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Les procédures de contrôle interne et de gestion des risques

ANNUEL DU PRÉSIDENT

2. Les procédures de contrôle interne et de gestion des risques

Apresenta-se, na Tabela 7, a validação das hipóteses propostas neste estudo, onde é possível verificar que das sete hipóteses testadas, quatro delas foram suportadas: H1, H2, H3 e H7. Sendo que a H1 versa sobre a influência dos modelos mentais na ACAP organizacional e as hipóteses H2, H3 e H7 avaliam, respectivamente, a influência das variáveis conhecimento, criatividade e gestão de risco na ACAP organizacional. Dentre àquelas que não foram suportadas estão a influência do relacionamento, da estratégia e da experiência do empreendedor no desenvolvimento da ACAP organizacional.

Tabela 7 – Validação das hipóteses pesquisadas

Hipótese Relações estruturais

Coeficiente estrutural Erro padrão valor-t Valor- p Resultado

H1 Model -> ACAP 1.515 0.776 0.032 24.177*** 0.000 Suportada H2 Conhecimento -> ACAP 0.153 0.041 0.074 2.064*** 0.039 Suportada H3 Criatividade -> ACAP 0.250 0.058 0.101 2.475*** 0.013 Suportada H4 Relacionamento -> ACAP 0.109 0.028 0.057 1.889 0.057 Não suportada

H5 Estratégia -> ACAP 0.009 0.000 0.084 0.109 0.912 Não suportada H6 Experiência -> ACAP 0.003 0.000 0.109 0.028 0.978 Não suportada H7 Gestão de Risco -> ACAP 0.474 0.234 0.112 4.223*** 0.000 Suportada *** = nível de significância 1% (=>2,58)

** = nível de significância 5% (=>1,96)

Fonte: Elaborada pela autora com base nos dados da pesquisa (2019)

Como é possível observar, os resultados encontrados para H1 forneceram suporte para a aceitação de que os modelos mentais dos empreendedores influenciam positivamente a ACAP organizacional das empresas incubadas em núcleos de inovação, pertencentes ao Comung e ao Sistema Acafe. Convém ressaltar que é por meio de mecanismos institucionais/empresariais, como a pesquisa tecnológica e a interação entre comunidade e universidade que as empresas incubadas se tornam mais preparadas para transformar conhecimento em produtos ou serviços inovadores. Ainda, um dos fatores importantes do processo de incubação é a sinergia que ocorre não só entre as empresas incubadas, mas também com a comunidade local onde a incubadora está instalada. Essa interação pode colaborar para que haja um aumento na capacidade competitiva da nova empresa através de suas atividades inovadoras.

Ainda, o sistema cognitivo do empreendedor incubado cria redes de conhecimento a partir de espaços compartilhados e inovadores que se organizam e ligam vários tipos de conhecimentos, assim o emprego dos modelos mentais permite não apenas melhorar o desempenho de uma organização, como também desenvolver maior capacidade de aprimorar processos de busca por novos conhecimentos, assimilação e aplicação deste.

Reforçando estes achados para a H1, o trabalho de De Toni e Milan (2008) evidenciou que os modelos mentais dos empreendedores são competências essenciais de uma empresa, ou seja, recursos intangíveis que refletem no modo de atuação desta organização. Para aqueles, o desempenho organizacional é função dos modelos mentais interligados as suas competências que alavancam a busca por informação, diferentes estratégias para uma melhor organização e alocação dos recursos e para o adequado aproveitamento das oportunidades de mercado.

Dessa maneira, como preconizado por Siachou, Daskou e Yannopoulos (2011) vários fatores podem influenciar a construção de modelos mentais: a observação do ambiente, a experimentação e o entendimento das tendências do ambiente, bem como todos os tipos de pesquisa e seleção de informações sobre o assunto são fundamentais para a construção de um modelo mental. Nesta construção, os indivíduos fazem uso de processos de representação, comunicação e interação com o meio ambiente, formando um laço entre a experiência, a avaliação e a aplicação de certos conceitos.

