Chapitre 3 : Quels sont les scénarios de délocalisation les plus
I. Profils des voyageurs interurbains toulousains
Como vimos, a Convenção Europeia da Paisagem possui uma abrangência maior
que a categorização feita pela UNESCO. A CEP abrange todo tipo de paisagem e aponta a importância do conhecimento, identificação e classificação dessas paisagens.
Alguns países, como Espanha e Inglaterra, desenvolveram uma espécie de Atlas das paisagens de seus territórios. No caso espanhol, foram criadas tipologias de
paisagens, que agrupam em uma configuração paisagística comum, partes do território que se identificam e se assemelham.
Na Catalunha, Espanha, foi aprovada a Lei 8/2005, de 08 de junho, de proteção, gestão e ordenação da paisagem, que visa a adesão do país à CEP. A lei se aplica a todo o território da Catalunha, incluindo as áreas naturais, rurais, florestais, urbanas e periurbanas, tanto as paisagens singulares como as cotidianas ou degradadas, interioranas ou litorâneas. Tem como objetivo o reconhecimento, a proteção, a gestão e a ordenação da paisagem, com a finalidade de preservar seus valores naturais, patrimoniais, culturais, sociais e econômicos, em um quadro de desenvolvimento sustentável (CORTINA, 2006). Assim, a lei integra a paisagem no planejamento do território e a insere em outras políticas que afetam direta ou indiretamente as paisagens. Como instrumentos fundamentais de proteção, gestão e ordenação das paisagens no planejamento territorial, a Lei 8/2005, estabelece os catálogos da paisagem e as diretrizes da paisagem.
Os catálogos da paisagem são documentos descritivos e prospectivos que determinam a tipologia das paisagens da Catalunha, identificam seus valores, seu estado de conservação e propõem as metas da qualidade paisagística a serem alcançadas (CORTINA, 2006). Os catálogos devem conter um inventário dos valores paisagísticos das paisagens, a delimitação das unidades de paisagem53, a definição de rotas e caminhos e pontos de visadas. A partir dessas informações, são definidas as metas da qualidade paisagística para cada unidade da paisagem e elaboradas as diretrizes da paisagem, que incorporam normativamente as propostas das metas de qualidade paisagística nos planos territoriais parciais e nos planos diretores territoriais (CORTINA, 2006).
Também foi instituído o Observatorio del Paisaje, segundo a Resolução
PTO/3386/2004, de 16 de dezembro, que tem como objetivos: o diagnóstico, estudo e sensibilização da sociedade catalã com vistas à proteção, gestão, restauração e
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O conceito operativo de unidade de paisagem é entendido como uma parte do território, caracterizada por uma combinação específica de componentes paisagísticos e de dinâmicas claramente reconhecíveis que lhes conferem uma idiossincrasia diferenciada do resto do território (CORTINA, 2006, p. 412 In: MATA, Rafael; TARROJA, Àlex (coords.). El paisaje y la gestión del territorio. Criterios paisajísticos en la ordenación del territorio y el urbanismo. Barcelona: CUIMPB. DIPUTACIÓ BARCELONA. Colección Territorio y Gobierno: Visiones, 2006.
melhoria da paisagem, levando-se em consideração o desenvolvimento sustentável, a proteção ambiental, o uso racional do solo e a economia de recursos (CORTINA, 2006). O Observatorio del Paisaje é uma entidade que trabalha em colaboração com as municipalidades, no que se refere à elaboração, aplicação e gestão das políticas de paisagem.
Todos esses mecanismos vem contribuindo para uma maior aproximação da população no que tange à valorização da paisagem na Catalunha, que como também em outros países, encontrava-se em uma situação de ruptura, de alienação entre a população e seu território. Os catálogos de paisagem, ao mesmo tempo em que definem linhas estratégicas a serem seguidas que, transformadas em diretrizes de paisagem, podem contribuir com a melhoria da qualidade das paisagens da Catalunha e, consequentemente, com a qualidade de vida da população, também funcionam como instrumento de educação e sensibilização da população, entidades privadas e autoridades públicas sobre os valores da paisagem, funções e mudanças (CORTINA, 2009).
Figura 04 – Unidades de paisagem do catálogo de paisagem de Terres de Lleida, Catalunha, Espanha
Fonte: BUSQUETS, Jaume; CORTINA, Albert (coords.). Gestión del paisaje. Manual de protección, gestión y ordenación del paisaje.Barcelona: Ariel Patrimonio, 2009.
