• Aucun résultat trouvé

If you have problems

Dans le document Real-Time C Debugger for68302 (Page 119-123)

No âmbito de proposta de turismo no município, observamos o interesse em desenvolver a atividade para que os moradores possam fazer uso dos benefícios que o turismo pode oferecer. No atual momento está tramitando na câmara dos representantes municipais um plano para o desenvolvimento do geoturismo na cidade. Essa prática recente de turismo está voltada para a conservação do patrimônio geológico no município.

Conforme defendido por Lopes; Araújo e Castro (2011) “O geoturismo é uma nova modalidade da atividade turística praticado em áreas urbanas, e principalmente, em áreas naturais”. Essa modalidade de turismo tem como objetivo expor as características físicas dos locais aliadas a prática da atividade turística.

O intuito dessa proposta municipal é mostrar o potencial do município de Jucurutu em termos arqueológicos, minerais, ambientais, geológicos e culturais. Para isso, o município pretende desenvolver o geoturismo nos próximos anos, selecionando alguns pontos do município. Entre os pontos escolhidos está a Serra de João do Vale, mas especificamente seu mirante como podemos ver na Figura 11.

Figura 11 – Possível local escolhido para o geoturismo na Serra de João do Vale. Fonte: SIMÃO (2017).

Com a escolha desses pontos selecionados para o geoturismo o município pretende desenvolver o turismo na cidade de Jucurutu, assim a Serra de João do Vale seria um dos locais escolhidos, o que possibilitaria a comunidade maior visibilidade turística.

Diferentemente da proposta de geoturismo que está mais relacionada em explorar os fatores geológicos do município, o turismo comunitário se apresenta como mais uma forma para o desenvolvimento turístico na Serra de João do Vale, esse pode ser aliado das novas propostas para o crescimento da atividade turística no local. No entanto, devemos considerar que a inserção do turismo comunitário pode ocorrer de forma lenta, se introduzido aos poucos na dinâmica socioespacial da comunidade.

Para tanto, é necessário que de início o método participativo seja aplicado por meio de atividades com a participação da comunidade, como treinamentos de capacitação técnica dos moradores do local, que podem ser realizados por meio de palestras e seminários com ênfase no conhecimento adquirido na própria comunidade.

Deve-se também realizar reuniões constantemente para troca de ideias, apresentar os problemas e propor soluções para os mesmos. Por fim, vale ressaltar que o poder público municipal deve ser o responsável pela execução caso tenha atividades que competem ao Conselho de Turismo Municipal.

Contudo, observamos que a Serra apresenta atrativos que possibilitam o planejamento do turismo comunitário, a imagem natural e cultural do local, por exemplo, constitui um importante instrumento para trazer visibilidade a comunidade.

Entendemos, portanto, que o uso de planos facilitará todo o processo para o desenvolvimento do turismo. Dessa forma, concluímos que a Serra de João do Vale, tem

capacidade para receber essa modalidade de turismo, desde que levemos em consideração as peculiaridades positivas e negativas.

Quando forem implantadas ações nos destinos previstos no local, os moradores passarão a ter papel fundamental no sentido de impulsionar o turismo comunitário, uma vez ocorrendo isso o monitoramento torna-se fundamental para acompanhar todo o desenvolvimento da comunidade na perspectiva do turismo.

O desenvolvimento do turismo comunitário será importante para o desenvolvimento da Serra de João do Vale, conquistando possíveis benefícios sociais mais expressivos. É necessário aqui destacar que os governos discursam que o turismo está atrelado ao mercado globalizado. No entanto, o turismo comunitário mesmo com menos acesso ao capital proporciona resultados positivos.

O turismo comunitário chega como forma de buscar alternativas por meio do uso de espaços, tornando esses mais receptivos e democráticos. Essa modalidade de turismo inclusivo, tira o foco do mercado globalizado do turismo voltado ao capital, e traz a tona uma forma alternativa de desenvolver o turismo, voltado para o social e para o trabalho coletivo. Tendo em vista essa proposta de desenvolver o turismo comunitário na Serra de João do Vale, ouvimos alguns dos moradores e propomos possíveis alternativas para a evolução dessa modalidade para comunidade por meio de ações específicas.

Assim, por meio de diálogos informais com alguns moradores, e por meio do conhecimento adquirido com a vivência do local, notamos que os moradores da comunidade esperam almejantes que o turismo ocorra de forma mais incisiva na Serra de João do Vale, e que traga resultados significativos no intuito de gerar renda e consequentemente melhorar a situação de vulnerabilidade socioeconômica existente na comunidade.

