O discurso humano é assim mesmo, um composto de partes excessivas e partes diminutas, que se compensam ajustando-se.
(Dom Casmurro, Machado de Assim, 1899)
Neste capitulo, explicaremos quais eram as mensagens contidas em duas canções de Chico Buarque. Escolhemos como material de análise as composições “Marcha para um dia de Sol” de 1964, e a tão consagrada “A Banda” de 1966.
Nelas, tentaremos mostrar as mensagens de inconformismo e as denúncias feitas pelo compositor, mesmo que usando de ambiguidades para fazê-las.
Para Foucault:
O discurso não é simplesmente aquilo que traduz lutas ou os sistemas de dominação, mas aquilo por que, pelo que se luta, o poder do qual nos queremos apoderar. (1970, p-9)
E é sobre esse discurso envolto nas canções de Chico Buarque que dedicaremos esse capitulo. De como mesmo em tempos de censura imposta pelo regime militar que governava o Brasil, ele conseguia comunicar sua mensagem de insatisfação, denunciando a situação que estavam passando os brasileiros.
Marcha para um dia de sol Chico Buarque/1964
Gravada por Maricenne Costa Eu quero ver um dia Nascer sorrindo E toda a gente Sorrir com o dia
Com alegria Do sol do mar Criança brincando Mulher a cantar Eu quero ver um dia Numa só canção O pobre e rico Andando mão e mão Que nada falte Que nada sobre O pão do rico E o pão do pobre Eu quero ver um dia Todos trabalhar E ao fim do dia Ter onde voltar E ter amor
Eu quero ver a paz Tristeza nunca mais Eu quero tanto um dia O pobre ver sem frio E o rico com coração Eu quero ver um dia Numa só canção O pobre e rico Andando mão e mão Que nada falte Que nada sobre O pão do rico E o pão do pobre Eu quero ver um dia Todos trabalhar E ao fim do dia Ter onde voltar E ter amor
Eu quero ver a paz Tristeza nunca mais Eu quero tanto um dia O pobre ver sem frio E o rico com coração
Figura 9- Disco de Maricene Costa, com a primeira gravação de uma composição de Chico Buarque.
Fonte: Instituto Antonio Carlos Jobim website51
Essa canção tratava de temas inovadores para a época, as questões sociais como o desemprego e a moradia, por exemplo, como também, da divisão de classes. Nela Chico Buarque enfatiza bem essa temática em versos como:
“Eu quero ver um dia Numa só canção O pobre e rico Andando mão e mão Que nada falte Que nada sobre O pão do rico E o pão do pobre” 51 (http://www.jobim.org/chico/bitstream/handle/2010.2/431/CB3%20PrR%20053-60%202-2.jpg?sequence=1). Acesso em 20/05/2015.
Essa estrofe evidencia a desigualdade social e econômica que existia no país. Já que na década de 1960, segundo o IBGE52, havia cerca de 22,7 milhões de brasileiros economicamente ativos, em uma população de pouco mais de 70 milhões de habitantes, ou seja, menos de um terço da população do Brasil estava apto para o mercado de trabalho, mercado esse que estava em um momento de transição, saindo do meio rural para o industrial.
Em uma tentativa de conter a inflação que chegou a 40,1%, o governo provoca a diminuição dos salários (arrocho salarial) que acarreta no fechamento de centenas de pequenas empresas, aumentando o número de desempregados. Em longo prazo, essa política econômica, favoreceu apenas as classes e grupos que eram ou faziam parte da aliança golpista como a burguesia industrial e as elites rurais.
Em outra estrofe da canção, Chico Buarque aborda outro problema que afetava e ainda afeta o Brasil, a falta de moradia:
Eu quero ver um dia Todos trabalhar E ao fim do dia Ter onde voltar E ter amor Eu quero ver a paz Tristeza nunca mais Eu quero tanto um dia O pobre ver sem frio E o rico com coração
Com o aumento das exportações e a implantação da indústria de produção de bens duráveis (imóveis, carros e eletrodomésticos) na região Sudeste, principalmente no estado de São Paulo, o Brasil começa a experimentar um leve crescimento econômico, o que gera uma expectativa de melhora de vida para muitos cidadãos, que abandonam o campo e migram para as cidades na tentativa de melhorar suas condições financeiras, gerandoassim um aumento das populações urbanas e trazendo vários problemas de infraestrutura. Na década de 1960 cerca de treze milhões de pessoas migraram do campo para a cidade, o equivalente a 33% da população rural da época. Isso trauxe vários problemas, já que muitas dessas pessoas não estavam preparadas para trabalhar na indústria, pois na sua grande maioria esses migrantes vinham de regiões pouco desenvolvidas na época como o Nordeste, e como grande parte não possuía escolaridade para conseguir uma colocação na indústria ficavam desempregados e sem ter para onde ir. Muitos partiram para trabalhos informais e moravam em habitações inapropriadas, as