No caso britânico, através do programa Historic Landscape Characterisation (HLC),
agenciado pelo English Heritage54, foram definidas áreas com características
relativamente homogêneas, que possuem “um padrão específico que se repete e as
diferencie das áreas envolventes” (RIBEIRO, 2007, p. 61). Essas áreas foram
nomeadas de ‘character areas’55 e os fatores determinantes para definição desse caráter podem ser as formas de relevo, a altitude, o uso do solo, a tipologia urbanística, a combinação entre esses fatores, dentre outros. A metodologia britânica possui uma visão holística da paisagem, abarcando desde pequenos espaços até grandes áreas, a partir da categoria de paisagem.
O programa HLC foi pensado para expandir o conhecimento e gestão do ambiente histórico em duas direções: para além da abordagem tradicional baseada em lugares e construções e também direcionada aos aspectos arqueológicos, arquitetônicos, assim como os aspectos antigos e recentes do ambiente (CLARK, 2004-5). Suas ideias foram desenvolvidas nos anos de 1990, derivadas dos métodos tradicionais de avaliação da paisagem, a fim de unificar e criar uma linguagem comum entre os órgãos gestores. O HLC teve seu início em 1994 na Cornualha e se desenvolveu rapidamente, alcançando todo o território inglês. O programa, inicialmente, possuía um foco mais direcionado às áreas rurais, mas com o desenvolvimento dos trabalhos, mostrou-se um instrumento versátil, com diversas aplicações, e expandiu também para áreas urbanas e industriais.
A caracterização do território inglês é uma tentativa de tratar conjuntamente os diversos aspectos do lugar, a fim de entendê-lo e experienciá-lo melhor, entender como o lugar, como um todo, significa para as pessoas (GRENVILLE; FAIRCLOUGH, 2004-5, p. 2).
54 English Heritage é o órgão responsável pela preservação do patrimônio cultural inglês. Para mais informações:
<http://www.english-heritage.org.uk/>
55 O conceito de ‘character’ foi utilizado na legislação Conservation Area no ano de 1967 e influenciou o Landscape Character
Assessment (Avaliação do caráter da paisagem) e o English Heritage Historic Landscape Project de 1992-1994. Em 1998, a metodologia de caracterização de áreas foi trazida à tona pelo projeto conjunto entre a Countryside Comission, o English Heritage e o English Nature, entidades inglesas de proteção à paisagem, ao patrimônio inglês e à natureza, respectivamente, que produziram o Countryside Character Map, um mapa representando as características físicas do território inglês. Os mesmos princípios foram utilizados no Settlement Atlas, de 2000. (CLARK, Jo; DARLINGTON, John; FAIRCLOUGH, Graham.
O HLC dividiu a Inglaterra em 159 partes distintas, caracterizadas em escala nacional em termos cênicos, naturais e de acordo com os atributos históricos de suas paisagens. Os mapas produzidos são feitos em níveis dos condados, áreas pequenas o suficiente para manter um nível de detalhamento razoável e amplo o suficiente para manter a perspectiva da paisagem. Os mapas são produzidos em GIS (Geographic Information System) e são baseados em registros estruturados nos atributos visíveis da paisagem e suas interpretações, referenciadas a datas, funções, assentamentos, origem, ou evolução. Os arquivos podem ser atualizados com novos dados, novas compreensões, conflitando teorias e ideias ou transformando interpretações, corroborando com uma visão mais ampla da paisagem (CLARK; DARLINGTON; FAIRCLOUGH, 2004).
Um dos principais objetivos do HLC é ajudar na gestão da mudança da paisagem, o que faz parte da essência da paisagem cultural. Através do cruzamento de dados, pode se avaliar as reais necessidades e as possibilidades de mudança, contribuindo para a integração de interesses culturais e ambientais, onde todos os aspectos da paisagem e do ambiente são considerados em conjunto. Esta integração entre o ambiente natural, histórico e cultural é um dos principais benefícios da abordagem do território através de sua caracterização.
Figura 05 – Programa HLC em andamento até 2006
Fonte: CLARK, Jo. Historic Landscape Characterisation: A
national programme. In:
Conservation Bulletin. English Heritage, 2004-5, p. 22.
