Chapter I. Sorghum as brewing adjuncts general information
1.3. Vers une intégration du sorgho comme matière première pour la brasserie moderne
1.3.3. De la problématique de l’hydrolyse des constituants du grain
Considerando-se o tema deste estudo que versa sobre “Os grupos de convivência em Porto Alegre e sua contribuição à garantia de direitos e à autonomia de homens e mulheres idosos: uma aproximação com os centros de idosos em Barcelona”, compreende-se que estes espaços podem contribuir para o processo de interação e de socialização dos sujeitos, a partir de uma identificação coletiva com outras pessoas que estão vivendo a mesma fase da vida.
Essa realidade torna fundamental a perspectiva interdisciplinar no estímulo e no incentivo ao conhecimento sobre o fenômeno do envelhecimento, de forma a garantir uma análise da velhice em sua totalidade, levando-se em conta seus aspectos físicos, psicológicos, sociais, econômicos e culturais. Como considera Martinelli (1999), a realização de trabalhos com outras áreas do conhecimento, a partir de uma prática na perspectiva interdisciplinar, permite um reconhecimento sobre a importância de estudos quantitativos e qualitativos, o que pressupõe outra forma de realizar pesquisas, valorizando a informação quantitativa sem deixar de lado os dados qualitativos (MARTINELLI, 1999).
Faz-se necessário o conhecimento do idoso em sua totalidade, e, principalmente enquanto um sujeito, que possui características e particularidades próprias que o
definem enquanto um ser, que também é social, e que se relaciona com outras pessoas. Tendo-se presente que o Serviço Social é eminentemente interventivo, na medida em que o profissional realiza sua intervenção tendo como objeto as expressões da questão social, é imprescindível o conhecimento da realidade social que está constantemente em mudança.
A construção do conhecimento científico pressupõe duas operações fundamentais, a descrição e a explicação. Através do problema de pesquisa busca- se contemplar a primeira delas, a partir de questionamentos (“o quê”, “quando”, “onde” e “quanto”) que possibilitem uma observação sistemática de um fenômeno que se deseja caracterizar de modo a permitir, num segundo momento, uma explicação (“como” e “porque”) acerca dos fenômenos que permita uma explicação sobre suas causas e a realização de predições (NERI, 2006).
Nessa perspectiva, através desta investigação busca-se responder a seguinte questão: “Como a participação em Grupos de Convivência pode contribuir para a garantia de direitos e à autonomia de homens e mulheres idosos?”. Para complementar o problema de pesquisa elaboraram-se alguns questionamentos, que compõem as questões norteadoras: De que forma a participação nos grupos pode contribuir para assegurar a autonomia de homens e de mulheres idosas? Em que medida o trabalho profissional realizado a partir dos grupos de convivência garante a efetividade dos direitos de homens e mulheres idosos? Como os homens e as mulheres idosas que constituem os grupos de convivência identificam a contribuição de sua participação, tendo em vista a melhoria de sua qualidade de vida?
Tendo-se presente o problema de pesquisa e as questões norteadoras, estabeleceram-se o objetivo geral e os específicos deste estudo, que consistem em: analisar como a participação de homens e mulheres idosos em grupos de convivência pode contribuir para garantir seus direitos e sua autonomia; investigar como a participação nos grupos pode contribuir para a garantia da autonomia de homens e de mulheres idosos; verificar qual a contribuição do trabalho realizado pelos profissionais a partir dos grupos de convivência para garantir a efetividade dos direitos de homens e de mulheres idosos; avaliar os impactos da participação nas condições e no modo de vida dos homens e mulheres idosos que participam de grupos de convivência, na perspectiva da melhoria de sua qualidade de vida.
Compreende-se que o tipo de pesquisa4 que melhor contempla esses aspectos
mencionados deva ser a “descritiva”, caracterizada como aquela que “‟Delineia o que é‟ – aborda também quatro aspectos: descrição, registro, análise e interpretação de fenômenos atuais, objetivando o seu funcionamento no presente” (MARCONI; LAKATOS, 2006, p. 19). Quanto à “abordagem5” esta pesquisa será “qualitativa”, por
possibilitar a descoberta de significados atribuídos pelos sujeitos em suas vivências sociais; por sua dimensão política expressa através da construção coletiva que parte dos sujeitos e a eles retorna e pelo seu caráter de complementaridade e não de exclusão (MARTINELLI, 1999).
A abordagem qualitativa possibilita a investigação de grupos e segmentos delimitados, de histórias sociais a partir da ótica dos autores, a análise de documentos, de discursos e de relações, entre outros. Minayo (1999, p. 57) caracteriza a abordagem qualitativa como aquela
[...] que se aplica ao estudo da história, das relações, das representações, das crenças, das percepções e das opiniões, produtos das interpretações que os humanos fazem a respeito de como vivem, constroem seus artefatos e a si mesmos, sentem e pensam.
