5. PROJETS MUNICIPAUX DE RÉDUCTION DES GES
5.1 Projet #1 : Absorption de CO 2 par la croissance de la biomasse – Peut s’appliquer à
O modelo de sucesso do Banco Grameen foi baseado em algumas características desde o início de seu funcionamento. Essas características são tidas por seus fundadores como essenciais e foram replicadas nos modelos internacionais adaptados a partir da experiência em Bangladesh. Um dos méritos do Grameen foi a sensibilização de governos e da iniciativa privada para a necessidade de um programa diferenciado para o combate à pobreza, e do papel que as mulheres, em todas as sociedades, teriam nesse processo. Um programa sem propostas de doação de caridade, mas sim com oferecimento de crédito em condições de economia de mercado. A diferença reside na forma com que esta oferta aos mais pobres ocorre, com preocupação genuína no desenvolvimento dos indivíduos, muito mais do que na restituição dos empréstimos per se.
O ponto de maior polêmica no início de suas atividades foi o público-alvo, que Yunus definiu como os 25% mais pobres da população, com prioridade às mulheres. Antes do Banco Grameen, as mulheres representavam menos de 1% de todos os empréstimos concedidos em Bangladesh e para Yunus, elas deveriam representar pelo menos 50% dos indivíduos contemplados por esses empréstimos.
A justificativa da priorização por mulheres é explicada pelo fato de que estas, por sua maior condição de vulnerabilidade e humilhação, seriam mais comprometidas e responsáveis com uma mudança em sua condição de vida do que seus pares masculinos. Além de demonstrarem maior adaptabilidade ao trabalho e capacidade de auto-assistência, o crédito, quando concedido a mulheres, seria empregado no bem-estar dos membros da família e no futuro dos filhos da casa.
32 “Se entre os objetivos do desenvolvimento figuram a melhoria das condições
de vida, o desaparecimento da pobreza, o acesso a um emprego digno e a redução das desigualdades, então é natural começar pelas mulheres. Econômica e socialmente desfavorecidas, vítimas do subemprego, elas representam a maioria dos pobres. E, na medida em que estão mais próximas dos filhos, as mulheres encarnam para nós o futuro de Bangladesh. Os estudos que realizamos no Grameen comparando a utilização dos empréstimos concedidos aos homens e às mulheres são perfeitamente concludentes nesse
aspecto” (YUNUS; JOLIS, 2008, p. 118).
Outro elemento que garantiu o sucesso do Grameen foi a taxa de recuperação de empréstimos, próxima a 98% dos valores concedidos. Yunus afirmava que teria sido observando os bancos tradicionais e cooperativas de crédito que aprendeu o principal erro no método de restituição dos empréstimos: o pagamento em uma única parcela. Com a falta de educação financeira e a dificuldade em guardar um montante um pouco maior de dinheiro, a obrigatoriedade da parcela se tornava uma dificuldade para o tomador de empréstimo. Ao tentar prorrogar o pagamento único o máximo possível, ele acabava simplesmente desistindo de fazer a restituição.
As prestações no Grameen eram pequenas para que o indivíduo não sofresse um efeito psicológico de ‘separação do dinheiro’; para isso, o sistema de pagamento era diário. Além de haver um maior controle sobre o sistema de pagamentos, descobria-se rapidamente quem estava restituindo seu empréstimo e quem estava atrasado.Para o cliente, esse fator também auxiliava o desenvolvimento de sua educação financeira e fortalecia sua autoestima, pois ele se sentia capaz de honrar sua dívida.
Como, individualmente, o pobre se sente ainda mais exposto a perigos, os empréstimos eram concedidos a partir da metodologia de formação de grupos solidários. Ao fazer parte de um grupo, o participante recebia apoio dos outros membros e estímulo para se comprometer com o banco, pois a garantia era solidária;portanto,todos deveriam se esforçar em suas atividades para que não prejudicassem a si próprios e aos demais.
“O sentimento de competição que se instaura no grupo e também entre os
diferentes grupos incita cada um a fazer o melhor. É difícil controlar indivíduos isolados que fazem um empréstimo; é muito mais fácil fazê-lo se eles integram um grupo. Além disso, transferir para o grupo a tarefa do controle inicial aumenta a sua autoconfiança e diminui o trabalho dos
empregados do banco” (YUNUS; JOLIS, 2008, p. 135).