Nesse sentido, Milan (2012) pressupõe que os modelos mentais dos empreendedores impactam no modo de agir do empreendedor, seja para busca de conhecimento e planejamento, bem como na tomada de decisão, corroborando com a proposição central deste estudo de que as variáveis cognitivas dos modelos mentais influenciam na ACAP. Complementando essa ideia, o estudo qualitativo de Milan (2012) identificou que os empreendedores com alto desempenho têm seus modelos mentais voltados para o mercado, ao crescimento por meio da inovação, ao diferencial competitivo com foco em estratégias de longo prazo e conhecimento prévio, buscando um relacionamento com diversos agentes da organização (família, sindicatos, clientes, concorrentes, fornecedores), evidenciando a integração dos níveis indivíduo-grupo- organização, proposta por Lukito-Budi e Indarti (2018), por meio de mecanismos de integração social e um regime de apropriabilidade.

Bressan e Toledo (2013) chamam a atenção para os estilos cognitivos ou modelos mentais dos empreendedores, uma vez que estes são o resultado do modelo de percepção, do processamento e uso da informação. Dessa forma, o padrão de decisão do empreendedor sofre influência direta de seu processo de percepção, que pode operar sob a influência de seu modelo mental ou estilo cognitivo preferido e do uso que ele faz daquilo que é percebido.

Em uma visão multinível, Oliveira e Melo (2018) asseveram que a maneira como os empreendedores pensam sobre sua organização, a imagem que eles têm do seu desenvolvimento e a maneira como perseguem seus objetivos, ampliando ou restringindo possibilidades da organização, está relacionada com seus modelos mentais. E, dependente destes, está a capacidade da organização - ou empreendedor - de identificar oportunidades, tendências e novas realidades no mercado em que a organização opera; bem como a capacidade de ver o que ocorre dentro da organização, de questionar práticas e procedimentos existentes e a capacidade de adaptar o novo conhecimento, conforme necessário.

Nessa perspectiva, destaca-se o ambiente encorajador e flexível da incubadora que propícia ao empreendedor incubado um cenário mais global sobre a competitividade de mercado e sobre como deve agir nesta dinâmica futuramente. Considerando que o empreendedor que está com sua empresa incubada é, por muitas vezes, o responsável por planejar, controlar e produzir, dentro de uma perspectiva multinível, são os modelos mentais destes que compõem a forma de gerir a organização e, conseqüentemente, influenciam suas ações em relação ao ambiente interno e externo.

Sendo assim, existem evidências substanciais de que os modelos mentais influenciam a tomada de decisão dos gestores por meio dos esforços na busca por conhecimento, na combinação das escolhas estratégicas com a compreensão do ambiente de negócios (GARY;

WOOD, 2011). Nesse contexto, Zhao e Parry (2012) afirmam que o conhecimento é necessário para lidar com os desafios multidimensionais de realidades organizacionais complexas, e permitem que os gestores usem dos seus modelos mentais para responder adequadamente nos ambientes em que atuam, evidenciando os achados para a H2, em que é possível inferir que o conhecimento influencia positivamente na ACAP.

A partir de tal indício, é possível enfatizar o papel das universidades no processo de interação entre a comunidade e as empresas incubadas, uma vez que, esta constitui um agente intermediário nesse relacionamento, difundindo o conhecimento gerencial e tecnológico, promovendo atividades empreendedoras, meios para a elaboração de projetos e comercialização, provenientes de pesquisa e ensino.

Em especial neste estudo, as incubadoras localizam-se dentro de ambientes universitários e, possuem um importante papel de transferência de conhecimento, oferecendo serviços e assessorias nas três fases do processo de incubação. Durante essas etapas, a efetivação dos modelos mentais dos empreendedores, ou seja, tornar o pensamento em ação, em uma atitude real, é que contribui para o melhor desempenho das organizações, concretizando-se como um fator fundamental para o direcionamento estratégico da organização.