52 Anuário estatístico do Brasil, 1964.
favelas tiveram um grande crescimento populacional nesse período. Temos como exemplo a expansão das favelas na cidade do Rio de Janeiro da década de 1960:
Com o regime instaurado a partir do golpe ocorrido de 31 de março para 1 de abril de 1964, a ideia da remoção de favelas ganharia um ímpeto nunca tido antes. O “problema-favela” clamava, segundo autoridades e setores da sociedade, por uma solução urgente, tendo o número de habitante destas praticamente dobrado entre 1950 e 1960, passando de cerca de 170 mil moradores, correspondendo a 7,2% do total da população da cidade, para 335 mil, 10% da população total. (Ribeiro e Lago, 1991)
Marcha para um dia de sol explorava bem esses problemas. Chico Buarque não a gravou porque não “acreditava” na canção, por se tratar de uma temática nova e que gerava algum desconforto para os consumidores de música da época, pessoas que em sua maioria eram de classes mais abastadas da sociedade. Outro empecilho para a não gravação foi o golpe de 1964. Com os militares no poder, o país era gerido por um regime político autoritário, o qual agia muitas vezes de forma bruta contra os que se opunham a ele.
Os militares tomaram o poder para combater a “ameaça comunista” que segundo eles, pairava pelo Brasil. Influenciados pela imprensa, uma parte da população passa a acreditar que a tomada do poder pelos militares seria um modo de impedir que o país fosse tomado por ideias e ideais comunistas:
As classes médias bombardeadas pelos discursos anticomunistas da imprensa e de várias entidades civis e religiosas reacionárias acreditaram piamente que Moscou tramava para conquistar o Brasil, ameaçando a civilização cristã, as hierarquias “naturais” da sociedade e a liberdade individual. (NAPOLITANO, 2014, p-55).
Em 1966, com 22 anos e com pouco mais de 30 músicas compostas, Chico Buarque, que nesse ano havia ganhado o II Festival de Música Popular Brasileira da TV Record com “A Banda”, tornava-se também o artista mais jovem a prestar depoimento ao MIS (Museu da Imagem e do Som), que fundado em 1965, tinha como objetivo ser um qualificado centro de documentação de música e imagem, foi também um centro cultural de vanguarda nas décadas de 1960 e 1970. Lugar de encontros e de lançamento de ideias e novos cantores e compositores, tendo as composições de Chico Buarque ainda que muito jovem como parte de seu acervo53.
Em uma entrevista54 para os membros do conselho superior de música popular brasileira, ele fala dos motivos pelos quais não gravou essa canção:
E - Dentro de todas as suas composições, qual foi a primeira gravada,
imortalizada?
C - Foi essa marchinha.
E - Você poderia exemplificá-la, rapidamente?
E - Letra e música sua? Qual o título?
C - É, Marcha para um dia de sol. (canta) Naquele tempo era novidade
falar de pobre e de rico, para mim era bom ... Depois ninguém queria gravar. E quando veio a revolução foi pior, porque acharam que eu era comunista, então não gravaram de vez mesmo.
Chico Buarque ainda estava no começo de sua jornada como cantor e compositor, e não podia ser tachado de “comunista”, o que seria provavelmente o fim de sua tentativa de ingressar no mundo artístico, dessa maneira, não gravou a canção.
