5. REVIEW OF LEVEL 2 PSAs
5.5. Probabilistic modelling framework
Há um vilarejo ali Onde areja um vento bom Na varanda, quem descansa Vê o horizonte deitar no chão Pra acalmar o coração Lá o mundo tem razão Terra de heróis, lares de mãe Paraíso se mudou para lá Por cima das casas, cal Frutas em qualquer quintal Peitos fartos, filhos fortes Sonho semeando o mundo real Toda gente cabe lá Palestina, Shangri-lá Vem andar e voa Vem andar e voa Vem andar e voa Vilarejo Marisa Monte
Esse é o ponto de partida de nossa pesquisa, uma vila de casas, atravessada por uma estrada de chão de terra batida (boa parte continua assim), de casas simples de bloco sem reboco, delimitadas por cercas de arames ou toras de madeiras, algumas delimitadas por um pequeno muro, portas abertas, moradores nas varandas vendo a vida passar, o que se traduz em tranquilidade e harmonia.
Diogo é pequeno, vocês viram né, são duas entradas e duas saídas, mas uma comunidade pequena que todo mundo é parente igual a minissérie da globo, a grande família, aqui é uma grande família mesmo, aqui é tio, aqui é todo mundo irmão, até lá na frente,eu sou filho né, aqui é a casa de todos os irmãos,... uma comunidade basicamente formada por quatro irmãos, mas a comunidade foi crescendo devido a chegada do turismo aqui do lado através da costa do Sauipe, na década de 1990, 2000.(PF 1)
Em relação à origem da denominação da Vila consideramos que o nome do personagem célebre da história do Brasil “Diogo Caramuru” pode ter algum significado visto que o mesmo andou “por essas bandas”. Não encontramos nenhum material escrito que alicerçasse nossa hipótese, mas o livro O Feudo – A Casa da Torre de Garcia d’Ávila de Luiz Alberto Moniz, pudemos conhecer melhor a história de Garcia d’Ávila e de sua relação com Caramuru. Nesta época a aldeia indígena era habitada por Tupinambás. Em A primeira
evangelização das aldeias ao redor de São Salvador – Bahia 1549-1569 do padre Carlos
Bresciani encontramos a data de fundação de diversas aldeias no Litoral Norte, como e por quem elas foram fundadas, além de descobrir a localização desses aldeamentos. Então chegamos à Aldeia de Santo Antônio fundada pelos padres Luís da Grã e Antônio Rodrigues que corresponde à atual Vila de Santo Antônio ao lado de Diogo.Bresciani fala em seu livro sobre a fundação de outra aldeia, próxima de Santo Antônio à qual o padre Antônio Rodrigues deu o nome de Bom Jesus de Tatuapara, pela localização dada no livro de Bresciani, então imaginamos que esta aldeia se trata de Diogo.
O artigo de Maria Hilda Baqueiro Paraíso (2000) também reforça essa ideia e afirma que Bom Jesus de Tatuapara serviu também de morada para os índios que fugiram dos ataques de Garcia d’Ávila. Trata-se de uma vila na parte interna da APA-LN com uma distância acima de 1000m da linha da praia. Dados mais atuais do Plano de Desenvolvimento do governo da Bahia, essa região encontra-se estagnada economicamente e corre o risco de formar favelas compostas de novos moradores de baixo poder aquisitivo, por conta da migração em busca de trabalho na rede dos complexos hoteleiros. Assim como o povoado de Santo Antônio, é um núcleo urbanizado tradicional preservado (BAHIA, 2005). A vila do Diogo serve de apoio às atividades turísticas, demanda excursionista ou veranista, mas não possuem atrativos capazes
de atrair novas e grandes demandas. Neste ano de 2013, a prefeitura está fazendo o arruamento pavimentado sem sistema de drenagem. A rede de água encanada chegou à Vila, há pouco tempo, no ano de 2011, como relatado por uma moradora.
[...] Esgoto a gente não tem – rede de esgoto não tem – faz fossa nas casas. Tem coleta de lixo a cada três dias [...]. Agora é água encanada, antes era água de poço que distribuía para comunidade, mas quando a embasa chegou tem gente que usa os dois. Chegou no final de 2011, eu pago uns $30,00 reais de água. Está fazendo calçamento das ruas com pavimentação. Luz tem mais de 20 anos. (P 2)
Apresenta sua configuração espacial conservada e a dinâmica do crescimento urbano depende exclusivamente da economia agrícola da região, que é tradicional e com baixo dinamismo econômico. A vila do Diogo pode vir a sofrer em médio prazo, algum tipo de efeito de crescimento urbano mais intenso, em decorrências dos novos complexos turísticos que estão se implantado na orla do município de Mata de São João (BAHIA, 2005). As mudanças que aconteceram ao longo desses anos foram evidentes, mas não transformaram a vila a ponto de torná-la um lugar difícil de viver.
A primeira escola da vila foi construída há aproximadamente 35 anos pelo então prefeito Ladislau Reis de Souza, e só oferecia o ensino primário (CHAVES E CRUZ, 2007).
Quatro salas pequenas e abafadas, mesas e cadeiras já usadas por várias gerações fizeram parte do cenário da escolinha, instalada em uma antiga casa, de fachada simples, portas e janelas azuis e muro baixo. Por muitos anos, esse foi o lugar onde grande parte dos habitantes de Diogo se alfabetizou. (pag. 116)
Em 2007 uma nova escola foi construída, com uma estrutura maior e com o ensino até o 9º ano do ensino fundamental. Nos capítulos seguintes iremos aprofundar nossa pesquisa discutindo sobre as práticas curriculares desenvolvidas nas escolas municipais do litoral norte da Bahia, das comunidades de Diogo e Santo Antônio sob a perspectiva metodológica e política da Educação Ambiental e a relação entre a cultura corporal e cultura ambiental.