Chapitre 2 : Diagnostic des besoins des PEM périphériques pour
II. Analyse de la pertinence des PEM toulousains pour un
Como já visto neste capítulo, a ideia relacionada à interação do homem com o meio, com a natureza, deu origem a várias discussões, recomendações, levando à necessidade de reconhecimento do novo conceito Paisagem Cultural pela UNESCO. Entre os anos de 1992 e 2007 aconteceram vários encontros regionais de especialistas, realizados pelos Estados-membros, que contribuíram para a categorização utilizada pela UNESCO46. Apesar de ser uma ideia menos abrangente que a noção acadêmica de paisagem cultural, a UNESCO tentou, através da Lista do Patrimônio Mundial, representar as diversas paisagens culturais de valor excepcional, paisagens representativas de diferentes regiões do mundo, seguindo algumas categorias. Essas paisagens, ao combinar obras da natureza e do homem, expressam a longa e íntima relação entre os povos e seu ambiente natural.
Algumas paisagens demonstram as técnicas de uso da terra, outras associadas a poderosas convicções, costumes tradicionais e artísticos, diversas representações da relação espiritual dos povos com a natureza, culturas tradicionais já desaparecidas, vários exemplos que tentam retratar a evolução do conceito de paisagem cultural, de acordo com abordagens de várias disciplinas. Essas paisagens atestam o gênio criativo humano, assim como seu desenvolvimento social e espiritual, fazendo parte de nossa identidade coletiva.
A categoria Paisagem Cultural foi adotada pela UNESCO em 1992, sendo a paisagem valorizada como um bem em si, considerando e valorizando todas as interrelações ali existentes, homem-natureza, natural-cultural. Após diversas discussões, definiu-se que as paisagens seriam selecionadas por seu valor universal, pela sua capacidade de representar uma região específica, através de seus elementos culturais e naturais.
Sendo assim, segundo definição da UNESCO, paisagens culturais são bens culturais que representam as obras conjugadas do homem e da natureza e “ilustram a evolução da sociedade e dos estabelecimentos humanos ao longo dos tempos, sob a influência dos condicionamentos materiais e/ou das vantagens oferecidas pelo seu ambiente natural e das sucessivas forças sociais, econômicas e culturais,
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internas e externas”. Elas dividem-se em três categorias principais: paisagem claramente definida, paisagem essencialmente evolutiva ou evoluída organicamente que se subdivide em paisagem relíquia e paisagem viva, e a última categoria, paisagem cultural associativa.
A paisagem claramente definida, concebida e intencionalmente criada pelo homem abrange paisagens de jardins e parques criados por razões estéticas, uma abordagem bem próxima da arquitetura da paisagem. A paisagem evoluída organicamente é aquela resultante de uma exigência de origem social, econômica, administrativa e/ou religiosa e alcançou sua forma atual por associação e em resposta ao seu ambiente natural. Esta última pode se dividir em paisagem relíquia (ou fóssil), que foi submetida a um processo evolutivo que foi interrompido, mas que manteve suas características essenciais e paisagem viva (ou contínua), que conserva um papel social ativo na sociedade contemporânea, estreitamente associada ao modo de vida tradicional e no qual o processo evolutivo continua. A categoria de paisagem cultural associativa é aquela que se justifica pela força da associação a fenômenos religiosos, artísticos ou culturais do elemento natural, e por vestígios culturais materiais, mesmo que insignificantes.
A categoria paisagem cultural, ao valorizar a relação do homem com o ambiente natural, apresentou a possibilidade de reconhecimento de estruturas ligadas a sociedades tradicionais, antes marginalizadas, assim como áreas lineares de rotas
Figura 01 – Jardins do Castelo de Versailles, França – Exemplo de uma Paisagem Claramente Definida
Fonte: Arquivo da autora 06 ago. 2008
Figura 02 – Terraços de Arroz nas Filipinas – Exemplo de uma Paisagem Cultural Evolutiva
Fonte:
<http://www.a23online.com/2009/10/27/batad- um-paraiso-perdido-nas-montanhas-das-
culturais, dentre outras, abarcando a ideia de pertencimento, singularidade, valor e significado atribuído aos lugares pelas pessoas.
Percebe-se uma aproximação da UNESCO a alguns pensamentos geográficos, como descrito por RIBEIRO (2007), que estabelece uma ligação da categoria
paisagem evoluída organicamente com o pensamento de Carl Sauer, devido ao
caráter evolucionista e historicista, enfatizando como o homem construiu sua
paisagem ao longo dos anos. A abordagem ligada à paisagem cultural associativa
se aproxima do pensamento da geografia cultural, que a partir da década de 1980, passou a valorizar as associações culturais vinculadas a uma certa paisagem. E como já citada, a ligação da arquitetura com a paisagem se relaciona com a disciplina do paisagismo, sendo representada na categorização na UNESCO na
paisagem claramente definida. Estas relações possivelmente fazem parte de uma
tentativa feita pela UNESCO de englobar diversas disciplinas e abordagens uma vez que a lista buscar representar as diferentes regiões do mundo.
RIBEIRO (2007) também chama a atenção pelo qualificativo ‘cultural’ ligado à paisagem, levando-a a um patamar de bem a ser considerado em si e não apenas como panorama, como utilizado no Brasil durante muitos anos. Na Europa, alguns profissionais preferem usar apenas o termo paisagem, possibilitando uma maior abrangência.
Figura 03 – Monolito no Parque Nacional Uluru-Kata Tijuta, Austrália – Exemplo de uma Paisagem Cultural Associativa
Fonte: <http://en.travelnt.com/explore/uluru-kata-tjuta/uluru-kata-tjuta-national-park.aspx> Acesso em 19 jul. 2011
Atualmente, existem 66 bens inscritos na Lista do Patrimônio Mundial considerados Paisagens Culturais47. O Brasil não possui nenhuma Paisagem Cultural inscrita na Lista da UNESCO, embora duas tentativas já tenham sido feitas, a cidade de Paraty e parte da cidade do Rio de Janeiro. A primeira proposta de inscrever a cidade do Rio de Janeiro abrangia apenas a Floresta da Tijuca. Posteriormente, sob recomendações da UNESCO, foi incluída parte da cidade para melhor caber na concepção de paisagem cultural.
A maior parte das paisagens culturais inscritas na Lista do Patrimônio Mundial pertence ao continente europeu, destacando ainda a prevalência dos valores europeus na elaboração dos critérios de seleção, um quadro que vem mudando ao longo dos anos. As paisagens inscritas, de uma maneira geral, caracterizam-se do ponto de vista geográfico, topográfico e funcional, como apontado por RIBEIRO (2007), representado por montanhas, assentamentos urbanos e paisagens modificadas por atividades agrícolas, e do ponto de vista intelectual, ligada a significados históricos, tradição, religiosidade, simbolismo e estética.
Temos que ter em mente que, como uma tentativa de representar várias porções do planeta, através de suas singularidades, a Lista do patrimônio Mundial da UNESCO ainda se apresenta menos abrangente que abordagens mais regionais, por ainda se ligar ao valor de excepcionalidade, podendo ser considerada uma lista representativa. Por isso, a necessidade de abordagens mais amplas, com um enfoque mais regional, tendo como o principal exemplo, a Convenção Europeia da Paisagem, que será discutida a seguir.