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Comment sont produits les noyaux hauds sur terre ?

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 16-22)

Para além da grande mídia, existem também discussões nas redes sociais, as mais utilizadas são o Facebook e o Instagram. No Facebook, há uma comunidade que se chama Anti-caça Javali, que diz ser um ―Movimento de luta frontal anti-caça Brasil‖; sua primeira publicação em 20 de Agosto de 2016 revela: ―Nosso divertimento é caçar caçadores.‖ Provavelmente, esta página foi elaborada por pessoas contrárias a caça. E como o javali é a única espécie que pode ser caçada, ele passou a ser defendido.

Aparentemente, esta página apresentou inúmeras publicações entre agosto de 2016 e setembro do mesmo ano, a última publicação sendo em agosto de 2017, ou seja, ela apresentou um período de inatividade bastante grande, além de apenas uma pequena temporada de defesa a esses animais.

Em suas publicações, o Anti-caça Javali denunciava não só caçadas referentes aos javalis, mas também a outras espécies de animais. No geral, essa página publicou o que chamou de ―massacre dos javalis, e exploração de cães‖, fazendo duras críticas ao IBAMA em seus posts, denunciando eventos, caçadores e administradores de páginas que defendem a caça dos javalis.

Utilizando palavras fortes como ―psicopatas‖ ao se referir aos caçadores, o Anti- caça Javali é um grupo que possuí uma página com mais de 1.200 seguidores – um número pequeno para os padrões do Facebook –, o que para nós representa um impacto pouco significativo no Facebook, sendo um dos prováveis motivos da sua inatividade.

Todavia, para além das diversas mensagens inscritas na página denunciando a crueldade para com os javalis, com os cães utilizados nas caçadas, e também com outros animais também vítimas dos caçadores, uma postagem em especial, do dia 17 de Setembro de 2016, nos chamou a atenção:

Essa é mais uma prova que não existe controle populacional do javali no Brasil, pois estão espalhando o animal propositalmente pelo país, o javali chegou ao Brasil pelo sul, desta forma, deveria ter continuado somente na região sul, mas não foi isso que aconteceu, para justificar a caça desenfreada, caçadores passaram a transportar esses animais de maneira ilegal para várias partes do país. E os poucos lugares que ainda não existe javalis, os caçadores fazem questão de pedir para que animais sejam enviados para se reproduzir e posteriormente alegar superpopulação. Mais uma vez o IBAMA é responsável por não fiscalizar esse remanejamento desses animais que estão sendo espalhados pelo Brasil para sem dizimados de forma cruel pelos caçadores como uma forma de divertimento para os mesmos. Isto será encaminhado para os órgãos competentes, pois esta pagina de nome (aqui tem javali), administrada pelo senhor Rafael Salermo é uma das que estimulam esta prática da criação e importação ilegal de javalis para caça e não controle como os mesmos alegam. (ANTI-CAÇA JAVALI, 2016).

Essa postagem expunha um diálogo entre um suposto caçador, que esperava a chegada de javalis na sua região para ele caçar, e o grupo Aqui Tem Javali, que demonstra que na região onde eles se localizam já havia javalis.

Sem embargo, muito do que foi escrito acima não está equivocado, porém, cabe- nos falarmos um pouco sobre o grupo citado, Aqui Tem Javali.

Esse grupo tem uma página na internet (www.aquitemjavali.com.br), com notícias, artigos, consultorias, entre outros assuntos relacionados aos javalis. Eles também

possuem uma comunidade no Facebook, com mais de 180 mil seguidores, e um grupo, com

aproximadamente 35 mil membros, além de terem um blog

(http://aquitemjavali.blogspot.com.br/), que se encontra inativo.

O responsável por essas páginas é o Engenheiro Agrônomo Rafael Salermo, que, basicamente, defende a caça aos javalis como forma de controlá-los, mitigando os danos que estes estão causando às lavouras. Suas páginas, com exceção do blog, são bastante ativas, sempre com postagens de abate dos suínos asselvajados e os prejuízos por estes causados à diversas propriedades.

Neste grupo, segundo postagens, a defesa geral é pelo direito de caçar e portar armas, além de uma crítica enfática aos defensores dos direitos dos animais que rivalizam com os caçadores; talvez por isso tenha sido um alvo preferido do grupo Anti-caça Javali durante o tempo em que permaneceram ativos.

No entanto, retornando à postagem citada acima, que extraímos da página deste último, percebemos que a observação de que os javalis estão sendo alastrados também pelos caçadores não é infundada. Há uma desconfiança de que os manejadores estejam espalhando esta fauna exótica invasora em lugares que ela ainda não existia.

A reportagem do Estadão também revela, nas palavras de um de seus entrevistados:

―A fiscalização ainda não conseguiu comprovar isso, mas ouvimos vários relatos de que caçadores estariam fomentando a distribuição desses animais para abrir a caça. Uma espécie como o javali, se ela está em ambiente ótimo, com bastante alimento e que possa se reproduzir, não teria porque dispersar mais. Mas está se espalhando muito rápido. Isso pode sim estar acontecendo‖, afirma Riograndense. (GIRARDI e BILÓ, 2016, s/p).

A reportagem continua:

O Ibama está agora investigando a suspeita de que o javali pode estar presente em Roraima. ―Como ele teria chegado ali se não de modo proposital?‖, questiona. (GIRARDI e BILÓ, 2016, s/p).

Um dos nossos entrevistados nos revelou que muitos caçadores legalizados, dos quais ele conhece, pegaram javalis em armadilhas de outras regiões e soltaram em localidades próximas a suas moradas, pois, muitos deles se locomoviam por quilômetros para poderem caçar. Assim, ―tendo javali mais perto fica mais fácil‖, revelou ele, o que demonstra que, do ponto de vista do caçador, é ótimo porque a caça estará ―perto de casa‖, mas da perspectiva do Estado ou daqueles que sofrem as consequências dos estragos causados por esses animais é

bastante preocupante; isso porque, caso essas constatações sejam verídicas – e tudo indica que sim –, poderemos afirmar que, no fundo, o problema da proliferação dos javalis e seus híbridos não provêm apenas das circunstâncias favoráveis do território brasileiro que favorecem a sua procriação, mas também dos criadores e caçadores que os espalharam e contribuíram para o alastramento desses animais.

Entretanto, não é a nossa intenção apontar culpados (até porque o problema da superpopulação desses porcos asselvajados já é uma realidade), mas sim buscar demonstrar alguns entraves dentro da Política Pública de Manejo de Javali que estão prejudicando a mesma. Além disso, vale a pena olharmos, do ponto de vista antropológico, a relação entre os caçadores e suas presas, os javalis e javaporcos, esta que também irá reverberar, no limite, na Política Pública de Manejo.

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 16-22)