5. Expérimentations
5.2. Seconde expérimentation : performance des nouvelles formes d'intermédiation de
5.2.7. Projet de recherche externe – Libération contrôlée d’actifs
Outro fator que contribuiu para as transformações no Serviço Social foram as experiências práticas das(os) assistentes sociais com as comunidades populares que revelavam, aos poucos, que
os conceitos que, na década de 1940, atribuíam o estado de pobreza aos ―desajustes individuais‖ não resistiam à prova das experiências humanas de miséria e desproteção social que os assistentes sociais observavam através dos anos (COSTA, 1995a, p. 68).
A autora comenta que:
em fins da década de 1950, já eram nítidas as dificuldades de sustentação das noções originais de ―casos sociais‖ no Brasil e na América Latina. O conceito estatístico de normalidade, ao ser transposto para as ciências so- ciais com o sentido de ―estado da maioria‖, auxiliou a avaliação dessas no- ções. Os ―casos individuais‖ nos EUA e na Europa têm outros significados, considerando que a tendência ao pleno emprego nas economias industriais do pós-guerra, sobretudo sob o impacto das políticas keynesianas, os iden- tificava com situações singulares: tais noções se confirmavam como verda- deiras quando coincidiam com o empírico e com as novas noções de de- semprego estrutural. O empírico e a experiência prática nas nações pobres revelavam um outro conceito. Por isso, as contribuições ―estrangeiras‖ no Serviço Social eram rejeitadas. A amplitude da pobreza e as taxas de de- semprego passam a exigir novas referências explicativas. Nisso reside a importância das reavaliações cepalinas e isebianas – e da descoberta das singularidades da dinâmica capitalista do Brasil e da América Latina (COSTA, 1995a, p. 68).
Daí porque o pensamento desenvolvimentista foi tão significativo na constru- ção das novas referências para o Serviço Social. Aqui, é importante uma ressalva: o
Movimento de Reconceituação do Serviço Social não assumiu exclusivamente uma
tendência desenvolvimentista. Como salientam Iamamoto e Carvalho (1983), a as- censão de Jânio Quadros/João Goulart à Presidência da República, no início da dé- cada de 60, abriu uma fenda no projeto desenvolvimentista implantado durante toda a década de 50 no país.
povo forte e uma economia globalmente forte. Desse eixo central decorre uma atenção especial ao social; a meta prioritária é o homem e não o cres- cimento econômico em si mesmo (IAMAMOTO; CARVALHO, 1983, p. 352)
Ou seja, havia uma mudança de rumos no projeto desenvolvimentista. No II Congresso Brasileiro de Serviço Social, em 1961, o Presidente Jânio Quadros envi- ou uma mensagem aos assistentes sociais presentes:
A política de Estado neste setor se alicerça em dois importantes princípios: o que preconiza para o trabalhador condições de bem-estar mais condizen- tes com a dignidade humana e que considera a família como unidade da vi- da social. O processo de desenvolvimento a que almejamos enseja a parti- cipação do homem na solução de seus problemas, tornando-o agente do seu próprio bem-estar. É por aí que o Serviço Social se transforma num ins- trumento da democracia, ao permitir a verdadeira integração do povo em todas as decisões da comunidade (Jânio Quadros, 1961, apud IAMAMOTO; CARVALHO, 1983, p. 354).
O Discurso do Presidente Jânio Quadros foi desenvolvimentista, entretanto, mais sensível à melhoria das condições de vida da população brasileira. Além disso, ele atribuiu grande importância aos assistentes sociais na consecução de seu proje- to. Silva at AL (1995) também verificam mudanças no projeto desenvolvimentista no governo Jânio Quadros-João Goulart:
Verifica-se, nessa conjuntura, um período de gestação da consciência na- cional-popular, com o engajamento de amplos setores sociais na luta pelas reformas estruturais e reformas de base, com especial atenção para uma política externa independente. Os processos de conscientização e politiza- ção atingem operários e camponeses, estudantes e intelectuais, com a pre- sença das ligas camponesas, sindicatos rurais, Movimento de Educação de Base (MEB), Centros Populares de Cultura (CPC), Movimento de Cultura Popular (MCP), Ação Popular e outros (1995, p. 27)
Neste período há aproximação das Escolas de Serviço Social com os movi- mentos sociais – sindicais e populares – e o engajamento de assistentes sociais no MEB, MCP e CPC. Eles desenvolviam atividades culturais e pedagógicas junto às camadas populares, com o intuito de conscientizá-las, mobilizá-las e organizá-las.
Marina Maciel Abreu (2002), analisando os perfís pedagógicos da prática pro- fissional desde sua institucionalização no Brasil, indica também que estes movimen- tos se tornam ―espaços privilegiados para o desenvolvimento de experiências alter- nativas comprometidas com os interesses das classes subalternas‖ (ABREU, 2002, p. 145), Aparecem pesquisas e atividades de extensão universitária junto a estes movimentos. Estas experiências possibilitaram uma crítica às desigualdades sociais.
Estes segmentos de assistentes sociais também reivindicavam mudanças na teoria do Serviço Social. Havia a preocupação de melhor conhecer a América Latina, sua história, seu processo de desenvolvimento e os problemas que ele trazia para a po- pulação mais pobre.
O Golpe de 1964 afetou profundamente as experiências que os profissionais vinham tendo nas comunidades populares, freando os esforços de mudança do Ser- viço Social. Neste sentido, o Movimento de Reconceituação assume primeiramente uma tendência desenvolvimentista expressa nos seminários de teorização do Servi- ço Social, referidos anteriormente. Só na segunda metade da década de 70, com a crise econômica e a distensão militar, se questiona o projeto desenvolvimentista na profissão. Neste momento, surgiu, como diria Foucault, uma conversação, uma nova arquitetura no jogo das réplicas, uma nova narrativa. Esta nova narrativa, mais ama- durecida pelas razões já mencionadas, é crítica do projeto de desenvolvimento de- pendente implantado na América Latina, é crítica também da adesão do Serviço So- cial a este projeto.