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Un programme pour la transformation : utilisation optimale des ressources et recentrage des efforts

Dans le document OBJECTIF : ZÉRO (Page 22-26)

No ano de 2003, conforme explica Levy (2012, p. 427), o Google compra a empre- sa de mapeamento por satélite Keyhole e, a partir disso, desenvolve produtos que se utilizam de geodados. Três anos depois, surge o Google Maps e, oriun- do deste, em 2007, nasce o GSV “[…] como consequência da fome onívora por geodados” (LEVY, 2012, p. 427). No seu ano de estreia, a ferramenta exibia timi- damente fotografias de cinco cidades americanas; no ano seguinte, mais de 30 países já contavam com o serviço de mapeamento fotográfico.4

Atualmente, segundo informações do próprio Google em seu portal, o proje- to está em mais de 65 países, em todos os continentes, e foram percorridos mais de 11 milhões de quilômetros para o registro das fotografias. Tão colossal quanto a quilometragem percorrida é a quantidade de imagens e de dados gerados, na ordem de 20 petabytes (1 petabyte = 1 milhão de gigabytes). A fim de aprimorar a interface de uso, o GSV integra, desde o segundo semestre de 2015, a plataforma Google Maps, unificando assim os “produtos de imagens do Google”, e já conta tanto com aplicativos para celular que permitem ao próprio usuário comum re- gistrar determinado lugar, gerar uma fotografia “esférica” e publicá-la no google. com quanto com uma ferramenta exclusiva para empresas que queiram aumen- tar sua visibilidade na rede, o Street View Trusted.5

4 Sabe-se que, além do serviço de mapeamento fotográfico, o GSV se utiliza de geodados comprados de

governos nacionais e regionais que permitem ao usuário doméstico, quando navega pela ferramenta, deparar-se involuntariamente com sugestões de serviços como restaurantes entre outros.

5 Trata-se de um mecanismo em que a empresa contrata um fotógrafo profissional certificado com o

selo trusted, atribuído pelo Google, para produzir fotos de seu estabelecimento comercial e assim, “impulsionar a visibilidade” do seu empreendimento. Desse modo, quando se acessa via street view a rua onde determinado restaurante está, por exemplo, é possível explorar o lugar pelas fotografias produzidas pelo fotógrafo contratado. Na página em que o serviço é ofertado, o Google argumenta que “Escolher o restaurante, café ou hotel certo não é uma tarefa muito fácil. Estabeleça confiança com

O processo de captação das imagens do GSV consiste na seguinte forma: as fotos são obtidas por quinze câmeras fotográficas – com sensores de Global Positioning System (GPS) para georreferenciamento – afixadas em um mono- pé localizado aproximadamente a dois metros acima do veículo que o carrega. Inicialmente, apenas carros transportavam as câmeras fotográficas, no entanto, com a expansão do projeto e a impossibilidade de os veículos entrarem em am- bientes de difícil acesso, as câmeras foram também afixadas em motos, bicicle- tas, barcos, motoneve, camelos e transportadas por pessoas e mergulhadores no fundo do mar. Dessa maneira, percorrem-se ruas, avenidas, estradas, passagens, vales, desertos, campos nevados, fundo do oceano, aeroportos, shoppings, are- nas esportivas, museus, enfim, quaisquer lugares que possam ser registrados para a confecção dos mapas imagéticos.

Conforme os veículos (ou pessoas) do Google andam, as câmeras digitais fo- tografam automaticamente e em intervalos regulares, registrando imagens em angulações de até 290º na vertical e 360º na horizontal, que depois são alinhadas e “costuradas” por softwares que também suavizam a transição entre as imagens e simulam o efeito estereoscópicode tridimensionalidade para a exibição no site e no aplicativo. Dessa forma, quando os acessamos, é possível procurar por ursos polares na tundra canadense, visitar a Estátua da Liberdade ou um beco de Nova York, as falésias da ilha de Sardenha, o ambiente subaquático de Fernando de Noronha, grandes museus e até explorar a vila do Papai Noel na Finlândia, tudo mediado pelas fotografias do Street View.

Com mais de 10 milhões de seguidores nas redes sociais e uma colaboração cada vez mais constante dos usuários para o mapeamento, o Google, não raro, é alvo de críticas, já que as imagens de Street View invadiriam a privacidade das pessoas e, mesmo com a ferramenta de “desfoque” automático do rosto, o projeto, desde seu início, causou polêmica, pois poderia expor pessoas a situa- ções indesejadas

antes mesmo de chegar lá. Essas experiências virtuais imersivas inspiram mais confiança entre os hóspedes e clientes em potencial”, argumento este que é corroborado por uma pesquisa (encomendada pelo pró-

prio Google) e realizada pela empresa britânica de consultoria econômica Oxera, cujos dados apontam que “páginas de serviços que possuem fotos e tour virtual tem o dobro de chance de gerar interesse nos consumidores” e, “em média 41% dessas visitas ao lugar resultam em uma visita física ao local”. (GOOGLE, 2016)

[...] os defensores da privacidade que viram a prévia do produto fica- ram horrorizados. Eles diziam ‘meu Deus, isso é terrível – você con- segue mesmo ver uma pessoa na Times Square’ [...] o que dizer sobre alguém que estava entrando em um clube de striptease – ou talvez passando na frente de um clube de striptease? E quanto a uma pessoa casada andando de mãos dadas com alguém que não era seu cônju- ge? E se o Google Street View mostrasse – conforme os observado- res efetivamente descobriram – adolescentes tomando banho de sol com roupas curtas, vadios entrando em prédios, alunas de colegial participando de brigas e pessoas misteriosamente usando cabeças de cavalo? O Google realmente queria se tornar um bisbilhoteiro global? (LEVY, 2012, p. 429, grifos do autor)

Nesse sentido, tendo em vista questões internas de segurança,6 o GSV não é

permitido em parte da África e em países islâmicos como a Arábia Saudita, que alegam – além da segurança nacional – invasão da privacidade de seus cidadãos. Por serem produzidas por meio de captura automática e intermitente das câme- ras fotográficas, esporadicamente são publicadas no site imagens constrangedo- ras ou mesmo violentas de pessoas tropeçando, assaltos e mesmo cadáveres nas ruas. Para resolver essa questão de odd or unpleseant moments (momentos cons- trangedores ou ímpares) como é denominado pela empresa, o Google criou um ícone na própria página chamado de report a problem, no qual o próprio usuário solicita uma revisão de conteúdo nas fotografias publicadas, o que na maioria das vezes é rapidamente atendido e as imagens “constrangedoras” prontamente retiradas do ar. Dessa forma, fotos alusivas à violência, pessoas abordando pros- titutas, fazendo gestos obscenos ou qualquer outra “impertinência” não fazem parte do estatuto de visibilidade do GSV.

Dans le document OBJECTIF : ZÉRO (Page 22-26)