Existem vários projetos em andamento na Inglaterra, tendo como base o HLC, mas todos possuem os mesmos objetivos: definir o contexto, ou seja, como as construções e monumentos se relacionam entre si e outros aspectos do ambiente histórico e natural; entender o passado, as mudanças ocorridas ou a continuidade, que trouxeram o ambiente ao estado que herdamos e assim, prover um ponto de partida para futuras mudanças; prover um quadro geral, que pode servir como base de inclusão, onde diversos atores podem incluir suas percepções e pontos de vista, promovendo o diálogo e o debate (GRENVILLE; FAIRCLOUGH, 2004-5, p. 3).
Figura 06 – Mapeamento do HLC na parte sudoeste da Inglaterra realizado pelo South West Historic Environment Forum
Fonte: CLARK, Jo; DARLINGTON, John; FAIRCLOUGH, Graham. Using Historic Landscape Characterisation. English Heritage & Lancashire County Council, 2004, p. 55
Atualmente, todo o território inglês se encontra mapeado, o que não quer dizer que o trabalho acabou, pois, como já explicitado, o HLC pode ser atualizado, de acordo com a necessidade.
Por falta de pessoal e devido à complexidade dos trabalhos, que demandam dinheiro e tempo, questões imateriais como a significação dada à determinada área pela população, mesmo considerada de grande importância e necessária para o
entendimento da paisagem, ainda não tinham sido totalmente concluídas até 2010. Como apontado por CLARK (2004-5), o desenvolvimento de ferramentas que possibilitem uma maior participação pública é o principal objetivo para os próximos anos.
People’s perceptions turn land into the concept of landscape. This is not just about visual perception, or how we see the land, but also how we hear, smell and feel our surroundings, and the feeling, memories or associations that they evoke. Landscape character, which is the pattern that arises from particular combinations of the different components, can provide a sense of place to our surroundings. (Landscape Character Assesment Guidance for England and Scotland)
Mas, o interesse pela participação popular cresce a cada dia e já existem estudantes de mestrado na University College of London, como Kate MsSweeney, que estudou alguns exemplos de participação popular no HLC, em caracterização urbana e projetos de avaliação de caráter. Também na cidade de Liverpool56, um projeto em andamento que procura envolver o público jovem, explora o papel e o significado da música popular na caracterização da paisagem urbana e na construção do sentido de lugar (SCHOFIELD, 2004-5). Outros estudos envolvendo sentidos humanos, como a audição, também estão sendo desenvolvidos, buscando investigar como os sons podem ampliar nosso conhecimento do passado, bem como o sentido atual do lugar57.
A metodologia do HLC se mostrou como uma ferramenta de pesquisa, possibilitando um melhor reconhecimento da área de estudo, ajudando na preservação e na formação do espaço futuro; uma ferramenta de participação, onde são unidas as visões da população e os valores dos especialistas; e uma ferramenta de planejamento territorial, podendo ser utilizada tanto por profissionais ligados à preservação do patrimônio como urbanistas, políticos, proprietários de terras, comunidades e indivíduos (GRENVILLE; FAIRCLOUGH, 2004-5, p. 3). Após vinte
56 O projeto em parceria com o
English Heritage e o Institute of Popular Music at the University of Liverpool. Para mais informações ver: COHEN, Sara. Place and the Liverpool Sound. In: Ethnicity, Identity and Music: the musical construction of place. London: Berg, 1994, p. 117-134.
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anos, o HLC é, principalmente, uma ferramenta de ajuda na gestão da mudança dos ambientes históricos. O HLC também auxiliou no desenvolvimento de políticas agroambientais e os estudos da Countryside Agency, do Reino Unido, têm orientado
trabalhos em diversos países europeus signatários da Convenção Europeia da
Paisagem.
Finalizando, podemos apontar que ambas as metodologias, tanto da Catalunha como da Inglaterra, possuem um caráter multidisciplinar, com a participação de profissionais de diversas áreas, complementando, assim, a leitura da paisagem. A ferramenta GIS também se colocou como a mais adequada nos dois casos, devido à possibilidade da criação e agenciamento do banco de dados gerado, possibilitando o cruzamento de dados, facilitando na leitura e manejo das paisagens.
Figura 07 – Mapeamento de Lancashire
Fonte: CLARK, Jo; DARLINGTON, John; FAIRCLOUGH, Graham. Using Historic Landscape Characterisation. English Heritage & Lancashire County Council, 2004, p. 58