O receio em fazer essa gravação não era tanto por medo de uma eventual perseguição por parte de censores do Regime, já que pelo menos no seu início, o Brasil experimentou uma ditadura “mais tolerante” - mesmo que por pouco tempo - essa em relação às manifestações artísticas:
Os quatro primeiros anos dos militares no poder foram marcados pela combinação de repressão seletiva e construção de uma ordem institucional autoritária e centralista. Em outras palavras, a ordem autoritária dos primeiros anos do regime militar brasileiro estava mais interessada na blindagem do Estado diante das pressões da sociedade civil e na despolitização dos setores populares (operários e camponeses) do que em impedir completamente a manifestação da opinião pública ou silenciar as manifestações culturais da esquerda. (NAPOLITANO, 2014, p-66)
Sendo assim, uma das razões da não gravação dessa canção foi mais “por não querer”, do que “por não poder”. Ser tachado de comunista pela população poderia ser o fim da carreira de qualquer um naquela época. Já que para muitos, devido à propaganda negativa feita pelo Regime que fazia do comunismo uma ameaça ao estado brasileiro:
54 Entrevista. Em: Chicobuarque web site. Disponível em:( http://www.chicobuarque.com.br/texto/mestre.asp?pg=entrevistas/entre_11_11_66.htm). Acesso em 10/03/2015.
O comunismo apresentava-se como uma implementação de ditadura, como ameaça a religião e aos princípios ocidentais da civilização, que vinculavam a sociedade brasileira à democracia. Afirma-se que a doutrina comunista era, ao mesmo tempo, uma estratégia e “uma religião cuja à máxima ambição é a de se opor às religiões clássicas, especialmente a cristã, tendo em vista destruí-la e em seguida substituí-la. (MENDES, 2003, p-83).
Seria esse a questão do “não querer” citado acima, já que a grande maioria da população tinha uma ideia tão negativa a respeito do comunismo, Chico Buarque não poderia ser visto como comunista. Mas esse não seria o único motivo para ela não ter sido gravada.
Por abordar essa temática social com certa “ingenuidade”, Marcha para um dia de sol foi apelidada de “João XXIII55”, que em 1961 e 1963 havia publicados as encíclicas56 Mater et magistra e Pacem in terris, que continham mensagens de reflexão sobre os direitos e deveres das pessoas, pregando a Paz de todos os povos na base da Verdade, Justiça, Caridade e Liberdade. Esse deboche deixou Chico Buarque com certo desgosto, já essa era umas de suas primeiras composições.
Pode ser que o tom conciliatório dessa canção seja derivado da participação de Chico Buarque como membro da OAF (Organização de Auxílio Fraterno) quando estudou no colégio Santa Cruz, pois nessa época, ele ia com frequência a Estação da Luz entregar comida e cobertores aos moradores de rua. Em uma entrevista57 para o jornalista Tarso de Castro do Jornal Folha de São Paulo em 1977, Chico Buarque faz uma menção ao trabalho que fazia com essas pessoas:
Tarso - É, porque o Sérgio parece que mandava todo o mundo pra Europa, não é? (risos), quando se irritava.
Chico - Aí, foi isso. Fui pro colégio interno e tal e passou. Agora, isso de dizer que foi TFP é um pouquinho puxado. E se tivesse sido, também, não teria preocupado de negar, entende? Agora, voltando ao negócio, estudei em escola de padre e tudo. Também não tenho vergonha de dizer isso, porque, inclusive, encontrei lá nessa escola um padre que me marcou muito em termos de conhecer miséria mesmo, entende? Era um negócio que hoje a gente olha de outro ponto-de-vista e tal e até acha muito ingênuo. Mas pra formação de um cara, assim, de um garoto, achei até que foi um negócio muito importante. Então, tinha um negócio chamado OAF - não sei se existe ainda - Organização de Auxílio Fraterno. A gente ia de noite, assim um grupo pequeno, com umas Kombis, à Estação da Luz, levar cobertor. A gente
55 O Papa João XXIII, ou São João XXIII pp, OFS, nascido Angelo Giuseppe Roncalli (Sotto Il Monte, 25 de novembro de 1881 — Vaticano, 3 de junho de 1963) foi Papa de 28 de outubro de 1958 até à data da sua morte. Pertencia à Ordem Franciscana Secular (OFS) e escolheu como lema papal: Obediência e Paz. Em vatican web site. Disponível em: (http://www.vatican.va/news_services/liturgy/saints/ns_lit_doc_20000903_john- xxiii_po.html). Acesso em 16/04/2015.