A pesquisa qualitativa possibilitou a compreensão sobre o modo de vida dos idosos, de forma a qualificar a intervenção do Assistente Social e de outros profissionais, o que foi complementado com dados quantitativos, que permitiram a identificação das condições de vida desses sujeitos na sociedade atual. Foi definida para este estudo a abordagem qualitativa com a intencionalidade de aprofundar-se no “mundo dos significados e das ações humanas” que não é captável através de equações e estatísticas (MINAYO, 1994), sem perder-se de vista a importância da abordagem quantitativa enquanto um complemento que permite o aprimoramento do olhar, o estabelecimento de relação e de socialização entre os dados (PRATES, 2006).
4 A classificação quanto ao tipo de pesquisa desenvolvida varia conforme o enfoque dado pelo
pesquisador, sendo que sua divisão “[...] obedece a interesses, condições, campos, metodologia, situações, objetivos, objetos de estudo, etc” (MARCONI; LAKATOS, 2006, p. 19).
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Severino (2007, p. 119) ressalta que o termo “abordagem” é mais abrangente, na medida em que esta designação pode ser utilizada referindo-se a diversos conjuntos de metodologias e variadas referências epistemológicas, pois, segundo ele, “São várias metodologias de pesquisa que podem adotar uma abordagem qualitativa, modo de dizer que faz referência mais a seus fundamentos epistemológicos do que propriamente a especificidades metodológicas”.
Martinelli (1999) enfatiza que a abordagem qualitativa permite a busca das significações e das interpretações dos sujeitos e de suas histórias, o que evidencia uma relação de complementariedade e de articulação entre a pesquisa qualitativa e a quantitativa. Como destaca Turato (2003, p. 362), o que difere a pesquisa qualitativa da quantitativa é que esta procura analisar, em termos matemáticos, o comportamento do fenômeno numa população, enquanto a primeira está mais interessada em interpretar o que as pessoas pensam sobre tal fenômeno e como lidam com ele.
Para realização do estudo delimitou-se geograficamente o município de Porto Alegre e foram eleitos como sujeitos da pesquisa os idosos que integram grupos de convivência, os Assistentes Sociais e outros profissionais que os acompanham, a partir da abordagem grupal. Considera-se que os idosos convidados a participar da pesquisa possuem uma referência grupal e expressaram suas vivências e de seu grupo. Como ressalta Martinelli (1999), neste contexto, o mais importante não é o número de pessoas que prestam a informação, mas qual o significado destes sujeitos em função do que se busca com a investigação.
A partir de um mapeamento inicial dos grupos de idosos existentes no município de Porto Alegre, e tendo-se presente alguns elementos norteadores, realizou-se uma classificação dos sujeitos a serem pesquisados por meio de amostragem por variedade de tipos, que possibilita a eleição da amostra dos sujeitos de acordo com o arbítrio e o interesse cientifico do pesquisador (TURATO, 2003). Quanto aos critérios de exclusão dos grupos, não foram considerados aqueles que possuem um tempo determinado de existência e não apresentam um processo grupal, tendo em vista que depois de um determinado período se diluem. Para a realização deste tipo de amostragem foram utilizados, inicialmente, alguns critérios de inclusão dos grupos de idosos, conforme consta no quadro que segue.
Quadro 1: Critérios para a inclusão dos grupos de convivência de Idosos a partir da amostragem por variedade de tipos de grupos
Amostra por variedade de tipos
de grupos Critérios para a inclusão dos grupos de convivência de idosos
Instituição a que se vincula Universidade ou Prefeitura Municipal Tipo de atividade Atividade única ou atividades múltiplas
Tempo de existência Os grupos recém formados e os que se formaram há mais de dois anos
Coordenação Presença ou não de Assistente Social e outros profissionais que os acompanham
Quanto aos sujeitos da pesquisa, pretendia-se, inicialmente, entrevistar pessoas com idades de 60 anos e mais. Entretanto, ressalta-se que foram entrevistadas algumas pessoas que ainda não completaram 60 anos, mas que já participam nesses grupos e manifestaram grande interesse em participar desse estudo. No total, foram entrevistados 12 grupos ligados à Prefeitura Municipal de Porto Alegre, 9 grupos ligados à PUCRS e 3 grupos ligados à Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Totalizou-se, assim, uma amostra de 24 grupos (12 da Prefeitura e 12 de Universidades), com 120 idosos e 32 profissionais entrevistados.
A seguir, apresenta-se o processo de realização da pesquisa.