Segundo diálogos mantidos com os moradores mais antigos do local, observamos que existe de certa forma insatisfação em respeito ao descrédito turístico dado a comunidade nos últimos anos. A comunidade passa muitas vezes despercebida nesse sentido devido à falta de uma organização efetiva da atividade turística, assim como também os moradores veem a falta de maiores incentivos na comunidade como um empecilho para o desenvolvimento do turismo.

Já no que se refere à proposta de autogestão dos recursos por parte dos moradores, proposta essa característica do turismo comunitário, observamos que alguns demonstram interesse, porém é evidente que há ainda um receio dos moradores em relação à forma como esses recursos serão administrados e organizados pelos mesmos.

Assim, com base nas nossas observações feitas durante a pesquisa de campo na Serra de João do Vale, observamos que a comunidade poderia começar a estruturar o turismo comunitário no âmbito da própria comunidade, tendo em vista os atrativos existentes na serra, organizando os pontos que receberiam essa atividade, de forma que evidenciasse os atrativos, como já discutimos no capítulo anterior, tais como o artesanato e principalmente as belezas naturais do local que são inúmeras, como podemos ver na Figura 12.

Figura 12 - Pôr do sol na Serra de João do Vale Fonte: SIMÃO (2017).

Mesmo com todos os atrativos existentes na serra, observamos que alguns moradores, no entanto, reclamam da falta de uma estruturação do turismo na Serra de João do Vale por parte do poder público, o local necessita de um marketing eficiente para a venda do produto em questão, precisa também de maior número de hospedagens, restaurantes, para assim oferecer ao visitante melhores condições de estadia e conforto no local.

Diante do que foi exposto, percebemos que o turismo na Serra de João do Vale, necessita de uma maior atenção por parte do poder público para efetivação do local como ponto turístico, deve-se pensar em políticas que incentivem o turismo comunitário na comunidade, e que busquem estabelecer uma série de ações para dar novas funcionalidades ao local.

Apesar dos problemas existentes, consideramos que o local é em si dotado de atrativos que podem fazer da Serra de João do Vale referência na atividade turística, desenvolvendo o turismo comunitário como forma de proporcionar aos seus moradores, uma alternativa de melhorar as condições na geração de renda.

Como vimos no decorrer da pesquisa, a Serra de João do Vale pode se destacar para o município de Jucurutu e também no Polo Seridó turisticamente, com uma maior estruturação do turismo comunitário e com a devida capacitação dos moradores, que possibilitem aos mesmos gerenciar a atividade e tomar a frente nas decisões.

Se até o momento atual o turismo surge como importante instrumento para o desenvolvimento em alguns locais selecionados, o turismo comunitário abordado no decorrer do presente estudo surge como alternativa de desenvolvimento inclusivo dos locais mais afastados ou até excluídos dos benefícios do turismo. Sendo uma nova forma de buscar a integração das comunidades na atividade turística, oferecendo aos envolvidos possibilidades de alavancar o turismo numa perspectiva mais social.

Portanto, o turismo comunitário surge para a Serra de João do Vale como uma forma de possibilitar aos moradores uma renda extra e como forma de mostrar e de melhor explorar as potencialidades turísticas existentes na área.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Entendendo que o turismo é uma das atividades que mais cresce no Brasil, observamos que algumas áreas, sobretudo, áreas interioranas são de certa forma excluídas dos benefícios que a atividade turística pode proporcionar. Dessa forma, o turismo comunitário surge como uma importante ferramenta para melhorar as condições sociais e econômicas das comunidades.

Vimos que o turismo surge para a Geografia de forma mais incisiva apenas na década de 1980, década essa em que os Estados nordestinos tiveram apoio da Empresa Brasileira de Turismo (EMBRATUR), para alavancar o turismo na região. Dessa forma, o surgimento e os avanços no turismo e na própria Geografia proporcionaram a articulação da atividade no Brasil.

Com todas as mudanças ocorridas no espaço nos últimos anos, sobretudo, mudanças advindas dos avanços tecnológicos, a rápida troca de informação entre as pessoas dinamizaram ainda mais a atividade turística. As mudanças na forma de trabalho das pessoas proporcionou um maior tempo livre para as mesmas, isso também foi um fator que aumentou a procura das pessoas pelo turismo.