56 Carta solene, dogmática ou doutrinária, dirigida pelo papa ao clero do mundo católico, ou somente aos bispos de uma mesma nação. (Dicionário Aurélio)
57 Entrevista. Em: Chicobuarque web site. Disponível em
olha hoje, e pode achar até uma bobagem. Mas pra um cara como eu que morava ali no que seria Zona Sul de São Paulo, aliás, por coincidência também zona sul, e que estudou em colégio de menino rico, de repente ter essa missão, duas vezes por semana, era muito importante. Então a gente ia, chegava com aqueles cobertores e o pessoal, os mendigos, fugiam apavorados. (Folha de S. Paulo- 1977)
Marcha para um dia de Sol não era uma simples canção, foi composta mediante experiências vividas pelo próprio compositor, que assim como os trabalhos de seu pai Sergio Buarque de Holanda, Chico Buarque também descrevia as realidades do país. Pegando como base “Raízes do Brasil”, ele faz uma macrointerpretação do cenário que vivenciava o país no início da década de 1960. Já que como o próprio havia dito em entrevista para os membros do MIS: “Naquele tempo era novidade falar de pobre e de rico”. Visto que as canções do fim da década de 1950 eram composições que falavam de amor. Podemos dizer que Marcha para um dia de Sol foi a primeira canção de Chico Buarque que denunciava uma realidade que não era divulgada pelo governo do país.
Acompanhado por sua irmã Miúcha para o João Sebastião Bar, Chico Buarque canta para os presentes a marcha. Esse bar na época era reduto de boa música, onde muitos artistas se encontravam. Dentre eles estava Claudette Soares58, que ao ouvir a canção, prometeu que
iria gravá-la; aquilo deixou o jovem compositor muito feliz, pois ela era uma cantora de grande fama na cidade, e ter uma música gravada por alguém assim iria impulsionar a sua carreira. Mas para seu dissabor a gravação ficou só na promessa.
A essa altura ele já havia perdido o interesse por essa composição:
58 Começou sua carreira muito cedo: foi revelada no programa “A raia miúda”, de Renato Murce, na Rádio Nacional. Apresentou-se no programa da Rádio Mauá chamado Clube do Guri, de Silveira Lima. Depois também se apresentou no programa Papel Carbono, de Renato Murce. Na Rádio Tupi participou do programa “Salve o Baião!”, conhecendo Luiz Gonzaga, o Rei do Baião. Ele a apelidou de Princesinha do baião. Ainda na década de 1950, na Rádio Tamoio, ela apresentou ao lado de Ademilde Fonseca o programa “No mundo do baião” (programa de Zé Gonzaga, irmão do Luís)
Silvinha Telles chamou-a para substituí-la como cantora na boate do Plaza, no final da década de 1950. Dividiu o palco com Luiz Eça, João Donato, Baden Powell e Milton Banana e outros músicos. Participou do programa de TV - Brasil 60, da apresentadora de TV e atriz Bibi Ferreira, pela TV Excelsior - canal 9, de São Paulo. Divulgou as canções da Bossa Nova em São Paulo, nas casas noturnas Baiúca, Cambridge e João Sebastião Bar. Inaugurou a boate Ela, Cravo e Canela, junto com o pianista Pedrinho Mattar, apresentando o espetáculo Um show de show. Em 1967, compareceu ao programa de “TV Jovem Guarda” da TV Record, (Rede Record), canal 7 de São Paulo, ocasião em que interpretou Como é grande o meu amor por você (Roberto Carlos/Erasmo Carlos). Casou-se com o músico Júlio César Figueiredo, em 1972. Seu grande sucesso, De tanto amor, foi um presente de casamento dado por Roberto Carlos, que foi seu padrinho. Veio a se divorciar na década de 1990. Tinha um projeto junto com Dick Farney de gravar uma série de músicas brasileiras, mas, com a morte do amigo, isso foi abandonado. Claudette retomou à sua carreira artística, depois do seu divórcio. Fez turnês por Paris e Lisboa. Biografia: Claudette Soares. Em: vanderproduções web site. Disponível em: (http://www.vanderproducoes.com.br/claudettesoares/biografia.htm). Acesso em 18/03/2015.
