CHAPITRE 5 LE MODÈLE DE LA SÉCURITÉ DES APPLICATIONS
5.10 Processus du modèle SA
Esta pesquisa considera como hipótese a necessidade de uma intervenção no Caça e Pesca, estruturada segundo o esquema proposto pela “estrela de cinco pontas” acima. Esta estrutura partícipe tem referência em um modelo de atuação que busca interrelacionar as dimensões total e parcial, global e local, encetando diálogos, relações e negociações destinadas a promover a qualidade de vida das pessoas. Um modelo inspirado no termo glocalização, a seguir explicitado.
Global Metro City – The Glocal Forum é uma ONG que atua para a construção de uma nova relação entre a cidade e a “aldeia global” com o fito de contribuir para a paz e para o desenvolvimento. Fundada em 2001, a organização encoraja poderes globais a terem um maior respeito pelos poderes locais e pela diversidade cultural em um processo definido como glocalização, ou a promoção de “ação glocalizada”.
Fundem-se as palavras global e local com o deliberado propósito de demonstrar relações em rede possíveis de serem intencionalmente promovidas. Assim, The Glocal Forum reúne prefeitos, corporações multinacionais, lideranças da iniciativa privada, cidadãos comuns, jovens e comunidades urbanas em uma recém-criada coalisão global-local de forças.
Baseada em Zurique, na Suíça, e com sede em Roma, na Itália, a ONG é encabeçada pelo embaixador israelita Uri Savir, considerado o “arquiteto” dos Acordos de Paz de Oslo e atual presidente do Peres Center for Peace.12
Os projetos do Forum focalizam o desenvolvimento sócio-econômico, o turismo, a juventude, os esportes, a cultura, os meios de comunicação e a aplicação de tecnologia da informação com o envolvimento das sociedades civis. Estruturas inovadoras em rede são criadas por intermédio da conferência anual realizada pela ONG e de eventos multiculturais, enquanto sua área de planejamento desenvolve um conjunto de recomendações políticas que incorporam e propulsionam as idéias de glocalização — ação glocalizada.
Desde 2001 a cidade de Roma e The Glocal Forum têm promovido juntos um evento anual de glocalização. O mais recente, realizado em maio do corrente, a Terceira Conferência Anual sobre Glocalização lançou o projeto “Somos o Futuro” (We Are the Future) com um concerto gratuito no histórico Circus Maximus contando com a participação do músico Quincy Jones — que há 18 anos deu início à campanha “Somos o Mundo” (We Are the World) —, artistas de renome e celebridades. O concerto foi gratuito, mas os recursos obtidos com a divulgação do evento e vendas de merchandising associadas foram destinados a centros de cuidado infantil em 6 cidades do planeta e programas da campanha We Are the Future. O primeiro centro foi aberto em 8 de abril deste ano em Kingali (Ruanda) e outros deveriam estar sendo abertos até o fim de 2004 em Adis-Abeba, (Etiópia), Asmara (Eritréia), Freetown (Serra Leoa), Cabul (Afeganistão) e Nablus (Palestina).
Com esse trabalho, The Glocal Forum intenta criar um equilíbrio mais eqüitativo entre o “global” e o “local” por meio de um novo padrão de diplomacia — a das cidades como interlocutores de consensos. A ONG recebe o patrocínio de diversas corporações, incluindo MTG, Tele2, Millicom e Metro International SA, maior provedor internacional de mídia impressa gratuita do mundo. No processo de “ação glocal”, a cidade é posta como principal player nas relações internacionais e encontra soluções locais para os desafios globais de construção da paz e do desenvolvimento. Mais de 300 membros de 134 países nos cinco continentes integram The Glocal Forum.