Uma organização usa certos mecanismos ou aspectos cognitivos para absorver novos conhecimentos, adaptar e aplicar (LANE; KOKA; PATHAK, 2006). Para Milan et al. (2010), ao analisarem a influência dos modelos mentais no desempenho organizacional, afirmaram que o conhecimento envolve noções técnicas, sejam elas do produto, do processo fabril ou das operações e rotinas, que exigem a busca pelo conhecimento do mercado e, consequentemente, impactam na tomada de decisão. Ratificando a visão de Gary e Wood (2011), em que os modelos mentais implicam na maneira como os indivíduos pensam, se comportam e conduzem suas funções produtivas.

O sucesso de um novo empreendimento depende dos recursos e capacidades das organizações, e para isso o conhecimento é um aspecto fundamental para obtenção da vantagem competitiva (MORÉ et al., 2014). Portanto, os modelos mentais dos empreendedores constituem a base da tomada de decisão, à medida que avaliam aspectos inerentes a organização. Nesse processo, adquirir conhecimento para o empreendedor implica em um conjunto contínuo de decisões sobre si mesmo. Ou seja, os empreendedores estão constantemente tomando decisões, explícitas ou implícitas, sobre o que querem ser, e avaliando o que pode ser alcançado, reforçando a perspectiva multinível.

A terceira hipótese suportada neste estudo versa sobre a influência da variável cognitiva criatividade na ACAP organizacional. As incubadoras de empresas destacam-se como ambientes convergentes de inovação e empreendedorismo, fortalecidos pelas relações universidade-empresa-governo para o desenvolvimento local. Para tanto, a criatividade nesses ambientes pode ser vista como um fenômeno complexo, multifacetado e que abrange a construção de conhecimento a partir de várias abordagens, podendo envolver a natureza do pensamento criativo, as características distintivas de uma pessoa criativa, o desenvolvimento da criatividade ao longo do tempo e os ambientes mais fortemente relacionados com atividades criativas.

A confirmação desta hipótese corrobora com os achados de Nyilasy, Canniford e Kreshel (2013), que pesquisaram sobre os modelos mentais de profissionais de agências de publicidade. Os resultados indicaram que os modelos mentais de criatividade são multifacetados e dinamicamente vinculados. Por um lado, os profissionais definem sua criatividade aplicada como inovação, influenciando profundamente não apenas estratégias de comunicação, mas, também potencialmente, a estratégia de negócios dos clientes.

A criatividade pode ser considerada uma importante preditora para o desenvolvimento da ACAP organizacional (VAN DEN BOSCH; VOLBERDA; DE BOER, 1999)e é citada recorrentemente como forma de aprimorar as rotinas e processos internos (PATTERSON; AMBROSINI, 2015) e os empreendedores têm preocupação em estimulá-la em todos os níveis das suas organizações (DE TONI el al., 2014). Fillis e Rentschler (2010) destacam a importância da criatividade, em especial no caso de pequenos negócios, como alternativa para superar barreiras em termos de aquisição de recursos e redução de custos. Segundo estes autores, organizações de pequeno porte não possuem os recursos ou o tempo necessários para desenvolver planos formais de gestão da criatividade, como ocorre em empresas maiores. Nesse sentido, os resultados encontrados nesta pesquisa podem estar relacionados ao tipo de organização estudada: empresas incubadas, que, por sua vez, são inovadoras e caracterizadas pela evolução rápida, dependência de terceiros e trabalhar sob várias incertezas (SILVA; BEURON; ZAMPIERI, 2015). Essas empresas têm como particularidade os modelos mentais do empreendedor, que determinam e explicam o modo de agir dele (SCHAEFER; MINELLO, 2017).

