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La prise en charge « en rue »

Etat des lieux de la prise en charge des enfants des rues et/ou dans la rue dans

C) La prise en charge « en rue »

O Projeto Buriti – nome dado à unidade da Perdigão/BRF, em Rio Verde, antes de sua inauguração – começou a ser pensando em 1994, e tinha como objetivo inicial fortalecer as operações da empresa, mediante a ampliação da produção e o aumento da competitividade.

O símbolo do novo ciclo que se vislumbra é o Projeto Buriti, a nossa ida para o Centro-Oeste. Na cidade goiana de Rio Verde, no centro geográfico do Brasil, está em construção um complexo agroindustrial que adicionará à empresa, nos próximos anos, uma capacidade equivalente à metade do que se tem hoje. Esse projeto concentra os nossos maiores esforços de investimento nesse momento (PERDIGÃO, 1998, p. 4).

O Projeto, iniciado no ano de 1998, com uma previsão de conclusão de três anos, consistia na implantação de um sistema completo de integração avícola e suinícola na região de Rio Verde, Sudoeste de Goiás. A construção era composta de:

Um frigorífico de aves com capacidade para abater 281 mil cabeças/dia; um frigorífico de suínos, para 3.500 cabeças/dia; uma fábrica de rações para 60 mil t/mês; duas granjas de matrizes de aves (1.738.000 ovos/semana); um incubatório de aves (1.460.000 pintos/semana); e 810 módulos de integração (aves e suínos)(FAVERET FILHO; PAULA, 1998, p. 4-5).

O complexo, com 70 mil m² de área construída, tinha o propósito de ampliar a capacidade produtiva da empresa em 50%. Para tanto, teria que atingir as metas relacionadas no Quadro 3; fato este que só viria a se concretizar anos mais tarde.

Quadro 3 – Metas para a estrutura produtiva da Perdigão - Projeto Buriti. Abate Aves Suínos 281.600 aves/dia 3.520 cabeças/dia Plantel/Produção de Aves Granjas de matrizes Produção de ovos Produção de pintos de um dia

Plantel de frangos de corte Produção de frango de corte

850.000 aves 90.000.000 71.500.000 pintos/ano 11.500.000 aves 75.000.000 aves/ano Plantel/Produção de Suínos Granja de avós (fornecedoras de matrizes)

Matrizes F1/produção de leitões para terminação

Plantel de suínos em terminação Produção de suínos terminados

3.500 matrizes 32.240 cabeças 330.000 cabeças 850.000 cabeças/ano Demanda de matéria-prima – Consumo

Milho Farelo de soja

450.000 ton./ano 150.000 ton. /ano Produção/industrialização

Ração para aves e suínos Aves - Frangos inteiros e cortes

Suínos - cortes e salgados Industrialização - suínos e aves Industrialização de massas (pratos prontos)

720.000 ton./ano 100.000 ton./ano 30.000 ton./ano 200.000 ton./ano

12.000 ton./ano Estimativas de geração de renda e valores

Faturamento da empresa Geração de impostos Movimentação econômica local Salários, pagamentos de fornecedores e

integrados

R$ 720 milhões/ano R$ 120 milhões/ano R$ 1,5 milhões/ano R$ 35 milhões/ano Fonte: PERDIGÃO (2000) apud BORGES (2006, p. 138).

Como mencionado anteriormente, a decisão de instalar a empresa na região Centro-Oeste consistiu em um longo processo, o qual considerou vários fatores e elementos, como a reformulação interna da empresa e as condições estruturais e competitivas dos mercados interno e externo, além dos atrativos da região e uma série de fatores que não existiam (mão de obra qualificada, formação dos produtores integrados, entre outros), que tiveram de ser viabilizados durante esse processo. Isso envolveu agências públicas de fomento, governos federal, estadual e municipal, bem como empresas parceiras de suprimentos e serviços. Dentre todos os fatores de decisão para a escolha de Rio Verde, os que mais pesaram foram: “os fortes incentivos fiscais e as oportunidades de financiamento, oferecidos pelos governos estadual, municipal e federal” (BORGES, 2006, p. 137).

