A segunda categoria a ser analisada refere-se aos motivos que levaram os egressos a participarem dos projetos de extensão. Esta foi constituída de quatro subcategorias de acordo com a Tabela 02.
Tabela 02 - Motivação para Participação
CATEGORIAS SUBCATEGORIAS FREQUENCIA %
MOTIVAÇÃO PARA PARTICIPAÇÃO EM PROJETOS DE EXTENSÃO
Adquirir Conhecimentos e/ou Experiências 14 60
Currículo 4 18
Temáticas dos Projetos 4 18
Bolsas de Extensão 1 4
Fonte: a autora
Entender o que motivava os discentes a participarem de um projeto de extensão sempre foi uma questão que me instigava, já que os valores financeiros das bolsas de extensão eram menores do que a do ensino e da pesquisa. Então, o que levaria um discente a desenvolver uma atividade que renderia nada ou bem pouco financeiramente? Seria aumentar o conhecimento? Ter experiência?
A palavra motivação vem do latim movere, significando “mover”, que na língua portuguesa é definida como “motivo”, expressa tudo aquilo que move um indivíduo. De acordo com Carvalho e Síveres (2013, p. 39) a motivação são os “porquês do
comportamento humano, são eles que irão manter as atividades e determinar a orientação geral das ações”. Esse conceito está fundamentado em Cabanach, et al. (1996, p.45) quando garante que a motivação é "o conjunto de processos que implicam a ativação, a direção e a persistência da conduta; daí a importância do professor como mediador desses processos".
Sabemos que existem diferentes teorias sobre essa temática, e que a motivação vem, geralmente, de fatores internos, e estes são percebidos através do comportamento constituídos por fenômenos emocionais, biológicos e sociais. Portanto, a motivação é um processo que contribui para iniciar, direcionar e manter comportamentos relacionados com o cumprimento de metas e objetivos.
4.2.2.1 Subcategoria: Adquirir Conhecimentos e/ou Experiências
Foram quatro fatores que motivaram os depoentes a participarem de projetos extensionistas, onde adquirir conhecimentos e/ou experiências atingiu 60%, quatorze depoentes.
Muitos dos depoimentos tratavam essa subcategoria como uma forma de estar melhor inserido no mercado de trabalho preocupação presente, que a extensão, através de sua proximidade com o mundo real, traz, dando a certeza de que estarão mais qualificados profissionalmente e com isso minimizam possíveis dificuldades no cotidiano. Os projetos extensionistas favorecem a ampliação do conhecimento e dá a experiência necessária para utilizar a teoria relacionada a práxis (relação teoria/prática). Costa et al. (2013, p. 64) destaca que: “A extensão estabelece uma relação teoria/prática, simula o mercado de trabalho e se constitui o campo de aplicação prática, possibilitando a vivência de conteúdos e qualificando a aprendizagem curricular.
Essa relação freireana entre teoria e prática é focada na articulação dialética entre ambas. Seria uma relação que se dá na contradição, ou seja, destaca Carvalho e Síveres (2013, p. 446) que:
Um movimento de interdependência em que uma não existe sem a outra, cada coisa exige a existência do seu contrário, como determinação e negação do outro; na superação, em que os contrários em luta e movimento buscam a superação da contradição, superando a si próprios, isto é, tudo se transforma em nova unidade de nível superior; e na totalização, em que não se busca apenas uma compreensão particularizada do real, mas coordena um processo particular com outros processos, em que tudo se relaciona.
Essa ação-reflexão-ação freireana coloca teoria e a prática, numa relação de unidade, impõem-se como uma relação dialética, pois essa formação mais aberta, através do contato com a comunidade, fortalece a transmissão do conhecimento e dá ao discente a possibilidade de que ambas as partes possam sair diferentes, modificadas dessa relação, ou seja a educação transmitida na universidade deve ser significativa e contextualizada com uma realidade que orienta a vida do discente. Isso fica claro em alguns depoimentos:
- Maior motivo que me levou a participar desse projeto foi passar o conhecimento sobre essas doenças principalmente para as comunidades mais carentes. Motivo maior exatamente esse de através de um projeto extensão levar o conhecimento que eu obtive durante a minha graduação de biomedicina né na faculdade e passar isso para a sociedade. (D-05)
- Ficar na monitoria e foi um dos caminhos que chegaram até a extensão. (D-04)
- Foi mais legal porque era mais prático, eu sou mais prática aí eu acho que a extensão assim encaixou melhor. (D-09)
- Já entrei no intuito de ter uma formação mais aberta pensando em pesquisa, extensão e ensino. Tinha uma ideia do tripé da universidade e eu achava que isso seria muito importante para minha formação. (D- 12)
- Então queria reunir todas as experiências possíveis, para que eu pudesse ter uma bagagem para fazer mestrado, doutorado. (D-26)
4.2.2.2 Subcategoria: Currículo
Outras duas subcategorias motivacionais tiveram percentuais iguais foram o currículo e a temática do projeto, 18% cada. De acordo com Schmidt (2003, p. 61)
considerando o sentido etimológico da palavra currículo, termo latino (currículo) que expressa:
Movimento progressivo, o andamento de uma corrida de bigas, uma estrada a ser percorrida, pode-se dizer que não houve alteração profunda até hoje, variações que surgiram no vocabulário, no uso e na apropriação do mesmo pelo vocábulo pedagógico.