A criatividade do empreendedor está na combinação entre motivação, disciplina, comportamento inovador e na capacidade de descobrir novas oportunidades (DIAS, 2015), sendo que esta é considerada uma variável dos modelos mentais que contribui no processo de reconhecimento do novo conhecimento, assimilação e aplicação, uma vez que, no caso de

empresas incubadas, a criatividade melhora a capacidade organizacional para explorar oportunidades externas através de novos produtos ou novos processos (ENGELMAN; SCHREIBER, 2016).

Os achados da pesquisa de Cassol et al. (2016) evidenciam que, aspectos cognitivos vinculados à criatividade desenvolvem melhorias nos produtos já existentes; criam ou melhoram produtos com base em ideias de colaboradores, clientes ou fornecedores; desenvolvem novos métodos de produção e qualificam os atuais métodos; buscam a aplicação de novas tecnologias em seus sistemas de produção; desenvolvem as competências estratégicas visando à sustentabilidade do negócio e sua vantagem competitiva futura. Assim, a criatividade pode ser vista como o principal fator de sua sobrevivência e de seu sucesso, uma vez que proporciona valor adicional ao produto e ao cliente (CASSOL et al., 2016). Esta mesma visão converge com a proposição de Tidd, Bessant e Pavitt (2008), que afirmam que a criatividade implica não apenas na estrutura, mas em uma série de componentes cognitivos integrados que trabalham juntos para criar e reforçar o tipo de ambiente apropriado para a geração de inovação. Tais achados reforçam os indícios de que há influência positiva da variável cognitiva criatividade na ACAP.

Por outro lado, não foi possível evidenciar influência positiva da variável cognitiva relacionamento na ACAP organizacional (H4). Para Lane e Lubatkin (1998) a capacidade de desenvolver novos relacionamentos está baseada na relação com parceiros que possuem e compartilham conhecimento, e não apenas com troca de experiências em mercado e operação. Tal percepção diante do ambiente proposto pelas incubadoras pressupoe-se que as empresas ali incubadas possuem semelhança em suas bases de conhecimento e em suas estruturas organizacionais, uma vez que a especificidade tecnológica é um pré-requisito para a incubação. Levando isto em conta, questiona-se quais são os traços cognitivos dos modelos mentais levados em consideração pelos empreendedores incubados para o estabelecimento de relacionamento que sejam capazes de propiciar o desenvolvimento de ACAP organizacional?

No estudo de Zaheer e Bell (2005), a estrutura de relacionamentos entre empreendedores não permite compreender o caráter e o conteúdo dessas relações, já que os modelos mentais estão relacionados às percepções do empreendedor em um dado momento, evidenciando os achados para a H4. Os autores sugerem que as pesquisas sobre relacionamentos incluam a dimensão relacional, visto que essa ajuda a explicar o tipo de relação existente entre os empreendedores e os recursos que podem ser mobilizados através dela.

Zaher e Bell (2005) reforçam, também, que não é suficiente que os empreendedores foquem sua atenção somente no desenvolvimento de capacidades internas, nem é suficiente que

apenas estruturem relacionamentos para capturar informações e conhecimentos. Empreendedores precisam equilibrar esforços para assegurar que as duas atividades sejam realizadas.

O estudo de Dias (2015) teve como objetivo analisar os impactos dos modelos mentais dos empreendedores sobre o desempenho organizacional e os resultados alcançados mostraram que a variável relacionamento impactou negativamente no desempenho organizacional. A explicação para tal resultado, obtido pela autora, é de que a diferença no desempenho organizacional pode também estar vinculada à forma como o empreendedor se adapta ao ambiente, como decide estrategicamente e como aplica os recursos existentes.