Esse grupo não é estruturado pelo banco – cada interessado em receber um empréstimo passa por um treinamento em que aprende todas as regras do processo e indica mais quatro
33 conhecidos (ou busca por quatro interessados nos empréstimos) com situação socioeconômica similar. Após avaliação por exames orais de todos os integrantes do grupo, eles participam de reuniões semanais durante o primeiro mês de integração ao banco. Cada pedido de empréstimo individual é validado ou não pelo grupo, que se responsabiliza pelo pagamento como grupo. Com o aval do grupo, ocorrem os primeiros empréstimos, em quantias suficientes para um ou dois integrantes e, após as semanas seguintes, com o pagamento regular, libera-se a quantia total para os outros integrantes.
Nas reuniões semanais, a importância da poupança é discutida e estimulada nos clientes e, com o objetivo de auxiliá-los em períodos de complicação, o banco instituiu que 5% de cada empréstimo seria destinado a um fundo, que também receberia dos membros dos grupos um depósito de duas takas. Esse fundo também é um incremento à experiência de gestão financeira dos participantes.
O banco Grameen também apresenta uma completa simplificação documental, tendo em vista que parcela expressiva dos clientes não é alfabetizada e a lógica da concessão se faz entre pessoas, num relacionamento de confiança, e não com papéis ou qualquer tipo de instrumento jurídico. Exigências jurídicas, segundo Yunus & Jolis (2008), são relativas a necessidade de garantias, exigidas pelo sistema financeiro tradicional. Quando a intenção do empréstimo é a melhoria da condição do mais pobre e este torna-se um parceiro do banco, sabendo que esta é sua única porta de saída de sua condição de miserabilidade, não há necessidade de garantias formais. A recuperação desses empréstimos teria se mostrado muito mais expressiva do que as concessões à parcela mais rica da população e mais inadimplente.
Para ser mais acessível aos pobres, é o banco que se encarrega de procurar os clientes. Enquanto que no sistema tradicional é o cliente quem procura pela agência bancária, o Grameen entende que esses espaços são ameaçadores e de difícil entendimento para a parcela da população que buscam atender. Sendo assim, os funcionários vão à casa ou ao local de trabalho dos clientes em potencial oferecer-lhes empréstimo. Além disso, o relacionamento com o cliente é de base diária, oferecendo apoio em novas necessidades que surjam durante as atividades desenvolvidas pós-empréstimo. Para isso, o Grameen também conta com um time de colaboradores bastante diferenciado. Muito mais do que simples agentes de crédito, os colaboradores precisam ser empáticos à realidade dos financiados, despendendo a maior parte do seu tempo em visitas, acompanhamento, desenvolvimento e amparo às necessidades desses clientes, ajudando-os a pensar em alternativas (a todo momento) para sua condição de exclusão social.
34 Outro elemento de destaque é a valorização do trabalho autônomo, como forma de respeito e incentivo aos dons que os indivíduos possuem e podem desenvolver, a partir do empréstimo em novas formas de busca pela sobrevivência e desenvolvimento de atividade remunerada. Desta forma, os indivíduos podem voltar a integrar a economia, mesmo não sendo através de um trabalho formal, pois não há empregos para todos.
Finalmente, o Grameen defende sua atuação dentro da economia de mercado e a autossustentabilidade da instituição como pilares de seu funcionamento efetivo. A maioria das instituições similares necessitam de apoio e suporte financeiro por meio de governos ou instituições, perdendo recursos com burocracia, ineficiência ou corrupção, enquanto que o Grameen aposta na captação por meio de poupança dos clientes, na forma de percentual sobre o crédito emprestado, para que também possa conceder os empréstimos a juros de mercado, sem intervenção estatal.
Desta forma, atinge-se o objetivo prioritário do banco: o microcrédito como ferramenta de desenvolvimento do indivíduo, para a melhoria de suas próprias capacidades bem como suas condições de vida e de sua família, impactando assim toda sua sociedade.
“No Grameen, a promoção social – a necessidade de satisfazer as carências
das pessoas e garantir seu bem-estar – não é uma aspiração secundária; ela constitui nossa principal ambição. Mais que os números referentes aos créditos em liquidação ou aos índices de recuperação, que evidentemente precisamos contabilizar em nossos livros, o que nos importa é saber se
conseguimos melhorar as condições de vida de nossos financiados” (YUNUS;
JOLIS, 2008, p. 156).
O modelo de funcionamento do Grameen, já utilizado em outras experiências internacionais, teria sido utilizado também no Brasil e teria inspirado a criação do Plano Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado (PNMPO), propondo novos métodos de funcionamento das instituições com foco no microcrédito (ARAÚJO, 2012). No caso de estudo deste trabalho, o projeto “ELAS”, destaca-se a mesma ideologia de priorização às mulheres como método principal de combate à pobreza, além do método de funcionamento praticamente idêntico, exceto pela não obrigatoriedade de grupos solidários para a tomada do empréstimo e a necessidade de financiamento do Banco Palmas pelo Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES)18.
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