PARTIE I : LES GLIOBLASTOMES MULTIFORMES
I.4. Prise en charge actuelle des glioblastomes
À medida que os estudos empíricos foram se aprofundando através das entrevistas e análise documental, outros aspectos da realidade do estudo foram emergindo, sendo percebidos como relevantes no processo de investigação.
Observou-se que aspectos relacionados com o capital social, político e ambiental tiveram uma dimensão de grandes conflitos para os oleiros-artesãos do espaço Mauriti, gerando dificuldades no crescimento e sustentabilidade do grupo. Conflitos relacionados, primordialmente, com entraves territoriais e dificuldades de planejamento de gestão.
Foi observado que os oleiros-artesãos, de forma espontânea, agregaram valor à produção na inovação e implantação de peças decorativas, reposicionando-se no mercado consumidor, o que levou ao crescimento de vendas no mercado diferenciado. Neste contexto pode ser visto que houve uma relação entre a cultura, inovação e mercado que gerou sustentabilidade no grupo durante alguns anos.
Também pode ser percebido que os beneficiamentos de estratégias de inovação de produtos, apresentados nas oficinas pelos designers, teve o cuidado de manter os valores culturais e da história daquela região, sendo estes inseridos como valor agregado, proposto nos projetos de intervenção dos designers. Identificou-se que, apesar do cuidado e respeito à cultura e história da comunidade, alguns oleiros-artesãos apresentaram resistência em absorver os projetos de novos produtos, não se identificando como autores e não se reconhecendo naqueles produtos. Notou-se que a importância de fatores como autoestima e mobilidade social, eram identificados como valores de peso para os artesãos, que se refletem no apreço que eles têm pelo seu trabalho, principalmente aqueles que trazem a tradição do fazer. A relação afetiva parece tão forte que os valores intangíveis, como o apreço pela criação e produção, as relações entre pares e com o que é construído, parece estar na mesma proporção do retorno financeiro.
Outro aspecto que pode ser analisado é que as oficinas do Laboratório de design podem ter gerado resistência do grupo por estes estarem mais preocupados na resolução de problemas de capital sócio- político e hegemônico, relativos à dificuldade de acesso às jazidas de barro, pertencentes às indústrias
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instaladas na região. Percebeu-se nas pesquisas e relatos que a produção de novos produtos, a partir da intervenção, passou a ter uma importância secundária, pelos problemas ameaçadores à (sobre)vivência e continuidade dos atores daquele grupo.
Observou-se que a equipe multidisciplinar deveria dispor de um profissional com competência para desenvolver processo de grupo, instrumentalizando os atores para uma prática de transformação de si, dos outros e do contexto em que estão inseridos. O trabalho realizado com o grupo deveria promover um processo de aprendizagem dos sujeitos envolvidos, onde a estes fossem permitido ter uma leitura crítica da realidade, uma abertura para as dúvidas e inquietações e busca de resolução dos problemas que se apresentam, quer seja da realidade objetiva ou das subjetividades. A esse profissional cumpriria a facilitação do diálogo entre pares, estimulando a exposição dos pensamentos inerentes ao desenvolvimento do grupo, facilitando a interlocução dos atores: intergrupal (artesãos - designers) e intragrupal ( artesãos - artesãos).
Percebeu-se, ainda, a importância da presença na equipe de um profissional da área jurídica que discutisse, esclarecesse e intermediasse os direitos dos oleiros-artesãos quanto ao acesso às jazidas tratando das questões referentes a territorialização do grupo e da matéria-prima - as jazidas de barro.
As reflexões trazidas sobre o estudo indicaram ser fundamental a realização de um diagnóstico do grupo sobre as necessidades objetivas e subjetivas, a exemplo da escuta sobre o grau de motivação dos oleiros-artesãos para serem transportados para um novo espaço territorial, referente à abertura do Centro Artesanal. Percebeu-se que essa ação criou resistência ao grupo que não ocupou o novo espaço, levando- o a interromper os trabalhos artesanais, com o fechamento do Mauriti.
Analisou-se que ações envolvendo designers e artesãos, na perspectiva de cocriação, abrangem questões referentes a projeto de inovação de produto, de mercado, mas primordialmente a busca de resolução de problemas que afligem o grupo afetado por dificuldades no âmbito das relações de poder. Portanto não pode ser desconsiderado, o papel do designer como ator na promoção de melhoria das condições de vida das populações. Percebe-se a importância das redes de relação entre designer e artesãos na perspectiva de projetar produtos e serviços com eficácia para ser lançado no mercado, assim como serem eficientes os projetos desenvolvidos com objetivos políticos e de justiça moral. Caso essas ações projetuais não caminhem em paralelo, as ações não têm repercussão ao nível da sustentabilidade de um grupo, quando este se encontrar na posição de opressão social, política e econômica.