A não constatação do efeito positivo da variável cognitiva relacionamento na ACAP organizacional nesta amostra pode estar relacionada à relação individual de cada empreendedor com outros, em termos de intensidade do relacionamento, os papéis de cada um na relação, e nas normas subjacentes de um relacionamento. Os resultados obtidos revelaram que mesmo as empresas incubadas estando dentro de um ambiente que proporcione a integração e a troca de informação, o relacionamento não se constitui como um fator potencializador para o desenvolvimento da ACAP organizacional.

Dando continuidade às análises, tem-se segunda hipótese não suportada neste estudo, a H5, que versou sobre influência da variável cognitiva estratégia na ACAP organizacional. Tal evidência pode ser compartilhada novamente com o estudo de Dias (2015), em que esta variável cognitiva apresentou impacto negativo em relação ao desempenho organizacional. A razão sugerida para esse resultado é que o modelo mental do empreendedor pode ter uma percepção imprecisa do ambiente, e assim não ser capaz de implementar uma estratégia válida e viável em dado momento.

O valor de uma estratégia depende da capacidade do empreendedor em identificar e avaliar corretamente o ambiente, para posterior tomada de decisão. Em muitos casos, o que ocorre é uma interpretação do que é percebido no ambiente de maneira indeterminada (BIRD, 1988). Os autores Barr, Stimpert e Huff (1992) alertam que os modelos mentais também estão sujeitos a limitações. Primeiro, esses modelos mentais não são estáveis ao longo do tempo. Um modelo mental que se adapta ao ambiente hoje pode não ser adequado para o ambiente de amanhã. Segundo, a natureza parcimoniosa dos modelos mentais que os torna úteis também limita sua exatidão e precisão na toma de decisão estratégica. Kim (1993) salienta que os empreendedores (e suas próprias organizações) serão bem-sucedidos em suas estratégias quando seus modelos mentais forem precisos e adequados para dada situação.

Hill e Levenhager (1995) consideraram que, os empreendedores devem ser capazes de lidar com uma ambiguidade significativa, o que exige que eles desenvolvam um modelo mental de como agir em seus ambientes, bem como comunicar seus interesses e metas às partes interessadas para obter seu apoio.

Ainda, os empreendedores, frequentemente, operam em um sistema suborganizado, tentando estabelecer uma nova ordem em um mundo percebido como aberto a influenciar e moldar por meio de esforço empreendedor (CHERMACK, 2003). Como resultado, os modelos mentais mais formalizados não foram desenvolvidos ou os modelos formalizados existentes podem não ser apropriados para o atual ambiente (BARR; STIMPERT; HUFF, 1992).

Para Cassol et al. (2016) tanto os efeitos do ambiente quanto a posição competitiva da empresa, possuem um papel relevante no desenvolvimento da ACAP. Isto é, a estratégia aplicada pelo empreendedor pode potencializar a ACAP organizacional, sendo esta capaz de impulsionar inovações e, consequentemente, construir diferencial competitivo. Entretanto, especialmente na amostra pesquisada, a não confirmação da relação entre a variável cognitiva estratégia e a ACAP organizacional pode estar associada a diferença dos modelos mentais dos empreendedores e a sua interrelação com suas competências, com as estratégias adotadas e com os recursos disponíveis.

Assim, pode-se pressupor que os modelos mentais dos gestores podem se configurar como forte mecanismo para a geração de estratégias que desenvolvam ACAP, no entanto, eles também podem limitar ou restringir este desenvolvimento, principalmente quando são inflexíveis e resistentes às mudanças.

A sexta hipótese deste estudo refere-se à relação da influência da variável experiência na ACAP organizacional (H6), sendo está a terceira hipótese cujas relações estabelecidas não encontraram suporte empiríco.

Gavetti, Levinthal e Rivkin (2005) sugerem que os empreendedores costumam fazer escolhas estratégicas em situações novas, utilizando seus conhecimentos derivados de aprendizados e experiências passadas - seus modelos mentais - para raciocinar por analogia, podendo contribuir positiva ou negativamente ao desenvolvimento das habilidades dos indivíduos e, portanto, influenciar no desempenho da organização. Os modelos mentais dos indivíduos não são, portanto, objetivos na avaliação de circunstâncias que requerem experiências particulares anteriores; suas interpretações dependem de como eles fazem uso do senso de uma determinada situação (GRÉGOIRE et al., 2015).

