mesmo que eles estivessem aqui, será que a gente ia conseguir se ver?”

Esse fragmento mostra que os registros de um diário não se limitam ao relato das ações. Por que a narradora elabora questões para si mesma?

Fonte: PENTEADO, Ana Elisa Arruda, LOUSADA, Eliane Gouvêa, MARCHETTI,

Greta, STRECKER, Heidi, SCOPACASA, Maria Virgínia. Para viver juntos: Língua

Portuguesa 8º ano (PNLD 2014, 2015 e 2016)

A atividade preconiza os elementos composicionais do diário, como podemos perceber nas quatro primeiras questões. Se o papel designado ao aluno não tem muito espaço no plano de ensino, outras vozes, porém, são sinalizadas e percebemos que estão presentes no auditório das estagiárias; uma delas é a do professor supervisor de estágio, primeiro leitor do plano – e, provavelmente, a quem o plano se dirige como a realização de uma tarefa do estágio. Nota-se esse enunciador, o professor supervisor, no seguinte enunciado do plano: “RECURSOS: livro didático (a pedido da professora regente)”. Essa justificativa para o uso do livro didático, o pedido da professora da turma em que o estágio se realiza, aponta que, no estágio, o professor- estagiário precisa equilibrar o discurso sobre ensino que circula na universidade, que, em geral, reprova o uso do livro didático, com as exigências do discurso da escola, que, neste caso, tem uma meta quanto ao uso do livro didático13. A justificativa, também, tira a responsabilidade pela escolha do material da dupla de estagiárias e mostra como elas dão voz à instituição no momento de planejarem uma aula. Ao mesmo tempo que o supervisor de estágio é considerado na hora de escrever o planejamento, fica evidente que a voz da professora regente da turma é considerada nesse plano, uma vez que ela escolheu os textos que seriam utilizados na aula e os conteúdos que deveriam ser ministrados.

Observando as páginas do livro didático citadas no plano, podemos afirmar que as estagiárias apenas organizam o modo como vão encaminhar a aula, como vão apresentar o conteúdo, pois os textos e as atividades desenvolvidas na aula são as do livro didático.

Se retomarmos o conceito de formações imaginárias (PÊCHEUX, 1997) ao responderem à pergunta “Quem sou eu para lhe falar assim?” (segundo Pêcheux, 1997, imagem do lugar de A pelo sujeito situado em A), as estagiárias apontam que durante o momento do planejamento para estágio sentem a necessidade de se colocarem em diálogo com o discurso da “inovação”, simbolizado pela preferência pelo trabalho com os gêneros. No entanto, alinhar-se a esse discurso é uma tarefa cumprida parcialmente, pois, ao desenvolverem o plano de ensino,

13 Nota do diário de campo gerada a partir do registro de uma conversa com a dupla de estagiárias que estavam muito preocupadas com o fato de terem páginas predeterminadas do livro didático para utilizarem no período do estágio.

deslocam-se para um “fazer prescritivo” acerca do gênero, desvinculado das atividades de leitura e interpretação.

Essa opção de priorizar a estrutura composicional reflete a forte influência das prescrições oficiais, como os PCNs (1998), pela escolha do gênero – mesmo que de modo problemático, uma vez que o gênero é apontado como tema da aula (mesmo que a aula não se restrinja a tratar de gêneros em geral, mas de um gênero: o diário íntimo; há uma redução do gênero a formas pré-moldadas e perde-se a situação dinâmica de produção e circulação desse texto.

Outra questão relevante é a tomada do texto, para o ensino de gêneros, como um sinal, “estável e sempre igual a si mesmo” (BAKHTIN, 2014, p. 96) desvinculado da cadeia discursiva na qual se inscreve, pois parece servir, apenas, para elencar características composicionais. Retomando Bakhtin (2014) o trabalho com a língua em uso, não pode tomar o texto como um item abstrato, pois “para o falante nativo, a palavra não se apresenta como um item de dicionário, mas como parte das mais diversas enunciações dos locutores A, B ou C de sua comunidade e das múltiplas enunciações de sua própria prática” (BAKHTIN, 2014, p.96). A linguagem só terá sentido considerando “o conjunto dos contextos possíveis de uso de cada forma particular” (BAKHTIN, 2014, p.96). Notamos que as alunas ao escreverem sua metodologia colocam o texto estudado - “O Diário de Zlata” - e o gênero – diário íntimo - como duas realidades diferentes, isto é, ao propor a leitura e compreensão do diário ele é tomado como signo, discurso produzido em um determinado contexto; passado este primeiro momento, as alunas propõem trabalhar uma atividade prescritiva e a escolha, ao invés da gramática normativa, é tomar esse texto para analisá-lo em seus aspectos formas, agora denominado de gênero:

Abrir uma discussão sobre o texto lido, perguntar aos alunos o que eles notaram que há no texto e que existe também em um diário.

Fora isso, o plano de aula apresenta muitos problemas didáticos, tais como a falta de distribuição do tempo para cada etapa da aula, a descrição detalhada das atividades, o planejamento da exposição oral, ou seja, de que maneira seria feita a leitura compartilhada, enfim, o passo-a-passo da aula.

Vejamos, agora, o registro da aula que acabamos de analisar em dois momentos do relatório: i. resumo do estágio; ii. análise das intervenções.

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