Após acordos e parcerias fechadas entre os governos federal, estadual e municipal, iniciou-se a busca por integrados, a fim de fomentar o sistema de integração de matrizes de suínos. Para isso, a empresa contou com o acordo entre duas empresas de genética suína: a Agroceres, empresa norte-americana; e a Dalland, empresa holandesa. Esta última realizou parceria com a COMIGO para a produção de matrizes. De acordo com Borges (2006), a empresa holandesa possui quatro núcleos de animais bisavós no Brasil: Goiás, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul; e oito multiplicadores (RS, GO, SC, PR, MS, MT, SP e MG).

Após a determinação da produção de matrizes, a Perdigão/BRF iniciou o processo de seleção dos integrados, que contou com: vídeo explicativo, anúncio em mídia local e missas, convites e conversas com produtores rurais sobre a integração, nos quais apontava as características básicas requisitadas pela Perdigão para se tornar um integrado.

Para ser candidato a integrado, o produtor precisa atender a requisitos básicos, como ter uma propriedade a uma distância média de 80 quilômetros do complexo industrial, com água e energia disponível e acesso fácil o ano todo. Além de apresentar condições financeiras para assumir parte do investimento (PERDIGÃO, 1997, p. 6).

Atendendo aos requisitos necessários para se tornar um integrado, o produtor começaria a receber apoio técnico da empresa para elaborar a proposta de financiamento junto ao Banco do Brasil, que dispôs R$115 milhões do FCO para atender aos produtores, avicultores e suinocultores selecionados pela Perdigão em Rio Verde.

Em 1999, os investimentos no Projeto Buriti ficaram em torno de 80% do total de R$ 120 milhões investidos pela empresa, com previsão de inauguração no primeiro semestre do ano 2000.

Será iniciado o abate de suínos e aves e, em seguida, a produção de processados. Quando estiver a plena carga, a fábrica acrescentará 250 mil toneladas à capacidade atual da Perdigão, um aumento de 50% que trará importantes ganhos de escala. O pólo de Rio Verde irá gerar 3 mil empregos diretos e contará com um sistema integrado para a produção de aves e suíno composto de 800 módulos (PERDIGÃO, 1998, p. 7).

A fábrica de ração entrou em funcionamento em 1999, dando suporte aos integrados de suínos (produtores de leitões e aos terminadores). Em 2000, a empresa investiu R$ 216,3 milhões, sendo R$ 23,5 milhões em capital de giro, face ao andamento acelerado do projeto, que consumiu 71,3% desse montante. Nesse

mesmo ano, o novo parque industrial de Rio Verde iniciou suas atividades com o abate de suínos, em junho, e o de aves, em outubro (PERDIGÃO, 2000, p. 12).

Além disso, foram instaladas granjas da própria Perdigão para a produção de aves (São Thomaz e Rio Doce). Nessas granjas foram “alojadas matrizes da linha COBB, adquiridas dos Estados Unidos, com avós alojadas em São Paulo, matrizes estas que produzirão ovos para os incubatórios”, e que serão alojadas em granjas especializadas na região Sul e no estado de Goiás (REVISTA PARCERIA, 1999, p. 18).

O processo de industrialização, com alta tecnologia, estava em fase inicial, com previsão de ampliação no ano de 2001, contando com novas linhas de produção. Assim, o objetivo da empresa passou a ser o de exportar produtos para a Europa e o Oriente Médio, contrariando o objetivo inicial, que era o de se desconcentrar de suas unidades do Sul. No ano de 2003, a empresa tinha como desafio o de produzir a plena capacidade, chegando ao total de 930 mil toneladas/ano (PERDIGÃO, 2000).