Na última hora, saía o disco, eu procurava e não tinha a música, e eu morria de triste [...] Ela foi gravada quando eu já não acreditava nela. Quando eu acreditava nela, ninguém acreditava em mim, porque eu era muito moleque. Quando parei de acreditar nela, eu já estava mais crescido, então resolveram gravar — mas aí a música já não tinha mais sentido nenhum... (HOMEM, 2009, p-15).
Marcha para um dia de sol foi composta em 1961, mas só foi gravada em 1964 na voz de Maricene Costa59, porém Chico Buarque devido à frustração da promessa não cumprida, não gostava mais dessa canção:
Nem João XXIII concorda com aquele tipo de ecumenismo social. Não adianta conciliar rico e pobre, o negócio é não haver distinção. (HOMEM, 2009, p-15).
Mesmo sem gostar, essa foi sua primeira canção a ser gravada, mesmo que na voz de outra pessoa.
Marcha para um dia de Sol pode à primeira vista parecer uma canção simplória, uma marchinha até um tanto infantil, como as bandas que o compositor via passar na rua de sua casa, tocando a simplicidade da vida das pequenas cidades. Ela não possui a complexidade do jogo de palavras de Construção, tão pouco as palavras de ordem cantadas em Cálice, compostas numa fase mais madura. Ela trata de problemas vividos pela população brasileira, que estava vendo o início de uma ditadura, sem saber que o pior estava por vir. E mesmo com mensagens de igualdade entre classes, o que poderia ser vista como uma canção que incentivava o comunismo.
Essa canção era imbuída do que seria uma recorrente em seus trabalhos: canções de protesto. Por ainda estar no início de sua trajetória como cantor e compositor, e sendo mais conhecido como o filho de Sérgio Buarque de Holanda do que como Chico Buarque, ele arriscou-se compondo essa canção, visto que mesmo com uma ditadura ainda um pouco mais
59 Cantora paulista, natural de Cruzeiro, estreou na carreira artística em 1958, quando venceu o concurso A Voz de Ouro, que lhe rendeu um contrato com a TV Tupi. No início da década de 60 atuou em casas noturnas de São Paulo cantando repertório de bossa nova. Foi a primeira a gravar uma composição de Chico Buarque, a "Marcha para um Dia de Sol", pela Philips em 1964. Depois disso foi para os Estados Unidos, onde foi ouvida por nomes como Tony Bennett, Judy Garland e Eddie Fischer. Na volta ao Brasil chegou a vencer um festival da TV Excelsior (com a música "Até Mais Ver", de Vitor Martins e C. Castilho) antes de trabalhar em teatro, na montagem de peças como "Morte e Vida Severina" (João Cabral de Melo Neto) e "Adeus Fadas e Bruxas". Atuou também em um projeto experimental baseado na obra do poeta francês Mallarmé. Em 1992 lançou "Correntes Alternadas", com repertório eclético que incluía, entre outros, o grupo punk Inocentes, Tom Zé e Paulo Vanzolini. Neste mesmo ano começou a elaborar o projeto que resultou no CD "Como Tem Passado!!", lançado em 1999 pela CPC-Umes, que, com o auxílio do pesquisador José Ramos Tinhorão, reuniu doze músicas que representam as primeiras gravações de doze estilos musicais brasileiros diferentes. Outro projeto de destaque foi o show "Sábios Costumam Mentir" (1998), cujo repertório era constituído pelas parcerias do poeta e letrista Waly Salomão ao lado de compositores como Caetano Veloso, Jards Macalé, João Bosco, Gilberto Gil, Lulu Santos e outros. Biografia: Maricene Costa. Em: dicionariompb web site. Disponível em: (http://www.dicionariompb.com.br/maricene- costa). Acesso em 18/03/2015
tolerante, corria-se o risco mesmo que mínimo de sofrer uma censura, que na maioria das vezes não era imposta pelo regime e sim pela própria população que com medo, rejeitada tudo o que parecia seguir ideias comunistas.
Marcha para um dia de sol mostra um Chico Buarque pouco conhecido. Ela não é composta pelo cantor de fama nacional, que já havia ganho prêmios por suas composições, e nem foi feita em meio do caos que enfrentava o Brasil com uma ditadura ríspida, que levava seus opositores de encontro a morte ou ao desaparecimento. Essa canção foi feita por um Chico Buarque, que guiado pelos trabalhos de seu pai, sonhava com um país mais igualitário para