Com sua industrialização tardia, o Brasil demorou um pouco a ter avanços na atividade turística, observamos que os avanços da atividade ocorreram de forma lenta, no entanto, são notáveis os aumentos nos números do setor, sobretudo, na economia do país.

No Nordeste do país, por exemplo, a atividade turística concentra-se muito na região litorânea. Sendo assim, o Ministério do Turismo já demonstra preocupação em interiorizar o turismo. Desse modo, as áreas tidas como excluídas dos benefícios da atividade turística passaram a ser mais vistas, de forma que aumentaram os investimentos nas mesmas.

Contudo, o Seridó não está inserido no circuito majoritário da atividade turística no Rio Grande do Norte apresenta-se como uma área interiorana com pouca representatividade nesse sentido. Faltam investimentos por parte do poder público para buscar desenvolver o turismo, uma vez que a região é dotada de potencialidades, como sua rica cultura advinda de sua história, que estão materializadas nos municípios que compõem o Polo Seridó.

Diante disso, apresentou-se o turismo comunitário como uma alternativa de renda aos moradores da Serra de João do Vale, mostrando que a implantação do mesmo pode trazer diversos benefícios a comunidade, levando também em consideração todos os problemas hoje enfrentados na localidade, compreendendo a dinâmica e propondo alternativas para desenvolver essa modalidade de turismo no local.

Dessa forma, conhecendo as particularidades da Serra de João do Vale no município de Jucurutu, que está inserido no Polo Seridó, foi possível observar que o local apresenta diversas potencialidades que podem ser mais bem aproveitadas pelo turismo comunitário, como sua rica beleza natural, artesanato, gastronomia, além do Mirante do Vale que já é tido como ponto turístico do local. No entanto, também observamos que a Serra apresenta carências econômicas e sociais.

Outro ponto importante que notamos ao longo do estudo é a falta de infraestrutura no local, pois há uma deficiência de incentivos e de programas e projetos, uma vez que os lucros da atividade turística ainda estão relacionados muito ao turismo massificado e excludente.

Sabemos da necessidade de se planejar o turismo comunitário e consequentemente da estruturação e organização da atividade na Serra de João do Vale, uma vez que os turistas podem ser atraídos pelos diversos atrativos existentes no local. O turismo comunitário apresenta-se como uma forma de proporcionar melhorias tanto aos visitantes como ao local visitado.

Diante do que foi exposto, entendemos que a Serra de João do Vale apresenta-se como um local que se planejado de forma adequada pelo turismo comunitário, tende a se desenvolver tanto economicamente como socialmente, alavancando o turismo no local, e trazendo maior visibilidade dessa modalidade de turismo para a região.

Contudo, notamos que os moradores da Serra de João do Vale com os devidos investimentos e políticas públicas no âmbito do turismo comunitário, podem fazer melhor uso das potencialidades existentes no local. Quando devidamente instruídos poderão ter um maior controle dos produtos a serem ofertados ao turista, investindo, por exemplo, na gastronomia, na cultura, e expondo os diversos atrativos, naturais, culturais e históricos, proporcionando aos moradores uma alternativa de renda e alavancando o desenvolvimento turístico do local.

REFERÊNCIAS

AZEVEDO, F. F. de. Entre a cultura e a política: uma geografia dos “currais” no sertão do Seridó Potiguar. 2007. 445 f. Tese. (Doutorado em Geografia) – Instituto de Geografia. Universidade Federal de Uberlândia, 2007.

_______. Desenvolvimento regional e potencial turístico no Seridó Potiguar. Natal, RN: EDUFRN, 2014.

BARROS, N. C. C. de. Manual de Geografia do Turismo: meio ambiente, cultura e paisagem. Recife: Editora Universitária da UEPE, 1998.

BARTHOLO, R.; SANSOLO, D. G.; BURSZTYN, I (orgs.). Turismo de base comunitária: diversidade de olhares e experiências brasileiras. Rio de Janeiro: Letra e Imagem, 2009.

BLOG JUCURUTU EM FOCO. Artesanato de Jucurutu. 11/03/2015. Disponível em: <http://jucurutufoco.blogspot.com.br/2015/03/artesanato-de-jucurutu.html>. Acesso em: 20 Nov. 2017.

CASTELLI, Geraldo. Turismo: atividade marcante do século XX. Caxias do Sul: EDUCS, 1996.

