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Projection of climatic suitability for Cortaderia jubata establishment Aim

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Figura XIV - Capa do primeiro romance da série

Fonte: http://www.intrinseca.com.br/livro/553/

A literatura vampírica por muito tempo parece ter sido direciona- da a adultos, pois a maioriados personagens principais já estavam nesta fase da vida, uma exceção radical a esta regra foi Claudia de Entrevista com o vampiro (1976), que era uma criança, entretanto, apesar do corpo infantil, a mesma agia e pensava como uma mulher madura, chega até mesmo a formar um triângulo amoroso perturbador com seus ―pais‖ Lestat e Louis. Entretanto, mesmo sendo pouco representado na ficção vampírica, o público adolescente sempre foi um grande consumidor do gênero, especialmente das Crônicas vampirescas de Anne Rice.

A carência de figuras cativantes, que se enquadrassem nos pa- drões do público teen, externando suas angústias e dilemas, teve inega- velmenteseu auge com a publicaçãoda série de livros da escritora ameri- cana Stephenie Meyer, que resultou em quatro romances: Crepúsculo (2005), Lua Nova (2006), Eclipse (2007) e Amanhecer (2008). Apesar de a crítica literária especializada ter sido bastante desfavorável, mais de 85 milhões de cópias da saga foram vendidas no mundo todo, pois mui-

tos adultos também se encantaram com os vampiros ―brilhantes‖ da cidade de Forks. A capa do primeiro romance, mostrada na figura acima, já insinua a presença do pecado e consequentemente a relação com o texto bíblico, pois temos uma maçã, fruta que Eva supostamente comeu e dividiu com Adão, contrariando desta forma a vontade de Deus. Res- saltamos que, em nenhum momento, as ―Sagradas‖ Escrituras nomeiam o fruto proibido, a discussão sobre esse perdura até os dias atuais.

Bella Swan e Edward Cullen, os protagonistas da trama,se trans- formaram em Romeu e Julieta do século XXI, cultivam um amor proi- bido. O grande empecilho para que os adolescentes se unam, no caso deles, não é apenas a família, mas também a maldição da eternidade e a incontrolável sede de sangue do vampiro.

Meyer, apesar das críticas quanto à forma e ao estilo, foi bastante criativa no enredo dos seus romances, seus vampiros não tem aversão a símbolos religiosos e também não são perseguidos pelos humanos como na maioria das narrativas, seus grandes inimigos são os licantropos, mas mesmo assim conseguem ter uma convivência saudável.

A família de Edward Cullen, se consideram ―vegetarianos‖, pois não consomem sangue humano e se orgulham por cultivarem tal princí- pio. São vampiros politicamente corretos e também podem se relacionar sexualmente uns com outros, usando os órgãos genitais. A trama é de- sencadeada porque Bella, humana, e Edward, vampiro, que tem 17 anos eternamente (na verdade ele tem 104 anos), se apaixonam, criando assim uma guerra entre os próprios vampiros.

Acreditamos que o sucesso da saga de Meyer entre os jovens de- ve-se ao fato de Edward e seus irmãos: Rosalie, Emmet, Alice e Jasper, serem eternamente jovens. Além disso, extremamente bonitos, o que parece ser essencial na sociedade atual, pois os meios de comunicação visual em massa estabeleceram padrões de beleza; os adolescentes, prin- cipalmente, querem se enquadrar dentro destes, pois nesta fase da vida anseiam pela aceitação, especialmente pelas pessoas da mesma faixa etária.

A personagem Bella, que é humana, transformando-se em vampi- ra no último livro da série, érepresentativa dos adolescentes que se sen- tem desajustados, é repleta de dúvidas e conflitos pessoais, se acha de- sengonçada e pouco atraente, sendo também bastante estabanada, só consegue enxergar sua beleza física depois de transformada em vampira. Portanto, reportando-se aos problemas enfrentados por muitos jovens, Meyer cria uma empatia com seu público teen.

Ainda quanto a Edward, para a grande maioria das meninas (e também para muitos meninos) é a personificação do amante ideal: atléti-

co, atraente, inteligente, cavalheiro, educado, romântico, protetor e além de todas essas qualidades, também muito rico, fator fundamental para que a felicidade seja completa dentro dos moldes estabelecidos pela sociedade consumista contemporânea.

A liberdade de transgredir em vários sentidos também é bastante aprazível para os jovens, particularmente com relação à sexualidade,os vampiros de Meyer podem exercer sua sexualidade sem restrições, pois não há risco de gravidez ou doenças sexualmente transmissíveis. Ade- mais, não necessitam da proteção adulta para circularem, pois são ex- tremamente fortes e autossuficientes. Portanto, o grande insight de Me- yer foi adaptar o vampiro às necessidades dos jovens do século XXI, pois o vampiro literário é um personagem que sempre refletiu a época em que viveu ou renasceu.

A saga foi adaptada para o cinema e teve como protagonistas dois jovens atores com os mesmos dotes físicos privilegiadosdos protagonis- tas dos romances: Robert Pattinson e Kristen Stewart provavelmente serão eternamente lembradoscomoEdward e Bella.

