1.4 Problèmes d'optimisation ombinatoire multiobjetif, adres appliatifs
1.4.1 Le problème de Flowshop
A educação sempre fez parte da vida das entrevistadas. Elas tiveram acesso ao estudo mesmo em tempos e lugares onde as escolas eram praticamente ausentes. Nascidas em famílias mais simples e humildes do interior, como Diva e Bernadete, ainda assim tiveram em casa o incentivo para aprimorar-se.
O estudar sempre fez parte de suas vidas, porém, isso não significa que foram criadas para serem o que quisessem. Além dos limites impostos pela tradição que vigorava na época de suas juventudes (mulheres devem casar, cuidar dos filhos, etc.), havia as limitações do sistema educacional, que era muito fraco nas cidades do interior. Na época em que as mulheres deste estudo estavam na escola, os que conseguiam passar do primário eram sempre privilegiados. Poucas escolas havia no interior; estudar, muitas vezes, significava ingressar em seminários ou escolas para mulheres de congregações religiosas. Mesmo assim, todas estas mulheres terminaram seus estudos na escola.
Depois disso, seus caminhos foram diferentes. Apenas Alda não fez doutorado ou mestrado. Na verdade, mesmo que a educação sempre tenha sido uma prerrogativa, continuar os estudos nesse nível não era desejo de Alda, nem foi prerrogativa para que se tornasse a dirigente principal de sua instituição; para tanto, bastou-lhe a graduação. Para muitas pessoas de seu entorno fazer um doutorado significava ficar “com telha corrida... Ficar meio lelé!” (Alda).
Esse nível de estudo não era comum no Brasil. Ao menos em Santa Catarina, esse grau de formação ainda não era requerido nem mesmo para professores da graduação, como bem ilustrou Diva: “eu era uma das poucas pessoas formadas no Estado!”, e isso bastava para lecionar no ensino superior.
As escolas superiores não incentivavam os professores a se interessarem em levar adiante os estudos. Mestrado e doutorado caracterizavam sonhos muito distantes da realidade da maioria dos estabelecimentos, como pouco se pensava sobre o ensino superior.
Estas mulheres foram extremamente responsáveis pela construção desse conhecimento, conceitual e prático e lutaram para defender seus pontos de vista.
Tanto que, quando se iniciou um movimento intenso para a transformação das instituições em universidades, Alda defendeu sua convicção de que sua instituição era um centro universitário e continuaria a sê-lo: “o dia em que nós estivermos prontos, aí nós
faremos a transformação! […] Universidade, para nós, tem um outro significado!” Como centro universitário, nós somos Centro Universitário!” (Alda).
O relato de Alda mostra como a visão de mundo destas mulheres influenciou a história do ensino superior em suas regiões. Seus conceitos de ensino foram influenciados pelo momento em que viveram. Bernadete, Diva e Elvira se formaram em meio aos movimentos sociais e políticos dos anos 60. Participaram ativamente dos processos de transformação de suas instituições em universidades e, no caso de Elvira, dos processos de mudança de sua universidade. Já para Clarice, foi o mestrado em Educação o grande influenciador de sua concepção de ensino superior, de uma forma específica, e da educação, de uma forma geral.
Por sua vez, o encontro de Alda com os estudos foi diferente. Embora possuidora de uma educação refinada, a inquietação despertada nas outras pela formação superior não ocorreu na sua trajetória. Ela não teve um encontro político com os estudos, no sentido de usá-los como ferramenta de mudança do status quo. Diferente de Diva, Alda não questionou a vocação exagerada de sua cidade para o trabalho, a racionalidade instrumental dominante.
Nos anos 70, quem queria fazer um mestrado, como Elvira, era estimulado a sair do país. Não havia muitos mecanismos que facilitassem essa formação no Brasil. Quem fazia mestrado em sua própria instituição, como Elvira, não era liberado de suas demais atividades como professor. Assim, Elvira começou o mestrado em Lingüística na sua instituição, era um curso bastante forte: “fiz nos quatro anos dando todas as minhas aulas [em paralelo]. Só no último ano, que eu consegui no meu departamento vinte horas pra acabar a dissertação.” (Elvira).
Além disso, Elvira enfrentou as dificuldades próprias de estudar quando já tinha formado sua família. Quando fez o mestrado, seus filhos ainda dependiam muito dela, sendo que teve de contar com o auxílio do esposo para concluir sua formação: “Mas assim, [meu marido] me ajudava, a gente tinha as crianças... Ele ficava com as crianças de manhã. Eu me levantava quatro horas da manhã, cinco horas da manhã, pra estudar, fazer as coisas! Então, ele levava as crianças pra escola, tal, tal...” (Elvira).
A maior importância do mestrado para Clarice foi perceber o quanto tinha sido uma aluna alienada Na graduação. Ela constatou o quanto a sua formação até ali tinha sido feita de forma a preservar os privilégios e as diferenças. Ela não se considerava uma aluna dedicada aos estudos. Considerava-se alienada, pois viveu em um período rico da história e não tinha noção do que a cercava. Seu reencontro com os estudos se deu quando seu marido foi fazer mestrado em São Paulo e ela decidiu também fazer mestrado na área de Educação. Foi assim, meio por acaso, que ela constatou a importância dessa formação para sua vida.
Foi a partir desses estudos que começou uma nova história para Clarice: “Eu fui pra São Paulo sem conhecer absolutamente nada, morrendo de medo! E eu fiz o meu mestrado e lá, virei a minha forma de ver o mundo, tudo. Aliás, existe uma Clarice antes de SP e uma Clarice depois de SP, pelo menos em termos de valores, de visão das coisas!” (Clarice).
Esse reencontro de Clarice com os estudos foi decisivo em sua trajetória. E assim, em idas e vindas, as reitoras foram se encontrando com os estudos, numa época em que tudo era mais difícil, em que a educação tinha uma concepção diferente da que existe hoje, uma época onde formação superior era coisa de gente “lelé”, algo sobre o qual a grande maioria não tinha absolutamente nenhum conhecimento e, muito menos, acesso.
Assim, esses encontros foram definindo a maneira como as entrevistadas se relacionaram com o ensino superior de uma forma geral, e com a liderança que exerceram em suas instituições de forma específica. Através dos estudos, como de outras experiências que tiveram, foram definindo suas identidades e o modo como avaliavam essas identidades. Dessa maneira, tais encontros foram possibilitando outros, como aqueles que tiveram consigo mesmas.