CALDAS, R. W. (Coord.). Políticas públicas: conceitos e práticas. Belo Horizonte:

Sebrae/MG, 2008. v. 7. 48 p. Disponível em: <

http://www.mp.ce.gov.br/nespeciais/promulher/manuais/MANUAL%20DE%20POLITICAS

%20P%C3%9ABLICAS.pdf>. Acesso em 24 Nov. 2017.

CORIOLANO, Luzia Neide Menezes Teixeira. O turismo de inclusão e desenvolvimento

local. Fortaleza, CE: Premius, 2003.

_______. Políticas alternativas: arranjos produtivos locais do turismo comunitário. In: Arranjos produtivos locais do turismo comunitário: atores e cenários em mudança. EdUECE, Ceará, 2009.

DIAS, Reinaldo; MATOS, Fernanda. Políticas públicas: princípios propósitos e processos. São Paulo: Atlas, 2012.

EMBRATUR- Instituto Brasileiro de Turismo. Disponível em:

<

http://www.embratur.gov.br/piembratur-new/opencms/index.html>. Acesso em 18 Ago. 2017.

FONSECA, Maria. Aparecida. Pontes da. Espaço, políticas de turismo e competitividade. Natal, RN: EDUFRN, 2005.

FLEXOR, Georges; LEITE, Sérgio Pereira. Análise das políticas públicas: breves considerações teórico-metodológicas. In: ENCONTRO NACIONAL DE ECONOMIA POLÍTICA, 12., 2007, São Paulo. Anais... São Paulo: SEP, 2007. 22 p. Disponível em: <http://www.franciscoqueiroz.com.br/portal/phocadownload/gestao/AnalisePolitica%20Publi ca_flexor_leite.pdf>. Acesso em: 24 Nov. 2017.

GALVÃO FILHO. Carlos Eduardo Pontes. A Geografia estudando o turismo: uma análise dos trabalhos apresentados em dois eventos geográficos nacionais. Londrina, 2005.

HALL, Colin Michael. Planejamento turístico: políticas, processos e relacionamentos. São Paulo: Contexto, 2001.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). CENSO DEMOGRÁFICO, 2010. Rio

de Janeiro: IBGE, 2017. Disponível em:

<https://cidades.ibge.gov.br/brasil/rn/jucurutu/panorama> Acesso em: 21 Nov. 2017.

______. IBGE. PESQUISA DE TRABALHO E RENDIMENTO, 2015. Rio de Janeiro: IBGE, 2017. Disponível em: <https://cidades.ibge.gov.br/brasil/rn/jucurutu/panorama> Acesso em: 23 Nov. 2017.

LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos da metodologia

científica. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2003.

LENCIONI, Sandra. Região e Geografia. São Paulo: EDUSP, 2003.

LOPES; ARAÚJO; CASTRO. Geoturismo: estratégias de geoconservação e de desenvolvimento local. Caderno de Geografia. 2011. Disponível em: <

http://periodicos.pucminas.br/index.php/geografia/article/viewFile/2069/2414>. Acesso em: 25 Nov. 2017.

MINISTÉRIO DO TURISMO – Portal do Ministério do Turismo. Disponível em: <http://www.turismo.gov.br/>. Acesso em 6 Mai. 2017.

PAIVA, Maria das Graças de M. V. Sociologia do turismo. 7. ed. Campinas, SP: Papirus, 1995.

RODRIGUES. A. B. Turismo e Geografia: reflexões e enfoques regionais. 3. ed. São Paulo: Hucitec, 2001.

SANTOS, Milton. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. 4. ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2006.

SOUZA, Marcelo José Lopes. O território: sobre espaço e poder, autonomia e desenvolvimento. In: Geografia: conceitos e temas. Rio de Janeiro: Editora Bertrand Brasil, 1995.

SOUZA, Celina. Políticas Públicas: uma revisão da literatura. 2006. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/soc/n16/a03n16>. Acesso em 22 Out. 2017.

TEIXEIRA, E. C. O papel das políticas públicas no desenvolvimento local e na transformação

da realidade. 2002. Disponível em:

<file:///C:/Users/Windows%207/Downloads/POLITICAS+PUBLICAS+E+O+DESENVOLV

IEMNTO+LOCAL.pdf>. Acesso em 13 Nov. 2017.

VASCONCELOS FILHO, João Manoel de. A produção e reprodução do espaço urbano no

litoral norte de João Pessoa. 2003. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de

Dans le document Real-Time C Debugger for68302 (Page 119-123)

Documents relatifs