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A evidente “glocalidade” do tema abordado pela pesquisa permite utilizar esta terminologia, que está associada ao desenvolvimento da compreensão do atual funcionamento dos sistemas de redes — que se configuram como uma questão de crescente significação, especialmente para a comunidade local. O termo tem um cunho estratégico e grande importância econômica, ao destacar aspectos imediata e pontualmente referidos a um fluxo (de pessoas, capital, conhecimento) que perpassa diversas escalas geográficas, do País (Brasil) ao lugar em si, paralelamente a outro fluxo que define, numa escala global, a tendência a um mapeamento das zonas urbanas em clusters que distinguem centros de inovação tecnológica, áreas desindustrializadas, áreas de difusão da indústria, agroindústria e turismo e áreas a serem preservadas. Todas notoriamente sob o comando de agentes políticos, econômicos e financeiros internacionais e nacionais, localizados em diversas metrópoles do planeta, cujos interesses coexistem e conflitam entre si simultaneamente.
Mais ainda, as diferenciações forçadas sobre os espaços e os territórios descritos na área alijam a administração pública, quando não a cooptam, de seu poder controlador do conjunto do processo produtivo, intentando inclusive a coação dos seus representantes, para mais facilmente obter esse resultado.
Da mesma forma, os movimentos sociais locais se articulam e se organizam na escala global, hoje mais perceptivelmente, em sistemas de redes (ver Anexos 2). Ainda segundo Becker, graças às redes de telecomunicações, “permitindo às comunidades se relacionarem diretamente ao espaço transnacional. ‘Pense globalmente e aja localmente’ é uma bandeira significativa, envolvendo as mais esdrúxulas alianças”.13
A pesquisa intenta colaborar para manter e fazer prosperar o Caça e Pesca nos seus aspectos diversos, conforme dão testemunho, inclusive afetivo, os integrantes da amostra que respondeu aos 200 questionários dirigidos à comunidade (ver Anexos 1 - Questionário 3).
O emprego da terminologia espaço, importante para o avanço da compreensão das dimensões que se interpenetram na área que abrange o Caça e Pesca, permite que busquemos
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também explorar os limites de sua definição para obter uma maior troca de significações com a dinâmica urbana de Fortaleza.
(A definição de espaço geográfico) varia com as épocas, isto é, com a natureza dos objetos e a natureza das ações presentes em cada momento histórico. Já que a técnica é também social, pode-se lembrar de que sistemas de objetos e sistemas de ações em conjunto constituem sistemas técnicos, cuja sucessão nos dá a história do espaço geográfico. (...) Vivemos o mundo da ação em tempo real (...) Trata-se da possibilidade de uma ação racional sobre um espaço racional. (...) Alguns subespaços, dotados com as modernizações atuais, podem acolher as ações de interesse dos atores hegemônicos (...) graças às relações privilegiadas que podem ser estabelecidas entre esses objetos novos (concebidos para o exercício de certas finalidades) (SANTOS, 1997).
Apesar de que a ordem global busca impor a todos os “lugares” uma mesma racionalidade, sobrexiste uma ordem local, emergente da razão local — em última análise, a organização como produto da solidariedade, conforme enfatiza Santos (1997) —, “associada a uma população contígua de objetos, reunidos pelo território e como território, regida pela interação”14 e constituinte de uma ordem de razão “orgânica”, que carece inclusive de comunicação, o que aparentemente é deveras paradoxal, para a sua continuidade e reprodução.
Isso deve-se ao fato, como afirma ainda Santos, de que a ordem global é desterritorializada, separando seu centro de ação de sua sede. A ordem local, porém, encontra-se firmemente fundamentada na escala do cotidiano, e “tem como parâmetros a co- presença, a vizinhança, a intimidade, a emoção, a cooperação e a socialização com base na contigüidade”.15 É também por este viés que o Zoneamento sócio-ambiental participativo do Caça e Pesca começou a se assemelhar a uma possibilidade palpável.
Por zoneamento compreendemos o mapeamento de realidades determinadas, que integram, no caso, um contexto sócio-ambiental, e que se distinguem por relações específicas travadas no tempo e no espaço que obedecem aos contornos de uma identidade local. Mais além, trata-se de um mapeamento conduzido e realizado com a participação de uma amostra representativa da comunidade do Caça e Pesca, como descrito no item 2 desta pesquisa.
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Idem, p. 272.
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