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Projet EUROMIND(S)

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No que se refere ao cenário cultural, começamos por realizar uma breve caracterização acerca das realidades portuguesas e pernambucanas. Assim, deve- se mencionar que tanto em Portugal como em Pernambuco existe um intenso dinamismo das atividades culturais, bem como políticas públicas promotoras do desenvolvimento do turismo.

A principal diferença que identificamos é que no caso português as atividades culturais e o incentivo ao turismo se apresentam muito mais diluídos espacialmente, isto é, se apresentam muito mais bem distribuídos do que o que se observa em Pernambuco. Na realidade pernambucana ocorre uma significativa concentração das atividades culturais e de incentivo ao turismo na capital, Recife, de maneira bastante articulada com Olinda, além do litoral e da ilha de Fernando de Noronha.

Diferentemente de Portugal, onde as câmaras municipais possuem projetos e programas próprios para incentivo à cultura e ao turismo, além da existência de uma política nacional, em Pernambuco cabe as agências estaduais - no caso, a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (FUDARPE) e a Empresa de Turismo de Pernambuco (EMPETUR) - realizarem a gestão das referidas atividades no estado, já que a nível municipal as iniciativas, em algumas localidades, ainda são incipientes. Em outras palavras, existe no Brasil uma política nacional para a cultura e para o turismo, que se aproxima mais dos territórios através das ações promovidas pelos seus braços organizacionais que são as empresas estaduais como a EMPETUR e FUDARPE.

Comparado a outros estados brasileiros, Pernambuco é “privilegiado”, pois possui dois lugares com o título de patrimônio, Olinda e Fernando de Noronha, enquanto alguns estados da federação não possuem nenhum sítio declarado patrimônio do mundo.

Assim, os “carros chefes” do turismo e do incentivo as atividades culturais são: Recife-Olinda, Porto de Galinhas/Ipojuca e Fernando de Noronha. Deve-se mencionar que a EMPETUR e a FUNDARPE têm feito esforços para a interiorização do turismo e das atividades culturais, com a criação das chamadas rotas indutoras. Por intermédio destas dividiram o estado em nove zonas que possuem potencial para as referidas atividades: além de Recife, Olinda, Porto de Galinhas/Ipojuca e

Fernando de Noronha, também são contemplados o Litoral Sul, o Litoral Norte, a Zona da Mata, o Agreste e o Sertão.

Desta maneira, trazemos alguns indicadores referentes ao cenário das atividades culturais, visando ilustrar em linhas gerais, as características dos recortes espaciais em questão. Primeiramente, faz-se interessante mencionar certos dados referentes a Portugal e Pernambuco23, para em seguida analisar em particular Olinda, Sintra, Évora e Guimarães.

É interessante notar que em Portugal continental existem 534 salas de cinema e que em Pernambuco apenas 60. Já no que se refere aos teatros, em Portugal existem cerca de 48 e em Pernambuco 60. Contudo, em Portugal, quando se verifica o número de recintos para espetáculo tem-se 347 espaços. Vale destacar ainda que Pernambuco, apesar de possuir número reduzido, se comparado a Portugal, se encontra na 6ª posição no ranking nacional em relação ao número de teatros.

Quando pensamos na questão da patrimonialização temos em todo o Brasil 1.113 bens tombados, em Pernambuco 82 e em Portugal 3.859 bens imóveis protegidos. Ressalta-se que, apesar da nítida diferença entre as realidades de Pernambuco e Portugal, ao nível de Brasil Pernambuco se destaca na medida que encontra-se em 4º lugar no ranking dos estados com maior número de bens tombados, ficando atrás apenas dos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia.

No que diz respeito ao turismo, temos em Pernambuco 1.114 meios de hospedagem com capacidade para receber 71.570 hóspedes. Já em Portugal 2.028 meios de hospedagem, com capacidade para acomodar 296.321 pessoas. Tais dados mais uma vez nos indicam a diferença entre as realidades portuguesa e pernambucana.

Ainda em relação ao número de estabelecimentos hoteleiros e a respectiva capacidade de acomodação, temos em Olinda 33 meios de hospedagem com capacidade para 1.997 pessoas; em Sintra 15 com o total de 1.692 leitos; em Guimarães são 17 com capacidade para 1.531 hóspedes, e, por fim, Évora, com o maior número de equipamentos de hospedagem: 18 com capacidade para acomodar 1.971 pessoas. Tais dados aproximam mais a realidade vista em Olinda

23 Dados de Portugal com base nas informações do INE, 2011 e os do Brasil a partir dos dados do

com a que existe nos sítios portugueses na medida em que não há grande diferenciação.

Passando para os cenários de Olinda, Sintra, Évora e Guimarães24, apontamos para o primeiro dado selecionado para realizar um breve enquadramento do perfil cultural: o número de galerias de arte e outros espaços para exposição temporária. Em Olinda o seu valor total é de 11, em Sintra é de 11, em Évora 9 e em Guimarães apenas 4. Deve-se mencionar ainda que em Olinda existem 65 ateliês de arte, que muitas vezes, recebem exposições temporárias e eventos.

Quando se observa as agendas culturais percebe-se que os quatro lugares são bastante dinâmicos com uma frequência intensa de eventos. As atividades são divulgadas semanalmente no site Olinda Turismo, vinculado a Prefeitura Municipal, e nos sítios portugueses nos sites das câmaras municipais

Deve-se mencionar que parte significativa dos eventos e exposições de arte de algum modo buscam se relacionar com o fato dos referidos lugares serem patrimônio da humanidade. Em Olinda têm destaque três eventos: a Mostra Internacional de Música (MIMO), a Festa Literária Internacional de Pernambuco (FLIPORTO) e o Arte em Toda Parte.

A MIMO ocorre há 10 anos em Olinda e busca realizar concertos nos espaços públicos de valor histórico, procurando articular a música com o patrimônio material. Igualmente a FLIPORTO e o Arte em Toda Parte buscam realizar atividades nos principais monumentos históricos da cidade. O Arte em Toda Parte busca ainda atrair artistas de fora para se hospedarem na casa dos artistas locais que no momento do evento: estes abrem seus ateliês ao público e buscam trocar experiências com os visitantes.

Por fim, temos o principal evento de Olinda: o Carnaval. De acordo com a Prefeitura de Olinda, foram 2,7 milhões de pessoas a circular na cidade patrimônio cultural da humanidade durante os dias de festa no ano de 2014. Com cerca de 500 grupos artísticos culturais foram realizadas oficinas de dança, contação de histórias, shows, brincadeiras de roda, desfiles de agremiações e bonecos gigantes

Foram injetados 150 milhões na economia do município, com 98% da ocupação dos meios de hospedagem. Dos turistas que foram passar o Carnaval em Olinda 11%, eram estrangeiros e 89% brasileiros, sendo 56% do sexo masculino e

24 Os dados referentes a Olinda foram obtidos junto a EMPETUR (2012) e as informações referentes

44% do sexo feminino, com faixa etária predominante entre os 26 a 35 anos e com uma permanência média variando de 4 a 10 dias.

Ainda de acordo com as informações da Prefeitura de Olinda (2014) apesar do intenso fluxo de pessoas na área durante os festejos de Momo25 não foram registrados nenhum dano ao acervo arquitetônico, haja vista terem sido protegidos previamente.

Em síntese, podemos afirmar, após as pesquisas acerca das informações sobre o cenário cultural e turístico dos sítios patrimoniais em questão, que sem sombra de dúvida, o título de patrimônio cultural da humanidade representa uma “mais-valia”, como um elemento estimulador tanto dos movimentos da cultura como do turismo.

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