Pedra (1992, p. 3) classificou o currículo como: "Resultados esperados; conjunto de experiências sob o comando da escola e princípios essenciais de uma proposta educativa". Realmente, essa classificação ratifica Schmitd (2003, p. 60) mostra que o currículo é o elemento "nuclear do projeto pedagógico da escola viabilizando o processo de ensino e aprendizagem", por isso ele vem, ao longo dos anos sendo estudado por especialistas objetivando, de forma efetiva, apresentar resultados. Os depoentes nos explicitam que os currículos alavancaram suas vidas acadêmica e, principalmente, a profissional:
- O principal motivo era a questão do currículo. Se eu queria ser professor eu precisava praticar de alguma forma. (D-04)
- Foi contando muito pelo currículo. Foi mais legal porque era mais praticou sou mais prática aí eu acho que a extensão assim encaixou melhor. (D-09)
- Você tem que fazer projeto de extensão para melhorar o seu currículo, já visando um mercado de trabalho. (D-10)
E continua:
- Você tem que fazer isso para melhorar o seu currículo, então já visando um mercado de trabalho que não estava tão fácil eu já pensei em fazer o projeto de extensão. (D-10)
As universidades devem estar antenadas no que acontece no mundo e suas novas tecnologias na perspectiva de atualizar os currículos. Corroboramos com Torres (1995, p. 16) quando assevera que:
O currículo necessita ter uma determinada proposta pedagógica, que deve estar sempre buscando novas formar ensinar, aprender ou avaliar, o papel dos diferentes sujeitos envolvidos. Tudo isso e reflete uma determinada concepção, não só do educativo, mas do social, do político, do cultural etc.
A UFPE está atualizando seus currículos com a colaboração do Núcleo de Formação Continuada Didático-Pedagógica dos docentes (NUFOPE) que vem, paulatinamente, oportunizando aos professores reflexões sobre a prática pedagógica
no contexto na universidade, com base nas concepções de ensino, aprendizagem, planejamento, estratégias e avaliação. Diante disso, ratificamos Cool (1999, p. 33-34) quando enfatiza que o “currículo é um elo entre a declaração de princípios gerais e sua tradução operacional, entre a teoria educacional e a prática pedagógica, entre planejamento e a ação, entre o que é prescrito e o que realmente se sucede nas salas de aula. ”
4.2.2.3 Subcategoria: Temáticas dos Projetos
A subcategoria temática do projeto foi citada por quatro depoentes, o que mostra que a temática escolhida pelos docentes para desenvolverem suas atividades extensionistas precisam ter estreita relação com o currículo. Confirmam, entre eles estão os depoentes D-02, D-04, D-08, D-12:
- Eu achava interessante a temática do projeto [...] Era uma disciplina que acabava de cursar e a temática do projeto além do que a professora que fazia o projeto [...]. Eu achava ela muito coerente, correta, muito didática [...] Era uma forma de aprender com ela, essa forma de ensino, coordenar projetos. (D-02)
- E o que também me levou pelo título do projeto [...] A intenção do projeto me levou a seguir o projeto de extensão. (D-04)
- A princípio foi a vontade que eu tinha de atuar na área de colocar em prática aquele que a gente aprende em sala. Própria área em si do projeto o objetivo dele me levou a me interessar. (D-08)
-Participação enquanto ganho de conhecimento que eu tive pelos estudos, pelo projeto, pela temática do projeto. (D-12)
Essas temáticas escolhidas pelos docentes quando da elaboração dos projetos perpassam, também, pela atualização dos docentes. O NUFOPE acima citado vem capacitando esses profissionais para levarem aos seus cotidianos acadêmicos conteúdos significativos.
As temáticas dos projetos extensionistas tem um papel fundamental para agregar valor aos currículos, além de possibilitar o desenvolvimento das competências humanas, pedagógicas e profissionais e essa forma transversal defende Arduini (2007, p. 127) “ promove uma educação que ensina a pensar, a pesquisar, a dialogar, a criar, a viver e conviver”.
4.2.2.4 Subcategoria: Bolsas de Extensão
É claro que a subcategoria bolsa de extensão não poderia deixar de estar presente, mas apenas um depoente (D-20) colocou como objetivo principal, pois necessitava dos recursos para se locomover para a UFPE. Entretanto, concluiu dizendo que " o projeto de extensão, eu sempre achei quando estava na faculdade muito interessante, porque era possível participando dele que eu pudesse colocar em prática alguns conceitos, algumas coisas que teoricamente eu aprendia".
Enfim, a instituição carece de ser a grande incentivadora para o crescimento da motivação da comunidade universitária, nesse caso os discentes, por isso logo no primeiro ano de curso a universidade deve buscar apresentar a Extensão Universitária e suas contribuições para o enriquecimento do currículo, mostrar que a EU vai mais além, permite conhecer a realidade local, junto às comunidades de seu entorno, com o propósito de ouvir e criar condições de melhoria de qualidade de vida. É o enfatiza
Carvalho e Síveres (2013, p. 37):
O ambiente da educação superior, ao promover espaços de aprendizagem diversificados, contribui diretamente com a motivação para o aprender dos estudantes [...]. Nesse caso, a organização curricular no contexto acadêmico, os editais para participação em projetos de pesquisa e de extensão, entre outras ações institucionais, são essenciais para a motivação dos alunos. Tudo isso favorece o desenvolvimento cognitivo e afetivo dos estudantes.