Para Wood e Mckelvie (2015) o conjunto das variáveis cognitivas dos modelos mentais dos empreendedores são estruturas de conhecimento empregadas na tomada de decisão e

influenciadas, entre outros fatores, pela memória, experiência acumulada, conhecimentos e habilidades. A experiência do empreendedor, estando na base da tomada de decisão, é capaz de tornar mais completo o conhecimento sobre a atividade empreendedora exercida. Entretanto, a heterogeneidade das experiências e o conjunto de informações que possuem, tornam as pessoas mais ou menos propensas a fazer uso correto e coerente dos seus saberes (KEH; FOO; LIM, 2002).

As decisões, ainda, podem ser fortemente influenciadas pela vida profissional e pessoal do empreendedor, pelo significado que atribui à realidade e como a vive, em outras palavras, por suas experiências passadas, interações sociais, momentos de dificuldade, todos contribuem para as mudanças e consolidações de modelos mentais (ZHAO; PARRY, 2012). Entretanto, para os autores Gary, Wood e Pillinger (2012) não faz sentido que uma organização tenha ferramentas, instrumentos, técnicas, estrutura organizacional, recursos e informações, se os modelos mentais dos indivíduos da organização forem incapazes de utilizar de sua base experencial para tomar decisões e posicionar a organização estrategicamente.

Vale destacar que a construção dos modelos mentais é um processo dinâmico entre o processo cognitivo e sua rede de relações sociais estabelecidas, que podem variar ao longo do tempo e de acordo com as experiências adquiridas (LE BOTERF, 2003). Ao considerar que a ACAP organizacional está baseada no acúmulo de experiência e que esta deve ser articulada e codificada em conhecimento (ENGELMAN; FRACASSO, 2013), presumi-se neste caso que o efeito negativo entre modelos mentais e ACAP possa estar relacionado com as decisões que direcionam o comportamento do empreendedor. Isto é, o empreendedor usa vieses e suposições anteriores que deram certo em um dado momento e ao repetir as decisões tomadas naquele momento, as mesmas não são assertivas.

Sabe-se que uma das particularidades dos empreendimentos incubados é o papel do tomador de decisão, já que suas expectativas, experiência e motivações, assim como seu conhecimento, influenciam diretamente o sucesso ou não do novo negócio (SCHAEFER; MINELLO, 2017), a experiência anterior em atividades relacionadas e a sua percepção sobre o ambiente podem estar inibindo os processos para o desenvolvimento da ACAP, levando em conta que os efeitos diretos da experiência anterior no setor e orientação para riscos revelam influências diferentes nas percepções dos empreendedores (HSIEH; KELLY, 2016). Possivelmente, empreendedores mais experientes sejam particularmente mais habilidosos em usar sua experiência para identificar e avaliar informações vindas do ambiente organizacional. Por outro lado, aqueles empreendedores que têm inclinação ao risco tomam este como oportunidade. Logo, Hsieh e Kelly (2016) atestam que os modelos mentais podem, portanto,

ser influenciados pela orientação a riscos (quem são), por um lado, versus sua experiência acumulada (o que eles sabem) por outro.

Isto posto, infere-se a sétima e última hipótese deste estudo. Esta verificou a influência da variável gestão de risco na ACAP organizacional, sendo que os resultados encontrados para H7 forneceram suporte para a aceitação da mesma.

Reuber e Fischer (1999) argumentam que a 'lógica dominante' dos modelos mentais dos empreendedores é um componente importante de seu estoque de conhecimento. Baron (2006) descreve essa lógica como sendo um funil de informação através do qual o empreendedor filtra