Figura XV - Bella e Edward

Fonte: https://suckerforvampires.wordpress.com/2010/06/22/still-hq-de-eclipse- bella-e-edward/

Os filmes baseados na saga vampírica têm a seguinte ordem: Crepúsculo (2008), direção: Catherine Hardwicke; Lua Nova (2009), direção: Chris Weitz; Eclipse (2010), direção: David Slade; Amanhecer-

parte 1 (2011), direção: Bill Condon e Amanhecer – parte 2 (2012), direção: Bill Condon.

Mencionamos os filmes para que, dentro deste contexto, pudés- semos abordara importância dessa arte para o mundo literário. Chama- mos atenção para o fato de que no princípio da história do cinema temia- se que este viesse a substituir a leitura, portanto, foi bastante criticado como uma arte alienatória, no entanto, com o adventode muitas obras literárias sendo adaptadas para a telona, o contrário tornou-se realidade. Nos dias atuais, o cinema é um grande aliado da literatura, pois na era do audiovisual, muitas pessoas durante a leiturada obra ficamimaginado como será a adaptação fílmica da mesma. A releitura das obras literárias feitas pelos diretoressão também, muitas vezes, fontes de motivação para que se leia o texto que deu origem ao filme.

Na figura acima, cena do filme Eclipse (2010), o espectador con- segue captar a androginia do personagem Edward descrito no romance: sua tez cadavérica, seus olhos penetrantes e sua boca como destaque no rosto funesto, são características assustadoras e simultaneamente atraen- tes e sedutoras. Tais peculiaridades nos remetem àficção romântica do século XIX de uma maneira invertida, pois naquele períodoo tema das belas defuntas é recorrente, já no século XXI, o homem também se torna objeto de desejo na ficção,principalmente pelo fato da liberdade de ex- pressão conquistada pelas mulheres e pelos homossexuais nas últimas décadas.

O sucesso da saga Crepúsculo causou um grande impacto no mercado de literatura vampírica e atiçou o desejo do público por vampi- ros mais jovens, sendo assim muitos outros romances e histórias com vampiros nesta faixa de idade foram lançados e relançados. A título de exemplificação, citamosa autora Lisa Jane Smith, autora dos livros:Os diários do vampiropublicados no início dos anos 90que teve sua obra republicada em 2007 e obteve um sucesso muito maior neste relança- mento, sendo os mesmos transformados em uma série de grande sucesso para a televisão.

Tendo a literatura vampírica feito sucesso com adultos e adoles- centes, o filão foi logo descoberto pelos escritores de literatura infantil, que criaram vários vampirinhos que encantaram os leitores mirins. No seu Trabalho de conclusão de curso, intitulado Facetas do vampiro na literatura infanto-juvenil (2015), Camila Ambrosini80, orientada pela

80

Possui dupla habilitação em Letras Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), tendo conclu- ído a licenciatura no ano de 2014, e o bacharelado, com ênfase no Tópico do

professora Salma Ferraz, faz um apanhado geral da trajetória do vampi- ro criado e adaptado para essa faixa etária, a autora salienta que:

A presença do personagem vampiro na Literatura Infantil é relativamente nova. Enquanto os primei- ros textos vampíricos da Literatura datam de mea- dos do séculoXVIII, as obras vampíricas perten- centes à LI são frutos de produções literárias do século XX. Dentre as principais diferenças entre o sanguessuga tradicional e o presente nos livros es- critos para as crianças leitoras, destaca-se: - a presença constante do vampiro bom, como um meio de passar uma mensagem a seu leitor; - mortos-vivos que não se alimentam de sangue, mas de leite e de tinta, por exemplo;

- feições mais amigáveis, e caracterizações mais suaves do ser de caninos prolongados (AMBRO- SINI, 2015, p.36).

Portanto, como podemos perceber, o vampiro é um personagem camaleônico e bastante versátil, trafega por vários universos e pode ser adaptado também para causar deleite às crianças, tornando-se, assim, um incentivador de comportamentos politicamente corretos. Ambrosini no seu trabalho analisa as obras: O pequeno vampiro (2014) de Angela Sommer (alemã); O chupa-tinta (2006) de Éric Sanvoisin (francês); O vampiro que descobriu o Brasil (2013) de Ivan Jaf (brasileiro); Minha irmã vampira: trocadas (2010) de Sienna Mercer (canadense). Esses vampiros com vários sotaques são provas da universalidade do tema. O vampiro no século XXI desconhece fronteiras e continua sendo recriado de acordo com a especificidade de cada região.

Fantástico na Literatura Infantil, em 2015. Tem experiência na área de Letras, e

trabalha, desde 2015, com correções de redação e na área de educação. Iniciará, em março deste ano de 2016, o Mestrado em Literatura, na linha Textualidades Híbridas, pelo Programa de Pós-Graduação em Literatura da UFSC. Disponível em: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/busca.do - Acesso 17.02.16.

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