Os trabalhos a serem desenvolvidos nos grupos, devem estar respaldados em princípios metodológicos embasados em pressupostos teóricos, que norteiem as intervenções de design. Nossa
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sugestão para o trabalho de intervenção é a teoria de grupo operativo, assim como a utilização de práticas de dinâmicas corporais e jogos de ludicidade com a perspectiva de estimular a criatividade do grupo.
Com base nestas conclusões propõe-se o modelo representado na Figura 5.1, processo de Grupo Design-Artesanato, no qual a cadeia do desenvolvimento sustentável e construção de comunidade criativa é estimulada nas intervenções entre os intervenientes do processo de grupo de design – artesanato.
Figura 5.1 - Modelo Processo de Grupo Design-Artesanato
Observa-se que no modelo acima referido, está representado no núcleo a Comunidade Criativa, que estabelece redes de interseção com os componentes necessários ao desenvolvimento sustentável.
A inovação de produto e mercado, representada abaixo, serve de base para que a comunidade possa sedimentar e fortalecer o crescimento da rede do processo sistêmico.
• Métodos Utilizados nas Intervenções ! Processo de Grupo
No Brasil e no mundo são muitos profissionais que trabalham com pequenos grupos, porém percebemos que estes trabalhos são realizados, frequentemente, de forma empírica, sem o suporte técnico de uma teoria de grupo.
Cooperação
Co-criação
Autonomia
Sustentabilidade
Cultura
Auto-estima
Inovação social
Comunidade
Inovação de
Produto
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Técnicas de grupo embasadas em métodos teóricos, são essenciais para que se mantenha o funcionamento e continuidade dos trabalhos propostos.
Assistimos a muitas intervenções em que os designers tem a expertise das técnicas de produtos de design mas não têm, geralmente, conhecimento de desenvolvimento em processo grupal. O embasamento com manejo de grupo é essencial quando estamos falando de relações humanas, onde as variáveis subjetivas são condutoras dos processos das relações interpessoais. Determinadas resistências apresentadas pelos atores do processo, devem ser entendidas na sua subjetividade para que possam ser minimizadas e ressignificadas.
Trabalhar com as ideias teóricas de Pichon Rivière nos baliza para práticas de grupos operativos, que tem como pontos norteadores a visão dialética e sistêmica dos processos do grupo. Acredita-se que não são estabelecidas mudanças significativas se ficarmos presos ao design de produto, este deve ser importante para estabelecer diálogo com as necessidades dos atores do grupo e alavancar os processos de cocriação e inovação como recursos à sustentabilidade.
Para uma visão dialética e sistêmica do desenvolvimento das intervenções, os atores devem ser vistos como primordiais, olhados a partir do design estratégico em função de dois eixos, assim nomeados e definidos:
1. Vertical: refere a tudo que diz respeito a cada ator distinto, individualizado, diferenciado do conjunto
2. Horizontal: refere-se ao grupo, pensado na sua totalidade, com necessidades inerentes ao todo.
! Práticas de Consciência Corporal e Ludicidade
A criatividade é exercitada quando se tem a criança internalizada e viva dentro de cada pessoa. Muitas vezes, ao chegar na fase adulta, com as dificuldades do dia a dia, essa criança fica adormecida e com ela o processo criativo.
Sugerimos a utilização de intervenções com exercícios de consciência corporal e de ludicidade como forma de mobilizar os atores dos grupos a entrarem em contato com seu potencial criativo.
o O objetivo dessas práticas é aumentar no grupo de artesanato, a crença do potencial e possibilidades de criação de produtos com design
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o Estimular a criatividade com ênfase na arte popular e raízes culturais, com fortalecimento da autoestima e fortalecimento dessas raízes
o Incentivar a coesão do fazer em conjunto, para a promoção do desenvolvimento de ações colaborativas, criativas e sustentabilidade do grupo.
É preciso refletir sobre as formas de atuação das intervenções do design com o propósito de agregar valor aos trabalhos artesanais. Como refere Manzini a Inovação Social refere-se a mudança no modo como o indivíduo ou a comunidade agem para resolver problemas ou criar novas oportunidades. Essas inovações devem ser guiadas muito mais por mudanças de comportamentos do que por mudanças tecnológicas ou de mercado. Esse é o papel do designer.