No final de 2001, Rio Verde já produzia 10% do volume total da empresa. Em 2002, foi concluída “a primeira fase do complexo agroindustrial, que já produzia 60 mil toneladas de frangos, 30 mil toneladas de suínos e 90 mil toneladas de produtos industrializados por ano, distribuídos no mercado interno e exportados para 14 países” (PERDIGÃO, 2002, p. 12).

Em 2002, continuando com a implantação do complexo agroindustrial em Rio Verde, foram investidos mais R$ 26 milhões, totalizando cerca de R$ 400 milhões desde o lançamento do Projeto, em 1997. Somente o lançamento da linha de folhados salgados no local absorveu R$ 14 milhões (PERDIGÃO, 2002, p. 21).

Ainda no ano de 2002, a empresa passou a atuar mais intensamente nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste, onde registrou um crescimento de 10,2% nas vendas, acima da média nacional.

O complexo ocupa 2 milhões de metros quadrados e reúne dois frigoríficos (um de aves e outro de suínos), fábrica de rações, incubatório, uma unidade de industrialização de carnes e uma de massas. A tecnologia é de última geração e o projeto foi estruturado com base em sistemas inovadores de funcionalidade e fluxo de produção. A área agropecuária é composta por granjas de matrizes, central de inseminação artificial e mais de 900 módulos para criação de aves e suínos (PERDIGÃO, 2002, p. 12).

No ano de 2003, o complexo agroindustrial Perdigão/BRF foi oficialmente inaugurado, com capacidade para produzir 260 mil toneladas/ano de carnes, com 25% da capacidade total planejada pela companhia. Em 2003, a unidade representou mais de 30% do movimento econômico do município, respondendo por 4,7 mil empregos diretos e oito mil indiretos (PERDIGÃO, 2003, p. 4).

Ainda em 2003, a empresa também fez adaptações no Complexo Agroindustrial de Rio Verde para exportações de suínos. Desde a sua implantação, vários foram os investimentos feitos na unidade, como demonstra o Gráfico 15:

Gráfico 11 - Investimentos próprios da Perdigão na unidade de Rio Verde (R$ Milhões) – 1997/ 2004.

Fonte: Relatórios da Administração (2004).

Em 2004, com a maturação desse complexo, representando 25% da capacidade total de produção da empresa, um total de R$ 411 milhões foi investido no Projeto Buriti. Com a estrutura estabelecida pela Perdigão/BRF, consolidou-se, assim, o complexo agroindustrial de carnes em Goiás, com coordenação própria.

Construído próximo à fronteira agrícola, o complexo contribuiu para a redução dos custos de produção e conferiu maior competitividade para a Perdigão nos segmentos de aves, suínos e industrializados. Ainda em 2004, a Perdigão/BRF fez um investimento de R$ 40 milhões em uma nova unidade, em Mineiros (Projeto Araguaia):

A construção da nova unidade industrial de Mineiros (GO), anunciada em agosto do ano passado, destinada ao abate e processamento de aves especiais, envolverá investimentos fixos de R$ 165 milhões entre 2005 e 2007 e R$ 75 milhões de capital de giro. No mesmo período, os produtores integrados deverão investir R$ 270 milhões para a construção de 200 módulos de produção (PERDIGÃO, 2004, p. 20).

A previsão era de que o complexo agroindustrial, inaugurado no primeiro trimestre de 2007, estaria em pleno funcionamento em dezembro de 2008, com 140 mil aves/dia – peru e Chester – e 81 mil toneladas/ano de processamento de carnes. A empresa previa um faturamento adicional de R$ 550 milhões, com uma geração de dois mil empregos diretos, e seis mil indiretos. A Perdigão/BRF previa ainda investimentos fixos em torno de R$ 150 milhões (PERDIGÃO, 2004).

3.1.3 O complexo agroindustrial de carnes coordenado pela Perdigão/BRF na