des statistiques économiques intégrées
C. Modules de l’intégration
3. Processus de production de statistiques
A utilização de bebedouros públicos não está isenta de perigos que poderão colocar em risco a saúde pública, a Tabela 9 apresenta alguns estudos que o demonstram.
Tabela 9 - Estudos realizados a fontes de água/bebedouros
Estudos Objecto de estudo Contaminação Ref.ª
North
Yorkshire 47 bebedouros de 17 escolas
Elevadas contagens totais de
bactérias Walters et al., 2002 Devon 87 bebedouros/dispensadores
26% E. coli, Enterococcus faecalis,
Staphylococcus aureus e Pseudomonas
Devon County Council, 2010
Guaralhos 3 bebedouros de diferentes prédios Bactérias pertencentes à família
Enterobacteriaceae
Pongeluppe et al., 2009 Minas
Gerais 20 bebedouros 90% bactérias heterotróficas Barbosa et al., 2009 Curitiba Bebedouros de 2 parques públicos Bactérias heterotróficas Reis et al., 2012
Muriaé 50 bocais de bebedouros em 10
escolas públicas Coliformes Totais Freitas et al., 2013 Sul de
Minas
49 amostras recolhidas à água dos
bebedouros da Universidade Bactérias heterotróficas Barbosa et al., 2012 Juiz de Fora 36 bebedouros Coliformes totais e fecais Fortuna et al., 2007
Campos Gerais e Ilicínea
8 amostras recolhidas à água e
torneira dos bebedouros das escolas Coliformes fecais Correa et al., 2012 Diamantina
Água de bebedouros destinada ao consumo humano dos Campus I e II
da Universidade Federal
Fungos Dantas et al., 2010
Londrina
19 amostras às águas aos bebedouros do campus da
Universidade Estadual
Coliformes totais
E. coli. Seco et al., 2012
Timon 10 bebedouros em escolas públicas 30% coliformes totais Oliveira et al., 2018 Anápolis 12 bicos de bebedouros
Staphylococcus aureus Staphylococcus saprophyticus
Enterococcus sp
Silva et al., 2016
Sintra 41 amostras de água de fontanário
87.8% coliformes totais 9.4% E. coli 57.3% enterococcos
Sara Alcântara 63 Os perigos podem estar directamente associados ao bebedouro ou à rede que o abastece. O bebedouro público pode estar ligado a uma rede predial ou em muitos jardins públicos pode estar ligado directamente ao sistema público de abastecimento ou à rede de rega. No caso da segunda opção, a EPAL no seu Manual de Redes Prediais (EPAL, 2011) recomenda a inclusão de válvulas de seccionamento em ambos os ramais, rega e abastecimento, e uma válvula de retenção ou anti-retorno no ramal da rega, de forma a proteger a rede de água para consumo humano, conforme a Figura 14.
O objectivo da válvula de anti-retorno consiste em impedir o retorno de água possivelmente contaminada, da rega, por herbicidas, fertilizantes ou sedimentos, de retornar à rede de água para consumo humano. A inexistência ou avaria da válvula de retenção pode ocasionar sérios perigos para a saúde pública. A título de exemplo, o surto de 2007 em Idaho, EUA, em que 45 pessoas foram infectadas com
Cryptosporidium (Jue et al., 2009; Alegre & Covas, 2010; EPAL, 2011).
O mau dimensionamento e a má construção da rede podem dar origem a vários eventos perigosos relacionados com o facto de existirem caudais inadequados na rede ou mesmo variações bruscas de pressão. Os caudais demasiado baixos causam pontos mortos com elevados tempos de retenção, propícios ao crescimento microbiano e potenciam a migração de substâncias perigosas dos materiais em contacto com a mesma (ex.: NO2) dando origem assim a dois tipos de perigos biológicos e químicos, ou ainda
levam à deposição e arrastamento de sedimentos, causando rupturas/colapso por diminuir o diâmetro da conduta. As variações de caudais por velocidades altas podem
14.1% Clostridium perfringens Ajman 49 amostras de água recolhidas de
water coolers da universidade
25 amostras acusaram
Pseudomonas aeruginosa e
coliformes totais
Moosa et al., 2015
.
Sara Alcântara 64 provocar desprendimento de biofilmes existentes, provocam fissuras no sistema que levam à sua rupturas/colapso, à fugas e/ou à introdução de sedimentos, e microrganismos patogénicos na rede (Moreno, 2009; Devon County Council, 2010; Alegre & Covas, 2010; Menaia, 2013; ARSLVT, 2015; ERSAR, 2017c.).
A falta de higienização ou uma higienização mal efectuada também conduz a vários eventos perigosos que dão origem a vários tipos de perigos. A higienização precária pode contribuir para acumulação de sedimentos e de matéria orgânica que leva à estagnação de água ou mesmo ao entupimento com a consequentemente contaminação química e biológica com microrganismos patogénicos como as bactérias coliformes, a
E. coli, fungos (mofo/lodo). Uma higienização com detergentes inadequados ou com
excesso de desinfectantes pode contaminar a água com substâncias químicas perigosas, por outro lado a não utilização de um desinfectante recomendado em concentrações baixas pode não eliminar e/ou evitar o crescimento microbiano (Moreno, 2009; Devon County Council, 2010; ARSLVT, 2015; Moosa et al., 2015; Silva et al., 2016; Divisão de Gestão Ambiental, 2017; Oliveira et al., 2018).
As condições ambientais como elevadas temperaturas, chuva e a localização em zonas com arvoredo propiciam mais eventos perigosos. A luz solar em excesso proporciona um aumento da temperatura que acelera as reacções químicas e bioquímicas, estimula o crescimento de microalgas (cistinas), assim como a formação de biofilmes e o aparecimento de microrganismos patogénicos e não-patogénicos. A chuva leva ao abatimento de terra, ruptura/colapso, alagamentos provocando um aumento da turvação e da matéria orgânica, ambiente propício ao crescimento de microrganismos patogénicos. Em zonas onde existem árvores em geral existem mais animais e pássaros que podem contaminar a água com excrementos, há queda de folhas que podem entupir os bebedouros e as raízes das árvores que podem provocar danos nas estruturas (Moreno, 2009; Vieira & Morais, 2005; Devon County Council, 2010; Hester, 2015; Wilson et al., 2018).
A falta de manutenção e inspecção conduz detioração de toda a rede, à ocorrência de rupturas/colapsos, avarias nas válvulas, entupimentos (Devon County Council, 2010; Menaia, 2013; Moosa et al., 2015; Xavier, 2015; Divisão de Gestão Ambiental, 2017; ERSAR, 2017c; Phurisamban. & Gleick, 2017).
Sara Alcântara 65 Por fim as más práticas de utilização englobam acções de vandalismo e sabotagem que introduzem no sistema contaminação por microrganismos patogénicos e não-patogénicos e substâncias químicas perigosas, a baixa frequência de utilização do bebedouro que pode estar relacionado com a sua localização e as variações sazonais. Esta situação aumenta a disposição para biofilmes e estagnação da água nas canalizações (Moreno, 2009; Devon County Council, 2010; Fidler, 2015; Hester, 2015; Ivanov, 2015; Phurisamban. & Gleick, 2017).
Na Tabela A1 e Tabela A2 do Anexo 1 resumem-se os vários perigos e eventos perigosos que podem ocorrer na rede de abastecimento e nos bebedouros bem como as principais medidas de monitorização.
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